9 de abril de 2011

Comício na Rua Augusta

Contra a ingerência e o desastre. 

Por uma política patriótica e de esquerda


No Comício na Rua Augusta Jerónimo de Sousa foi claro na responsabilização do PS, PSD, CDS e Presidente da República pela crise a que chegámos. Acusou o Primeiro-Ministro não querer falar das causas da situação em que o país se encontra, e muito menos falar das "consequências da ingerência externa que decidiu pedir". Pelo que se tem visto na Grécia e na Irlanda, a intervenção externa, é uma ingerência, para nos impor as tais "medidas de austeridade" que o povo não aceitou, uma vez que atingem os que mais precisam e aumentam os lucros dos muito ricos. 



Querem por-nos perante factos consumados antes das eleições
   
Jerónimo apelou à indignação e revolta, contra a mentira que representa esta "ajuda" do FMI. "Não aceitaremos, e apelamos a todos os patriotas e a todos os democratas que se mobilizem contra a tentativa de imposição destas medidas (...) com o apoio do PSD, do CDS e do Presidente da República, num momento em que estamos à beira de Eleições Legislativas" em que o povo vai, através do voto, decidir o rumo a tomar. 



A História de Portugal mostra-nos o caminho
Jerónimo de Sousa mostrou a falsidade destes partidos quererem convencer os portugueses de que o caminho que apresentam "é o único, de que estas medidas são inevitáveis e de que não há saída se não entregar o país nas mãos do fundo europeu e do FMI".
Recordando outros momentos da nossa História em que alguns "para defender os seus interesses, os seus lucros," não hesitaram em entregar e vender o País. Lembrou também, Jerónimo de Sousa, que nesses momentos de dificuldades, "foi o povo, e sempre o povo, que tomou corajosamente nas suas mãos a tarefa de defender os interesses de todos os portugueses, (...) a nossa soberania e independência nacional".



Existem alternativas, como sempre as houve 
"Àqueles que (hoje) entregam o País dizendo que não há alternativa, nós respondemos que há alternativas, como sempre as houve. Dizemos-lhes que a força para construir essas alternativas está nos trabalhadores, no nosso povo, na sua capacidade de produzir, de luta e de amar o seu País, e que por isso que essas alternativas não são só possíveis, como são indispensáveis para inverter o rumo de declínio nacional causado por décadas de política de direita e de abdicação nacional".
Jerónimo expôs as Alternativas que o Governo e os partidos da direita têm recusado e que a comunicação social têm escondido ao País. Em resumo disse que "Há alternativa para a questão da dívida" como o PCP tem vindo a propor, "proceder à renegociação imediata da dívida pública, quer quanto aos prazos, quer quanto às taxas de juro, quer mesmo quanto aos montantes". 



Governo firme na defesa dos interesses de Portugal
Para isso afimou a necessidade de um Governo "com uma acção firme perante a União Europeia". Mostrou a necessidade de "uma intervenção do Estado português junto de outros estados da União Europeia" que enfrentam iguais dificuldades, "visando uma intervenção convergente (...) exigindo o combate à especulação. Lembrou que há possibilidade de recurso a outras fontes de financiamento, entre estados.
O secretário-Geral do PCP mostrou ainda que "há alternativa à recessão económica, à dependência externa e ao aumento do desemprego, com a aposta na produção nacional, na dinamização do nosso aparelho produtivo". Paralelamente falou no estímulo ao mercado interno, na redução do desemprego na valorização do trabalho, na mais justa distribuição da riqueza, valorizando os apoios aos que menos têm e tributando os grandes lucros.



Governo patriótico e de esquerda
Para isso defendeu "um governo patriótico e de esquerda formado por homens e mulheres que coloquem os interesses do país acima dos interesses particulares e pessoais. Um governo de homens e mulheres capazes de agir com independência e segundo os interesses do país e não a favor dos grupos económicos e a pensar na recompensa futura de lugares de administração. Um governo em condições de levar à prática a política necessária ao país e aos portugueses, respeitando os valores de Abril e da Constituição, com o apoio de todos os que rejeitam a política de direita e o apoio das organizações, forças e personalidades que aspiram a um outro rumo para o país".



Projecto Alternativo 
Afirmou que o PCP apresenta "um projecto distinto e alternativo" a todos os portugueses, "independentemente do partido em que tenham votado, nomeadamente aos votantes do PS que se sentem defraudados por uma política que tem sido contrária aos interesses do nosso povo". Acrescentou ainda que "É preciso dizer a todos os que, desiludidos, desencantados com as sucessivas traições dos partidos em que votaram, julgam que já não há futuro, que sim, que há esperança num futuro melhor, num país mais justo. Mas que para isso se têm de juntar a nós na luta pela mudança política, na luta contra a ingerência do FMI...". 



Abril e Maio - Luta e esperança
Num apelo final Jerónimo de Sousa propôs: "Façamos de Abril e Maio, meses de luta e de esperança. Nas comemorações do 25 de Abril, nas comemorações do 1º de Maio daremos a máxima expressão à indignação e ao protesto, à exigência de mudança, uma luta que continuará no dia 5 de Junho com o apoio e o voto na CDU".
"A situação do país reclama como nunca uma ruptura e uma mudança. Uma política patriótica e de esquerda e um governo capaz de a concretizar. Tenhamos confiança na força do povo, que a vitória...será nossa".