8 de outubro de 2011

Os bombardeamentos humanitários vão continuar

Líbia martirizada: Ao fim de sete meses de bombardeamentos NATO não garante ter ganho a guerra enquanto não eliminar todos os apoiantes de Kadafi

Insurgentes apoiado pela NATO hoje continuaram o cerco de Sirte, embora o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tenha atribuido ao bombardeamento aéreo o agravamento da situação humanitária no local. 


O ministro francês da Defesa, Gerard Longuet, garantiu hoje em Bruxelas que a campanha de bombardeamentos da NATO na Líbia vai continuar. 


Longuet afirmou que os bombardeamentos aéreos vão continuar até que todas as bolsas de resistência estejam extintas e que o novo governo líbio peça para parar.  


Apesar dos antigos rebeldes controlarem a maioria do território líbio,  algumas regiões continuam a estar controladas por forças pró-Kadhafi, incluindo Sirte na costa mediterrânica, a cidade de Bani Walid e partes do sul do país. 


O ministro francês está em Bruxelas a participar na cimeira de ministros da Defesa da NATO.


Estas são as notícias que nos aparecem, distribuídas pelos centros de difusão da informação controlados pela CIA e pela NATO. Ainda que à mistura venha muita mentira, há realidades que já não conseguem esconder. A guerra contra o regime Líbio vem sendo preparada pelo menos, desde que Kadafi (ex-amigo dos governos ocidentais), não cedeu às chantagens que lhe fizeram e não entregou o petróleo à exploração das petrolíferas, norte americanas, francesas e inglesas.

Fabricação de mercenários


A CIA investiu no treino de agentes que criaram os "insurgentes" ou "rebeldes". Em fevereiro deste ano, há nove meses, começou o que se apelidou de guerra civil, desencadeada pelos agentes da CIA, das forças especiais inglesas, francesas e NATO, criando os pretextos para uma intervenção armada desses países e mais tarde, em março, da NATO com o apoio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, para controlar o espaço aéreo e impedir a aviação líbia de matar os "insurgentes", tidos como sendo a população. A resolução vigoraria por três meses, tempo considerado mais que suficiente para a queda do  regime que segundo eles era odiado pelo povo.


Tentativas goradas, para a resolução pacífica


Apesar das tentativas de negociação da União Africana, das propostas de Kadafi para a realização de eleições na Líbia, a NATO nada disso aceitou.
Perante os bombardeamentos da NATO muito para além do que diziam ser o controlo do espaço aéreo, bombardeamentos que incluíam a casa de Kadafi, as estações de televisão, hospitais, redes de abastecimento de água e electricidade, ruas e viadutos, e todas as infraestruturas, Kadafi entregou ao povo cerca de um milhão de armas. Os populares aliados aos militares desferiram rudes golpes contra os tais rebeldes. 
Como resposta a NATO passou a bombardear todas as zonas civis onde admitia haver apoiantes de Kadafi, iniciando uma guerra genocida. Bombardeamentos feitos diariamente por sofisticados aviões, por helicópteros, por navios de guerra ao longo da costa da Líbia com o Mediterrâneo.


Mais bombas que rebeldes


Passaram-se os tais três meses e Kadafi não dava mostras de ceder, apesar dos poderosos meios de Guerra da NATO, dos EUA, da França e Inglaterra. Passaram a devastar tudo o que pudesse abrigar apoiantes de Kadafi, e assim abriram os caminhos para que os rebeldes se aproximassem das principais cidades defendidas pela população armada e tropas governamentais.
Onde não conseguiam entrar lá estavam, diligentes, os aviões da NATO a bombardear bairros inteiros onde tinham informações dos rebeldes que havia pessoas que apoiavam Kadafi. 
Na entrada em Tripoli, após muitos dias de bombardeamentos da NATO, os rebeldes exibiram filmes e fotografias a metralharem os edificios de habitação e matarem, vitoriosamente, os moradores que tinham escapado aos bombardeamentos. 


Já nem falam do texto aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU


Já lá vão nove meses de guerra, três vezes mais que o tempo infamemente concedido pelo Conselho de Segurança da ONU. Agora com toda a arrogância (democrática), com ou sem aprovação da ONU, dizem que a "campanha dos bombardeamentos" vai continuar. 
Não o dizem, mas digo eu, que irá continuar, até que os apoiantes de Kadafi forem todos mortos, para assim terem garantida a vitória eleitoral na farsa de eleições que, como democratas que mostram ser,  irão promover.


Deixem-se morrer à fome e sede os habitantes de Sirte


Não dizem eles mas, mandaram dizer, através de jornais ingleses e norte americanos, que o melhor é deixar morrer à fome e sede a população da cidade de Sirte cercada e impedida de abastecimentos de alimentos e água.
Depois de Sirte, seguirão para Bani Walid e as cidades do sul do país, onde as populações e as tribos apoiantes de Kadafi decidiram impedir a entrada dos invasores e colonos imperialistas.

Têm razão os ministros da NATO que vai ser preciso continuar os bombardeamentos por muito mais tempo. 
Lembram as notícias que a guerra idêntica no Afeganistão, onde a NATO tem milhares de tropas no terreno, dura há mais de 10 anos.

Quem paga estas guerras? 


Os que fingem não perceber, e aceitam a justificação de que se trata de uma guerra para defender as populações, é moralmente conivente com os muitos milhares de mortos, mulheres, velhos e crianças, mortos e o sofrimento dos feridos pelos bombardeamentos humanitários da NATO.

Ver:  http://c-de.blogspot.com/2011/10/bombardeamentos-humanitarios.html