16 de outubro de 2011

"Que fazer?" (2)

A agonia do Capitalismo Monopolista (terrorista) de Estado e o início de quê?


Após a leitura e reflexão do texto de Venerando Matos, vi o belo texto teórico de Filipe no seu blog “o assalto ao céu”.


Também este texto merece uma reflexão, não por discordância mas para reforçar algumas ideias que considero importantes, para uma conclusão.


A derrota dos países socialistas


1. O intenso ataque ideológico, aos países socialistas, aproveitando e explorando erros, falseando a verdade e a história, que acabou por minar a coesão interna desses países e criar condições para a sua derrota, tal como se previa, não visava a defesa da democracia e dos povos mas o completo domínio do capitalismo no planeta.
É assim que o capitalismo funciona na sua permanente função monopolista. Tal como as grandes empresas, em nome da competitividade, absorvem as pequenas, e acabam por monopolisar os mercados, matando a concorrência, também o capitalismo em nome da democracia, destrói as sociedades anticapitalistas para dominar o mundo, sem concorrência.
Tal como mostra Filipe, “a partir da década de 90 do último século com a ofensiva neoliberal, respaldada na destruição dos países socialistas(…)” os banqueiros e monopólios estenderam livremente o seu poder ao domínio das democracias burguesas, “transformando-as em ditaduras de fachada democrática, com os governos de turno transformados em conselhos de administração dos interesses exclusivos daqueles”.
Diz Filipe que “A novidade actual do Capitalismo Monopolista (Terrorista) de Estado - C.M.(T.)E - é exactamente a sua transformação numa dominação de classe com contornos claramente neofascistas, lançado numa nova etapa da repressão dos movimentos operários e populares, no estrangulamento das liberdades políticas dos regimes burgueses anteriormente vigentes, com o crescente recurso a novas práticas terroristas no campo social, no campo económico, no campo militar. De facto, perante o crescente protesto e indignação populares, confrontado com um notável ascenso das lutas de massas operárias e de outras camadas sociais flageladas, o nóvel C.M.(T.)E. revela de forma exuberante os seus reais contornos de ditadura terrorista do grande capital, perdendo gradualmente as capas e as máscaras "democráticas" burguesas”. Filipe avança com um conjunto de dados que revelam a estratégia do CM(T)E.


O crescimento de uma revolta. Com que objectivos?


2. Como nos ensina a dialética e a história da luta de classes, “o actual CM(T)E confronta-se com uma crescente disposição anti-imperialista e mesmo anti-capitalista dos povos agredidos, numa vasta corrente multinacional de renhidas lutas operárias e populares em todos os continentes”. 
“E é neste ponto que incide a urgência de uma clara avaliação por parte das forças revolucionárias do momento em que estamos” diz Filipe que avança que “o capitalismo atingiu um grau… que inviabiliza qualquer solução política … que persista na aplicação das fórmulas nacional-democráticas defendidas há escassas duas ou três décadas”. Filipe mostra ainda que no estádio actual do capitalismo globalizado e monopolista, não é possível “querer "reformar" o capitalismo financeirizado "mau" e substituí-lo por um "capitalismo de rosto humano e ao serviço das pessoas".

Rutura com o capitalismo, transição para o socialismo


3. Conclui então o autor que é evidente a “necessidade histórica imposta pela marcha dos povos o fim do capitalismo como sistema sócio-político”. Como seria irrealista e perigoso pensar que o capitalismo cederá sem luta, as suas posições face à vontade dos povos, “só nos resta recorrer aos processos insurrecionais populares de massas, paciente e determinadamente organizados e que coloquem com clareza o objectivo da constitucionalização de um novo poder de classe, assente em novos Estados dos trabalhadores”. 
Para isso, “Só movimentos revolucionários amplos e unificados, simultaneamente sociais e políticos, terão a força capaz de derrotar a resistência que será oposta pelo grande capital e assegurar a transição para o Socialismo”.
Defende, portanto, Filipe que “Em Portugal, os comunistas têm colocado a questão da necessidade de uma ruptura política democrática e patriótica…” e que “chegou a hora da necessidade da clarificação dessa fórmula, afirmando que essa ruptura só poderá ser obtida pela via revolucionária e que só será democrática e patriótica se se colocar como objectivo a construção de um novo poder de Estado dos operários em aliança com as outras classes e camadas laboriosas”. 


"Audácia, mais audácia, sempre mais audácia"


4. Por fim, constatando que “as condições objectivas amadurecem mês a mês, semana a semana, dia a dia; as condições subjectivas têm que acompanhar esse desenvolvimento rápido do real” pelo que é preciso e urgente pôr em marcha um programa que defina “as propostas de alianças sociais e de organização da luta política …, a par da proposição da conquista de um novo Estado dos trabalhadores, popular e socialista. 
"Audácia, mais audácia, sempre mais audácia", cita Filipe, que termina apelando para que a “vanguarda digna desse nome” tenha a necessária audácia. “Os aliados esperam sempre dos revolucionários esse esforço indispensável e insubstituível de se colocarem à cabeça do movimento operário e popular. Na verdade, o discurso persuade - mas o exemplo, arrasta!"


Condições subjetivas particulares e gerais


5. Creio que falta uma análise destas condições subjectivas, mais alargada e global. Hoje, mais do que nunca, é inevitável a conjugação de esforços na generalidade dos países e, em especial, nos países onde o capitalismo globalizado tem as suas bases. Aceito que a iniciativa por algum lado deve começar, mas nada disto deve ser deixado à espontaneidade. Por tudo isto, também creio que é sobre o “amadurecimento” das condições subjectivas, não só em Portugal, que devem incidir as nossas análises, realistas, rigorosas, urgentes, para que as iniciativas, também rápidas e audaciosas, possam avançar, pois a oportunidade não espera e a responsabilidade que temos, assim o exige.