17 de fevereiro de 2012

Onde está o dinheiro?

O dinheiro não se evapora. Se sai dos bolsos e do trabalho de uns, para onde vai ele?



Um artigo de opinião o deputado Bernardino Soares, no Jornal Avante de ontem, responde à pergunta que tanta gente faz: Onde está o dinheiro?


É sabido que a grande maioria dos trabalhadores empobreçe, ganha menos e trabalha mais. Para onde vai esse dinheiro? 


Então Bernardino Soares dá alguns exemplos: 


Aponta que na "ajuda" a Portugal está incluido "12 mil milhões disponíveis para a recapitalização da banca – corresponderão mais de 35 mil milhões de euros de juros e comissões".


Mostra que os prejuizos apresentados são "manigâncias... para não pagar centenas de milhões de euros de impostos durante vários anos. Foi também por isso que o Governo aumentou no Orçamento para 2012 o prazo para reportar esses prejuízos no plano fiscal de 4 para 5 anos". 


Também o escandaloso negócio dos fundos de pensões da Banca "significa um encargo adicional para a Segurança Social" o que calcula "dará um benefício à Banca privada entre 6 a 8 mil milhões de euros".


O BPN, "beneficiou de garantias do Estado que ascendem já a 4 mil milhões de euros", "perspectivando-se para breve uma injecção directa de capital de 600 milhões (lembre-se que foi vendido ao BIC por 40 milhões de euros!)"


"No caso do BPP, o Estado prestou garantias no valor de cerca de 457 milhões de euros... que foram executadas quase na totalidade (cerca de 451 milhões)".


A despesa fiscal com o off-shore da Madeira é em 2012 de 1200 milhões de euros; 






Bernardino Soares aponta ainda os benefícios e redução de impostos aos grandes grupos, enquanto que, para o povo os impostos são aumentados. O PCP fez propostas realistas que permitiriam que os "sacrifícios" fossem melhor distribuidos:


"A rejeição da taxa de 0,2% sobre transacções financeiras, proposta pelo PCP, deita fora 200 milhões de euros por ano"; 


"A rejeição da taxa de 25% proposta sobre transferências para paraísos fiscais despreza uma receita de 4 mil milhões de euros anuais"; 


"Muitas centenas de milhões de euros seriam cobrados se as mais-valias bolsistas das SGPS pagassem imposto"; 


"O agravamento do imposto sobre bens e imóveis de luxo permitiria certamente uma receita importante para o Estado"; 


"A rejeição de uma proposta do PCP para tributar devidamente as SGPS que deslocalizam a sua sede fiscal permite a impunidade de operações como a do Grupo Jerónimo Martins/Pingo Doce e de outras empresas do PSI-20".


Na área da saúde em 2012 entregaram "320 milhões de euros aos grupos económicos através das parcerias público-privado. Para além disso, continua o regabofe do financiamento dos grandes hospitais privados com fundos públicos", isto é, cerca de 600 milhões de euros".


Muitos outros exemplos poderiam ser citados nos transportes, nas estradas, nos concursos públicos e nas obras que somariam muitos milhares de milhões de euros que saem do trabalho e sacrifícios do povo para os bolsos dos banqueiros, acionistas e administradores dos grandes grupos económicos. A maioria desse dinheiro está bem guardado no estrangeiro e serve para a especulação nos "mercados" onde arrecadam mais outros milhares de milhões com os juros dos empréstimos. 


Concluindo, como escrevi há três dias, eles causam a crise, obtém "ajudas" que empobrecem os estados e depois com o dinheiro que receberam emprestam-no a elevados juros ganhando milhares de milhões aos que lhes "deram" o dinheiro. 


Criam a doença, matam com a cura e pagam-se com a herança!