31 de agosto de 2012

Os "enganos" da crise do capitalismo

Há enganados e "enganados"


Uma violenta crise alastra nos países capitalistas. Uma crise que parece não ter responsáveis. É descrita como se fosse um castigo divino ou uma peste natural que a humanidade não controla.

Em Portugal, dirigido por políticas e interesses monopolistas com ataques ao 25 de Abril, sistematicamente conduzidos pela direita, através do PS, PSD e CDS/PP, são os trabalhadores e a generalidade dos portugueses obrigados a fazer os sacrifícios para pagar a crise que não provocaram.

A “crise” é uma óptima oportunidade para que o grande capital aumente a exploração e retire os direitos a quem trabalha.

Há quem teime em não querer ver quem são os que beneficiam com a "crise" e continue aceitar as explicações dadas pelos que tentam esconder os responsáveis. Outros, queixam-se mas falham o alvo e dizem-se enganados pelos políticos. Quais políticos?


Tudo levaria a crer que 36 anos de política de direita, praticada sempre pelos mesmos, PS, PSD e CDS/PP seriam suficientes para desenganar os enganados. Muitos anos de “lavagem de cérebros”, pode ser a explicação para a fraca cultura, para os preconceitos, para as crenças e crendices da maioria dos portugueses que são enganados. É uma justificação que não explica toda a cegueira para analisar os factos. Há enganados e “enganados”.
De facto, não falando do que foram os 48 anos de fascismo, antes do 25 de Abril de 1974, bastaria aos “enganados” recordar os 36 últimos anos de política de recuperação capitalista, latifundista e imperialista iniciados com Mário Soares. 

Os “enganados” não tiveram ainda a lucidez para analisar o maquiavelismo que golpeou o 25 de Abril, com sucessivas contrarrevoluções legislativas, revisões constitucionais, acções sempre justificadas por uma intensa propaganda dos meios de comunicação pagos pelos grandes grupos económicos. 

Foram 36 anos de política seguida pelos partidos da direita (PS, PSD e CDS), que destruíram a nossa economia para encher os bolsos de corruptos, de banqueiros, de grandes grupos económicos privados, contudo 36 anos não bastaram para abrir os olhos aos “enganados”.

PS, PSD e CDS, que propagandearam a “Europa connosco” como a receita para o desenvolvimento de Portugal, transformaram o país numa Junta de Freguesia da Europa, dependente de esmolas pagas bem caro e, agora, aceitam a sua transformação numa colónia da Alemanha. 
A dependência de Portugal aumenta, como aumenta o desemprego e o custo de vida com a redução brutal dos salários. 


Nem o pacto de agressão e de traição a Portugal e aos portugueses, assinado pelo PS, PSD e CDS/PP com a Troika, pacto que, para além de retirar direitos a quem trabalha, pretende impor a submissão de Portugal às potências e poderes estrangeiros, tem sido suficiente para alertar as consciências adormecidas.

Não têm bastado as denúncias nem os factos que mostram a fraude política das explicações da necessidade de aceitar as imposições económicas e as medidas de austeridade, várias vezes anunciadas como a cura para os males da crise que os capitalistas provocaram. Apesar das provas provadas de que as curas anunciadas agravam os malefícios que dizem curar, os “enganados” continuam cegos perante os factos e os resultados de tais medidas.

Os “enganados” não têm capacidade para ver a regressão social e civilizacional, a restrição e encarecimento do acesso à saúde, o ensino apenas para os ricos, a destruição do Sistema Público de Segurança Social. Os “enganados”assobiam para o lado e alguns ainda culpam os trabalhadores por não se deixarem explorar ainda mais. 
Os “enganados” preferem passar nos intervalos da chuva, desculpar-se com os enganos e continuar enganados… mas a história não pára e, um dia…