18 de maio de 2012

Coisas que andam esquecidas


São raras e muito "selecensuradas" as notícias que aparecem sobre a Líbia depois da morte de Kadaffi.
 
Seria lógico que depois de uma tão violenta guerra, se tivessem notícias das prometidas eleições, após dez dias como chegou a afirmar o CNT (Conselho Nacional de Transição), ou sobre as averiguações das "valas comuns de milhares de mortos" como os jornais profusamente divulgaram há um ano. 
Li hoje no jornal inglês "The Telegraph" a noticia que resumo:
 
NATO acusada de não investigar as mortes civis na Líbia

A Human Rights Watch (HRW) acusou a NATO de não reconhecer o alcance dos danos colaterais que causou durante a campanha que ajudou a derrubar Muammar Gaddafi. 
Fred Abrahams, assessor especial da HRW, disse num comunicado que "Os ataques foram permitidos somente para alvos militares, e sérias questões permanecem por apurar, em incidentes provocados pela NATO".
O relatório afirma ser a investigação mais extensa até à data de vítimas civis da campanha aérea da NATO, apresenta uma estimativa de maior número de mortes do que o da Amnistia Internacional que em março documentou 55 mortes de civis, incluindo 16 crianças e 14 mulheres.
 
Em resposta, a NATO considera que a sua operação Líbia foi de grande sucesso, ilustrando a capacidade dos aliados para trabalhar bem juntos numa campanha. 
A NATO realizou mais de 26.000 incursões, incluindo mais de 9.600 missões de ataque e destruiu cerca de 5.900 alvos até 31 de outubro do ano passado.
 
Abrahams, principal autor do relatório da HRW, disse que os cuidados que a NATO tomou durante a campanha foram "minados pela sua recusa em examinar as dezenas de mortes de civis" e que as mortes na Líbia podem prejudicar a capacidade da NATO para realizar futuras operações fora dos territórios dos seus membros, na América do Norte e Europa.
A HRW destacou o ataque à aldeia de Majer, 160 km a leste de Tripoli, em 08 de agosto, quando bombardeamentos aéreos da NATO mataram 34 civis e feriram mais de 30. 
"Durante quatro visitas a Majer, incluindo um dia depois do ataque, a única prova possível de uma presença militar encontrada pela Human Rights Watch foi uma camisa estilo militar - roupa comum para muitos libaneses - sob os escombros das casas ", disse.
A NATO disse, sem provar, que os alvos atingidos eram "alvos militares legítimos, selecionados de forma consistente com o mandato da ONU".

Para alem destas investigações por fazer, dos números apresentados serem muito duvidosos, ficam as perguntas essenciais. 
Que ganhou a população da Líbia com esta guerra? 
Para quando a democracia na Líbia? 
Quando termina a ditadura que persegue, mata, tortura etnias e os apoiantes de Kadaffi, civis e militares?