15 de dezembro de 2011

Vítimas ou caloteiros?

Qual a verdadeira razão do "PAPÃO" de "não pagar" a dívida?

O vice-presidente da bancada do PS referiu que Portugal devia ameaçar deixar de pagar a dívida nacional externa. Pedro Nuno Santos, líder do PS-Aveiro, disse que o Governo devia ignorar as exigências dos credores internacionais e, dessa forma, poupar os portugueses aos sacrifícios a que estão a ser obrigados. "Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos". 

Caloteiros? Quem?

A resposta não se fez esperar. Logo vieram as acusações de "caloteiro" ao atrevimento de Pedro Santos, inclusive da direcção do PS que sempre se encostou ao grande capital financeiro. Note-se que isto não é novo. Também quando o PCP defende a renegociação da dívida, logo a comunicação social veicula as vigorosas acusações dos defensores dos Bancos, dizendo que nós não somos caloteiros.

Faço então algumas perguntas:

Quem é que disse que queria ser caloteiro? Quem contraiu as dívidas?
Então porque não são os Bancos, causadores da crise, a pagar as dívidas com o muitos milhares de milhões de euros que ganharam, em juros cobrados ao Estado e aos portugueses?

Se esses fabulosos lucros foram em grande parte distribuídos aos acionistas banqueiros, e estão bem escondidos nos bancos da Suíça ou paraísos fiscais, porque não são eles (os donos) a entrar com o capital que falta aos Bancos.? Porque exigem que seja o Estado com o dinheiro dos trabalhadores a fazê-lo?
Esses senhores, para alem de caloteiros, não serão coniventes com os ladrões que roubam o dinheiro das famílias portuguesas?

Os jornalistas, pagos por esses senhores, exploram a seriedade tradicional do povo português, que não gosta de caloteiros, para agora chamar caloteiros aos que são vítimas dos exploradores.

Pedir fiado

Quando um pobre pede fiado na mercearia ou na farmácia, em geral faz todo o esforço para pagar a dívida. Isso faz parte dos nossos valores, da nossa cultura. Mas também faz parte dos nossos valores o merceeiro ou o farmacêutico não cobrar juros pela dívida.

Com os Bancos e os chamados mercados é muito diferente. Esses, tal como os penhoristas, aproveitam-se de quem tem dificuldades, para exigir elevados juros, para além de penhorarem tudo o que podem. E a exploração é tal que, quanto maiores são as dificuldades, mais aumentam os juros.

Lei do Funil

Os Bancos e "mercados", que vivem do nosso dinheiro, ganham mais em juros do que os valores que emprestam. No entanto, o Estado, (que somos todos nós), recapitaliza os bancos. E neste caso são os que precisam, os Bancos, que impõem as condições. Ou seja, a "lei do funil". A parte larga para eles e a apertada para os outros.

É isto que o povo não sabe. É isto que os defensores dos bancos escondem e usam para apelar aos "nobres sentimentos" para defesa dos bancos e para continuarem a roubar o povo para dar aos grandes capitalistas. 

Bancos públicos ou privados?

Para que servem os Bancos? Para ajudar a economia, certamente. Ora, os Bancos privados fazem precisamente o contrário. Servem-se da economia do país para ter grandes lucros e distribuir esses lucros aos acionistas. A Caixa Geral de Depósitos, que é do Estado, poderia apoiar a economia portuguesa em vez de gastar os seus recurso a apoiar os Bancos. 

Só para o BPN foram mais de 5.000 milhões de euros, perdidos.

Vejam o que disse Carlos Carvalhas sobre isto, já há meses:


 
Nuno Teles escreveu em "Ladrões de Bicicletas" que "Pedro Nuno Santos diz aquilo que devia ser evidente para todos. As condições de pagamento da dívida são a única arma negocial ao dispor das periferias nesta era do protectorado de Merkozy. Eu diria mais, no actual contexto de austeridade recessiva é evidente que Portugal não conseguirá pagar esta dívida, nestas condições".

É evidente que este governo dos Bancos, está a tentar roubar o máximo que puder aos trabalhadores, aos mais pobres. Tal como dizia Salazar, dividir os custos pelos pobres é melhor porque eles são muitos e já estão habituados.
 
Só não vê quem não quer. E, enquanto os que sofrem não quiserem ver, é difícil que isto mude.