17 de outubro de 2011

A entrevista do ministro das finanças, em palavras simples

Ministro das Finanças, um ET vindo de outro mundo?


Na entrevista dada hoje, na RTP, Vítor Gaspar quis que acreditássemos que a mesma política que afundou o país, traduzida no Orçamento para 2012, vai agora salvar Portugal. 


Apesar das evasivas titubeantes, de vendedor de banha da cobra, só pude confirmar que, medidas para o crescimento económico não existem. Ao contrário, é fácil de adivinhar que todas as medidas anunciadas, vão agravar a nossa economia. Não é preciso ser-se economista para verificar que, com a redução da produção, com o aumento das horas de trabalho por cada trabalhador, vai aumentar dramaticamente o desemprego, a pobreza e a fome. Não é preciso ser muito inteligente para saber que, com mais desempregados não há economia, fragilizada, que se recomponha. Toda a gente sabe que a riqueza provem do trabalho, da produção!


Vistas curtas? ou... quem vier atrás que feche a porta?


Confirmei também que o ministro das finanças, não é a pessoa indicada para defender a nossa economia. Pois, pensando apenas em termos financeiros, destrói a economia, como meio de recuperação futura. Ao dar o exemplo da venda de empresas públicas, saudáveis, aos investidores estrangeiros, mostrou a sua pequenez de pensamento como mau "tesoureiro".
Se ele fosse gestor de uma empresa em dificuldades, para resolver problemas de tesouraria, vendia as máquinas da empresa. Pagava as dívidas mas ficava sem poder trabalhar para o futuro. Sem máquinas despedia o pessoal mas não podia ficar sem as despesas fixas. Não teria futuras receitas para as pagar. 
Com este "ministro" os credores ficam com as dívidas saldadas, agradecem muito e a empresa vai rapidamente à falência. 


Pobres, a morrer, mas honestos (com os desonestos)


Diz o ministro: com estas medidas recuperamos a nossa credibilidade nos mercados. Ainda que fosse verdade, e não é, para que nos servia a credibilidade e o elogio de termos pago todas as nossas dívidas, se estávamos falidos? Falidos mas sem dívidas! Pelos vistos o nosso ministro das finanças é um ministro dos credores, com a missão de pagar dívidas vendendo o país. 


Como bem disse Jerónimo de Sousa esta é uma política de terra queimada; pôr os portugueses a trabalhar sem receber, a passar fome, para pagar dívidas. E depois? 
O depois, apesar das perguntas do jornalista, o ministro não disse.
Qual o plano B, caso isso falhe? Perguntou o jornalista.
Bem... pois... prefiro não pensar que isto falhe...


Podem perguntar os leitores: Qual a alternativa? Creio que foi já defendida à exaustão, apesar da comunicação social fugir a esta questão que não convém aos bancos e banqueiros, também chamados "mercados" (não de nabos e hortaliça). 


A alternativa existe!


Primeiro: A alternativa só poderá ser executada por quem tenha por prioridade defender Portugal e os portugueses. 


Segundo: Renegociar com os credores (bancos e mercados) para alongar os prazos de pagamento e reduzir os juros especulativos. Com o valor reduzido das prestações libertar os fundos para voltar a dinamizar a nossa produção, agrícola, nas pescas, na indústria. Com isso seria possível reduzir o desemprego e importar menos do estrangeiro. É claro que muitas empresas estrangeiras perderiam parte do seu negócio agora tão facilitado. Mas Portugal e os portugueses ganhariam. 


Terceiro: Alterar as leis que permitem que as grandes empresas e acionistas, retirem do país grandes fortunas, sem pagar impostos. Acabar com os offshores, paraísos fiscais e outras formas de fugas de capitais que nos roubam o que seria suficiente para pagar as dívidas. 


Muitas outras medidas, económicas e financeiras, já ditas e repetidas, poderiam ser aplicadas para que não fossem apenas os trabalhadores a pagar (a crise e as dívidas, de que não são responsáveis).


Não se trata de ser mais esperto ou inteligente. Tratam-se de "opções de classe" para favorecer "amigos" mas que não defendem o povo que elegeu este governo.