4 de abril de 2012

Marinaleda merece reflexão

  
Sim, se quisermos, é possível!


Esta experiência merece ser estudada. Não é a Comuna de Paris, mas tem características que mostram os resultados da coragem e tenacidade de uma população para alcançar a "utopia". O objetivo de uma sociedade de igualdade, fraternidade, solidariedade onde prevalecem os valores humanos. Sim, é possível!
Apesar de ser uma experiência muito limitada, a um município, é de destacar consciência das pessoas que venceram os preconceitos egoístas e retrógrados fomentados ao longo de séculos, e hoje encaram a vida comunitária, colectiva, a solidariedade, como um avanço para uma vida melhor.

Dizem eles (aqui):
- Esta terra é de todos os que a trabalham.
- Há 30 anos era só de um, que dava trabalho apenas a 4 pessoas e só produziam trigo e girassol.
- Apesar de terem muitas oliveiras, o latifundiário nem as tratava nem deixava colher as azeitonas que se estragavam.
- O povo morria à fome e não podia produzir porque [os meios de produção] tudo era propriedade de um.
- Hoje trabalham quatrocentos e produzem riqueza que é distribuida por todos.
Diz um cartaz pintado à mão:

- O Sindicato és tu. Defendendo-o, defendes-te!
Fizeram greve da fome, lutaram várias vezes durante mais de dois meses seguidos, eram repelidos pela Guarda Civil, mas voltavam. Voltavam sempre. Passaram muita fome pois não tinham trabalho.
Conseguiram fazer a Reforma Agrária e defendê-la até hoje. A Terra é de quem a trabalha.
Diz o presidente da Câmara, o Alcaide:
- Hoje a terra e os meios de produção pertencem a todos os trabalhadores.
- Foram 12 anos de lutas, enfrentando as prisões, a Guardia Civil, os tribunais mas, acabamos por vencer.
Em 1991 conseguiram as terras para trabalhar, terras que passaram a produzir e a distribuir mais riqueza dividida igualmente por todos. 

Aqui mesmo ao lado...
no nosso Portugal, a Reforma Agrária permitiu, de igual, forma criar riqueza nas terrras abandonadas do Alentejo. 
É preciso refletir sobre a política que destruiu a nossa Reforma Agrária, não para nos envolvermos em análises intermináveis que nos esgotem as energias, mas para encontrar a forma de erguer, de novo, os valores do 25 de Abril.
Organização, consciência, convicção e firmeza, são indispensáveis. 
Em Marinaleda, os trabalhadores e população, precisaram disso para aguentar uma luta de 12 anos. Conseguiram.

Como testemunham:
- Temos trabalho, para nós e para muitos que vêm de fora. Cada um ganha 47 euros por dia.
- Aqui senti-mo-nos seguros, pois tudo o que criamos é dividido por todos. 
- Quando há menos trabalho cada casal trabalha à vez para que, em cada lar, nunca falte ordenado. Ganham sempre entre 800 a 1000 euros por mês.

Todos a produzir.
- Não precisamos de Polícia, é dinheiro que se poupa. 
Esta ideia de que todos estão ocupados a produzir e a criar riqueza, está bem solidificada nas mentalidades e convicções.
As pessoas para além do que cultivam nas suas terras cultivam também valores humanos, de igualdade, de fraternidade, de solidariedade, de paz, valores do Socialismo, pela educação e cultura.

Democracia, Participação permanentes.
- Tudo é decidido por todos em assembleias da população.
- Assim todos aprendem, assumem a responsabilidade com os erros e todos estão solidários com as decisões.
Como afirmam:
"En una sociedad dividida en clases sociales, en ricos y en pobres, en explotadores y explotados creer que el poder es neutro es una tremenda ingenuidad."
Marinaleda é um oásis num país de desigualdades que sofre com mais de 20% de desemprego e, tal como em Portugal, aumenta a exploração.

Em Portugal...
a nossa Reforma Agrária foi destruída como foram destruidas a agricultura, as pescas e as nossas indústrias. Hoje compramos as coisas no estrangeiro e não produzimos, não criamos riqueza e temos mais de 1 milhão e 200 mil desempregados.
Estudemos esta experiência, com os seus erros e virtudes, com a convição de que é possível viver melhor, se lutarmos por uma sociedade mais justa e, através de um verdadeiro socialismo, alcançarmos a "utopia" da sociedade comunista. 

Para ver o vídeo clique (aqui)