14 de fevereiro de 2012

O negócio da crise

Como sair deste esquema de chantagem permanente

Os bancos que controlam a economia do mundo capitalista, concentram cada vez maiores riquezas com o negócio da crise.

O esquema é simples. Forçam a crise, impõem a austeridade e a dependência dos países, criando maiores dificuldades e maiores dependências, num ciclo sem fim. É como se um laboratório criasse um vírus para o qual só ele tem o remédio. Contudo o remédio contém novos vírus para manter o doente sempre a precisar de novas doses de remédio.

Os donos do mundo capitalista

Os bancos como o Goldman Sachs, americano, que é um dos maiores bancos de investimento mundial, faz equipa com a agência de notação financeira Moody's. 
A Moody's aumenta ou diminui as notações dos países para que o Goldman Sachs e outros bancos intermediários, chamados "mercados" aumentem ou diminuam os juros dos empréstimos que fazem, forçando pagamentos até onde for possível.

Para melhor inocular os vírus e para receitar o seu remédio o Goldman Sachs infiltra os seus especialistas nos vários Governos e Bancos de muitos países, na União Europeia e nas Troikas. São estes, os "médicos" que impõem os remédios para tratar os vírus que eles criam. 

Alguns exemplos
Papademos, actual primeiro-ministro grego, é um homem do Goldman Sachs, imposto, (não eleito), para chefiar o Governo grego. Inoculou o vírus entre 1994 e 2002 quando exerceu a governação do Banco Central da Grécia. Falseou as contas do défice público do país com o apoio activo da Goldman Sachs. 

Na Itália o esquema foi semelhante. O primeiro ministro imposto (não eleito),  Mariano Monti, é também um homem da Goldman Sachs e da direcção do Grupo Bilderberg. 

O actual presidente do Banco Central Europeu, Mario
Draghi, ex-director executivo do Banco Mundial foi o Vice-Presidente para a Europa do Goldman Sachs, na altura em que foi inoculado o vírus.

Empréstimos para pagar empréstimos. E os juros a aumentar


A "receita" também chamada "apoio" ou "memorando" é forçar a pedir dinheiro emprestado para que os países paguem aos credores que na generalidade são também Bancos, e não invistam em empresas produtivas. 
Estes empréstimos são calculados para que os países não os possam pagar, e tenham que pedir novas "ajudas" com mais empréstimos para pagar os empréstimos. 

Paralelamente aumenta a exploração

Em consequência da falta de investimentos na produção, aumenta o desemprego.
Com o aumento do desemprego, os trabalhadores são obrigados a aceitar as condições da maior exploração.

Simultâneamente impõem mais austeridade para quem trabalha, cortes nos direitos sociais, privatizações das empresas lucrativas do Estado, o que aumenta os lucros privados desses grupos especuladores e retira a capacidade dos Estados para recuperarem da crise.

34.400 milhões de euros de juros da "ajuda"

Portugal terá de pagar juros de 34,4 mil milhões de euros pela "ajuda" de 78 mil milhões que PS+PSD+CDS aceitaram. Portanto vamos ter que pagar 112.400 milhões de euros. Como alguém já disse: "um salvamento assim é como atar um peso de chumbo a alguém que esteja a afogar-se. Tal empréstimo jamais poderá ser pago – o objectivo deliberado da troika foi submeter o país de modo permanente à servidão da dívida". 

Dignidade e coragem para enfrentar o chantagista

A saída para esta situação, é enfrentar a doença sem recurso ao medicamento que contêm vírus, recuperar a soberania de Portugal e, sem ceder a chantagens da UE, diversificar as relações comerciais com outros países. Podemos passar uns tempos difíceis, mas os custos são inferiores aos custos do crescente endividamento, que nos mantêm numa eterna submissão de andar de "mão estendida" a pedir para pagar juros.