17 de novembro de 2011

Publicidade enganosa

O Partido Socialista sempre rendido ao poder dos bancos e do grande capital

Hoje disse-me um amigo: Como é possível que o PS ainda mantenha o seu nome de "Socialista". A continuar assim isto assemelha-se a publicidade enganosa.
A propaganda abusiva ou enganosa, explora o medo, ou aproveita a deficiência de julgamento ou inexperiência do consumidor.
Diz o Código da Publicidade: É proibida toda a publicidade que, por qualquer forma, incluindo a sua apresentação, e devido ao seu carácter enganador, induza ou seja susceptível de induzir em erro os seus destinatários, independentemente de lhes causar qualquer prejuízo económico, ou que possa prejudicar um concorrente. 

Um ano após o 25 de Abril, o PS, por iniciativa de Mário Soares, adotou o slogan “Socialismo em liberdade”. As bonitas palavras Socialismo e Liberdade serviram para mascarar, um novo programa de traição ao 25 de Abril. 
Em aliança com as forças mais reacionárias e aproveitando-se da campanha anti-comunista de Salazar, os dirigentes do PS investem contra o PCP, o MFA, a CGTP, organizações dos trabalhadores, comissões administrativas das autarquias e todas as organizações populares que eles apelidavam de "correias de transmissão do PCP". 

Lançaram uma campanha de ódio ao PCP que cegou muita gente, influenciada pelo anti-comunismo salazarista e iludida com o "Socialismo em Liberdade". 

Como confessou Mário Soares (1) vangloriando-se, conspirou com Carlucci (2) e a Igreja, contra a revolução que seguia numa via socializante. 
 
Sempre, sempre ao lado do... grande capitalismo financeiro...

O percurso do PS foi sempre aliado aos partidos e aos interesses da direita, do grande capital financeiro, do imperialismo americano, contra os trabalhadores e suas organizações.
Ficou célebre a frase "é preciso partir a espinha à Intersindical".
 
Destruíram a Reforma Agrária e com isso grande parte da agricultura, privatizaram sectores estratégicos da economia, entregaram aos grandes monopólios e multinacionais, muitas das empresas produtivas, parte delas foram encerradas outras foram deslocalizadas para outros países de mão de obra barata. O desemprego começou a aumentar. A máscara socialista foi caindo e vieram a público os escândalos, a corrupção, os crimes, os roubos, o tráfico de influências, os negócios dos amigos, numa imensa lista vergonhosa. Muito haveria a dizer que a História registará. Hoje, no PS quase nada resta de Socialismo, nem os valores morais e humanos. Ao oportunismo chamam pragmatismo, inevitabilidades e outras palavras inventadas para iludir.  

Perante a crise do capitalismo, o PS tenta contrariar o rumo da História e alia-se ao PSD e CDS aceitando a política de classe dos exploradores, o capitalismo na sua versão mais reacionária, o capitalismo financeiro da especulação dos banqueiros que dita a política anti-social, chamada de "austeridade" (austeridade para os que trabalham). Onde está o "Socialismo em Liberdade"?
 
... contra as organizações de classe dos trabalhadores.


Mas, não foi só no domínio económico e social, que a direita reforçada pelo PS, fez a contra-revolução. No campo ideológico continua a campanha de desinformação, de intoxicação e adormecimento, de submissão aos poderosos do dinheiro, campanha anti-comunista e sempre contra os interesses dos trabalhadores. A comunicação social, controlada pelos grandes grupos económicos, intensifica a lavagem aos cérebros dos trabalhadores com a ideia de que esta política é inevitável, de que não não há alternativa. 

Contratam jornalistas, comentadores e "especialistas" para várias vezes ao dia e a propósito ou despropósito de qualquer coisa dizerem sempre o mesmo. Não há alternativa. Temos que aceitar o que diz a Troika. Temos que comer e calar. 
  
Se os trabalhadores organizados nos seus sindicatos se revoltam, logo aparecem as vozes do dono a dizer que temos que obedecer, de nada vale lutar, enfim o sermão da passividade e da cordeirice. 
Há pouco tempo um desses jornalistas contratados, por não ter imaginação para mais adaptou o dito do Gonelha e disse: "é urgente partir a espinha aos sindicatos". 
O Governo de Sócrates ajudou a afundar o país. Sócrates desacreditado chamou a Troika e demitiu-se. O poder do dinheiro reforçou-se. Os ricos ficam mais ricos. A pobreza aumenta, atingindo as camadas médias da população trabalhadora. É este o resultado da política "socialista" do "socialismo em liberdade" do "socialismo democrático" do "socialismo moderno".
 
A farronca da violenta abstenção no Orçamento para 2012
 
PS foi derrotado nas eleições e o anti-comunismo, a censura e silenciamento da esquerda, não permitiu fortalecer as políticas alternativas. O PCP apesar de ter subido, não conseguiu os votos suficientes para impedir a maioria de direita. 
 
O PS, dizendo que agora é oposição, continua a aceitar a política de direita. É significativa a vontade que manifestou de "lutar duramente" contra o Orçamento de Austeridade o que se traduziu numa violenta abstenção.
 
Após a violenta abstenção, o PS dispôs-se a "salvar" um dos subsídios roubados (salvar os dois seria exagerado socialismo). O governo, conhecendo bem essa determinação fez-lhe a vontade e permitiu uma reunião do PS com a Troika. Resultado: A fanfarronice de Seguro não era segura. Seguro entrou como leão e saiu como sendeiro, após uma violenta submissão.
 
O meu amigo tinha razão. É motivo para acusar o PS de publicidade enganosa. Ou o "S" depois do "P" quererá hoje dizer...

Notas:
(1) Mário Soares confessa, numa entrevista ao jornal I que conspirou com D. António Ribeiro e que só assim encheu o tristemente célebre comício da Fonte Luminosa. Todas as semanas o encontrava tal como se encontrava regularmente com Frank Carlucci, na Embaixada dos EUA.

(2) Frank Carlucci, em 24 de Janeiro de 1975 entra oficialmente ao serviço em Lisboa, com a apresentação das credenciais. Em pleno período revolucionário, Frank Carlucci vai seguir de perto o Verão Quente de 75, acompanhando o percurso de políticos como Mário Soares, com quem estabelece uma relação de amizade. 
Durante a presidência de Ronald Reagan, Frank Carlucci foi Director da CIA.