30 de outubro de 2012

Notas sobre o debate do Orçamento (3)

Ministro Gaspar, lentamente, como é seu timbre, começa a revelar a sua política
Disse: Portugal enveredou pela democracia em 1976

O Ministro Gaspar, ostensivamente, esqueceu o 25 de Abril de 1974, esqueceu que foi nessa data que Portugal, através de uma Revolução, se libertou de uma ditadura fascista, ditadura que levou Portugal ao maior atraso da sua história, que oprimiu o povo, e insolentemente, enalteceu a data de 1976.
Porquê?

Recuperação capitalista e submissão ao capital financeiro

Quis mostrar que está contra o 25 de Abril? 
Tudo indica que sim!
Quis mostrar que, para ele, que é ministro desta Democracia, que jurou cumprir a Constituição que o 25 de Abril criou?
Quis mostrar que a data que ele comemora é justamente a data em que os saudosistas dos monopólios capitalistas, dos banqueiros começaram a ofensiva contra o 25 de Abril?


Início da destruição da economia

De facto 1976 abriu caminho para a recuperação capitalista. Marcou o inicio da cruzada contra a economia portuguesa que se acelerou com Cavaco Silva com a destruição da nossa Produção, destruição da Agricultura, destruição das Pescas, para entregar tudo o que era português aos monopólios estrangeiros.
Percebemos melhor que o Ministro Gaspar, saudosista de Salazar, não perdoa o 25 de Abril, mas ficou aliviado e grato quando em 1976 viu que se abria o caminho de regresso ao passado. O caminho que nos trouxe à crise que estamos a viver.

A fábula da maratona a andar para trás

Percebemos agora a fábula da maratona. Trata-ser de facto de uma maratona iniciada em 1976 mas uma maratona de regresso a Salazar. Uma maratona a voltar para trás.
O Ministro Gaspar, foi mais longe e ofendeu o período revolucionário do 25 de Abril, período em que o povo e os militares começaram a aprender a viver em democracia e a construir um país novo, e depreciativamente, chamou-lhe um período indefinido e totalitário. 

A pensar na "Refundação"

Esqueceu-se, ou quis esquecer, que se não fosse o 25 de Abril não havia democracia, não havia Constituição da Republica. 
Mas mostrou também que a Constituição de Abril, tão mal tratada desde 1976, mesmo assim, é para ele um incómodo.
Não pode rasgar a Constituição e retirar os direitos dos portugueses.
Foi mais longe que Passos Coelho que, mais habilidoso, não definiu o que pretende com a "Refundação".

O sonho de Gaspar - Goldman Sachs

O Ministro Gaspar não perdoa ao 25 de Abril, o facto de ter que prestar contas da política que pratica contra os portugueses para beneficiar o capitalismo financeiro internacional. 
O Ministro Gaspar gostaria de seguir a carreira "profissional" de António Borges no Goldman Sachs - Mas continua a tentar.