28 de agosto de 2011

A nova Censura

O papel da Comunicação "social" na formação de carneiros

Num artigo publicado no Avante, Miguel Urbano Rodrigues analisa "O mundo à beira do caos". Dessa análise, bastante vasta, e acutilante, retirei o excerto que publico mais abaixo. Trata do papel miserável, de muitos jornalistas que se vendem aos órgãos da Comunicação dita "Social". Bem sabemos que nesta sociedade capitalista, só aos ricos é permitida muita coisa. Só os grandes grupos económicos podem ter Televisões e outros meios de comunicação que atingem as grandes massas. 


Experimente o leitor, o seu Sindicato, a sua Colectividade ou Associação Cultural ter acesso à Televisão, aos Jornais de grandes tiragens e logo verá o que acontece. 
Se for para dizer que "temos que trabalhar mais", ainda que haja cada vez mais desemprego, se for dizer que "os ordenados devem diminuir", para ajudar os ricos a resolver a crise (que eles criaram), se prometer dizer que vai apelar ao sacrifício de todos os pobres, que temos que nos conformar com a "crise", talvez tenha direito a uns minutinhos. Se, apesar de prometer dizer isso, quando lhe derem o microfone, disser o contrário verá o que é a Censura. 


Dirão alguns. "Se as televisões são deles, eles passam o que quiserem". Tal como esses dizem, "se as empresas são dos patrões eles pagam o que quiserem", ou "despedem quem quiserem".

Então, como estamos num "país livre", talvez possamos formar uma empresa para nós trabalharmos, ou uma Televisão, para dizermos o que precisamos de dizer e alertar quem anda a "dormir". Verá o leitor que esta "Liberdade" só se compra com o dinheiro e só os ricos a podem ter. 
Liberdade de falar qualquer um, felizmente, pode ter depois do 25 de Abril. Só que, os ricos e os seus servidores podem falar na Televisão, para milhões de pessoas. Os remediados, como eu, podem falar na Internet (por enquanto), para umas centenas de pessoas, os pobres podem falar na mesa do café ou da taberna, para alguns amigos e os reformados, desempregados muito pobres que não têm dinheiro nem para o café ou copo de vinho, podem falar com os que estiverem no mesmo banco do jardim. 
Afinal a "Liberdade" de falar, como a de comer, como a de viajar, como a de ir ao médico, é para todos - desde que tenham dinheiro.


"É assim, sempre foi e sempre será" dizem alguns. Esses, os que dizem isso, que nada fazem para que não seja assim, estão domesticados. 
Vamos então ouvir Miguel Urbano Rodrigues, que nos ajuda a compreender porque é que há tantos a dizer que "É assim, sempre foi assim e sempre será assim". Os subtítulos são da minha responsabilidade.

Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália os detentores do poder proclamam que a democracia política atingiu um patamar superior nas sociedades desenvolvidas do Ocidente. Mentem. A censura à moda antiga não existe. Mas foi substituída por um tipo de manipulação das consciências eficaz e perverso. Os factos e as notícias são seleccionados, apresentados, valorizados ou desvalorizados, mutilados e distorcidos, de acordo com as conveniências do grande capital. O objectivo é impedir os cidadãos de compreender os acontecimentos de que são testemunhas e o seu significado. 


É preciso é distrair...alienar


Os jornais e as cadeias de televisão nos EUA, na Europa, no Japão, na América Latina dedicam cada vez mais espaço ao "entretenimento" e menos a grandes problemas e lutas sociais e ao entendimento do movimento da História profunda. 


Os temas impostos pelos editores e programadores – agentes mais ou menos conscientes do capital – são concursos alienantes, a violência em múltiplas frentes, a droga, o crime, o sexo, a subliteratura, o quotidiano do jet set, a vida amorosa de príncipes e estrelas, a apologia do sucesso material, as férias em lugares paradisíacos, etc. 


Formatar as mentalidades, as modas, as ideias para aceitarmos a injustiça


Evitar que os cidadãos, formatados pela engrenagem do poder, pensem, é uma tarefa permanente dos media. 


As crónicas de cinema, de televisão, a música, a crítica literária reflectem bem a atmosfera apodrecida do tipo de sociedade definida como civilizada e democrática por aqueles que, colocados na cúpula do sistema de poder, se propõem como aspiração suprema a multiplicar o capital. 


"Pensadores" formatados, marionetas, robôs, autómatos sem cérebro


Em Portugal surgiu como inovação grotesca um clube de pensadores; e os debates na televisão e as mesas redondas e entrevistas com dóceis comentadores, mascarados de "analistas", são insuportáveis pela ignorância, hipocrisia e mediocridade da quase totalidade desses serventuários do capital. Contra-revolucionários como Mário Soares, António Barreto, Medina Carreira, Júdice; formadores de opinião como Marcelo Rebelo de Sousa, um intoxicador de mentes influenciáveis que explica o presente e prevê o futuro como se fora o oráculo de Delfos; jornalistas his master's voice, como Nuno Rogeiro e Teresa de Sousa; colunistas arrogantes que odeiam o povo português e a humanidade, como Vasco Pulido Valente, pontificam nos media imitando bruxos medievais, servindo o sistema em exercícios de verborreia que ofendem a inteligência.