11 de novembro de 2014

Derrubemos os muros e cantemos alto

Muros de pedra, muros do dinheiro, muros de injustiças

Sobre muros não diria mais nada se não fosse uma minha revisão pela leitura dos comentários do texto Berlim, 25 anos – a festa, mas não para todos  no blogue "entre as brumas da memória".

Derrubar um muro pode ser um motivo de alegria, de festa, mas, como o título indica, numa sociedade de classes nem todos terão os mesmos motivos para a festa. 
Se esse derrube significar, como significou, abrir o caminho para alguns erguerem novos muros, creio que deveremos refletir e procurar ver a floresta e não apenas a árvore.
Na realidade, objectivamente, após o derrube do muro, cresceu a ofensiva exploradora com que os trabalhadores hoje estão confrontados, deu-se uma regressão social de dimensão civilizacional, aumentou a fome e a miséria da maioria dos trabalhadores enquanto alguns, aumentaram escandalosamente as suas fortunas. Cresceu a corrupção, os crimes, fizeram-se e continuam a fazer-se guerras em vários cantos do mundo. Destruíram-se países e regiões inteiras, mataram-se milhares de mulheres e crianças inocentes, o fascismo que estava encoberto saiu à rua, mata e tortura, ergue muros de forças de segurança, tomou conta de governos. 

Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Cruzes assinalando os mortos que tentaram passar

Metáforas para fazer pensar

As metáforas utilizando, palavras ou expressões em sentido figurado, alargam-nos a visão e fazem-nos pensar. Com a queda do muro de Berlim puderam os berlinenses comprar jeans, frequentar os centros comerciais do lado ocidental, enquanto perdiam empregos, as casas os transportes gratuitos.
A liberdade de comprar, comprar, comprar tudo o que quiserem (desde que tenham dinheiro) estendeu-se aos direitos das pessoas também colocados à venda. Hoje quem quer saúde paga-a, quem quer assistência social compra seguros ou PPRs. Os que tiverem dinheiro. 
Para que alguns possam ter grandes fortunas a crescer, outros tiveram que ir para o desemprego, coisa que não conheciam, e tiveram que baixar os salários. Hoje tudo é mercado. Tudo se compra e tudo se vende livremente, para quem puder, claro. A liberdade é comprada. A segurança, o usufruto da cultura, do lazer, é negócio que custa muitos euros. Os berlinenses conseguiram alcançar a sociedade onde tudo é negócio, do salve-se quem puder ou tiver dinheiro.

Muro Espanha - Marrocos

Preconceitos: Muros opacos em que não reparamos

Continuando com as metáforas que nos fazem pensar, vamos pois derrubar todos os muros. Não só o da faixa de Gaza, o do México que separa os mexicanos dos Estados Unidos, e todos os outros que foram erguidos graças à queda do Muro de Berlim, como também os muros dentro dos países que separam os ricos dos pobres, muros de condomínios fechados onde só tem liberdade os que têm dinheiro. Derrubemos também os muros das clínicas e hospitais privados, que separam os que precisam de cuidados de saúde dos que têm dinheiro para ter saúde. Derrubemos também muros, portas e portagens que retiram liberdade e direitos. Mais importante ainda; derrubemos também os muros dos nossos preconceitos que nos tapam a visão e nos impedem de conhecer o que está para lá desta sociedade desumana e injusta em que alguns (sempre os alguns) exploram quem trabalha e produz.
Derrubemos todos os muros, excepto os que ergamos com a nossa luta e consciência para nossa defesa e impedir alguns de explorar todos os outros.

Nota: Depois de ter publicado este texto vi no FOICEBOOK :
http://foicebook.blogspot.pt/2014/11/os-25-anos-do-derrube-do-muro-de-berlim.html