26 de novembro de 2011

Gigante com pés de barro

A crise encoberta dos EUA

O Boletim Antecipação Global Europa GEAB é o boletim do Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP) / Europa 2020 e tem por objectivo analisar a governação no mundo, em especial a governação económica e procurar prever as tendências globais. É publicado em parceria com a fundação holandesa GEFIRA. 

Em fevereiro de 2006, a equipe do LEAP/E2020 fez um alerta mundial sobre a iminência de uma crise sistémica global. Desde essa altura, mês após mês, têm vindo a antecipar as diferentes etapas da crise em curso.



O boletim deste mês volta a analisar a economia dos Estados Unidos, uma vez que considera que "é exactamente este país, e não a Grécia, que está no epicentro da crise sistémica global". Informa que a "super-comissão" do Congresso encarregada de reduzir o défice federal dos EUA deverá confessar o seu fracasso. "Cada partido aguça já seus argumentos para despejar o fracasso no outro campo". Comentam os analistas do GEAB que "Barack Obama, à parte os seus sorrisos afectados na televisão (...) contempla passivamente a situação enquanto constata que o Congresso rasgou em pedaços seu grande projecto de plano para o emprego apresentado com fanfarras há apenas dois meses. E não é o anúncio completamente irrealista de uma nova união aduaneira do Pacífico (sem a China) – na véspera da cimeira da APEC em que chineses e americanos se enfrentam cada vez mais duramente – que vai reforçar a sua estatura de chefe de Estado e ainda menos as suas possibilidades de reeleição".
 


Continuando a citar o GEAB, publicado no dia 16, "Este fracasso previsível da "super-comissão", que apenas reflecte a paralisia total do sistema político federal americano, vai ter consequências imediatas e muito pesadas: uma nova série de degradações da classificação de crédito dos Estados Unidos. A agência chinesa Dagon abriu o fogo confirmando que ia novamente baixar esta nota em caso de fracasso da "super-comissão". Mais uma vez a equipa do GEAB acertou e o desastre das negociações, anunciado dia 21, fez com que os analistas voltassem a prestar atenção aos dados americanos, lembrando que o o gigante tem pés de barro. É sabido que o endividamento privado nos EUA é claramente pior que o da Grécia.

No GEAB conclui-se que "estamos a uma polegada do pânico geral quanto à capacidade dos Estados Unidos para reembolsar a sua dívida de outra forma que não seja com dólares desvalorizados". 

Consideram os analistas que "os Estados Unidos continuam a afundar a toda velocidade num endividamento crescente. Para o próximo semestre, Washington prevê emitir US$846 mil milhões de Títulos do Tesouro, ou seja, 35% mais que o ano passado no mesmo período.

Apesar da situação explosiva a Standard & Poor's garantiu que a classificação de crédito dos EUA não se vê afetada pelo fracasso da "super comissão" o que mostra a incoerência das agências de rating.

O antigo presidente director geral da Goldman Sachs, antigo governador de Nova Jersey, principal doador da campanha Obama para 2012, considerado em Agosto último para substituir Tim Geithner no posto de secretário de Estado do Tesouro foi um dos "criadores" de Obama em 2004, e agora também fracassou. Este caso atinge o cerne da relação incestuosa Wall Street / Washington que agora se começa a denunciar.