12 de fevereiro de 2012

A nostalgia...

As promessas e a realidade hoje

Na televisão russa, foi transmitido um documentário de Dmitri Kiselev, chamado “URSS, o naufrágio”. Recordou o autor que, uma vez, fomos pessoas que viveram num grande país, onde ninguém se apontava com o dedo, nem se discriminavam as várias etnias: "todos nós éramos soviéticos".

Nostalgia
A nostalgia pela União Soviética só não é sentida por aqueles que tiveram tempo de roubar. Nós, seguíamos tranquilos para a cama e, calmamente, despertávamos pela manhã, sabendo que no dia seguinte teríamos trabalho, que no dia 10 receberíamos o pagamento e, no dia 25, o antecipado.
  
O que era importante
Não era preciso pagar pela escola e pela universidade, recebíamos uma boa educação, com a qual podíamos encontrar facilmente trabalho no exterior. Tínhamos a saúde tratada de forma gratuita. Hoje as pessoas morrem por não terem dinheiro para se tratar. Eis aqui os encantos do rico capitalismo!

Padrão de vida
Na URSS, histórias terríveis na rádio e na televisão não nos assustavam. Escutávamos com alegria notícias de que, surgiam novas fábricas, sobre a conquista do espaço. Hoje, a história do dia é: "uma casa para idosos foi incendiada", "um pesquisador foi assassinado", ou um deputado... Vivemos atrás de portas de ferro, temendo os vizinhos. A moral e os valores cairam por terra. O roubo e a fraude são negócios vulgares. Os ladrões estão no poder. O assassinato já não surpreende ninguém, é um padrão de vida.


As salsichas
Nos anos 90, o novo governo nos prometia abundância, criticando o governo soviético pelas prateleiras vazias. Recebemos abundância em totalidade. A salsicha, nos anos 80, custava 1 rublo e 40 centavos e eram feitas de chá e carne. Agora, a salsicha é feita de pudim de soja e papel higiênico, custa 200 rublos o quilo e está nas prateleiras. Não porque tenham se convertido em abundância, mas porque a maioria não possui condições de comprá-la. Os centavos ganhos no trabalho não são suficientes. Os atrasos no salário de vários meses, também se converteram em padrão.

Direito a férias
Nos anos 80, todos os trabalhadores podiam permitir-se tirar férias para descansar e embarcar numa viagem pela União, que, às vezes, era completamente gratuita. Agora, pouquíssimas pessoas viajam de férias. 

A História não pára
A bandeira soviética, a bandeira que era o emblema dos construtores, dos que cultivavam a terra, a bandeira dos criadores, está dolorosamente gravada na alma das palavras do apresentador Kiseliov. Contudo, nas suas palavras, a sigla da URSS soa como o desafio soviético, inspira otimismo e esperança. Cedo ou tarde, a União Soviética voltará. O atual regime depredador da Rússia não durará muito tempo, cairá e um sistema justo regressará.


(Retirado do periódico “Sovietskaia Rossia” № 4 -13657-, 19 de janeiro de 2012)