14 de janeiro de 2015

Atentados terroristas em Paris e manipulação da informação

No meio das campanhas mediáticas e, à parte os sentimentos emotivos justos, precisamos de um espaço de reflexão serena.

Estejamos à defesa com a actuação dos órgãos de comunicação, que jogam com a justa emotividade das pessoas, para impedir a reflexão serena sobre os factos.

O sensacionalismo intencional, tão ao gosto das nossas televisões e jornais é, como tudo o que fazem, para influenciar num determinado sentido. Para isso usam o método de empolar alguns factos e esquecer muitos outros.

É nossa obrigação, apesar dos parcos meios que temos, contrariar essa política de desinformação e raciocinar com mais cuidado.

Vamos aos factos:
O ataque contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo, que provocou 12 mortes e mais de uma dezena de feridos, é de repudiar e por isso, chocou a opinião pública mundial. É um facto!

O terrorismo é uma prática condenável e, mesmo para o que dizem defender não traz resultados que não sejam aumentar a indignação das pessoas e, porventura aumentar o medo.
Por isso seria legítimo que a comunicação social tivesse um papel pedagógico, assinalando estes factos.
Contudo, o que vimos é que, essa condenação do terrorismo internacional, é feita apenas quando convém a uma das partes dos interesses políticos que estão na origem dos acontecimentos.

Então se assim procede a comunicação social, temos que concluir que a intenção não é condenar o terrorismo mas apenas aproveitar alguns actos terroristas para esconder outros.

Vamos novamente a factos:
Que disse a comunicação social sobre actos terroristas tão atrozes como os assassinatos coletivos do grupo fascista Boko Haram? Esses assassinatos foram praticados há poucos dias, provocaram cerca de 2.000 mortos, mas foram esquecidos pelos governos e pela comunicação social. Porquê?
Que governantes são estes? Porque estiveram nesta marcha e impediram outras?

Na marcha "republicana" em Paris, contra o terrorismo, estiveram os governantes que "esqueceram" e até apoiaram outros actos terroristas mais atrozes e que vitimaram muitas mais pessoas. Vamos aos factos:
Na marcha esteve François Hollande que proibiu a manifestação pró-palestina quando do genocídio sionista, Hollande que continua a agredir o povo sírio e do Mali e a enviar armas para a al-Qaeda, Merkel com as mãos sujas de sangue nos Balcãs, o presidente ucraniano Poroshenko, tutor dos nazis que assassinaram milhares de Ucranianos civis, o primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, condenado por massacres qualificados internacionalmente de terrorismo de Estado, nomeadamente a exterminação de populações na faixa de Gaza onde recentemente morreram mais de 2 mil homens mulheres e cerca de 500 crianças palestinas, e... muitos mais. 

Estes são apenas alguns exemplos. 

Reflictamos também sobre a quem interessa que surjam estes atentados para intensificar a campanha do medo, para justificar mais meios para limitar as liberdades, para conter protestos justos de trabalhadores ou populações? 
Imediatamente ao atentado de Paris, sugiram exigências nos EUA para reforçar os meios da CIA e da NSA (Agencia Nacional de Segurança) para espiar todas as comunicações de cidadãos de todo o mundo, como vem já acontecendo, retirando mais dos seus direitos à privacidade.

Vejamos agora do outro lado:
O presidente do Hezbollah, movimento de resistência islâmica no Líbano, condenou, de imediato, o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo, dizendo que, para o Islão, foi mais nocivo do que as caricaturas do Charlie.
Disse ainda Hassan Nasrallah:
“Através de seus atos imundos, violentos e desumanos, estes grupos atentaram contra o profeta e os muçulmanos mais do que fizeram seus inimigos (...) mais que os livros, os filmes e as caricaturas que injuriaram o profeta”.

Façamos pois uma reflexão, e procuremos os factos que a comunicação social omite.