24 de fevereiro de 2012

O cavalo do inglês

Hoje vou contar uma história que me acompanha há muito

Conheço a história como a "do cavalo do inglês", contudo, já me disseram que, na Inglaterra, é conhecida como a "do cavalo do escocês".
Em Inglaterra são vulgares as histórias dos escoceses como em Portugal proliferam as anedotas dos alentejanos.

Enfim, vamos à história: 
  
Era uma vez, um inglês que tinha um cavalo que o ajudava nos trabalhos da sua propriedade agrícola. Vá-se lá saber porquê mas, a "crise", atingiu-o e as dívidas começaram a aumentar perigosamente. 
O inglês dirigiu-se aos seus três banqueiros e expôs a sua situação. 
- Não consigo pagar as dívidas, disse ele. Preciso de um conselho.
Os três banqueiros disseram-lhe que reduzisse as despesas, para que sobrasse algum dinheiro para as amortizar.
   
O desgraçado do inglês que já quase não fazia despesas, as alfaias estavam antiquadas e pouco rendimento davam, não as mandou reparar. O trabalho tornou-se ainda mais difícil, ele e o cavalo lá iam conseguindo o essencial para comerem. No entanto nada sobrava para pagar as dívidas.
Os três banqueiros, insistiam:
- Tem que reduzir as despesas.
Já não era um conselho mas uma imposição.
O infeliz inglês, deu voltas à cabeça e só encontrou uma despesa para reduzir. A da ração do cavalo.




Então pensou:
- Para que o cavalo não se aperceba de que lhe vou reduzir a ração, todos os dias reduzo apenas 100 gramas. 
E assim passaram os dias e até os meses. O inglês estava satisfeito pois o cavalo comia cada vez menos e não refilava. É certo que tinha um pouco menos força mas, lá ia fazendo o seu trabalho.
Até que um dia, satisfeito, a ração chegou a zero. Podia agora amortizar um pouco da dívida. Não o valor da ração, mas um pouco menos, pois o cavalo trabalhava também menos e a sua produção era inferior.
Apesar disso os três banqueiros, incentivavam-no.
- Muito bem. Verificamos que está a cumprir e até já conseguiu economizar na ração do animal.
Satisfeito voltou a casa e encontrou o cavalo morto. Desesperado exclamou.
- Ah! malandro! Agora que te tinhas habituado a não comer é que morreste!


Do restante da vida do inglês vamos saber... também aos poucos...