25 de outubro de 2015

Cavaco e seus comentadores

Que querem eles dizer? Estabilidade ou Instabilidade. Continuidade ou Mudança?
Querem confundir-nos?


Uma nota prévia:
O PS, depois da eleição de Costa e na campanha eleitoral, informou que não daria apoio à política de direita. Isso alterou muita coisa, incluindo a expressão do voto dos eleitores.

Cavaco, no desespero de querer voltar a colocar o seu partido no Governo, contra o resultado das eleições, mete medo aos portugueses com a instabilidade, que ele próprio criou ao indigitar Passos Coelho para formar um governo com apoio minoritário.
Antes das eleições disse que só empossaria um Governo que desse garantias de estabilidade e acabou, depois das eleições, por decidir empossar a Coligação do seu partido, em minoria. Portanto sem garantir a estabilidade que o País precisa.
Logo vieram às Televisões,  jornais e os comentadores da falange ao serviço de Cavaco, lançar a confusão entre estabilidade e instabilidade argumentando que a maioria dos deputados constituída por PS+BE+PCP+PEV não garantia a estabilidade.
O desenho que Cavaco e seus comentadores não querem perceber

Quem forma o Governo é a Assembleia da República

Pergunta-se muito simplesmente:
Se a maioria dos deputados não garante a estabilidade como é que a minoria garante?
Não faltaram argumentos imbecis. Os  principais são dois, que estão interligados:
- Os partidos da esquerda ainda não apresentaram um documento que garanta a estabilidade e,
- Não está garantida que essa estabilidade seja para quatro anos.
Esta dúvida, que parece rasoável, é, na verdade, muito capciosa, falsa e enganadora. Porquê?
Se aplicarmos a mesma pergunta ao partido de Cavaco, a dúvida fica desfeita:
- A coligação, que está em minoria, não tem nem terá um documento que garanta a estabilidade porque a maioria dos deputados já declarou que não o aceita.
- Não o aceita hoje, o que fará cair o Governo e, portanto, nem para amanhã quanto mais para quatro anos. Como garantem a estabilidade?
Pelo lado da coligação, do "presidente da república", o caso estará arrumado se os deputados dos partidos de esquerda, em maioria, cumprirem o que anunciaram aos eleitores. O Governo cai e lá se vai a estabilidade da cadeira onde Cavaco se apoia.

As confusões para enganar

Mas então onde estão as confusões que Cavaco e comentadores, querem criar?
São também claras se recordarmos o (miserável, criminoso, e antipatriótico) discurso de Cavaco Silva.
A confusão que ele quer lançar aos portugueses é que pensem em Estabilidade quando ele pensa em Continuidade. Rima mas não são a mesma coisa. Ele e os seus falangistas comentadores, não podem falar de Continuidade porque é evidente que as eleições traduziram a vontade de Mudança. Por isso tentam baralhar com a Estabilidade. As referências que faz à nossa submissão à Europa, aos tratados europeus e aos "mercados" mostra exactamente o que Cavaco quer. Mas... o seu problema é que, o que ele quer, não foi aceite pelos portugueses, que votaram pela mudança.
 
Gato escondido com rabo de fora!

Não é a Estabilidade que ele, Cavaco, quer para o Governo, mas simplesmente a Continuidade das políticas de empobrecimento, de austeridade como lhe chamam, para continuarem a roubar os salários dos trabalhadores, as pensões, para dar esse dinheiro aos Bancos, aos "mercados" e, portanto, aos que cada vez estão mais ricos à custa do continuado aumento da pobreza dos portugueses.
Esse Cavaco que, no Governo, destruiu a nossa Agricultura, as Pescas, a Indústria, as Empresas nacionais para as entregar aos ricos da Europa, a quem temos que comprar o que precisamos, quer agora que o seu partido continue a fazer o mesmo com o argumento de termos que nos submeter aos "mercados" e decisões que os portugueses nunca votaram, porque eles impediram que fossem referendadas.

Esse Cavaco e os seus falangistas de comentadores instalados e bem pagos nas Televisões, querem que os portugueses, que votaram pela Mudança, sejam obrigados a aceitar a Continuidade desta política de desastre.

Concluindo:
A Continuidade que eles não se atrevem a nomear foi firmemente regeitada pelos portugueses que, nas eleições de 4 de outubro, retiraram a maioria à coligação PSD+CDS e deram-na aos partidos de esquerda, que assim estão em melhores condições para garantir a estabilidade e a mudança que os portugueses desejam.