28 de abril de 2012

A denúncia global desta política, desta democracia (2)

A traição à nossa soberania

No discurso do PCP na cerimónia comemorativa do 25 de Abril na AR, que considerei mais profundo e abrangente, disse Agostinho Lopes:

(...) PS, PSD e CDS/PP, pretensamente para responder ao desastre nacional a que conduziram o País, subscreveram um Pacto de agressão e de traição a Portugal e aos portugueses. 
Um Pacto que agride núcleos da soberania e independência nacionais. Aceitando imposições externas sobre a organização dos tribunais, um Órgão de Soberania...
Um Pacto, que agora com o dito Tratado Orçamental, pretende impor o visto prévio de potências e poderes estrangeiros, à soberana gestão das contas do Estado português. Impor a jurisdição de tribunais externos sobre o Tribunal Constitucional, sobre a Constituição da República.


Enquanto essa Troika interna que nos governa há 36 anos, subserviente, assina tratados que nos humilham, tratados que não faziam parte dos programas eleitorais que os portugueses votaram, e nem por isso os submeteram a referendo, todos os dias nos impõem medidas e leis contra a Constituição da República que juraram defender. O Presidente Cavaco, chapéu de chuva dessa troika, fecha os ouvidos aos dilúvios de protestos provenientes de todos os sectores da sociedade. 
Continuando a análise do discurso de Agostinho Lopes:

Sabemos como alguns justificam a submissão ao Pacto. Seria a recuperação da soberania económica, pelo saneamento das contas do Estado.

É uma fraude política. As imposições económicas, as taxas de juro, os prazos e as condições da aplicação, não asseguram qualquer sustentabilidade presente ou futura das contas públicas.

E é uma blasfémia política. É como se o caminho para resistir a Castela em 1383/1385, passasse por fugir a Aljubarrota. Como se o caminho para afirmar a independência nacional em 1580, passasse pela aceitação do jugo filipino. Como se o caminho em 1808, fosse a fuga para o Brasil e a colaboração com os ocupantes e não a resistência às invasões napoleónicas.

Percebemos o afã no apagamento simbólico da história pátria, do 5 de Outubro, do 1º de Dezembro, ou da marca da história no desenho das freguesias e concelhos.

As classes dominantes, grande parte das suas elites, sempre foram, com excepções, permeáveis à colaboração com o estrangeiro opressor e explorador, em defesa dos seus interesses de classe. Foram as forças do capital monopolista restaurado e as forças políticas, PS, PSD e CDS, que impulsionaram a sua restauração, que transformaram o Estado Português no processo de integração comunitária, numa enorme junta de freguesia. As mesmas forças, que agora aceitam a sua transformação num protectorado da Alemanha.

Países mais pequenos ou em pior situação que Portugal como a Islândia, ou a Argentina, souberam bater o pé à União Europeia ou ao FMI e, com dignidade, superaram sozinhos a crise a que foram conduzidos.
Ao capitalismo, não interessa a defesa da soberania de Portugal, se tiver mais lucros aliando-se ao poder económico estrangeiro.

Vale a pena ver o documentário a seguir: