22 de setembro de 2011

O Jornalismo em Portugal

Ao serviço do pensamento único, da ideologia capitalista dominante no mundo


No blog Pedras Rolantes, Venerando de Matos mostra, com alguns exemplos, como a comunicação dita "social" (não) trata os assuntos que realmente são importantes para a sociedade. É um assunto que me indigna e que tenho referido muitas vezes. 


Venerando de Matos aponta que "Em Espanha, uma greve geral de professores em defesa do ensino público, entra no segundo dia e anima o debate público no país vizinho". Do lado de cá da fronteira é bom que nada se saiba não vão os nossos professores lembrar-se da forma como eles e o ensino são tratados.
Diz também que, "Em Nova Iorque algumas centenas de jovens, imitando o movimento dos “indignados” assentam arraiais há vários dias em Wall Street". Maus exemplos que não devem ser revelados para, em Portugal, não acordar os adormecidos.
Matos lamenta que "mil e um pequenos e grandes acontecimentos que descobrimos na imprensa internacional aqui na net, que nem sequer são comentados na comunicação social portuguesa ...". Diria eu que não é por razões de espaço, pois também a nossa Comunicação dita Social, impinge-nos mil e um pequenos e grandes acontecimentos e futilidades para nos "distrair" do que é de facto importante. Há dias dei o exemplo da notícia muito difundida em Portugal de que os preservativos chineses são demasiado pequenos para os sul africanos. 
Por outro lado, como diz Venerando de Matos, "todos os canais repetem até à exaustão as mesmas notícias, os mesmos temas , as mesmas ideias, os mesmos comentadores e entrevistados…" o que mostra que não há falta de espaço mas a intenção de "martelar" as cabeças dos portugueses com o que interessa à direita no poder.


O texto do Blog Pedras Rolantes conclui que "Os três canais informativos por cabo chegam a dar, ao mesmo tempo, a mesma conferência de imprensa, a discussão sobre o mesmo tema e muitas vezes, são os mesmos comentadores, todos a pensar da mesma maneira, apenas com ligeiras nuances para dar algum colorido à coisa". 


Diz ainda que, "Em vez de reportagem, temos cada vez mais comentário, em vez de debate pluralista, temos cada vez mais “especialistas” de tudo e coisa nenhuma que, no essencial , pensam da mesma maneira, em vez de diversidade, o domínio do pensamento único…"
Não é por acaso, que o pensamento único que domina o país há 35 anos, tenta repetir e aproveitar o pensamento único que formatou os cérebros de muitos portugueses nos 48 anos da salazarenta ditadura. Agora o poder da direita instalada apoia-se nessas ideias, na submissão aos que mandam, na aceitação da intromissão da igreja na política, no anticomunismo, nos preconceitos difundidos de que a política é para os políticos, de que são todos iguais, de que assim foi sempre e sempre continuará a ser, que cada um "amanha-se", etc. etc. 


Para garantir essa continuidade, para que os eleitores não despertem para outras soluções, para outras políticas, para outros modelos de sociedade,"Os mesmos ex-ministros que conduziram o país aos descalabro são ouvidos por tudo e por nada sobre a crise, e ainda têm o descaramento de darem a sua opinião e conselhos, e desta ser respeitada pelos jornalistas, sem recurso ao contraditório...". 


"E quando não há “casos” para debater, inventam-se, forçando declarações ou distorcendo interpretações..." distraindo para futilidades, fazendo o apelo ao egoismo e ao individualismo do "salve-se quem puder", à lei do mais forte,  e para terminar como termina Venerando de Matos, "…e é assim que se vai fazendo jornalismo em Portugal…".


Pode este "jornalismo" atrasar o progresso da sociedade mas, tal como acabou o esclavagismo, como acabou o feudalismo, acabará este modelo explorador, injusto, de sociedade capitalista.