17 de agosto de 2015

Assange -a história de uma luta pela justiça

A farsa das democracias

Adaptado de um documento de John Pilger

Um recente artigo de John Pilger, publicado (aqui) mostra as violações sistemáticas à lei, às Constituições de países como o EUA que se auto proclamam Democráticos. Refere como exemplos o cerco à Embaixada do Equador em Londres em Knightsbridge [NR] «é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu apenas para ostentar o poder do estado. Já custou £12 milhões». é a caça a «um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano». O seu “crime” foi ter denunciado os crimes monstruosos dos EUA em especial no Afeganistão e no Iraque: «a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado incisivamente pela fuga dos seus telegramas diplomáticos».

Tal como em relação a outros que denunciaram crimes igualmente repugnantes e revelaram documentos secretos «Assange está numa “Lista de alvos humanos a caçar”».

Para impedir a defesa de Assange, os EUA têm inventado as mais torpes acusações e classificaram este caso de "segredo de estado". Assim «o tribunal federal em Washington impediu a divulgação de toda informação acerca da investigação»- O mesmo aconteceu no processo contra a WikiLeaks. Esta técnica de violar as leis e a justiça, foi também usada contra o soldado Chelsea Manning e contra os presos ainda mantidos ilegalmente na odiosa prisão de Guantánamo.


Depois de uma demonstração exaustiva dos atropelos à lei para condenar Assange, John Pilger, refere «a perspectiva de uma grotesca perversão da justiça estava submersa numa campanha de vitupérios contra o fundador da WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, viciosos e desumanos foram lançados contra um homem não acusado de qualquer crime».

Depois de uma teia de artimanhas e ilegalidades, John Pilger refere que «A decisão do Equador em 2012 de proteger Assange floresceu num grande tema internacional. Muito embora a concessão de asilo seja um acto humanitário, e o poder de concedê-lo seja desfrutado por todos os estados sob o direito internacional, tanto a Suécia como o Reino Unido recusaram a legitimidade da decisão do Equador. Ignorando o direito internacional, o governo Cameron recusou-se a conceder a Assange passagem segura para o Equador. Ao invés disso, a embaixada do Equador foi colocada sob cerco e o seu governo abusado com uma série de ultimatos. Quando o Foreign Office de William Hague ameaçou violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, advertindo que retiraria a inviolabilidade diplomática da embaixada e enviaria a polícia em busca de Assange, o ultraje por todo o mundo forçou o governo a recuar. Durante uma noite, a polícia apareceu às janelas da embaixada numa tentativa óbvia de intimidar Assange e seus protectores».

«Durante três anos o Equador deixou claro ao promotor sueco que Assange está disponível para ser interrogado na embaixada em Londres e durante três anos ela permaneceu intransigente» exigindo que seja Assange a deslocar-se para, evidentemente, ser preso.

«Assange contestou o mandato de prisão nos tribunais suecos. Os seus advogados citaram decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de que ele tem estado sob detenção arbitrária, indefinida, e de que tem sido um prisioneiro virtual por mais tempo do que qualquer sentença real de prisão que pudesse enfrentar. O juiz do Tribunal de Recurso concordou os advogados de Assange: a promotora havia na verdade violado o seu dever ao manter o caso suspenso durante anos. Um outro juiz emitiu uma repreensão à promotora. E ainda assim ela desafiou o tribunal.»

John Pilger termina o seu extenso relato de acontecimentos chocantes para quem defenda a justiça, com a denúncia de que «Em 2008, uma guerra à WikiLeaks e a Julian Assange foi prevista num documento secreto do Pentágono preparado pelo Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. Ele descrevia um plano pormenorizado para destruir o sentimento de “confiança”, o qual é o “centro de gravidade” da WikiLeaks. Isto seria alcançado com ameaças de “revelação [e] processo criminal”. O silenciamento e criminalização de uma fonte tão rara de verdades era o objectivo, o enlamear era o método. Enquanto este escândalo continua a própria noção de justiça é diminuída, bem como a reputação da Suécia». Dito de outra forma o poder do imperialismo ameaça todos os que se lhe oponham.