5 de abril de 2011

Confirma-se o papel de Obama

EUA: acusados pelo 11/09 serão julgados em Guantánamo

O julgamento dos acusados de terem organizado os ataques de 11 de setembro de 2001 ocorrerá num tribunal militar especial na base naval dos Estados Unidos em Guantánamo, num prazo muito curto, e não diante de um tribunal de Nova York, disse o procurador-geral americano, Eric Holder.
O facto de que os julgamentos serem realizados em Guantánamo e não em Nova York representa um fracasso para Obama, que prometeu o fecho definitivo da base militar americana em Cuba.
Além disso, o anúncio dos julgamentos em Guantánamo é divulgado no mesmo dia em que Obama revelou oficialmente suas intenções de ser candidato a um segundo mandato presidencial nas eleições de 2012.
Khaled Cheij Mohamed, kwaitiano de 45 anos; Ramzi ben al Chaiba, iemenita de 38 anos; Ali Abd al Aziz Ali, paquistanês de cerca de 30 anos; Wallid ben Atash, saudita também de 30 anos, e Mustapha al Husawi, saudita de 42 anos, estão presos em Guantánamo desde setembro de 2006.


Todos eles passaram anteriormente pelas prisões secretas da CIA, onde foram maltratados e inclusive torturados.
Cada um dos presos corre o risco de ser condenado à pena de morte.
Os julgamentos por "crimes de guerra", diante do tribunal militar de excepção em Guantánamo, não dão direito aos acusados de terem defesa. Foram decididos em 2008, por George W. Bush, mas tinham sido suspensos por tempo indeterminado por Obama.
Em novembro de 2009, Obama tinha anunciado que esse julgamento ocorreria em pleno coração de Manhattan, diante de um tribunal federal de direito comum, não militar.
No entanto, algumas semanas mais tarde, várias vozes - como o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, e o chefe da polícia local contrariaram essa decisão e no Congresso vários Republicanos e Democratas, também expressaram desacordo com a ideia de serem julgados com os mesmos direitos que os acusados de crimes de direito comum.
Em maio de 2009, Obama tinha ordenado o restabelecimento dos tribunais de excepção de Guantánamo, sendo alvo de duras críticas por ter "esquecido" suas promessas de campanha.
Os tribunais militares de excepção de Guantánamo foram criados em 2006 por George W. Bush e muito criticados por ignorarem o direito à defesa.