11 de setembro de 2011

11 de Setembro (3)

Neruda não morreu!


Neruda relata na sua poesia o amor pelo Chile e pela América Latina. Pablo Neruda mostra o verdadeiro opressor que age por trás dos ditadores e corruptos. Ele denuncia o inimigo da América livre, dos mineiros de salitre e cobre que tanto sofrem no subsolo de sua terra.


No filme "O Carteiro de Pablo Neruda", o personagem que retrata o Poeta diz que um dia um mineiro lhe falou: “Aonde você for, fala sobre este tormento, fala de seu irmão que vive lá embaixo, no inferno”. E foi isso que ele fez. Ele denunciou, ele acusou, e ele nomeou os que oprimiam o povo. Ele se levantou e apontou para o poder imperialista.
"Quando soou a trombeta, ficou tudo preparado na terra, e Jeová repartiu o mundo e Jeová repartiu o mundo entre a Coca-Cola, a Anaconda, Ford Motors, e outras entidades: a Companhia Fruteira Inc."
Neruda indignou-se contra o roubo das riquezas de seu país e de seu continente. Denunciou as mentiras dos opressores que prometiam melhorar a vida do povo. Mostrou que tais propagandas só se tornavam possíveis através dos traidores que servem a pátria numa bandeja.
"Inferno americano, pão nosso empapado em veneno, há outra língua em tua pérfida fogueira: é o advogado nativo da companhia estrangeira. É ele que arrebita os grilhões da escravidão em sua pátria, e passeia desdenhoso com a casta dos gerentes a mirar com ar supremo nossas bandeiras andrajosas."
Neruda não teve medo de atacar tais poderes que se julgavam inatingíveis. Apontou suas críticas às empresas estadunidenses. Contudo a "inteligência americana" a CIA não estava parada. O golpe de 11 de Setembro mostrou bem até onde ia a prepotência dos EUA.


A CIA, agindo através de sua fachada cultural, o Congresso para a Liberdade da Cultura (CLC), passou a usar de suas influências na tentativa de calar o poeta.


As características repressivas da CLC eram visíveis para quem atentasse para o assunto. Alguns escritores chegaram a atacar Neruda influenciados pela CLC e para colherem as boas graças do poder. Foi montada a "Operação Neruda” para o denegrir. No entanto, a CIA teve que enfrentar as rebeliões campesinas, estudantis, os movimentos anticolonialistas na África, a resistência ao alistamento e repúdio à Guerra do Vietnam. No Chile os apoios a Salvador Allende assustaram a CIA e o poder financeiro dos EUA. 


Neruda foi movido por uma grande vontade de construir um mundo melhor. Disse:
"Quero viver num mundo em que os seres sejam somente humanos, sem outros títulos a não ser estes, sem serem golpeados na cabeça com uma régua, com uma palavra, com um rótulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas e em todas as gráficas. Quero que não haja mais ninguém para esperar as pessoas na porta da prefeitura para detê-las e expulsá-las. Quero que todos entrem e saiam do Palácio Municipal sorridentes. Não quero que ninguém fuja de gôndola, que ninguém seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, escutar, florescer. Nunca entendi a luta senão para que esta termine. Nunca entendi o rigor senão para que o rigor não exista. Tomei um caminho porque acredito que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto por essa bondade ubíqua, extensa, inesgotável."
O 11 de Setembro de 1973, o golpe dos EUA, preparado pela CIA e apoiado pela aviação Norte Americana, que derrubou o Governo Constitucional de Salvador Allende para colocar o Ditador Pinochet, provocou a morte de cerca de 30.000 chilenos e a prisão e tortura de mais de 100.000, acabou com a vida de Pablo Neruda já bastante doente.


Neruda que havia escolhido, como disse:
"Yo escogí el difícil camino de uma responsabilidad compartida y, antes de reiterar la adoración hacia el individuo como sol central del sistema, preferi entregar com humildad mi servicio a um considerable ejército que a trechos puede equivocarse, pero que camina sin descanso y avanza cada dia enfrentándose tanto a los anacrônicos recalcitrantes como a los infatuados impacientes. Porque creo que mis deberes de poeta no solo me indicaban la fraternidad com la rosa y la simetria, com el exaltado amor y com la nostalgia infinita, sino también  com lãs ásperas tareas humanas que incorpore a mi poesia."  
Morreu como disse que tinha morrido Frederico Garcia Lorca:
"Federico García Lorca não foi fuzilado; foi assassinado. Naturalmente ninguém podia pensar que o matariam algum dia. De todos os poetas da Espanha era o mais amado, o mais querido e o mais semelhante a um menino pela sua alegria maravilhosa. Quem poderia crer que tivesse sobre a terra, e sobre sua terra, monstros capazes de um crime tão inexplicável?"
Neruda não morreu apesar do 11 de Setembro de 1973 ter acelerado o seu assassínio.