9 de janeiro de 2011

"Ciência ao serviço de quem?"

A minha mensagem do dia 6, “Ciência ao serviço de quem?” provocou algumas dúvidas a leitores. 
As críticas podem resumir-se a não aparecer claramente expresso que, numa sociedade socialista o desenvolvimento tecnológico será utilizado para promover o bem-estar das pessoas”, e que a "culpa" do desemprego “é da organização económica e social e não do desenvolvimento tecnológico”.

Uma outra crítica tem a ver com a forma como está feito o texto que, numa leitura menos atenta, poderá conduzir a que se pense que “o desenvolvimento tecnológico, ao libertar mão-de-obra” é “responsável pelo desemprego, o que não é o caso”. Isto sobretudo porque “há muita gente que pensa que a culpa do desemprego é dos emigrantes... ou de outra causa, que não a organização económica e social”, explicitando o comentador que é justamente esta organização económica e social capitalista, “que necessita de um exército de mão-de-obra desocupada”.
Nesta coisa de expor ideias, muitas vezes, acontece que, ao fazermos as perguntas, conhecendo as respostas, julgamos que estas são evidentes.

Perguntava eu, logo no início, “Que mundo é este que, apesar do enorme avanço da ciência e da tecnologia que permite que se produza muito mais com muito menos trabalho, aumenta a exploração com o aumento de horas de trabalho e da idade da reforma”.

Para mim, que fiz a pergunta, era claro que se trata de um mundo injusto, em que a classe no poder, capitalista, se apropria da ciência e da tecnologia, - que deveria ser posta ao serviço de todos - para aumentar a exploração. É este mundo, que deveremos transformar.

Em subtítulo, perguntava seguidamente:
“Será o desemprego culpa do avanço tecnológico?
e, comentei logo de seguida “Como poderíamos todos viver bem ...” e mais adiante: “Há 50 anos pensava-se que um dos grandes objectivos da revolução técnica e científica era o libertar o Homem de grande parte do trabalho podendo aproveitar o tempo sobrante para a sua cultura e lazer”.

Faltou-me dizer que esse objectivo ainda está presente naqueles que lutam por um mundo melhor, por uma sociedade sem classes.