8 de junho de 2011

As eleições e quem vai pagar a crise

Para enfrentar o que aí vem, o PCP alerta e apela à organização


O Comité Central do PCP apreciou os resultados das eleições e através de um Comunicado, reafirmou a sua determinação de lutar contra as medidas impostas pela troika. 

Na análise foi referida "a descarada mistificação que a corte de analistas e comentadores ao serviço do grande capital" que tem vindo a envenenar a opinião pública quer antes quer depois das eleições, "procurando assim desvalorizar o resultado da CDU".


Eleições não são cheque em branco

O Comité Central do PCP denunciou a abusiva interpretação dos resultados eleitorais como uma aceitação pelo eleitorado das medidas impostas pela troika. Salienta que esta manobra não tem cabimento pois sempre esconderam o acordo que fizeram com o FMI e UE. Os portugueses não puderam votar uma coisa que foi escondida. E foi escondida justamente porque se o povo a conhecesse os resultados seriam outros.


Presidente da República de alguns portugueses

O Comunicado informa que "o Comité Central do PCP sublinha e condena com particular veemência a atitude e declarações do Presidente da República, na véspera e no dia das eleições", que mascarou a realidade quer das soluções políticas como das próprias eleições que foram apresentados como eleições para a escolha de Primeiro Ministro e governo e ainda por cima para aplicarem o Programa da Troika. 


Aumentar as desigualdades?

O CC do PCP alertou para os "tempos difíceis esperam os trabalhadores, o povo e o país. Sobretudo porque a intenção da política de direita... é a de carregar mais e mais sobre as condições de vida dos portugueses à custa das benesses e apoios destinados aos grupos económicos e ao capital financeiro". 


Reafirmou ainda "a  determinação do PCP" para o apoio à luta pela "defesa dos direitos e o emprego, valorizar salários e pensões de reforma, apoiar os pequenos e médios agricultores e empresários, fazer pagar à banca, aos grupos económicos e às grandes fortunas o preço pela crise que eles próprios criaram"


Golpe constitucional, cuidado!

Alerta ainda o PCP para as tentativas de desrespeito da Constituição da República, e possivelmente de prepararem "um verdadeiro golpe constitucional".


O PCP recorda que a ser aplicado o acordo da troika, verificar-se-á  "uma regressão sem precedentes nas condições de vida do povo", para transferir para os Bancos "12 mil milhões de euros, para lá dos 35 mil milhões de euros de garantias do Estado para a banca... remetendo para o erário público prejuízos que podem atingir mais de cinco mil milhões de euros depois de mais de dois mil milhões de euros de dinheiro público enterrado no BPN e BPP". A ser aplicado este programa será agravado "o desemprego nos próximos anos que poderá atingir mais de um milhão de trabalhadores" e a recessão económica o que tornarão mais difícil o pagamento da dívida. 


Renegociação da dívida.

O PCP, insite na proposta feita em 5 de Abril, da renegociação da dívida pública externa portuguesa e afirma que apresentará na Assembleia da República uma proposta nesse sentido. Reafirma também que as propostas de alternativa que apresentou e que foram silenciadas, nomeadamente a acção “Portugal a produzir”, continua a ser a mais sólida e consequente proposta para tirar o país do rumo de definhamento e retrocesso e continuará a bater-se pela concretização de um vasto conjunto de medidas e políticas, nomeadamente por um forte  investimento público, pelo accionamento de cláusulas de excepção que salvaguardem o aparelho produtivo e as MPME's e pelo controlo e diminuição dos custos dos factores de produção.


Esclarecer, mobilizar, organizar, resistir

Por isso, o comunicado diz "Os tempos que se avizinham exigem um PCP mais forte, dinamizador da resistência e luta contra a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda".


O Comité Central termina o comunicado salientando a importância da organização, como mais uma vez foi evidenciado nas lutas de massas e na acção eleitoral e aponta a necessidade de prosseguir a concretização da acção “Avante por um  PCP mais forte” e da realização da Festa do “Avante!” a 2, 3, e 4 de Setembro.