11 de abril de 2012

Não há vergonha


Sempre que fala aos portugueses, Passos Coelho mente. 

Afirma que o seu governo se preocupa mais com os pobres, dando a ideia que os mais penalizados são os ricos. 

Na entrevista de ontem à noite à RTP, Passos Coelho fugiu a responder porque é que "para os trabalhadores o governo considera que não há direitos adquiridos, mas para os grandes grupos económicos já esses direitos não podem ser retirados". 
O jornalista lembrou o caso das Empresas e Parcerias Público Privadas, mas foi também o caso da antecipação da distribuição de dividendos aos accionistas da Portugal Telecom. Aos trabalhadores, em contrapartida, retirou parte dos subsídios de Natal. 
Muitos outros exemplos poderiam ser dados como os reduzidos impostos à banca, a fuga aos impostos para os paraísos fiscais os escandalosos ordenados dos Administradores, os contratos dos boys para os gabinetes dos ministros, e muitos mais. Contudo, para os trabalhadores é a subida de impostos sobre os rendimentos do trabalho e a redução de salários.



  
Os pobres mais pobres os muito ricos mais ricos


Num dos últimos estudos, o economista Eugénio Rosa, revela com números oficiais que em Portugal a austeridade está a ser aplicada de uma forma desigual, já que os pobres tinham sofrido uma redução de 6% no seu rendimento disponível, enquanto os ricos tinham registado uma diminuição de apenas 3%. Arriscaria a dizer que os muito ricos não tiveram redução de rendimentos havendo muitos exemplos de lucros mais elevados. 
Quem está a ganhar com a crise? Os Bancos e os grandes grupos económicos.

Como revela Eugénio Rosa apenas 42,5% dos desempregados recebem um subsídio. 
Apesar do desemprego continuar a aumentar, o governo PSD/CDS-PP reduziu a duração do período em que o desempregado tem direito ao subsídio de desemprego.

Cada vez é mais difícil arranjar emprego e o Governo provoca ainda mais desemprego facilitando os despedimentos, recusando reformas antecipadas e facilitando mais horas de trabalho sem pagamento de horas extraordinárias.

Sacrificando os que mais precisam, o governo reduziu o tempo do subsídio em cerca de metade para os desempregados de mais de 50 anos de idade, justamente os que têm maiores dificuldades em arranjar novo emprego. 

(Continuação)
Mais sacrifícios para os mais pobres


O governo PSD/CDS prepara-se para sacrificar ainda mais os mais pobres com um projecto de lei – o 140/2012 – que visa reduzir o subsídio de doença, os subsídios de parentalidade e o Rendimento Social de Inserção.  

Passos Coelho mente. Mente também quando diz que são preciso sacríficios porque não há dinheiro. O dinheiro não desapareceu. Passos Coelho não diz que o dinheiro passa de umas mãos para outras. Quem é que tem o dinheiro? Passos Coelho não diz que, com a sua política e a da Troika, vai buscar o dinheiro a quem trabalha para dar milhões aos bancos e aos muito ricos, na maioria estrangeiros. Do empréstimo da Troika que vamos ter que pagar bem caro, mais de 12 mil milhões foram para a Banca.

E para as fraudes do BPN onde estão metidos responsáveis do PSD e amigos do Presidente da República? Nada se exige aos que roubaram? Com a nacionalização e a venda do BPN, estima-se em 8 mil milhões os custos que vamos pagar. Sobre estas fraudes o silêncio é enorme. Se fosse um pobre a roubar um pão ia logo para a prisão. 

Foi a política do PS e é a política que Passos Coelho e Paulo Portas. O Partido Socialista, finge ser oposição mas, comprometido, lá vai votando com o PSD e CDS-PP. Uma política ao serviço da classe dos exploradores. Uma política de direita e da classe que os apoia.