6 de outubro de 2015

Quem ganhou e quem pode vir a perder

As maiorias e a poeira que nos querem atirar para os olhos

Muitos, jornalistas, comentadores e pessoas que deveriam ser responsáveis, falam dos resultados eleitorais como se falassem de um jogo de futebol. Alguns não saberão ir além dessa sua vocação de comentadores de jogos. Outros, porém, sabem bem o que querem. Querem justificar que o partido que teve mais votos ganhou e por isso tem o direito de ser o escolhido para governar. Parece simples e lógico mas é falacioso e vamos ver porquê.
A democracia é mais do que um simples jogo. Então pergunta-se o que é isso de ganhar? PSD e CDS tendo mais votos que cada um dos outros partidos, não adquiriram a maioria que lhes permita sobreporem-se a todos os restantes. O povo é soberano e expressou uma vontade traduzida no conjunto dos resultados eleitorais. O ganhar ou perder é o que o povo vai sentir e não este ou aquele partido.

Afinal quem ganhou? ou... o que é ganhar?

A PAF sabe bem que não ganhou. Isso foi dito por Coelho e Portas a ponto de, com fingida humildade, se proporem dialogar com o PS para tentar a maioria que o povo não lhes deu e permita que formem um Governo que não corresponde aos resultados eleitorais.
PCP e BE propuseram ao PS acordo com pontos essenciais que entendiam ser imprescindíveis para um programa de esquerda que não traísse a vontade dos eleitores. PS ainda não respondeu.  Se António Costa, que fala em nome do PS, não faltar à sua palavra e abandonar, de facto, a política de direita, a maioria na Assembleia da República, corresponderá à maioria de esquerda expressa na votação.

A desculpa da ingovernabilidade

Por isso a ingovernabilidade é uma ameaça ou chantagem que nos querem fazer. Uma democracia parlamentar, permite recursos alternativos aos que só sabem governar em maioria absoluta, como partido único e totalitário. Para esses a discussão dos assuntos e a procura de soluções com outros partidos é factor de instabilidade. Como se na Assembleia da República existissem duas qualidades de deputados. Os que estão em maioria e que aprovam o que quiserem e os que estão na oposição e apenas Têm a possibilidade de protestar.



O povo manifestou as suas opções e escolheu deputados que representam os seus desejos e vontades. Por isso a Assembleia da República, composta por 230 deputados deve representar as vontades de todos os eleitores. Todas as combinações ou coligações formadas por partidos que respeitem os seus compromissos, são possíveis e legítimas.
Também por isso não podemos aceitar a classificação de coligações negativas, tal como não aceitamos o rótulo de partidos da contestação aos partidos na oposição. Essas tentativas de mascarar atitudes legítimas da democracia são um sinal da fraqueza de quem não gosta do pluralismo, da democracia e quer governar sem ter que dar contas e sem atender à pluralidade de vontades que os deputados representam. Isso é típico nas maiorias absolutas, e por isso o Presidente da República se esforçou por meter medo aos portugueses que, segundo ele, deveriam dar a maioria absoluta ao partido vencedor com o argumento da estabilidade.

Os factos e os fantasmas

Analisemos os factos sem as mascaras que lhes querem pôr.
PSD/CDS, coligação governamental, perdeu 730 mil votos, mais de um quarto do seu eleitorado de 2011.
Estavam habituados a uma tranquila maioria governamental de 132 deputados. Foi com essa maioria absoluta que fizeram a desgraçada política que arruinou o país e os portugueses.
Castigados, têm agora uma minoria de 107 deputados.
O Bloco de Esquerda e a CDU foram recompensados por propostas sérias apoiadas por um eleitorado que lhes deu um conjunto de quase 20% dos votos (10,27 para o BE e 8,22 para a CDU).
O PS que se comprometeu com abandonar a sua habitual política e não aceitar alianças com a direita, teve uma votação que cresceu de 28 para 32, 38%. Assim, o conjunto destes partidos, formam uma maioria de 53%, correspondente ao expresso pelos eleitores.

Agora vamos ver...

Ainda que possa haver deputados que venham a trair os seus eleitores, o que é certo e insofismável é que a população aumentou o seu apoio às políticas de esquerda e, reprovou a austeridade, reduzindo o apoio à direita que ficou sem a sua maioria absoluta.
O resultado é claro e não pode ser artificialmente corrompido.
A direita perdeu a legitimidade para continuar a sua política. Só o poderá fazer se deputados traírem os seus eleitores e os ajudarem a voltar a ter a maioria absoluta que os eleitores não lhes quiseram dar.

5 de outubro de 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

2 de outubro de 2015

Papa Francisco na ONU

As palavras do Papa Francisco que a Comunicação Social, submetida aos interesses dos grandes grupos financeiros, pouco refere.  

Para bom entendedor as palavras do Papa Francisco na ONU, foram uma severa crítica ao actual sistema, referindo expressamente as organizações financeiras internacionais, que não promovem o desenvolvimento sustentável, aumentam a exclusão social e sujeitam os Estados a uma submissão asfixiante a dívidas que, longe de promoverem o progresso, submetem as populações a maior pobreza e dependência.
O Papa Francisco foi claro e, ainda que usando palavras moderadas, referiu o problema das desigualdades onde os ricos são cada vez mais ricos e os pobres são cada vez mais e mais pobres. É isto que o poder que nos domina não quer que saibamos.

A colonização ideológica imposta aos povos

Acentuou ainda que a exclusão económica e social é um atentado aos direitos humanos referindo a necessidade de acabar com a colonização ideológica que impõe modelos e estilos de vida contrários à identidade (e interesses, acrescento) dos povos. Referiu também que, os mais pobres são os que mais sofrem ao ser excluídos e obrigados a viver na pobreza.
De facto o Papa ao alertar para estes graves problemas está a dizer que é preciso uma verdadeira alternativa a esta política que é responsável pelo sofrimento de tantas pessoas.

Paz sim guerra não!

O Papa, depois de condenar os abusos contra o meio ambiente, acrescentou que a guerra é a negação de todos os direitos e insistiu que "se se quiser um verdadeiro desenvolvimento para todos é preciso continuar a tarefa contra a guerra" e para isso é preciso resolver os conflitos pelo diálogo e negociação. Também por isso o Papa Francisco criticou a proliferação das armas de destruição maciça, em especial as nucleares.
A Televisão e os jornais pouco falam disto mas, muito mais disse o Papa que sabe perfeitamente que as pessoas estão a "abrir os olhos", que o repúdio por estas políticas cresce e a Igreja não pode continuar alheia ou encostada ao poder político que, ao lado dos grandes grupos financeiros, gera as crises e explora a grande maioria dos povos.

Uma reflexão final:
Enquanto o Papa se manifesta frontalmente contra a guerra, o nosso governo, a UE e a NATO promovem enormes exercícios militares em Portugal, acirrando conflitos e gastando centenas de milhões do dinheiro que faz falta para a Educação, para a Saúde e para desenvolver o país.


Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

1 de outubro de 2015

Sobre a isenção da Comunicação Social


Como se comporta a Comunicação Social relativamente aos vários partidos?
Como influencia as eleições?


A esmagadora maioria da comunicação social tem no seu estatuto editorial a procura da isenção.
É isto que praticam?


O Jornal Público editou um artigo de Joaquim Vieira, jornalista e Presidente do Observatório de Imprensa, com o título "A Comunicação Social deixa transparecer alguma orientação partidária?"
 

Em subtítulo acrescenta:

Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança.

Começa João Vieira por alertar: «Para se falar de isenção dos media face aos partidos políticos, convém assentar num pressuposto: a isenção total, 100% pura, não existe. Qualquer trabalho jornalístico contém a marca deixada pela subjectividade com que o seu autor olha a realidade. O que existe são princípios de aproximação à isenção, a tentativa permanente de ser o mais imparcial e equilibrado possível (em contraposição com o chamado jornalismo de causas, no qual o jornalista assume claramente as suas opções e relata em função delas)».

Hipocrisia?


Continua João Vieira: «Esse esforço de isenção faz parte do estatuto editorial da esmagadora maioria dos media portugueses, pelo que devemos presumir que está em vigor (o mesmo já não direi de alguns dos seus jornalistas). Os nossos órgãos de informação nem sequer tomam posição editorial a favor de uma das candidaturas a eleições, ao contrário do que acontece em muitas outras democracias. Querem assim convencer-nos de que a independência é mesmo um dos seus apanágios».

O que querem que julguemos e o que são na realidade

Continuando, o Presidente do Observatório de Imprensa, diz-nos: «Uma análise mais fina e detalhada talvez permitisse outras conclusões (acredito, por exemplo, pelo que analisei na altura, que num outro diário de referência existiu mesmo uma "secção laranja", havendo nela quem depois fosse recompensado com confortáveis cargos no aparelho de Estado, tal como já antes tinha verificado a passagem directa de jornalistas para assessores de políticos eleitos cujas campanhas tinham acabado de cobrir). Mas o que quero aqui demonstrar é que, na realidade, essa independência não existe».

A alternância para que tudo fique na mesma

E prossegue: «Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas, os únicos a que toda a população tem acesso, ficando o resto, a existir, para o cabo, visto sobretudo pela classe média, mas só entre partidos com assento na legislatura cessante, sem inclusão sequer daqueles que as sondagens – tão acarinhadas pelos media – anunciam que entram no próximo parlamento».

As mentiras que enganam os eleitores

E assim conclui o Jornalista: «Dizem que o critério é "jornalístico", porque só um daqueles dois líderes pode vir a chefiar o Governo. Ora, isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados nas eleições de junho passado, mas sim do que ficou em terceiro lugar. Pelo critério dos media portugueses, ele não teria participado em nenhum debate pré-eleitoral para toda a audiência».

João Vieira
Presidente do Observatório de Imprensa

30 de setembro de 2015

Política para a Cultura e Eduacação

Uma política elitista que retira a liberdade aos que não são ricos

A Educação e a Escola Pública

A questão central está na política de classe que se serve da desvalorização da Escola Pública e da elitização da Educação e da Cultura. Tal como praticava Salazar, a política de direita conduz os filhos dos trabalhadores apenas para garantir o trabalho e os filhos dos ricos para mandar. A liberdade e igualdade que a Constituição consagra e que Abril nos trouxe, estão, também por esta via, a ser feridos.

É esta política que levou a reduzir a ação da Escola Pública e o orçamento para a Educação em mais de 3.000 milhões de euros, nos últimos quatro anos. Esta política desvalorizou a intervenção em projectos de promoção do sucesso e combate ao abandono, deixou milhares de professores com vínculo precário ao fim de muitos anos de serviço, reduziu milhares de assistentes operacionais e técnicos, criou as turmas com mais de 30 alunos, retirou os apoios a milhares de alunos com necessidades educativas, negou a igualdade de oportunidade na escola e na vida, desumanizou a vida das escolas, empobreceu os currículos escolares e distanciou as escolas dos locais de habitação.

A política de direita e os seus autores

Jerónimo de Sousa, em Coimbra, lembrou que estas políticas foram iniciadas pelo PS e prosseguidas pelo PSD e CDS. Nos últimos dois governos do PS foram encerradas mais de 3100 escolas do 1º ciclo do ensino básico, 37.000 docentes foram tornados precários, congeladas as carreiras, reduzidos os salários e o actual governo, nestes quatro anos, atirou mais de 20.000 destes para o desemprego.
É sabido que a Educação é o investimento mais importante e rentável de um país.
Nem o argumento de reduzir despesas é real pois, de que se trata é da opção de tirar a uns para dar a outros. Para além dos 20.000 milhões dados aos bancos e banqueiros, grande parte do que se reduziu foi dado aos privados que elevam os preços do ensino para garantir a elitização que impede as famílias mais pobres de pagar os cada vez mais elevados custos com a educação. É isto que levou a maioria a derrotar as propostas do PCP para, tal como preconisa a Constituição, tornar gratuitos os manuais escolares a todos os alunos do ensino obrigatório. Consequência, Portugal tem dos mais elevados níveis de abandono escolar e de insucesso da Europa.

Ensino Superior e Investigação

Mais de 60% dos alunos continuam a ficar para trás, por impossibilidade de continuar a estudar. É clara a discriminação e elitização que esta política promove. As famílias não têm os recursos financeiros necessários para fazer face a custos cada mais elevados. Como disse Jerónimo de Sousa, não têm 1000 euros para pagarem as propinas, nem podem pagar as fotocópias e os livros, as deslocações diárias, a alimentação e, em muitos casos, não conseguem suportar o custo com o alojamento quando as instituições onde estudam se situam longe da sua área de residência.  Os «governos que entregaram 20 mil milhões de euros à banca, sempre para acudir os banqueiros, têm feito sucessivas reduções no financiamento das instituições de ensino superior».

Cultura e o empobrecimento do país

Esta política bloqueou o enorme potencial de democratização cultural aberto pela Revolução de Abril e impede a democratização cultural, tal como suprime a liberdade dos trabalhadores e da generalidade do povo de aceder à cultura. Nos últimos 5 anos, o apoio às artes perdeu 75% do seu orçamento. O Orçamento do Estado de 2015 quase que excluiu a Cultura e apenas reservou uns míseros 0.1% para o conjunto da política cultural. Simultâneamente intensificam-se os negócios da cultura ao serviço dos interesses privados e da hegemonia das classes dominantes. Cultura, tal como o ensino e a Educação são apenas para quem tem muito dinheiro.

29 de setembro de 2015

A arte de bem enganar...

Mentir aldrabando ou mentir omitindo. Que preferem?

Máximos responsáveis do PS, PSD e CDS adquiriram, por mérito próprio, o estatuto de mentirosos por aldrabarem, dizerem antes das eleições uma coisa e depois no Governo fazerem o contrário. Houve até um membro do Governo, João Almeida, secretário de estado da Administração Interna e alto responsável do CDS que justificou no Programa da RTP Prós e Contras, a necessidade de mentir para ganhar eleições.

Se analisarmos com mais profundidade, a palavra mentir, recordamos que significa afirmar aquilo que se sabe ser falso, ou negar o que se sabe ser verdadeiro.
Nestas eleições, os costumeiros mentirosos, por demais desmascarados, resolveram mudar um pouco a sua tática, de enganar. Passaram a mentir mais por omissão e menos descaradamente.
PS e António Costa não falam sobre questões estruturantes para o País, como o Tratado Orçamental, a renegociação da dívida, a submissão ao estrangeiro e ao poder financeiro, ou o «controlo público de sectores primordiais», como a banca, reposição de salários e pensões, política de impostos, etc. etc.
PSD e CDS, através de Passos e Portas, falam do que dizem ser sucesso da sua governação mas esquecem o fundamental, como a dívida, os juros que estamos a pagar, o PIB, o aumento da pobreza, os emigrantes e desemprego, etc. etc.

Tudo isto, mentir aldrabando ou mentir por omissão, é enganar.

Diz o dicionário que enganar é induzir ao erro; fazer cair em erro. Esse é o objectivo de quem mente, mesmo que não afirme o que é falso nem negue o que é verdadeiro. Simplificando não diz NÃO nem diz SIM. Nem sequer diz NIM ou SÃO. Engana muito melhor dizendo apenas ÃO ou IM de forma que os mais distraídos julguem ser Não ou Sim, ou o inverso.

Os mentirosos do costume adquiriram assim um novo estatuto a que correspondem um maior leque de sinónimos: embusteiro burlão caborteiro charlatão falaz impostor intrujão invencioneiro maranhoso pantomimeiro trampolineiro trapaceiro trapalhão velhaco bandoleiro batoteiro vigarista
ardiloso fraudulento farsante hipócrita tartufo tratante falso fingido traiçoeiro safardana malandro meliante traste tunante torpe e muitos mais que a riqueza da lingua portuguesa nos oferece.




28 de setembro de 2015

Para refletirmos V

Lágrimas e dentes de crocodilo

A propósito de um "lamento" da Internacional Socialista (IS) «...A deslocação global de dezenas de milhares de seres humanos actualmente em curso, em resultado de conflitos, da repressão ou da fome...» e que "esquece" as causas desses mesmos conflitos, repressão e fome, Filipe Diniz no Avante, entre outras coisas, pergunta:

«... Tudo isto cai do céu? Governos com partidos que integram a IS – como o francês – não têm nada a ver com o assunto? Não participaram na destruição do Iraque e da Líbia, no ataque contra a Síria (no Líbano, o partido filiado na IS passou-se para o campo «anti-Assad»). A França de Hollande não empreende uma vasta acção neocolonial na região subsaariana?...»

e finaliza com as seguintes conclusões:

«A IS não deu por nada.

O PS português faz parte desta hipócrita engrenagem. Mobilizou-a e apoiou-se nela contra a revolução portuguesa, adquiriu nela todos os tiques do dizer uma coisa e fazer o contrário. Com o detalhe que estes documentos da IS ilustram: invocar os problemas mas ocultar as causas é utilizar os problemas para garantir a continuidade das causas.

As lágrimas de crocodilo podem ser comoventes. Mas os dentes do crocodilo são o problema a resolver.»

27 de setembro de 2015

Para refletirmos IV

As mentiras e os mentirosos
Notas de um artigo de opinião de Henrique Custódio no Avante

«... Portas é um embuste em movimento e, como a esquecida mas buliçosa sex symbol Mamie Van Doren, acha que falarem mal dele é publicidade e «promoção».

Passos Coelho disse em Santarem:
«Nunca tivemos», disse ele, «um Serviço Nacional de Saúde tão capitalizado, tão pronto a responder aos portugueses».

«... nunca tivemos um serviço público de Educação que estivesse tão ao serviço da formação dos jovens portugueses».

26 de setembro de 2015

Para refletirmos III

A "campanha negra"
Notas de um artigo de opinião de Carlos Gonçalves no Avante
 
« - As «sondagens», concebidas como armas de mistificação de massas para «fazer cabeças» e fabricar resultados nos media dominantes, que, quanto muito, indiciam tendências e nunca o «score» eleitoral, de que estão muito longe, já que as margens de erro, no caso da RTP, podem somar ou retirar a qualquer força dois por cento ... Não são sondagens, são palpites e manipulações da política de direita, para impor os «resultados convenientes"...»

«... As calúnias do Expresso à Festa, ou as agressões cobardes de quatro fascistas são expressão do seu medo de que este povo tome nas suas mãos o futuro do País».

«- As tretas dos protagonistas da política de direita, que falsificam todas as estatísticas e convergem, à beira de eleições, com a revisão reles do «rating» de Portugal pela Standard & Poors – a tal que abichou centenas de milhões com notificações falsas no Lemhan Brothers e que o próprio governo USA fez pagar 1,5 mil milhões de dólares para suspender um processo crime por fraude..

«São manobras da «campanha negra», insidiosa e perigosa...»

sublinhados meus.

25 de setembro de 2015

Para refletirmos II

O euro e a situação a que chegamos

Notas de um artigo de opinião de Vasco Cardoso no Avante
«...Desde a adesão ao euro, Portugal é um dos países que menos cresce na Europa e no mundo, produzindo hoje menos riqueza do que quando se introduziu as notas de euro. Dentro do euro, o País não cresce, não se desenvolve, não recupera emprego...»

«...Recordamos aqui que os mesmos que dizem que a saída do euro conduz ao desastre foram os que que prometiam convergência com a UE, mais crescimento económico, mais emprego e melhores salários com o euro. Foi aquilo que se viu. O PCP, fortemente empenhado na libertação do domínio do euro entende que nesse processo é um imperativo a defesa dos rendimentos, das poupanças e do nível de vida da população...».

«... A dívida pública portuguesa, uma das maiores do mundo, é insustentável, reproduz-se de ano para ano e, sem renegociação, não é possível diminuí-la substancialmente, como prova o seu agravamento em mais de 50 mil milhões de euros nos últimos quatro anos. Em 2015, Portugal gastará quase nove mil milhões de euros em juros, mais do que o Estado gasta com a saúde, tudo isto para no final de cada ano a dívida ficar na mesma, quando não aumenta...»

«... Pensando tirar proveito da actual situação na Grécia, PS, PSD e CDS procuraram acenar com o papão grego para engrossar a tese de que não há alternativa. Mas se há coisa que a situação na Grécia veio provar é que o caminho para o desenvolvimento requer a ruptura com os constrangimentos e mecanismos de exploração que foram urdidos. O grande erro do governo grego não foi querer sair do euro ou renegociar a dívida, foi, ao contrário, ter alimentado ilusões de que era possível eliminar a austeridade e desenvolver o país dentro do euro e amarrado a uma dívida insustentável...»

24 de setembro de 2015

A Internet rompe o bloqueio feito pela Comunicação Social


...mas os que dominam não gostam da liberdade de informação

É preciso despertar a atenção para a importância da Internet como meio de livre expressão indispensável para minimizar o controlo e censura que os grandes meios de comunicação fazem às notícias e informações que não agradam ao poder económico que manda na política em Portugal.

Sem a Internet livre não conheceríamos a maioria das coisas que a Televisão e Jornais nos escondem.
Sem Internet livre os leitores e expectadores são agentes passivos que ouvem e calam.

A Internet tem uma enorme importância na defesa da liberdade, da criatividade, da educação e cultura e, expressão e participação democrática de muitos que não têm acesso aos meios de comunicação.

Apesar de mais de 80% da população ainda se informar pelos grandes meios de comunicação, em especial pela televisão, a Internet é hoje uma luz no panorama cinzento da informação que nos dá alguma liberdade de comunicação.

A Internet livre e democrática, permite romper com as restrições da liberdade de expressão e criatividade dos cidadãos e é também indispensável para a Democracia, para a criatividade, para a cultura e a arte.

Uma das ameaças que paira sobre a Internet, como acontece a muitos meios de expressão e cultura, é o custo da sua utilização que, já hoje é interdito a uma grande percentagem da população mais pobre e, se aumentar, será apenas acessível a camadas que possam pagar.

Os que dominam não estão interessados nas denúncias da exploração e há forças poderosas que tentam estender à Internet a censura que fazem nos meios de comunicação tradicionais.


Para refletirmos I

A Televisão e os orgãos de comunicação controlados pelo "grande capital"

do editorial do Avante

«... o grande capital multiplica esforços para salvar e prosseguir a política de direita. Insiste na bipolarização, mas consciente das dificuldades crescentes em promover este esquema bipolar, serve-se dos órgãos da comunicação social, que controla e domina, para, pelas mais diversas formas, condicionar a opinião e a vontade da população: faz publicar um número indeterminável de amostras e barómetros a que chama sondagens; recorre insistentemente à desgastada ideia do «empate técnico»;

22 de setembro de 2015

Gente séria

Porquê confiar na CDU. Porque é gente séria

Jerónimo de Sousa caracterizou assim as pessoas que compõem a CDU:

Gente séria porque honramos a palavra dada. Com a CDU, os trabalhadores e o povo sabem com que podem contar, conhecem que o que dizemos cumprimos, que não andamos a semear promessas e mentiras para ganhar votos, porque na CDU o voto de cada um é integralmente respeitado.

Gente séria porque estamos na política não para nos servir, mas para servir os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Na CDU não fazemos dos cargos públicos uso para garantir privilégios. Os nossos eleitos e deputados recebem de remuneração o mesmo que ganhavam nas suas profissões e empresas. Gente reconhecida pelo seu trabalho, a sua honestidade, a sua competência.

Gente séria porque leva a sério os problemas dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, dos jovens, porque na sua acção a CDU dá resposta às suas inquietações e justas aspirações, porque ligada à vida conhece e responde às suas preocupações e intervém na defesa de todos os que são atingidos pela política de direita.

Gente séria porque não vira a cara à luta. Porque como os portugueses sabem foi com a CDU que contaram nas horas más, foi na CDU que encontraram a coerência e a coragem quando mais difícil era resistir e combater a política de destruição das condições de vida, porque é na CDU que reside a garantia de pesar na hora de se bater por uma política patriótica e de esquerda.

Gente séria porque não precisa de esconder o seu percurso. Sim porque a CDU não precisa de disfarçar as suas posições passadas, mandar para trás das costas responsabilidades pelo rumo de declínio, porque precisa de se pôr em bico de pés para procurar apresentar-se agora como aquilo que não é. A CDU apresenta-se de cabeça levantada com a razão acrescida que vida lhe deu e dá razão, com a clareza de quem denunciou e combateu a política de desastre de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, com a autoridade de quem tem afirmado e defendido soluções e medidas que se tivessem sido aprovadas teriam poupado os portugueses a tantas dificuldades e teriam contribuído para construir um país menos desigual e mais justo.

Gente séria com uma política a sério para dar resposta aos problemas nacionais. Gente que não se refugia na mentira, no semeio de desilusões e falsos fatalismos mas que pelo contrário afirma com confiança que há solução para os problemas do País, que Portugal tem recursos e meios para assegurar um futuro melhor, com mais produção e uma distribuição de riqueza que beneficie quem trabalha.

Gente séria porque não desiste de um Portugal a sério. Porque na CDU não prescindimos de lutar pelo direito inalienável do País a afirmar-se como nação soberana e independente, de colocar os interesses nacionais à frente dos projectos daqueles que querem manter o país submetido ao capital transnacional e ao directório de potências.

20 de setembro de 2015

Abertura da Campanha Eleitoral da CDU

O Comício Festa da CDU encheu o Coliseu em Lisboa, encheu com as pessoas, com o entusiasmo e com as intervenções da Juventude, da Intervenção Democrática, dos Verdes e do PCP.

Todos os intervenientes mostraram, cada um à sua maneira, que o voto útil é o que fortalece a política patriótica e de esquerda e consequentemente enfraquece a política de direita seja ela praticada pelo PSD/CDS ou pelo PS.

Heloísa Apolónia caraterizou esta política como um medicamento contra indicado para o povo e trabalhadores em que o PS é uma espécie de genérico, que tem o mesmo princípio activo do PSD e CDS.

Nos discursos ficou patente que nesta luta, de um lado está a CDU que tem defendido o povo e os trabalhadores e, do outro, os que aumentaram o desemprego, a dívida e a pobreza, implementaram medidas de austeridade, cortaram salários e pensões, destruíram o Estado social, depauperaram serviços públicos, como a saúde e a educação e continuam a submeter-se aos ditames da União Europeia, que representa os interesses dos Bancos e Banqueiros. Para esses há sempre dinheiro, dinheiro esse que é roubado aos trabalhadores aos pensionistas e que em vez de ser canalizado para desenvolver a economia é dado aos Bancos.

"Foram mais de 20 mil milhões de euros que desde 2008 os governos do PS e do PSD/CDS canalizaram para a banca e para os banqueiros! " disse Jerónimo.

"O PCP e o PEV levaram à AR o aumento do salário mínimo nacional, a defesa de um programa de combate à precariedade, um nova política fiscal e para reforço da solidez financeira da segurança social, o alargamento da atribuição do subsidio de desemprego, o fim dos cortes nos salários, o aumento das pensões de reforma, a renegociação da dívida. Propostas e iniciativas que se tivessem sido aprovadas significariam uma vida melhor, num Portugal mais desenvolvido mas que esbarraram sempre na oposição do PSD e CDS mas também, e temos de o lembrar, na oposição do PS, disse Jerónimo de Sousa que caracterizou esta política de direita do PS, PSD e CDS, que dura há 39 anos, lembrando: “Sim, chegámos onde chegámos em resultado das suas opções de política europeia e nacional, dos seus acordos tácitos, das suas conivências e arranjos, da sua política de submissão nacional e de restauração monopolista”[...] “Podem empurrar uns para os outros, dizerem e desdizerem tudo o que fizeram. Nada pode apagar a sua comum responsabilidade nas feridas sociais que abriram na sociedade portuguesa.” [...] “Aí estão todos tão empenhados a tentar limpar a folha das suas responsabilidades, a pôr o conta-quilómetros a zero, a encobrir as suas reais intenções em relação ao futuro”. Esses três partidos responsáveis insistem em continuar a mesma política de mais exploração e empobrecimento uma vez que os seus programas, nesses aspecto pouco diferem. Se um diz mata outro diz esfola, caricaturou Jerónimo, mostrando que PSD, CDS e PS em questões fundamentais dizem o mesmo com palavras diferentes.

Tanto o PS como a coligação de direita, pedem a maioria absoluta, para terem as mãos livres para poderem fazer o que quiserem.

Jerónimo insistiu que o voto na CDU é o que dá segurança e garantia […] que não acabará em qualquer uma das vielas da políticas de direita mas que, pelo contrário, esse voto somará para dar força a uma política patriótica e de esquerda.”

"Nestas eleições para a Assembleia da República está cada vez mais clara a opção que está colocada aos portugueses: permitir que se prossiga o rumo de afundamento, empobrecimento, exploração, dependência que PSD, CDS e PS têm imposto ao País [...] ou agarrar a oportunidade de, agora com o seu apoio e o seu voto na CDU, abrir caminho a uma ruptura com a política de direita..." disse Jerónimo que acrescentou: "não basta mudar de governo, é preciso também mudar de política!".

Europa, União de quem? e... para quem?

A Europa deixou de o ser
por Baptista Bastos


Com este título, Baptista Bastos, publicou mais uma reflexão que, como é seu timbre, nos obriga a pensar, desta vez, sobre o que é esta dita "União Europeia".

Diz BB: «A Europa já não é. Deixou de o ser, ou, acaso, nunca o foi e vivemos na mentira de uma enorme mistificação. O que de ela sabíamos ou construíamos foi diluída com jactos de água, gás pimenta e gás lacrimogéneo, com pontapés e espancamentos, com rolos de arame farpado, muros altos e polícias por todos os lados. A Hungria abriu o precedente. Mas as condições estavam criadas para que a tragédia sobre a tragédia acontecesse».
«Os milhares, vão ser milhões, de refugiados que procuravam uma azinhaga, um caminho tortuoso que os levasse a um certo destino, neste caso a Alemanha, defrontaram-se com estes imensos obstáculos. Os governantes da Hungria (da família política do PSD português), como outros, europeus da "União", não querem dar passagem aos desesperados das novas desgraças nacionais. E estes, acossados pela fome, pelo desespero, com os filhos ao lado ou às cavalitas, enfrentam os terrores com o denodo e a coragem de quem nada tem a perder. A mortandade, com números elevadíssimos no Mediterrâneo, também atinge índices assustadores por esses caminhos».

«Ninguém sabe como resolver este problema, o mais grave depois da segunda grande guerra. Uma coisa, porém, ficámos a saber: a União Europeia como traço de união, território da fraternidade e da solidariedade já não existe, acaso nunca existiu, foi uma construção do capitalismo mais desaforado, com a Alemanha a chefiar, a França a servir de aia, e o resto a obedecer. Assistimos a esse desfile de subalternidades. E lá estiveram ou estão o José Sócrates e o Pedro Passos Coelho, curvados a escutar o que a chanceler lhes ciciava, e a entregar o que a decisão nos pertencia».

Tenho pena que Baptista Bastos não dissesse que este grave problema foi originado pelas guerras que os EUA, a NATO e a União Europeia, fizeram nesses países, formando e armando grupos terroristas, para combaterem governos legítimos. Assim o imperialismo que desencadeou essas guerras para conseguirem controlar o petróleo desses países, bombardearam, mataram milhões de civis, homens mulheres, crianças e velhos, e acabaram por destruir países onde se vivia bem como foi o caso da Líbia, o segundo de África com maior índice de desenvolvimento humano, e está agora a ser a Síria.
... mas continuemos a ler Baptista Bastos:

«A crise dos refugiados veio repor a questão da existência da União Europeia. Para que serve, se não serve nos momentos cruciais? A estrutura foi muito bem montada e cerceou qualquer resquício de contestação, como no caso da Grécia. O que se passou, naquele país, foi uma conspiração de chantagistas, os quais não permitem sequer que se belisque o sistema criado como uma nova ideologia. A verdade é que a União Europeia não passa de um imenso mercado que apenas favorece, e de que maneira!, os grandes países produtores, sobretudo a Alemanha, cada vez mais rica, mas que, para manter essa prosperidade, precisa de muitos milhares de trabalhadores. Talvez se explique, dessa forma, a alteração nas decisões de Merkel: a princípio recusou aceitar refugiados; a seguir, foi uma porta escancarada. Alguém lhe disse a natureza mais profunda da situação, e ela mudou de agulha».

«Tudo se resume a uma questão de dinheiro, e deparamos que a falácia da "fraternidade" não passa de isso mesmo. Penso, porém, que ninguém, nenhum povo pode viver, para sempre, isolado dos outros povos, e que os muros, as correntes de rolos de arame farpado não são eternos. Eterna, essa sim, é a ânsia de liberdade que alimenta a condição humana. Ao que temos assistido, nas fronteiras húngaras, a violência nunca fica sem resposta, e as declarações dos dirigentes daquele país configuram uma ignomínia. A cena das autoridades a atirar sacos de pão, indiscriminadamente, para uma densa multidão de esfomeados, é lancinante pelo que demonstra de desprezo pela condição humana. As coisas, assim, não podem nem devem continuar. Nem a União Europeia».

«Assistimos ao esmagamento do projecto do Syriza. Bom ou mau, não está, agora, em causa. A verdade é que despertou a ira das forças mais reaccionárias da Europa, chefiadas pelo sinistro ministro Wolfgang Schäuble, que liquida a mais ligeira veleidade de independência».

«Vivemos no interior de outra guerra, mas parece que não damos por isso; se damos, comportamo-nos com indiferença».

18 de setembro de 2015

A Ditadura disfarçada

Atiram-nos poeira para os olhos

Várias vezes, neste blogue, se mostrou o papel da Comunicação dita Social, na manipulação das ideias, na censura imposta pelos interesses dos grupos económicos que dominam o país.

Neste último número do Jornal Avante, Filipe Diniz, em artigo de opinião relembra o que significa «A palavra ditadura», dominação, exemplificando «o comportamento dos grandes órgãos de comunicação social (públicos e privados) na actual campanha eleitoral». Não é só na presente Campanha Eleitoral, mas na vida diária que a dominação é «uma discriminação sem precedentes, um obstinado e implacável alinhamento a uma só voz e face a um único bloco de interesses: os do grande capital, nacional e transnacional».

A Ditadura exerce-se na realidade através da «obsessiva promoção da falsa bipolarização entre PSD-CDS e PS, com o respectivo cortejo de comentadores, politólogos, sondagens» com «uma inédita propaganda encapotada na programação de entretenimento, atingindo públicos mais desprevenidos» e também com a censura ou silenciamento «da actividade e das posições do PCP e da CDU».

Também, nesse mesmo Jornal, Carlos Gonçalves denuncia «A maior das mistificações» que é a Campanha Eleitoral transmitida nos jornais e Televisão. Trata-ser de «uma deriva de "ditadura mediática" e "pensamento único" contra os interesses dos trabalhadores, do povo e do País». «O sistema mediático e os partidos da política de direita montaram o grande espectáculo do debate Coelho-Costa. O duelo de western, com um marketing avassalador, uma encenação de luxo, guiões de fuga a temas de que PS e PSD/CDS nem querem falar – renegociação da dívida, ou trabalho com direitos. A grande mistificação, para afastar a possibilidade de uma ruptura, forçar a bipolarização e a alternância sem alternativa e garantir os interesses do grande capital».

Os jornais, a Televião, os jornalistas, fogem a questionar os representantes dos partidos sobre os grandes problemas do País, como a Dívida, o Desemprego, os cortes nos Salários e Pensões, a criação de Postos de Trabalho. Carlos Gonçalves denuncia que dos Debates «fica escassa substância», no entanto, para quem estiver atento pode verificar que «um quase nada diferencia as políticas de PS e PSD/CDS – na Segurança Social» que vão continuar os cortes e os roubos aos trabalhadores.

Costa e Passos Coelho desviam as atenções acusando-se mutuamente pela desgraça do País, mas não conseguem iludir que foram o PS, o PSD e CDS os responsáveis desde há 39 anos nos governos. Carlos Gonçalves acusa: o «poder económico-mediático, no rescaldo deste embuste, joga tudo no PS e no Costa, como líder para a política de direita, sobrando para o PSD/CDS todos os apoios necessários às manobras e alianças futuras», concluindo que, para uma verdadeira Alternativa de esquerda, é preciso que «em 4 de Outubro, o povo reforce o PCP e a CDU e trace o rumo para um Portugal com futuro».

14 de setembro de 2015

O drama dos refugiados

Algumas notas para ajudar a compreender mais esta crise

(notas baseadas em textos de Jorge Cadima)

1. Todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia.
2. Os dois principais países de origem dos refugiados eram o Afeganistão, vítima da invasão dos EUA em 2001, com três milhões de refugiados no exterior, e o Iraque, vítima em 2003 com 1,7 milhões. Naquela altura, a Síria era o terceiro maior país de acolhimento, depois do Paquistão e do Irão, dando abrigo a mais de um milhão de refugiados. 
3. A Líbia, país que tinha em 2010 o maior Índice de Desenvolvimento Humano de África, acolhia então milhares de trabalhadores africanos na sua economia. Síria e Líbia foram entretanto destruídas pelas guerras NATO/EUA/UE. 
4. A Líbia tornou-se na maior porta de acesso de refugiados africanos para a Europa, atravessando o Mediterrâneo onde frequentemente encontram a morte. 
5. A Síria, reduzida a escombros pelos bandos ao serviço dos auto-proclamados «amigos da Síria» os terroristas apoiados pelos EUA, tornou-se o segundo maior país de origem de refugiados, com valores muito próximos do Afeganistão, ambos com 2,5 milhões. 
6. Nesse ano, continuavam a ser os países em vias de desenvolvimento a acolher a grande maioria dos refugiados: 86% do total, E a comunicação social “ocidental” continuava calada.
7. A comunicação social que esconde o que interessa ao imperialismo, fala muito do drama dos refugiados sírios que chegam à Europa. A comunicação social "esquece" quem decidiu intervir militarmente na Síria, arrasando o país.  
8. A comunicação social, controlada pelos poderes imperialistas, "esquece" que os terroristas armados pelos EUA, a que chamam "exército insurgente" está a ser coordenado a partir da Turquia [país da NATO] para depor o presidente Assad. 
9. A nossa comunicação dita "social" esquece o que diz (Telegraph, 3.11.11); «A CIA acusada de auxiliar no envio de armas para a oposição síria» ou (New York Times, 21.6.12); «Navio espião alemão auxilia os "rebeldes" sírios» ou (Deutsche Welle, 20.8.12); «Estados do Golfo pagam os salários do Exército Sírio Livre» (ABCnews, 1.4.12). 
10. Há que estar atentos ao que se pode esconder por detrás do súbito interesse da comunicação social pelo tema dos refugiados. O primeiro-ministro inglês Cameron quer «uma intervenção militar para resolver a crise síria» e um ex-Arcebispo de Cantuária (chefe espiritual da Igreja de Estado em Inglaterra) defende «ataques aéreos e outro tipo de assistência militar para criar enclaves seguros e pontos de abrigo na Síria» (Telegraph, 5.9.15). 
11. Um dos maiores patrocinadores dos bandos fundamentalistas que destroem a Síria, o Rei Salman da Arábia Saudita, encontrou-se na semana passada com o Nobel da Paz Obama, para ouvir que «o Pentágono está a ultimar um acordo armamentista no valor de mil milhões de dólares com a Arábia Saudita, para lhe fornecer armas para o seu esforço de guerra contra [???] o Estado Islâmico e o Iémen» (New York Times, 4.9.15). 

7 de setembro de 2015

Os monopólios farmaceuticos

A vergonhosa política das multinacionais farmacêuticas

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos.

Privatização da saúde
A propósito recordemos uma entrevista em 2011 com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que acusa os grandes monopólios farmacêuticos de não considerarem rentáveis os medicamentos que curam. Por isso não os desenvolvem. Em troca, preferem que as doenças sejam crónicas e desenvolver medicamentos que sejam consumidos de forma constante.
Diz Roberts, que medicamentos que poderiam curar doenças não são investigados. É aquilo que conhecemos bem: a indústria privada da saúde rege-se pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, a ponto de se assemelhar ao da máfia.

É mais rentável não curar
Diz Richard J. Roberts: «Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender». E acrescenta «A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas». E explica «as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas». Em Portugal o povo conta o caso do médico que não retirava a carraça para manter o doente sempre dependente dos seus tratamentos.

Tornar crónicas doenças que poderiam ser curadas
Richard J. Roberts, diz ainda que a investigação «é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação». E ainda: «é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo».

Exemplos
A seguir dá exemplos: «Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas».

A corrupção dos políticos
A terminar a entrevista fala dos políticos: «Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…»

Publicado originalmente no La Vanguardia. 18 de junho de 2011





5 de setembro de 2015

Comunismo

Uma lição interessante

Por Rainer Sousa
Mestre em História

Do texto editado em Brasil Escola, publico uma súmula para quem não quiser ler o texto integral no link indicado.

«De forma geral, a maioria dos livros didáticos costuma atrelar o surgimento do comunismo em função da reflexão teórica apontada por Karl Marx e Friedrich Engels. Entretanto, essa ideia de que o comunismo seria fruto de uma mera reflexão de dois teóricos do século XIX pode ser vista sobre outro prisma. Basta compreendermos o comunismo enquanto experiência socialmente vivida e, ao mesmo tempo, buscarmos enxergar traços dessa mesma experiência na fala de outros pensadores».

Na Antiguidade
«O comunismo pode ser compreendido como certo tipo de ordenação social, política e económica onde as desigualdades seriam sistematicamente abolidas. Por meio dessa premissa, a experiência comunista parte de um pressuposto comum onde a desigualdade social gera problemas que se desdobram em questões como a violência, a miséria e as guerras. A intenção de banir as diferenças entre os homens acaba fazendo com que muitos enxerguem o comunismo como uma utopia dificilmente alcançada».

Rainer Sousa fala seguidamente das conjecturas de Platão, dos ideais da Igreja na luta pela abolição das desigualdades, que na Idade Média serviram para a crítica da sociedade daquele tempo e até a defesa da supressão da classe nobiliárquica e a revolta camponesa como mecanismos de justiça social.

A ascenção da burguesia
«No período de ascensão da burguesia mercantil, outros pensadores também se preocuparam em criticar os valores de seu tempo em favor de uma sociedade ideal. No século XVI, o filósofo britânico Thomas Morus redigiu a obra “Utopia”, lançou novas bases onde o comunismo seria vivido por meio de mecanismos que subordinassem a individualidade em prol do coletivismo. Contrariando uma tendência do pensamento renascentista (o individualismo), Morus buscou uma maior comunhão social».
O advento da «Revolução Inglesa» incentivou «práticas comunistas». Diz Rainer Sousa, «Em meio às reivindicações da nascente burguesia britânica, trabalhadores urbanos e camponeses reivindicavam o fim das propriedades privadas e coletivização igualitária das riquezas. Nessa época, um grupo conhecido como “diggers” (do inglês, cavadores) plantava em lotes públicos e distribuía os alimentos colhidos entre a população inglesa».


O aparecimento do capitalismo
«O desenvolvimento da sociedade capitalista trouxe novas inspirações ao pensamento comunista. O auge dessas tentativas de explicação das desigualdades surgiu com os pressupostos do socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels. Inspirados pela dialética hegeliana e uma interpretação histórica das sociedades, esse pensadores buscaram na realidade material a construção de um argumento que colocou no antagonismo das classes sociais as bases de transformação do mundo».

«Dessa maneira, o socialismo lançou uma ousada proposta de transformação ao buscar na luta de classes e no materialismo histórico, meios racionais de mudança. Segundo o pensamento marxista, as desigualdades seriam suprimidas no momento em que as classes subordinadas tomassem o controle do Estado. Controlando esta instituição teriam a missão histórica de promover mudanças favoráveis ao fim das desigualdades sociais e económicas».

A etapa socialista
«Esse governo guiado pelo interesse dos trabalhadores, ao longo do tempo, reforçaria práticas e costumes em favor do comunismo. De acordo com o pensamento socialista, a real instituição do comunismo somente aconteceria no momento em que o Estado (compreendido como uma instituição de controle) fosse extinto em favor de uma sociedade na qual as riquezas fossem igualitariamente divididas a todos aqueles que contribuíssem com sua força de trabalho».
De uma "aula" de Rainer Sousa
Mestre em História

O texto integral pode ser visto em:
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Comunismo"; Brasil Escola. Disponível em http://www.brasilescola.com/historiag/comunismo.htm.