10 de janeiro de 2011

Ao estilo da Madeira

Estive numa interessante reunião em Mafra. Estavam presentes eleitos e membros das listas da CDU.
Fez-se um balanço de um ano de mandato autárquico.
Quando ouvi o rol de queixas, julguei estar na Ilha da Madeira. Uma gestão da Câmara caracterizada pela arrogância,  autoritarismo e falta de democracia.
Foram mostrados muitos exemplos da gestão ruinosa de uma Câmara endividada muito para além do que é legal.
Ouvi com surpresa que o aumento dos preços na factura da água é de 17% em 2011. Isto num dos primeiros concelhos do país a privatizar a distribuição da água e já com os preços dos mais caros.
A privatização dos serviços tem levado à pior e mais cara água. A Générale des Eaux, (agora Veolia), companhia francesa a quem a Câmara entregou a distribuição, tem reduzido o controlo à qualidade da água e aumenta brutalmente os preços.


Foi revelado que o Tribunal de Contas, realizou uma Auditoria à Câmara de Mafra e descobriu inúmeras ilegalidades, nomeadamente nas relações com as Empresas Municipais, Pavimafra e Mafratlantico. Para alem de entrega de obras com favorecimentos e sem concursos, a construção da Autoestrada A21, que endividou a autarquia muito acima do permitido, foi ilegal quer na construção quer no pagamento de Portagens, que são das mais elevadas do país.
O Relatório do Tribunal de Contas mostra bem a dimensão das irregularidades - pagamentos, transferências de dinheiros e pedidos de empréstimos - e revela que um dos administradores das empresas municipais é o gestor mais bem pago do país em empresas públicas. Tal como em relação aos preços da água e das portagens, a Câmara de Mafra bate todos os recordes nacionais.