21 de agosto de 2011

A crise política e o crescimento da revolta

A crise global e sistémica do capitalismo


Desde a queda da URSS, há 20 anos, o capitalismo assumiu uma forma global, por um lado, dominado por instituições financeiras que nada produzem a não ser as dívidas e ganhar fabulosos lucros com isso, e por outro com um aumento enorme das intervenções colonialistas e armadas. Esta forma de capitalismo, como disse Marx, na sua fase superior, cria as condições para a sua auto-destruição. O capitalismo sustenta-se, agora, em capital virtual por meio dos chamados “derivativos” com que jogam os "mercados". Emprestam uns aos outros, aumentando o capital circulante, virtual e, os juros. 

Dinheiro que nada vale

O dinheiro real, dos depósitos dos clientes nos Bancos dos EUA é apenas de 3 a 5% do que circula virtualmente. Como o risco é grande, pois não têm dinheiro que cubra as dívidas, fazem-se seguros. As seguradoras aproveitam para emprestar a juros o capital (virtual) assim obtido o que aumenta o risco caso uma seguradora tenha que cobrir o valor seguro. Na realidade este esquema é sustentado pelo Estado, ou seja, por todos os contribuintes, que terá que assegurar as falhas, como já aconteceu em Portugal com o BPN. 
 
Para aumentar a especulação financeira, o mercado hipotecário entra também em cena com os empréstimos sobre as casas, empréstimos esses não cobertos por dinheiro real. Esta "industria" imobiliária especulativa alimenta-se das classes trabalhadoras a quem empresta o dinheiro.



Engenharia financeira
 

Perante tal facilidade de ganhar dinheiro sem trabalho, sem nada produzir, as empresas de produção apostam mais na "engenharia financeira" que na engenharia tecnológica. A empresa passa a ser um valor medido pelo valor das acções e o empresário procura que seja comprada por uma grande empresa que pague bem. 

Neste sistema as vendas dos passivos convertem-se em activos (virtuais) para garantir (virtualmente) outros empréstimos. Quando os empréstimos não puderam ser pagos, começam as insolvências a gerar outras insolvências como a queda das pedras do dominó.

Opções: Bancos ou quem produz?

 

É por isso que os Governos preferem salvar os Bancos à custa dos contribuintes, pondo remendos na rede de interesses do capitalismo financeiro. Claro que esta opção vai "secar" os consumidores e as empresas que produzem.

Como aumentar os impostos dá muito nas vistas, os Governos arranjam todos os artifícios para transferir o dinheiro dos trabalhadores para o capital. Recorreram aos "mercados" financeiros, aumentando sua já elevada dívida pública. O pagamento de juros da dívida, juros especulativos, é uma forma de salvar os "mercados" à custa da dívida do Estado (de todos nós). O resultado é a crise financeira dos Estados. Esta crise converteu-se, numa nova crise financeira, porque colocou em perigo as moedas (euro e dólar).






A austeridade para quem trabalha e o acentuar das desigualdades

A tentativa de impor a austeridade, acelerou a recessão, e aumentou o desemprego, reduziu salários e apoios sociais. As transferências de dinheiro dos trabalhadores e do Estado para os Bancos e "mercados" (pagamento de juros) deram lucros enormes e crescentes para o sector financeiro. Por isso, os “indignados” afirmam que o sistema não está em crise. O capital financeiro continua ganhando, e transfere os prejuízos à sociedade e aos Estados. Assim se disciplinam os sindicatos e os cidadãos. Assim, a crise das finanças torna-se crise política.

A crise é política

Na realidade a crise não é económica, mas política. Trata-se de uma luta de classes muito acentuada. O vinculo entre cidadão e governantes está em ruptura por uma opção de classe dos governantes salvarem o sistema que deu origem à crise. 

Surgem em crescendo os "indignados", que mesmo sem organização e sem grande consciência política querem manifestar a sua revolta, seja como for. A esta acção surgem as reacções dos governos que pretendem voltar as populações contra os indignados para poderem justificar uma repressão mais violenta e alargada.