16 de setembro de 2012

A Alternativa a esta política


As grandes manifestações do dia 15 mostraram a crescente indignação contra a política de direita que agrava os problemas da economia, afundando o país numa gravíssima recessão que, se não for travada com urgência, levará Portugal ao desastre. 

Construir a Alternativa

Os cartazes, as entrevistas e as conversas com os manifestantes, mostram que é claro o repúdio por esta política de direita. Desemprego, os roubos de salários, o aumento dos horários de trabalho, os cortes nos dias de descanso, mas também a corrupção, a fuga aos impostos, a fraude fiscal, os crimes impunes dos que são cada vez mais ricos.

A comunicação social têm incidido as suas atenções no aumento da Taxa Social Única (TSU) de 11% para 18%, esquecendo que não é só esta medida que afecta a população e a economia do país. 

O aumento do IRS, por via da revisão dos respectivos escalões, têm como consequência uma violenta diminuição dos rendimentos do trabalho. 
O salário mínimo nacional, que abrange hoje cerca de meio milhão de trabalhadores, está muito abaixo do limiar de pobreza.  
O aumento do tempo de trabalho (gratuito), o eliminar dias de férias, feriados e dias de descanso, a redução de pagamento do trabalho extraordinário e redução do valor/hora de trabalho, a desregulamentação dos horários de trabalho e introdução dos bancos de horas, que para além de aumentar a exploração agravam o desemprego. 
O desemprego e a precariedade dos vínculos laborais, são também medidas da política de direita que é preciso impedir que prossigam. 

Perante a grande indignação dos trabalhadores o governo prepara-se para recuar em relação à TSU e agravar todas as outras medidas contra os trabalhadores. 

É preciso dizer BASTA!

Não basta “modelar” a TSU, de acordo com a teoria de que “é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

É preciso acabar com esta política e com este Governo, antes que este Governo e esta política acabem com o país. 

Esta manifestação foi muito importante! Mas, não podemos ficar por manifestações “espontâneas” convocadas pela Internet. Precisamos de ir mais longe. 

A Alternativa está nas nossas mãos

Pelo que vimos no dia 15 as pessoas reagiram mas, a grande maioria não sabe quais são as alternativas. A consciência política é ainda escassa, fruto de muitos anos de desmotivação, de alienação.

Precisamos de formas de luta organizada que se apoiem no aumento da consciência das pessoas, e sejam, elas mesmo, um factor para mobilizar para a participação e, assim, aumentar a consciência política e social coletiva. 

Façamos que, depois deste despertar, as pessoas, os trabalhadores saibam o que têm a fazer para construir a alternativa a esta política.

Como concluiu o Encontro Nacional da CGTP, “no actual contexto político e social é urgente desenvolver a iniciativa sindical e intensificar a acção reivindicativa nos locais de trabalho, condição necessária e decisiva para defender os direitos e melhorar as condições de trabalho, mas também para alargar o campo da luta mais geral para pôr termo a este Governo e a esta política”. 

Por isso não nos podemos limitar a convocar, seja pela Internet, seja por papeis ou notícias. É preciso organizar a luta, esclarecer, ajudar os camaradas de trabalho mais "recuados", aumentar a consciência através das mais variadas ações desde os locais de trabalho. 

É preciso lembrar que, as organizações são o que as são as pessoas que as formam. Os partidos, os sindicatos, as comissões de trabalhadores, somos todos nós que os fazemos. E, se os fazemos, é porque precisamos de estar organizados, de coordenar e conjugar forças para termos força.
Cada um isolado, pouco vale

É preciso que deixe de acontecer que muitos trabalhadores falem dos partidos, dos sindicatos e suas organizações como se eles não tivessem nada a ver com isso.

Cada um isolado pouco vale. É preciso que cada um assuma a sua responsabilidade na “construção” da organização e do caminho alternativo para defender os seus interesses e direitos.

Vamos pois “construir”  A Grande Jornada de Luta Nacional – Todos a Lisboa, Todos ao Terreiro do Paço, no dia 29 de Setembro, às 15:00 horas.
Não esperemos que sejam os outros a fazer o trabalho que é de cada um e, é de todos.