13 de dezembro de 2014

Garantir a derrota da política de direita

Jerónimo de Sousa, encerrou mais uma fase da acção nacional «A força do povo, por um Portugal com futuro - uma política patriótica e de esquerda»

Esta foi mais uma acção do PCP para discutir e aperfeiçoar as suas propostas de Alternativa a esta política.
Na realidade estas discussões muito alargadas estão a ser feitas há vários anos, mas agora mais voltadas para um “programa” que permita estruturar uma “Politica Patriótica e de Esquerda”.
São propostas muito concretas que apontam um caminho bem definido. Não há nelas evasivas e palavras vãs.

Jerónimo de Sousa, na intervenção que fez definiu em poucas palavras o objectivo «É preciso garantir a derrota da política de direita e romper com o ciclo de rotativismo». 

Fez um balanço dos debates feitos em todo o país ao longo deste ano referindo que permitiram «não apenas realizar uma profunda reflexão sobre os problemas do País e sobre os eixos, os objectivos e as prioridades centrais de uma política alternativa à política de direita, mas igualmente constatar a existência de uma forte vontade de contribuir para encontrar na convergência os caminhos da afirmação de uma solução alternativa e romper com décadas de política de direita».

Fez um diagnóstico muito exaustivo dos problemas do país e da política de direita que é a causa da crise e do seu afundamento. Diagnóstico sempre fundamentado em dados objectivos e concretos. 

Política alternativa séria 
Concluindo essa análise afirmou que «não há política séria de resposta aos problemas nacionais que possa omitir as verdadeiras causas da grave situação a que foi conduzido o País» tal como «Não há política verdadeiramente alternativa e de resposta à inversão do rumo de afundamento do país que oculte a origem e razões da crise que o País enfrenta».

Por isso provou a necessidade de «promover múltiplas rupturas com o caminho que vem sendo seguido, como o propõe a política patriótica e de esquerda que o PCP defende».

Respostas concretas
Em clara referência à ausência de propostas do PS e António Costa, Jerónimo de Sousa acentuou que essas rupturas com a política de direita sâo «rupturas com a orientação, a lógica, as opções de classe da política de direita, […] com o domínio do capital monopolista e a sua posição determinante na estrutura e funcionamento da economia portuguesa, [...] ruptura com a política de reconfiguração do Estado […] de liquidação do seu papel nas tarefas do desenvolvimento, […] ruptura com a crescente desvalorização do trabalho e dos trabalhadores e do processo de agravamento da exploração e empobrecimento que está em curso, […] ruptura com a mutilação e subversão das políticas sociais, […] ruptura com o processo europeu de integração capitalista, […] com a dependência e subordinação externa, […] ruptura com a subversão da Constituição e a crescente mutilação do regime democrático».

Tais princípios são a base essencial para permitir uma verdadeira política alternativa.

Mostrou Jerónimo de Sousa que existem «três grandes constrangimentos na superação dos quais se apresentam soluções concretas» e que para além de justas são exequíveis e viáveis.
Soluções que serão articuladas, em síntese, a renegociação da dívida, estudo e preparação do País para se libertar da submissão do euro e ainda a recuperação do controlo público da banca colocando-a ao serviço do país e dos portugueses.

As grandes linhas
Referiu ainda «as grandes linhas de força de uma política orientada para a recuperação pelo Estado Português de elementos centrais da soberania e independência nacional», […] «onde a par da resposta às questões da dívida, do Euro e do controlo Público da Banca, se impõe recuperar para o Estado alavancas de comando económico e decisão estratégica necessárias a uma política económica e financeira para servir o País, mas também para travar e impedir novas perdas de soberania, nomeadamente, que assuma a exigência de revogação do Tratado Orçamental, e do espartilho que ele constitui…».
Paralelamente Jerónimo de Sousa apontou «Uma política para o investimento produtivo e a produção nacional que tem como objectivos centrais: o pleno emprego, o crescimento económico, a dinamização do mercado interno, a promoção das exportações e a substituição de importações, o apoio às micro, pequenas e médias empresas».

Soluções e alternativas
No grande número de debates realizados pelo PCP foram referidas «as soluções alternativas de uma política orçamental e de uma justa política fiscal e ao serviço do País, assegurando o desagravamento da carga sobre os rendimentos dos trabalhadores e dos pequenos e médios empresários e uma forte tributação dos rendimentos do grande capital, os lucros e dividendos, a especulação financeira e garantir a arrecadação fiscal necessária para dar cabal cumprimento às funções sociais do Estado e uma adequada gestão orçamental com o desenvolvimento».
Jerónimo de Sousa informou que «se confirmou como uma das componentes essenciais de uma política patriótica e de esquerda a valorização do trabalho e dos trabalhadores […]», a inversão da «política de fragilização, privatização e encerramento de serviços de públicos…», mostrando detalhadamente as acções a empreender em cada um dos domínios.

As "bases para um programa"
Assim foram definidas umas autênticas bases para uma proposta de Programa de Governo, de um Governo que conte co0m a participação do PCP que «é a grande força política nacional que inequivocamente tem soluções para os problemas do País, que as apresenta com toda a transparência e se disponibiliza, visando a convergência dos democratas, patriotas e das forças em ruptura com a política de direita, […] para a «construção de uma alternativa política capaz de garantir um novo rumo na vida nacional».

Convergência e acção para a alternativa
Jerónimo de Sousa em nome do PCP lançou o repto a patriotas e democratas, trabalhadores e outros portugueses, organizações sociais, que sabem que é possível outro caminho e que estão dispostos a concretizar uma verdadeira alternativa política – a alternativa patriótica e de esquerda!

«Somos dos que pensamos que há condições e é possível ir mais longe na convergência e acção comum dos sectores e personalidades democráticas na base de um diálogo sério e leal, aceitando e respeitando naturais diferenças, […] mas que não emergirá sem o PCP e muito menos contra o PCP». Apontou que para isso é preciso «a remoção de preconceitos, a rejeição de ambições hegemónicas, a recusa de marginalizações». Disse ainda que «essa construção exige acima de tudo clareza de propósitos» e que é no terreno dos conteúdos «e na base de compromissos sérios que se constrói a verdadeira alternativa».

Crítica à política das meias tintas
Numa referência ao discurso de António Costa, alertou para as «falsas soluções da mera alternância dos que acenam com diálogos à esquerda, sem romper com a política de direita».
Jerónimo de Sousa foi muito claro na crítica às políticas que o PS tem desenvolvido, à passividade no combate à política do Governo, à «política das meias-tintas», à espera que sejam os outros a trabalhar para eles colherem os frutos.

A concluir a extensa análise Jerónimo de Sousa, lançou um aviso ao PS! 
Não! Não há soluções à esquerda sem ruptura com a política de direita!
«Os portugueses não podem sair do sal para se enfiarem na salmoura!»

É pois uma clara «política alternativa – que os portugueses anseiam».