21 de fevereiro de 2012

Grécia e Portugal, a mesma luta


"Se os povos da Europa não se levantarem, os bancos trarão o fascismo de volta."
 - por Mikis Theodorakis -

Míkis Theodorákis, é um compositor e político grego mundialmente conhecido Em 1980-1982 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Theodorákis é conhecido pelas suas posições políticas de esquerda, que nem a ditadura da junta militar que governou a Grécia conseguiu calar. 
Theodorákis foi um activo defensor dos direitos humanos, nos conflitos do Chipre, nas tensões entre a Turquia e a Grécia, nos ataques da NATO à Sérvia, no sequestro de Abdullah Öcalan no conflito israelo-palestino e em todas as acções contra os trabalhadores e os povos. 

Foi um resistente contra a ocupação nazi e fascista, foi combatente republicano na guerra civil, foi torturado durante o regime dos coronéis, mas nunca deixou de lutar pelo seu país e pelos povos contra a tirania. 

Grécia vítima da ocupação nazi-fascista
  
A Grécia foi vítima do fascismo e da destruição provocada pela Alemanha e hoje é vítima da mesma Alemanha e do ataque feroz do capitalismo financeiro e especulativo europeu. 
Está subordinada à tutela da Troika com um governo não eleito mas imposto pela União Europeia. 
Mikis Theodorakis fez mais um apelo aos gregos e aos povos da Europa para impedirem os bancos de voltarem a implantar o fascismo.

Apelo de Míkis Theodorákis
  
Numa recente entrevista na Grécia, Theodorakis advertiu que, se o país se submeter às exigências dos que se dizem "parceiros" europeus será "o nosso fim quer como povo quer como nação". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos". 
   
O seu apelo aos povos da Europa tem sido publicado em numerosos jornais… 
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise. 


Ver texto traduzido em :  http://www.luisnassif.com/profiles/blogs/o-alerta-de-mikis-theodorakis-se-os-povos-da-europa-n-o-se?xg_source=activity


Esta política não serve
  
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas. 

A ameaça paira sobre toda a Europa
  
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…) 
  
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".