10 de julho de 2011

Muita parra pouca uva...

Indignação para inglês ver


Quanto mais nos abaixamos...
 
Com o espírito da dita "responsabilidade" que os irresponsáveis apregoavam no Governo, ou na campanha eleitoral: " de nada vale acusar os mercados", ou que "temos que acalmar os mercados", ou ainda que temos que "fazer os trabalhos de casa", foram impostos os Orçamentos de Austeridade, os PECs e os Memorandos  que roubam aos trabalhadores parte dos seus reduzidos rendimentos, quer em impostos, quer em serviços, quer nas taxas, quer nos direitos salariais, quer nos aumentos de preços... A lógica é conhecida do povo "grão a grão enche a galinha o papo". Contudo, as medidas são aprovadas, "os trabalhos de casa" feitos, mas também como diz o povo, "quanto mais nos abaixamos mais se vê o cu". 

O discurso e a realidade

Apesar das manifestações de indignação, dos responsáveis europeus e nacionais, dos discursos críticos em relação às agências de rating, os juros das obrigações gregas, espanholas, irlandesas, italianas e portuguesas, continuam a subir. A especulação do capital financeiro, dos chamados "mercados", ultrapassa tudo o que é tolerável. O grande capital aproveita a "crise" para sacar tudo o que pode aos países a quem criaram as dificuldades. É uma luta de morte em que os predadores não olham a meios para engolir as suas presas.
 
Para Portugal, na maturidade a cinco anos, os juros estiveram nos 16,955 por cento, e a três e a dois anos, chegaram aos 19,039 e 17,793 por cento, respectivamente.
 
A Grécia, renovava máximos nas obrigações a dois anos, que ultrapassam em dez pontos percentuais os juros pagos por aquela maturidade. A cinco anos, os juros escalaram para mais de 21 por cento e a dois tocavam já nos 31 por cento.
 
Alguém me explica como se podem pagar dívidas com juros muito superiores aos rendimentos actuais e previstos?