15 de outubro de 2012

Alternadores e alternativas

Uma discussão com alto nível

Raramente acontece mas, desta vez, aconteceu numa discussão no 12º piso num dos muitos Prós & Prós a que a televisão nos habituou. 
Comentadores de áreas tão variadas como do CDS, do PSD do PS, do CDS/PP do PSD/PPD, e vários independentes como Marcelo, Cavaco Silva, Proença, Relvas e Escalrachos, e outros que não tomei nota, proporcionaram um importante debate sobre as alternativas a esta política. 
Pergunta o jornalista:
Como é sabido e o governo tem afirmado, não há alternativa a esta política de austeridade. Qual a vossa opinião?
- Eu discordo. O IRS do primeiro escalão deveria ser de 20%. É um número que facilita as contas. Isso permitiria reduzir os funcionários públicos que têm que fazer essas contas complicadas.
- Eu estou de acordo e também discordo. 
- Eu creio que não têm razão, mas concordo com a discordância.


Um comentador que eu nunca tinha visto aparecer na televisão, e que já tinha feito vários sinais para falar, diz:
- Eu acho...
De imediato o jornalista interrompe:
- Desculpe mas o senhor está aqui por engano e por isso não pode falar.
- Mas... 
- Não interrompa, interrompeu o jornalista e logo dá a palavra a outro comentador.
- Desculpem os meus colegas que falaram. A verdadeira alternativa está no imposto ao tabaco de enrolar.
- Essa agora... então como? - Desafia o jornalista.
- O tabaco de enrolar não devia ter aumento de imposto. Assim, as pessoas de poucos recursos, acabam por perder o vício e depois não pagam imposto.
- Excelente observação. Como é que o Gaspar não viu isso?
- Então concorda com a crítica que faço ao governo!
- Sim o governo, poder, pode. Mas também não pode deixar um imposto por cobrar. Pode mas não deve. É um erro crasso desta governação, que pode e deve ser corrigido - aproveitou o Marcelo para dizer.
Cavaco não quiz ficar calado e disse:
- Eu já tinha comentado no facebook que não acho correto exigir este imposto a todo o custo. Ainda se fosse a meio custo... Eu com a minha reforma... estava a pensar enrolar tabaco... 
O comentador que foi impedido de falar, muito nervoso, tenta dizer alguma coisa. O jornalista impede-o e, discretamente, faz sinal ao técnico para lhe desligar o microfone.
O debate continua muito enrolado à volta do imposto do tabaco de enrolar.
Uma hora depois, o comentador-por-engano, puxa do microfone do parceiro do lado e grita: 
- Se querem uma alternativa mudem de política e deixem-me trabalhar!!!
O programa é de imediato interrompido e um outro locutor pede desculpa aos senhores telespectadores:
É lamentável. Pedimos desculpa. Convidámos por engano um comunista que se aproveitou do nosso lapso para vir apelar à violência.

Nota de última hora: Depois de um inquérito sumário aos serviços da televisão, concluíram os inquiridores que o comentador-por-engano era o electricista que, por engano, foi sentado à mesa com os verdadeiros e competentes comentadores.