Separadores

24 dezembro 2025

Aumentam os crimes e genocídio de Israel em Gaza

A falta de medicamentos e consumíveis, está a dificultar cada vez mais a prestação de serviços de saúde em Gaza. As faltas mais graves são nos serviços de urgência.

A falta de material pode privar cerca de 200 mil doentes de cuidados de emergência, 100 mil doentes de cirurgias e aproximadamente 700 doentes de cuidados intensivos.

Esta situação deve-se às proibições e boicotes de Israel à entrada de camiões com alimentos e medicamentos em Gaza. Os médicos na Faixa de Gaza estão a lutar para salvar vidas, enquanto Israel continua a restringir a entrada de material médico essencial. «Perante estes números alarmantes, a redução constante, devido à ocupação, do número de camiões médicos que entram em Gaza (para menos de 30% das necessidades mensais) e a quantidade insuficiente de mantimentos disponíveis, o Ministério da Saúde apela urgentemente a todas as partes relevantes para que assumam plenamente as suas responsabilidades na implementação de intervenções de emergência», afirma o texto.

Quase todos os hospitais e instalações de saúde de Gaza foram atacados durante a guerra de agressão genocida, tendo sido danificadas mais de 125 unidades de saúde, incluindo 34 hospitais.

Israel impede que cerca de 1500 crianças passem a fronteira para ser tratadas no estrangeiro.

Pelo menos 1200 doentes, incluindo 155 crianças, morreram por não conseguirem sair de Gaza para receber cuidados médicos urgentes.

OMS alerta para má-nutrição no enclave

O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou este domingo que mais de 100 mil crianças e 37 mil mulheres grávidas e lactantes na Faixa de Gaza ainda deverão sofrer de má-nutrição aguda até Abril do próximo ano.

Apenas metade das instalações de saúde de Gaza estão parcialmente funcionais e com sérios problemas de medicamentos e materiais.

«Para ampliar os serviços que salvam vidas e expandir o acesso aos cuidados de saúde, a OMS apela à aprovação e entrada urgentes e aceleradas de material médico essencial, equipamentos e estruturas hospitalares pré-fabricadas», acrescentou.

Quase 71 mil palestinianos mortos no território

A ofensiva de Israel iniciada em Outubro de 2023 provocou pelo menos 70 937 mortos e 171 192 feridos.

Depois da entrada em vigor do mais recente cessar-fogo, a 10 de Outubro último, as forças israelitas mataram pelo menos 405 palestinianos e deixaram feridos 1115, refere a Algeria Press Service (APS). Um número indeterminado permanece sob os escombros, segundo as mesmas fontes.

Nota: Texto baseado no AbrilAbril de 24/12 e no comunicado da PressTV de 21/12.

 


22 dezembro 2025

No Reino Unido continuam as greves da fome dos presos políticos apoiantes da Palestina

Dois activistas britânicos presos, ligados ao colectivo Palestine Action foram levados de urgência para o hospital depois de o seu estado de saúde se ter deteriorado criticamente na sequência de uma greve de fome de 50 dias. Um perdeu 14 quilos desde a sua detenção, corre o risco de sofrer danos graves nos seus órgãos, e mo outro apresenta um declínio cognitivo devido à falta de fornecimento regular de vitaminas essenciais por parte das autoridades prisionais.

Manifestantes e famílias, exigem a sua libertação e o direito a um julgamento justo. Os activistas denunciam também a censura na prisão, incluindo a retenção de correspondência e chamadas telefónicas, e criticam o recurso à prisão preventiva por um período superior ao limite legal de seis meses.

 A este respeito, familiares e advogados alertaram que a recusa dos funcionários prisionais em prestar assistência básica neste contexto de perseguição política. Salientam que a criminalização dos protestos contra o complexo militar-industrial no Reino Unido reflecte o endurecimento das políticas repressivas contra aqueles que denunciam o fornecimento de armas a potências ocupantes, como o Estado genocida de Israel.

Esta luta faz parte de um movimento internacional de solidariedade e de setores progressistas na Europa que exigem o respeito pelo direito internacional e o fim da violência genocida.

A resistência destes jovens reclusos expõe a crise de legitimidade das democracias ocidentais que mantêm laços comerciais e militares com regimes acusados ​​de crimes contra a humanidade, priorizando os seus interesses em detrimento da vida. A crise humanitária na Faixa de Gaza em 2025 resultou em 405 mortes e 1.115 feridos desde o acordo de cessar-fogo de 11 de outubro, elevando o número total de mortos para 70.937 desde o início da agressão. A incapacidade de resgatar os desaparecidos sob os escombros e a morte de mil doentes à espera de transferência para tratamento médico no estrangeiro demonstram o impacto do cerco na população civil.

O bloqueio total de ajuda à população de Gaza está a provocar escassez de material para cirurgias cardíacas e emergências, colocando mais de 288 mil doentes em risco de complicações graves. Além disso, a insegurança alimentar aguda afecta 1,6 milhões de habitantes, agravando uma deterioração sem precedentes do sistema de saúde, que está a comprometer a sua capacidade de fornecer diagnósticos e tratamentos adequados no enclave.

Autor: TeleSUR: lf - NH

15 dezembro 2025

Povo da Venezuela mobiliza-se contra a pirataria e o roubo do petróleo nacional por parte dos EUA

Este sábado, a Venezuela foi palco de grandes protestos generalizados em vários estados, pelo povo venezuelano, que rejeita veementemente os atos de interferência do governo norte-americano e denunciou os atos de "pirataria internacional" perpetrados contra um petroleiro que transportava petróleo venezuelano.

Uma das maiores marchas começou na Plaza La Concordia e seguiu até à Plaza Miranda, estrategicamente localizada em frente à Avenida Baralt, em Caracas. Colunas de manifestantes de bairros operários como Magallanes de Catia, La Vega e Plaza Candelaria juntaram-se à marcha, amplificando a voz da condenação.

O protesto não se limitou ao Distrito da Capital. No estado de Miranda, os populares também saíram à rua numa marcha que se uniu à defesa da soberania nacional contra as ameaças externas.

Também no interior do país a adesão foi enorme. Em San Fernando de Apure, uma grande manifestação começou na Avenida Primero de Mayo e seguiu em direção ao icónico Monumento aos Pescadores numa mensagem clara contra a tentativa de pilhagem do petróleo venezuelano.

As concentrações massivas apoiam a denúncia oficial do Governo que qualificou «robo descarado» e «acto de piratería», «criminosa e ilegal» a retenção de um petroleiro venezuelano no Caribe por navios de guerra dos Estados Unidos. Esta nova agressão gerou rejeição por parte de governos como da China, da Rússia, de Cuba e do Irão, bem como de organizações como a ALBA-TCP, da Associação Americana de Juristas, e de movimentos sociais internacionais.

Aspetos-chave da agressão dos EUA no Caribe

Desde agosto passado que os EUA mantêm uma força militar significativa posicionada na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra a droga. Trump afirmou ainda que, para este efeito, lançará em breve ataques terrestres.

No âmbito destas operações, os EUA bombardearam alegados navios de tráfico de droga nas Caraíbas e no Pacífico, resultando em mais de 80 mortes, sem provas de que estivessem de facto a traficar narcóticos.
Numa escalada das ações violentas dos EUA na região, os militares norte-americanos atacaram um petroleiro na costa venezuelana.

Maduro afirma que o verdadeiro objectivo dos EUA é a "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela. "A máscara deles caiu; o narcotráfico é 'fake news', é o petróleo que querem roubar".

A ONU e a própria DEA salientam que a Venezuela não é uma rota principal de tráfico de droga para os Estados Unidos, uma vez que mais de 80% da droga utiliza a rota do Pacífico.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os governos da Colômbia, México, Rússia e Brasil condenaram as ações dos EUA. Os especialistas descrevem os ataques a embarcações como "execuções sumárias" que violam o direito internacional. 

Vídeos podem ser vistos AQUI

Seis presos políticos foram hospitalizados no Reino Unido após 39 dias em greve de fome. Governo não responde.

Os presos, apoiantes da Palestina, iniciaram a greve de fome no dia 2 de Novembro para exigirem um julgamento justo, a libertação sob fiança, o encerramento da prisão, o levantamento da proibição da organização Palestine Action e o fim da censura à sua correspondência. O protesto tornou-se na maior greve de fome coordenada nas prisões britânicas desde 1981, na Irlanda.

Dos oito grevistas, um já foi hospitalizado duas vezes, e outros cinco continuam hospitalizados e estão em estado crítico. Apesar disso, o Ministro da Justiça, David Lammy, não respondeu aos pedidos de diálogo nem aos apelos de várias organizações de solidariedade.

A campanha de apoio aos grevistas da fome já reuniu mais de 5.000 assinaturas e conta com o apoio do Partido Verde, do Your Party, do Partido Nacional Escocês, do Plaid Cymru, de parlamentares trabalhistas e de grupos de solidariedade para com a Palestina. As famílias e os activistas exigem que o Ministro da Justiça se reúna imediatamente com os representantes dos grevistas da fome antes da suspensão das actividades parlamentares.

Os co-líderes e parlamentares do Partido Verde escreveram-lhe publicamente ao ministro, enquanto o Your Party solicitou uma reunião há mais de um mês, sem ainda receberem resposta. A causa dos grevistas da fome é apoiada pelo Partido Verde, pelo Your Party, pelos membros do SNP, pelo Plaid Cymru e por vários deputados trabalhistas, bem como pela Campanha de Solidariedade com a Palestina e por grupos de solidariedade com a Palestina em todo o Reino Unido.

Na quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, John McDonnell apresentou uma moção de emergência no Parlamento, assinada por 40 deputados, manifestando preocupação com os maus-tratos na prisão e com a rápida deterioração do estado de saúde dos presos.
Fonte aqui

09 dezembro 2025

Israel com apoio dos EUA comete todos os crimes

A polícia israelense, acompanhada por funcionários municipais, entrou à força no prédio da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, em Jerusalém Oriental, nesta segunda-feira.

Em mensagem divulgada na rede social X, o comissário-geral da Unrwa, Philippe Lazzarini, afirmou que as forças policiais entraram no local usando motos, caminhões e empilhadeiras, cortaram a comunicação e apreenderam móveis e equipamentos de informática.

“Desrespeito flagrante”

A bandeira da ONU foi retirada e substituída por uma bandeira israelense.

O chefe da Unrwa afirmou que esta ação representa um “desrespeito flagrante das obrigações de Israel enquanto Estado-membro das Nações Unidas de proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da organização”..../...

Convenções internacionais e obrigações legais

Israel é parte da Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, que estabelece a inviolabilidade das instalações da ONU e a imunidade dos seus bens e ativos contra busca, apreensão e processos legais.

Lazzarini sublinhou ainda que a Corte Internacional de Justiça, CIJ, já afirmou que Israel tem obrigação de cooperar com a Unrwa e com outras agências da ONU. O comissário-geral alertou que permitir este tipo de ação cria um precedente perigoso para a presença da ONU em outras partes do mundo.

A Unrwa presta serviços em saúde, educação e outras áreas para cerca de 6 milhões de refugiados palestinos em cinco localidades no Oriente Médio, incluindo o Território Palestino Ocupado.

05 dezembro 2025

Mais de 64.000 crianças palestinianas foram mortas ou feridas por Israel

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Rede Global de Clusters de Protecção e a Área de Responsabilidade de Protecção da Criança alertaram que mais de 64.000 crianças palestinianas foram mortas ou feridas por Israel na Faixa de Gaza desde o início da sua mais recente campanha genocida contra a população palestiniana, em Outubro de 2023.

Em comunicado, as organizações informaram que 658.000 crianças abandonaram a escola devido à devastação causada pela agressão sistemática de Israel, que fez mais de 70.000 mortos no enclave costeiro.

“Estão expostas a violência implacável, repetidas deslocações e severas privações”, denunciou o comunicado. As instituições alertaram que, como consequência das ações criminosas de Israel, mais de 11.000 crianças sofreram ferimentos graves e necessitam de reabilitação a longo prazo e apoio em saúde mental.


Na terça-feira, os meios de comunicação locais noticiaram o assassinato de uma criança e de um jornalista num ataque israelita à Cidade de Gaza, uma agressão levada a cabo em flagrante violação dos acordos de cessar-fogo que entraram em vigor a 11 de Outubro.

O Ministério da Saúde de Gaza informou que o número de palestinianos mortos ultrapassa os 70.000, a maioria crianças e mulheres, enquanto 170.986 pessoas ficaram feridas. Alertou ainda que ainda há vítimas presas sob os escombros, onde as equipas de ambulâncias e da defesa civil enfrentam dificuldades devido às constantes ameaças e restrições impostas pela ocupação israelita.

As autoridades palestinianas relatam números alarmantes de ataques israelitas contra a população civil, para além de denunciarem crimes de guerra e violações do direito internacional e dos direitos humanos por parte desta entidade sionista.

Vários governos, especialistas e analistas concordam que a Palestina está a enfrentar um genocídio às mãos de Israel, no âmbito das suas ações colonialistas na nação árabe desde 1948, após a alocação ilegal, com o apoio da ONU, de parte do território palestiniano a um grupo de cidadãos europeus para fins de colonato, sem o consentimento da população palestiniana original.

Fonte TeleSur 

04 dezembro 2025

Israel não respeita o cessar fogo. Continua o genocídio

São já 356 mortes e 908 feridos desde que o cessar-fogo entrou em vigor a 11 de outubro (1).

Muitas vítimas permanecem sob os escombros e nas estradas e as ambulância e equipas de socorro não conseguem chegar até elas.

Os novos números elevam o número total de vítimas humanas da ofensiva israelita contra a Faixa de Gaza desde outubro de 2023 para, pelo menos, 70.103 mortos e 170.985 feridos, segundo a mesma fonte.

Mais de 100.000 palestinianos morreram na guerra.

As guerras e a instabilidade política têm um impacto dramático. Um estudo recente do Instituto Max Planck de Investigação Demográfica tentou fornecer uma estimativa quantitativa da devastação provocada pela Guerra de Gaza (2), que não coincide com os dados disponíveis.

“O nosso objetivo é estimar a esperança de vida e a perda de vidas causadas pelo conflito em Gaza, na Palestina, de uma forma que tenha em conta dados incompletos ou dispersos”, afirma Ana Gómez-Ugarte, uma das diretoras do estudo.

O estudo conclui que mais de 100.000 pessoas morreram na Guerra de Gaza. Entre 7 de outubro de 2023 e o final de 2024, 78.318 pessoas morreram como resultado direto da guerra e, até 6 de outubro deste ano, o número de mortos ultrapassou provavelmente os 100.000.

“Devido a esta mortalidade sem precedentes, a esperança de vida em Gaza caiu 44% em 2023 e 47% em 2024 em comparação com o que teria sido sem a guerra, o que equivale a perdas de 34,4 e 36,4 anos, respetivamente”, afirma Gómez-Ugarte.

1) https://www.lorientlejour.com/article/1486757/au-moins-356-palestiniens-tues-par-larmee-israelienne-depuis-le-debut-de-la-treve-selon-le-ministere-de-la-sante-de-gaza.html
(2) https://pophealthmetrics.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12963-025-00422-9 

Israel, oito décadas a espezinhar o direito internacional.

De uma notícia do Público de Espanha. 

As Nações Unidas e os tribunais internacionais emitiram dezenas de resoluções contra o governo israelita pelas suas políticas de ocupação e apartheid nos territórios palestinianos. Israel ignorou-as sistematicamente.

A primeira resolução da ONU sobre a causa palestiniana, foi emitida em 1947. Foi a primeira resolução a reconhecer a criação do Estado de Israel, mas também a existência do Estado palestiniano. Foi a primeira — de muitas — que os sucessivos governos de Telavive violaram.

Os debates arrastaram-se por quase vinte dias na passadeira verde da ONU. Representantes da comunidade judaica discursaram quatro vezes. Os da população palestiniana discursaram menos de metade dessas vezes. A reunião culminou com a partição do enclave em dois Estados: um árabe e outro judeu. “Esta solução foi profundamente colonial.” A ONU dividiu a Palestina sem consultar previamente o povo palestiniano e legitimou o projeto europeu em terras árabes. Israel manteve 54% do território, mas após a Nakba de 1948, ocupou 78%. E actualmente, nem sequer reconhece este plano de partilha como um ponto de referência válido. A população judaica não representava nem um terço do total de habitantes da Palestina nessa época.

O Estado de Israel nasceu da limpeza étnica

Israel aceitou a partilha, ou seja, aceitou a sua configuração como Estado. "Esta é a única parte da resolução que os israelitas cumpriram". "O projecto sionista começou com uma abordagem absolutamente colonial. O Estado de Israel nasceu da limpeza étnica: houve expulsões e massacres. Os refugiados que tiveram de fugir das suas casas nessa altura ainda não puderam regressar. E não podemos esquecer isso, por mais que as circunstâncias sejam agora diferentes e os crimes contra a humanidade, juntamente com o genocídio, tenham relegado este facto para segundo plano."

Resolução 194

Esta é precisamente uma das questões abordadas na Resolução 194 da Assembleia Geral da ONU, adoptada em Dezembro de 1948. O texto menciona explicitamente o "direito de regresso" dos refugiados palestinianos que foram expulsos das suas aldeias após a criação do Estado de Israel. Estabelece ainda que este direito deve ser cumprido "o mais rapidamente possível". A realidade é que passaram 77 anos. E nenhum refugiado palestiniano conseguiu regressar ao que os seus pais ou avós certamente chamavam de lar. "Esta resolução continua a ser a pedra basilar do direito internacional na Palestina e um ponto essencial para a libertação do povo palestiniano. Israel não só deixou de a cumprir, como também legislou em sentido contrário."

Resolução 242

A Resolução 242 é também uma das mais conhecidas. Nesta resolução, a Assembleia Geral da ONU exige a retirada do exército israelita dos territórios ilegalmente ocupados. O resultado é, mais uma vez, o mesmo das resoluções anteriores: Israel ignora-a desde a sua adopção. "A própria ocupação é um crime de agressão, tal como descrito no Estatuto de Roma". "Os israelitas contestam sistematicamente e respondem dizendo que os territórios ocupados também não estavam anteriormente sob soberania palestiniana, mas sim jordana e egípcia; por isso referem-se a eles como territórios contestados — ou seja, áreas sobre as quais dois ou mais países reivindicam soberania. A ocupação nunca terminou."

03 dezembro 2025

A Colômbia restabelece o serviço aéreo civil com a Venezuela e convida o mundo a fazer o mesmo.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou na segunda-feira que o seu país retomou os voos de e para a Venezuela, no meio de ameaças e agressões dos Estados Unidos nas Caraíbas, através de táticas de pressão empregues pela administração Trump.

"A Colômbia está a restabelecer o serviço aéreo civil com a Venezuela e convida o mundo a fazer o mesmo", declarou Petro nas redes sociais, acrescentando que a situação atual exige canais diplomáticos para a sua resolução.

"É tempo de diálogo, não de barbárie", declarou Petro, sublinhando que "os EUA não têm o direito de fechar o espaço aéreo venezuelano. Podem fazê-lo com as suas próprias companhias aéreas, mas não com as do mundo".

A mensagem de Petro foi acompanhada por uma entrevista ao jornal La Razón com a ministra dos Transportes da Colômbia, María Fernanda Rojas Mantilla, que questionou o alerta emitido pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA em relação aos voos para a Venezuela, uma medida que descreveu como politicamente motivada e uma violação dos princípios fundamentais da aviação internacional.

A FAA emitiu um alerta a 21 de novembro contra a Venezuela, alegando uma alegada deterioração das condições de segurança e um aumento da atividade militar em território venezuelano. Esta ação dos EUA levou seis companhias aéreas internacionais a suspender os seus voos para a Venezuela, entre as quais a Iberia, a TAP, a Avianca, a Caribbean Airlines, a GOL e a Latam.

Aspetos-chave da agressão dos EUA:

Desdobramento militar: Desde agosto passado que os EUA mantêm uma força militar significativa destacada na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra o narcotráfico. Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objectivo oficial de "eliminar os narcoterroristas" do Hemisfério Ocidental e "proteger" os Estados Unidos "das drogas que estão a matar" os seus cidadãos.

Operações letais: No âmbito destas operações, foram realizados atentados bombistas contra alegados navios de tráfico de droga, resultando em mais de 70 mortes e sem provas de que estivessem realmente a transportar drogas.

Acusações e recompensa: Washington acusou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sem provas, de liderar um cartel de droga e duplicou a recompensa pela sua captura.

Posição venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é a "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.

Falta de apoio: Organizações como a ONU e a própria DEA salientam que a Venezuela não é uma rota principal de tráfico de droga para os Estados Unidos, uma vez que mais de 80% da droga que circula na região chega pela rota do Pacífico. 

Condenação internacional: A Rússia, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os governos da Colômbia, México e Brasil condenaram as ações dos EUA. Os especialistas descrevem os ataques a embarcações como "execuções sumárias" que violam o direito internacional.

Objectivo: Petróleo

Entretanto um Tribunal dos EUA decide venda da PDV Holding e sua filial petrolífera venezuelana CITIGO

A Venezuela acusou os Estados Unidos de tentarem apoderar-se das reservas de petróleo do país por meio da força militar, segundo uma carta enviada pelo presidente Nicolás Maduro ao secretário-geral da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

A filial da estatal venezuelana PDVSA estava sob o controle de uma diretoria nomeada pela oposição no país sul-americano, depois de Washington ter entregue o comando da empresa em 2019, após não reconhecer a reeleição do presidente Nicolás Maduro.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, leu nesta terça-feira um comunicado no qual "rejeita energicamente a decisão adotada no procedimento judicial de 'venda forçada' da empresa Citgo".

"A Venezuela não reconhece nem reconhecerá a venda da Citgo", acrescentou Rodríguez, que responsabilizou a oposição liderada por María Corina Machado, pela venda da empresa.

Horacio Medina, presidente diretoria nomeada pela oposição que controla a Citgo, disse à AFP que vai contestar a decisão.

O valor da Citgo é estimado em cerca de 10 mil milhões de dólares, segundo Medina.

 

01 dezembro 2025

Hoje, países da África, América Latina e Ásia podem dizer NÃO a Washington.

Da análise de John Mearsheimer, professor de ciência política na Universidade de Chicago e teórico da escola neorrealista em relações internacionais, que se apoia nos escritos de Richard D. Wolff, Professor Emérito de Economia na Universidade de Massachusetts, em Amherst, Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da New School University, em Nova Iorque e que também lecionou Economia na Universidade de Yale, na City University of New York e na Universidade de Paris I (Sorbonne), que pode ser lida aqui, extraí o seguinte resumo. Diz John Mearsheimer:

O professor Richard Wolf, um dos economistas marxistas mais respeitados dos Estados Unidos, acaba de apresentar a análise mais devastadora que já ouvi sobre o fracasso estratégico do Ocidente. 

Seu alerta não é uma opinião; é a autópsia de um império que, sem saber, está cometendo suicídio. As sanções concebidas para estrangular a Rússia acabaram criando algo muito pior para Washington e Bruxelas: uma ordem mundial multipolar que desafia a hegemonia americana em sua própria essência. 

Enquanto o Ocidente celebra vitórias táticas no campo de batalha, Moscou está vencendo uma guerra completamente diferente: a guerra para desmantelar o domínio do dólar e o controle económico ocidental. E o pior de tudo é que a maioria dos líderes ocidentais ainda não percebeu que está perdendo. 

Quando a Rússia lançou sua operação militar especial na Ucrânia em fevereiro de 2022, vi líderes ocidentais cometerem exatamente o mesmo erro fatal que venho documentando ao longo da minha carreira: confundiram indignação moral com pensamento estratégico. 

A resposta foi imediata e previsível: o maior pacote de sanções da história moderna. Congelamento de ativos, exclusão do sistema SWIFT, embargo energético e proibição de exportação de tecnologia avançada. O objetivo era cristalino: estrangular a economia russa até o colapso do regime. 

Como realista, eu sabia que essa estratégia se baseava numa premissa muito perigosa: a de que a Rússia não tinha alternativas. Mas Richard Wolf percebeu o mesmo que eu. O Ocidente não estava travando a guerra que pensava estar travando. Enquanto a OTAN se concentrava na contenção militar, a Rússia jogava um jogo completamente diferente: o desmantelamento sistemático da hegemonia económica ocidental. 

E Vladimir Putin estava prestes a demonstrar que o verdadeiro pilar do poder americano, o domínio do dólar, era muito mais frágil do que qualquer um imaginava. 

O primeiro choque veio em poucas semanas. O rublo, que analistas ocidentais previam que se tornaria sem valor, não só se estabilizou como se fortaleceu. No final de 2022, já havia se valorizado em relação ao dólar. O Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia, que economistas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial previam que desceria 15% ou mais, mal se contraiu antes de se recuperar a taxas que ridicularizaram todos aqueles que apostaram em seu colapso. 

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O verdadeiro terremoto foi estrutural. Richard Wolf chama isso de adaptação estratégica, à mudança sistemática da Rússia em direção ao que os economistas hoje chamam de coligação expandida do Sul Global. China, Índia, Irão, Turquia, Arábia Saudita, Brasil, Indonésia, Emirados Árabes Unidos — países que representam mais da metade da população mundial e uma parcela crescente do PIB global. 

O que mais me impressionou foi a rapidez dessa reorientação. Relações comerciais que normalmente levam décadas para se consolidar foram criadas em meses. O comércio bilateral entre a Rússia e a China cresceu 30% somente no primeiro ano. A Índia aumentou suas importações de petróleo russo em mais de 700%. Esses não foram ajustes temporários; foram mudanças permanentes no cenário económico global. 

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A Europa, num ato do que Wolf chama de arrogância moral, cortou o fornecimento de gás russo barato da noite para o dia. O suicídio económico foi imediato e devastador. Centenas de fábricas alemãs fecharam. 

A indústria francesa começou a ser transferida para os Estados Unidos e a Ásia. A competitividade europeia evaporou-se em questão de meses. Os preços da energia triplicaram e quadruplicaram em algumas regiões, impulsionando os principais fabricantes para os mercados americanos, onde subsídios e energia mais barata os aguardavam de braços abertos. 

Testemunhei o colapso de cadeias de suprimentos inteiras em tempo real. Fábricas de produtos químicos que haviam sido lucrativas por décadas de repente se tornaram deficitárias. A produção de aço, a espinha dorsal da indústria europeia, caiu em dois dígitos. O setor automóvel, que já enfrentava dificuldades com a transição para a eletrificação, sofreu um golpe adicional com os custos de energia, que o tornaram cada vez menos competitivo em relação aos rivais asiáticos. 

Entretanto, a Rússia redirecionou seus fluxos de energia para o leste com uma eficiência surpreendente. As importações chinesas de petróleo russo atingiram níveis recordes, com Pequim garantindo contratos de longo prazo a preços reduzidos. 

A Índia tornou-se o maior cliente de Moscovo fora da China, aumentando suas compras em mais de 1.000% em 18 meses. Até mesmo aliados tradicionais dos EUA, como a Turquia, aumentaram discretamente suas importações de energia da Rússia. Mas o desenvolvimento mais significativo foi a construção de nova infraestrutura, a expansão do gasoduto Força da Sibéria. 

Novas rotas pela Ásia Central, terminais de gás natural liquefeito voltados para o mercado asiático. A Rússia estava literalmente reconfigurando a rede energética da Eurásia, afastando-a da Europa. O mapa energético da Eurásia foi redesenhado em meses, não em décadas. E a Europa, que havia voluntariamente abdicado da segurança energética por razões morais, viu-se em desvantagem permanente na produção global. 

No entanto, a energia foi apenas o começo. A transformação mais profunda afeta algo muito mais ameaçador para a hegemonia americana: o próprio sistema do dólar. Durante 80 anos, os Estados Unidos desfrutaram do que os economistas franceses chamaram de privilégio exorbitante — a capacidade de imprimir dinheiro que o resto do mundo é obrigado a aceitar porque o comércio internacional é realizado em dólares. 

Esse sistema permitiu que Washington financiasse déficits enormes, mantivesse uma presença militar global e transformasse as sanções em uma arma devastadora. Richard Wolf alerta que essa era está chegando ao fim não por meio de uma derrota militar, mas por meio de um desvio sistémico. 

Os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — aceleraram o desenvolvimento de sistemas de pagamento alternativos. A Organização de Cooperação de Xangai está expandindo sua arquitetura financeira e, mais importante, os principais produtores de petróleo estão aceitando pagamentos em yuan, rublo e até mesmo rúpia em vez de dólares. 

Os números são impressionantes. Em 2021, apenas 2% do comércio entre Rússia e China foi realizado em suas moedas nacionais. Em 2025, esse número ultrapassará 75%. A Arábia Saudita, o aliado mais antigo dos Estados Unidos no Oriente Médio, começou a aceitar yuan para suas vendas de petróleo à China, algo que seria inimaginável há poucos anos. 

A expansão do BRICS Plus em 2023 incorporou Irão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Etiópia, enquanto dezenas de outros países se apresentaram para aderir. Isso não é simbolismo diplomático; é a institucionalização de uma infraestrutura financeira não ocidental, o novo banco de desenvolvimento como alternativa ao Banco Mundial, o sistema de pagamentos do BRICS desafiando o domínio do SWIFT. Cada acordo comercial bilateral firmado fora do dólar representa uma pequena brecha na hegemonia financeira dos EUA, mas o efeito cumulativo é revolucionário. 

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Os países estão se preparando para uma ordem mundial pós-americana, não por meio de revoluções, mas sim por meio de um desapego gradual dos sistemas dominados pelo Ocidente. Richard Wolf chama isso de despertar da soberania: as nações redescobrindo que têm opções. 

O mundo unipolar, onde Washington ditava as regras, está sendo substituído por uma realidade multipolar, onde o poder é distribuído entre diversos centros, mas a transformação vai além da economia; ela é psicológica, cultural e civilizacional. Por três décadas, os valores, as instituições e os modelos de desenvolvimento ocidentais foram apresentados como universais e inevitáveis. 

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Richard Wolf não se limita a expressar uma opinião incómoda. Ele a fundamenta com uma avalanche de dados que nenhum think tank de Washington consegue refutar sem cair na caricatura. Seu argumento central é devastador justamente por ser empírico. O suposto fim da história não foi uma lei histórica, mas uma aposta ideológica que fracassou e continua fracassando às claras, em tempo real, diante de todo o planeta. 

Comecemos pela China, porque é o elefante na sala que ninguém mais pode ignorar. Desde 1978, quando a descentralização abriu a economia sem abrir o sistema político, o Partido Comunista Chinês tirou mais de 800 milhões de pessoas da extrema pobreza, segundo critérios do Banco Mundial. Isso equivale a resgatar, em quatro décadas, uma população maior do que toda a Europa e a América do Norte juntas. .../...

Em 2024, o PIB da China já havia ultrapassado o dos Estados Unidos em paridade do poder de compra e, segundo projeções do FMI, essa diferença aumentará na próxima década. Tudo isso sob um sistema que qualquer livro didático de ciência política ocidental da década de 1990 teria considerado insustentável a médio prazo. Trinta anos depois, o sistema não só permanece em vigor, como define o século XXI. 

Mas a China não está sozinha. A Índia, a maior democracia do mundo, seguindo o mantra repetido à exaustão, decidiu nos últimos 10 anos que ser uma democracia não significa imitar o modelo liberal anglo-saxão. Sob Narendra Modi, o país abraçou um nacionalismo hindu exacerbado, restringiu a liberdade de imprensa, aprovou leis de cidadania que discriminam com base na religião, bloqueou a internet na Caxemira por meses e perseguiu ONGs e figuras da oposição com uma agressividade que teria escandalizado colunistas ocidentais se o protagonista fosse a Venezuela ou a Bielorrússia. 

.../... O Vietname é talvez o caso mais emblemático. Um país governado pelo mesmo Partido Comunista que venceu a guerra contra os Estados Unidos mantém hoje uma das economias de crescimento mais rápido do planeta, 6,8% ao ano, fábricas da Samsung, Intel e Nike, acordos de livre comércio com a União Europeia, com o Reino Unido e com o CPTP, e um índice de aprovação governamental que gira em torno de 90%, segundo pesquisas independentes. 

O Vietname dobrou seu PIB per capita em apenas 15 anos. Reduziu a pobreza extrema de 70% para pelo menos 5%, e fez isso sem permitir uma oposição política real, com censura rigorosa e com um modelo que combina planeamento quinquenal com abertura seletiva ao capital estrangeiro. 

A Rússia merece um capítulo à parte, pois seu caso foi o que mais feriu o orgulho ocidental nos últimos três anos. 

Em fevereiro de 2022, líderes europeus e americanos anunciaram, quase com júbilo, o Armagedom financeiro contra Moscovo. Biden falou em transformar o rublo em entulho. A UE prometeu que a economia russa retrocederia décadas. Mais de 15.000 sanções depois. O regime mais severo já imposto a um país de grande porte, os resultados são os seguintes. A Rússia cresceu 3,6% em 2023 e a projeção é de um crescimento adicional de 3% em 2024, segundo o FMI — mais do que a Alemanha, a França ou o Reino Unido. O desemprego está em um nível historicamente baixo de 2,9%. O rublo, após uma desvalorização inicial, estabilizou-se e agora está mais forte em relação ao euro do que antes da guerra. 

A Rússia ultrapassou a Arábia Saudita como o maior exportador de petróleo para a China e a Índia. Está vendendo mais trigo do que nunca, quase 50 milhões de toneladas anualmente. Inaugurou a rota marítima do Ártico. Assinou acordos de gás de 30 anos com Pequim e viu países que supostamente a isolariam — Turquia, Índia, Brasil, África do Sul e Indonésia — multiplicarem seu comércio bilateral. 

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O mundo do século XXI não se assemelhará a Washington ou Bruxelas. Ele se assemelhará a si mesmo: diverso, híbrido, pragmático, por vezes autoritário, frequentemente caótico, mas definitivamente não subserviente. E quanto mais cedo aceitarmos isso, menos dolorosa será a transição, porque a alternativa não é manter a velha ordem — isso já é impossível. A alternativa é decidir se a nova ordem nascerá da cooperação ou do confronto. .../...

E aqui, com o factos mostrados, termina a seleção das análises de John Mearsheimer e Richard D. Wolff uma vez que o texto original segue com prognósticos subjetivos e opiniões que poderão ser contrariados.