1 de setembro de 2015

O negócio das "ajudas"

Os cérebros do capitalismo, engendraram um lucrativo negócio:
Vamos ver como, nesta conversa

- Como sabemos a melhor forma de obter dinheiro é montar um Banco.
Com o dinheiro dos outros, e são muitos, fazem-se os melhores negócios.
Se o Banco a fundar tiver bons propagandistas, está garantida a entrada de dinheiro. Muitos poucos fazem muito.
Vou-vos explicar o esquema:
Nome do Banco: Banco Central Europeu.
A quem pertence o Banco: A uma Holding chamada União Europeia.
Accionistas: Os do costume. Os grandes capitalistas, aqueles que já acumularam muito dinheiro.
Marketing: O plano está a ser organizado.
Tema base da propaganda: A Europa connosco, a Europa solidária que "ajuda" os mais fracos.
Argumento principal: Portugal vai passar para o pelotão da frente e juntar-se aos mais ricos.
Propagandistas: Os partidos da Social Democracia. Vocês e o PSD com quem também já falámos.
Condições a criar: Uma moeda única para que ninguém possa fugir, nem alterar as condições cambiais. (chamemos-lhe Euro).
Esquema do negócio: Idêntico ao de todos os bancos. Se tem dado certo, noutros sítios com o FMI é melhor não inovar. O Banco recebe uma renda fixa para as despesas e dinheiro de outros para o guardar, Entretanto empresta a quem precisa, com juros, claro.
A grande novidade está na forma de fazer com que precisem de ajuda. Sim porque se um Banco não tiver a quem emprestar dinheiro, não faz negócio.
Então que pensaram os nossos cérebros?
Fazer acordos e regulamentos na seguinte base:
O Banco está aqui para ajudar e pôr os mais fracos no pelotão da frente (lembram-se?), mas para isso é preciso que obedeçam às nossas regras.
- Nossas de quem?
- Nossas de todos nós. Isto é democracia. Os nossos amigos sociais democratas, garantem-nos que as regras de todos são as que nós precisamos que sejam.
- Nós quem?
- Nós, os que temos o vosso dinheiro bem guardado.
- E quais são essas regras?
- Primeiro, vamos atribuir subsídios aos mais fracos.
- Isso é bom com os subsídios os mais fracos investem na produção para ficar mais fortes.
- Não, não e não! Aqui é que está uma das grandes descobertas. Nós damos subsídios para destruírem os vossos meios de produção. Para afundar barcos de pesca, para destruir culturas, para não produzirem mais leite, nem vinho, para acabar com estaleiros navais para não fazerem mais barcos, não vão vocês querer substituir os que foram afundados, acabar com indústrias, com as fábricas que já existam nos países mais ricos da União, para não terem que trabalhar. Não precisamos de concorrência. Nós, os mais ricos trabalhamos para vocês que em contrapartida recebem subsídios.
- Sempre?
- Não, isso é só para ganhar clientes, depois acaba.
- Então e depois.
- Depois vocês vendem os bens do Estado, porque o Estado precisa de emagrecer, para nós engordarmos. Vendem os bancos para os nossos accionistas, vendem os Hospitais, vendem as grandes empresas estratégicas, os transportes a energia e a água e tudo o resto que tiverem. Assim vocês não precisam de se preocupar a gerir isso tudo. E como o Estado fica sem nada, as reclamações dos utentes passam para os privados. É ou não uma boa ideia? Vocês ganham o dinheiro dos ordenados de Ministros e quase que não precisam de fazer nada pois o estado fica apenas com o que não pode dar lucro.
- Isso parece boa ideia mas não sei se o povo vai aceitar.
- Aceita, aceita. Esse é o vosso trabalho. Fazer com que o povo aceite.
- Os nossos amigos do PSD e do CDS não devem ter problemas. Mas nós somos socialistas e não sei se os nossos sócios aceitam.
- A primeira coisa que têm a fazer, e já, é pôr o Socialismo na gaveta e bem escondido. Isso do socialismo poderia ser perigoso e estraga-nos o negócio.
- Mas se não temos actividade produtiva o desemprego aumenta muitíssimo.
- Isso faz parte do Plano. Como o desemprego aumenta podem baixar os ordenados e aumentar as horas de trabalho. O aumentar os horários de trabalho vai fazer com que os trabalhadores não tenham tempo para nada nem para se organizar. E quando os ordenados estiverem bastante baixos e haja muita gente a viver do subsídio de desemprego, que é pago pelos que trabalham, nós aceitamos imigrantes. Vêm trabalhar para nós com salários baixos mas ainda assim superiores aos que têm no vosso país. Assim conseguimos também reduzir os sindicalizados e dar cabo dos sindicatos.
- Então o país vai ficar despovoado.
- Não. Como o vosso país têm um bom clima vamos nós viver para lá. Compramos as vossas casas, que devem estar ao desbarato porque vazias, e os terrenos para belas quintas devem estar também a bom preço.
- Vocês têm tudo pensado.
- Nós não brincamos em serviço!
- Mas depois de acabarem os subsídios vamos ficar aflitos.
- Aí está a função central do Banco Central Europeu que vamos criar. O Banco empresta dinheiro a juros razoáveis.
- Mas como vamos pagar os juros?
- Com novos empréstimos.
- Assim aumentamos a dívida.
- Nessa altura, vocês aumentam os impostos para pagar os juros. Calculamos que podemos captar dos trabalhadores cerca de 800 milhões de euros mensais o que pode dar 10.000 milhões anuais. Depois ainda há o que pagam indirectamente nos impostos sobre o que compram, incluindo a electricidade, a água, o gás e a gasolina e muitas outras coisas. Não se importem com a dívida. O que é preciso é pagarem os juros para que as nossas receitas sejam certas e regulares de cerca de 10 a 15 mil milhões de euros anuais. Temos ainda as receitas das empresas que foram privatizadas o que, depois da distribuição aos respectivos accionistas, nos permitirá arrecadar mais 10 mil milhões de euros anuais.
- Mas se os trabalhadores ganham menos e a maioria está desempregada, o povo não aguenta.
- Ai aguenta, aguenta.
- Mas o descontentamento aumenta muito e o negócio acaba por dar para o torto. Lembrem-se que o Partido Comunista tem muita força e não nos deixa fazer tudo o que queremos.
- Esse é o único problema que nós não temos solucionado. Não podemos controlar os comunistas. Por isso estamos a tomar medidas para comprar toda a comunicação social para vos ajudar na propaganda e a esquecer os comunistas. Depois sabem bem que Salazar fez um bom trabalho durante 50 anos, com a campanha anti-comunista que ficou na cabeça das pessoas. A Igreja faz essa campanha há muitos mais anos e pode aí dar também uma ajuda importante pois o povo mais ignorante, principalmente, é muito religioso. O que é necessário é que nas eleições vocês sejam imaginativos. Não se importem de mentir pois isso dá sempre resultado. É preciso que vão mudando as pessoas. Uma vez governam vocês outras vezes governa o PSD e depois cada um atira as culpas para o anterior. Isso pega sempre. O povo é de memória curta e a comunicação social vai entretendo as pessoas com as discussões entre vocês. Bem sabem que estamos aqui para vos ajudar, tal como ajudamos no 25 de Novembro.
- Mesmo assim a revolta será cada vez maior.
- Não se preocupem. Temos um plano B que é inventar uma crise para que sirva de desculpa para tudo. Mas, simultâneamente, nós vamos tomando medidas legais e repressivas para impedir que estale a revolução. O que é preciso é atrasar a consciência dos trabalhadores. Aí têm que ser vocês a trabalhar. Seja com UGT, seja com Futebol, ou outras coisas, o trabalho aí vai ser vosso.