3 de abril de 2011

A censura modernizada

A comunicação social "adormece" as inteligências para que, os que têm apenas um olho, possam ser Reis


Diz o povo que em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Saramago escreveu o ensaio sobre a cegueira, para que pensássemos. A comunicação social, não conseguindo cegar as pessoas todas, tenta colocar palas no olho esquerdo para que olhemos apenas para o lado direito. Felizmente, quem se interessa por conhecer o mundo à sua volta, pode sempre articular o pescoço e olhar à esquerda.
Isto a propósito de o PCP ter realizado uma conferência com deputados europeus de cinco países e a participação de Jerónimo de Sousa, no dia e sobre as temáticas em debate no Conselho Europeu. 
Apenas a Lusa compareceu, mas as notícias e as conclusões não foram divulgadas pelos órgãos de comunicação. Não era importante?
Neste Conselho Europeu, deram-se novos e muito gravosos passos no ataque à soberania nacional, o que deixa Portugal ainda mais dependente do estrangeiro. Sobre isso, nada foi dito pelos média, que pouco mais referiram que os sorrisos e abraços e até o beijo de Berlusconi a Sócrates.


A manha 


Hoje a censura é muito mais manhosa e eficaz que no fascismo. São os próprios jornalistas que fazem a censura (auto censura) para garantir o emprego e cair nas boas graças dos chefes e patrões, dos grandes grupos que dominam as cadeias de informação. Muitos dos que têm brio profissional e carácter, são afastados, ou postos na prateleira. 


É preciso dar a imagem de pluralismo
 
Por isso, nos debates televisivos, os sapientes comentadores, discutem se o PEC deve cortar 10% dos salários ou se deve cortar... 11%. Ou então, discutem se devem cortar os ordenados ou aumentar os impostos. Debates interessantes, que mostram o pluralismo de opiniões. Se aparece alguém a dizer que nada disso resolve e que o que é preciso é pôr Portugal a produzir, defender a nossa agricultura, as pescas e a indústria, criar empregos e riqueza, logo é atacado por todos os lados, visto como um lunático e, para a próxima, já nem fala. 


Bem escolhidos comentadores
           
Nos debates e comentários da TV, preferem-se as opiniões pessoais, dos iluminados comentadores, desde que sejam de direita. Evitam-se as opiniões das organizações, sejam sindicais, de agricultores, comerciantes ou outras. Organizações só as do grande patronato.
Hoje, a Comunicação chega a todo o lado, mas sempre através dos poderosos meios de difusão mundial, dominantes, que induzem as pessoas nas falsas ideias das «fatalidades» e das «inevitabilidades», dos «medos» de tudo o que não seja a "tranquilidade" do pântano da política de direita. Os média e em especial a TV chegam ao desplante de pôr os tais "especialistas" a falar sobre as propostas do PCP, manipulando e mistificando a alternativa real à política de direita. 


Poeira prós olhos
 
Vivemos hoje com uma censura escondida, difusa, mas omnipresente como complemento da manipulação ideológica, que deturpa a realidade e conduz as mentes para a distracção com ninharias para desviar as atenções do que é importante, enfim, para adormecer. Felizmente, ainda não controlam, totalmente, a Internet. Contudo, a Internet não tem a difusão e o poder que tem a Televisão.