18 de fevereiro de 2013

A Igreja Católica

O que nos mostra a renúncia do Papa

A propósito da renúncia do Papa, em Carta Maior estão narrados factos que merecem ser analisados para se compreender o que é a Igreja Católica no presente.
Não se trata de querelas teológicas. É o dinheiro, as contas sujas do banco do Vaticano, os escândalos cada vez mais frequentes, a corrupção, a pornografia e a pedofilia, a luta pelo poder do grande capital, o apoio às políticas mais reacionárias, às ditaduras de Estados, que estão na origem da inédita renúncia do papa.

A Igreja Católica é hoje um ninho de corvos pedófilos, corruptos, ladrões sedentos de poder, aliados ao grande capitalismo internacional, e por isso imunes e capazes de tudo para defender o seu poder pessoal. A hierarquia católica mostra a sua decomposição moral, tal como os partidos de direita executores da política capitalista que domina o mundo.



O
diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier

Do artigo é de Eduardo Febbro, que se apoia em Philippe Portier, retirei as seguintes pistas de raciocínio:
"o papa, encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu (...) os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro".

"Descobriu" que "O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios...".

"o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas".



A reação, a extrema direita quer mais

Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.



Correspondência secreta do Papa

Depois do escândalo provocado pela divulgação da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana (...) contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada (...) operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia (...).

Apoio aos governos fascistas


(...) os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre (...), [que pretendem] legitimar no seio da igreja a corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo, saúdam a renúncia do Papa.

O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.

A Mafia e o Banco do Vaticano

As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.

João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais.

A rede e os tentáculos do polvo

No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.

Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro.


O que é hoje a Igreja Católica


(...) Tedeschi começou a elaborar um relatório secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas. 

A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema [capitalista que defende]. 

(ver ainda) http://www.lepoint.fr/dossiers/monde/pape-demission/