18 de setembro de 2015

A Ditadura disfarçada

Atiram-nos poeira para os olhos

Várias vezes, neste blogue, se mostrou o papel da Comunicação dita Social, na manipulação das ideias, na censura imposta pelos interesses dos grupos económicos que dominam o país.

Neste último número do Jornal Avante, Filipe Diniz, em artigo de opinião relembra o que significa «A palavra ditadura», dominação, exemplificando «o comportamento dos grandes órgãos de comunicação social (públicos e privados) na actual campanha eleitoral». Não é só na presente Campanha Eleitoral, mas na vida diária que a dominação é «uma discriminação sem precedentes, um obstinado e implacável alinhamento a uma só voz e face a um único bloco de interesses: os do grande capital, nacional e transnacional».

A Ditadura exerce-se na realidade através da «obsessiva promoção da falsa bipolarização entre PSD-CDS e PS, com o respectivo cortejo de comentadores, politólogos, sondagens» com «uma inédita propaganda encapotada na programação de entretenimento, atingindo públicos mais desprevenidos» e também com a censura ou silenciamento «da actividade e das posições do PCP e da CDU».

Também, nesse mesmo Jornal, Carlos Gonçalves denuncia «A maior das mistificações» que é a Campanha Eleitoral transmitida nos jornais e Televisão. Trata-ser de «uma deriva de "ditadura mediática" e "pensamento único" contra os interesses dos trabalhadores, do povo e do País». «O sistema mediático e os partidos da política de direita montaram o grande espectáculo do debate Coelho-Costa. O duelo de western, com um marketing avassalador, uma encenação de luxo, guiões de fuga a temas de que PS e PSD/CDS nem querem falar – renegociação da dívida, ou trabalho com direitos. A grande mistificação, para afastar a possibilidade de uma ruptura, forçar a bipolarização e a alternância sem alternativa e garantir os interesses do grande capital».

Os jornais, a Televião, os jornalistas, fogem a questionar os representantes dos partidos sobre os grandes problemas do País, como a Dívida, o Desemprego, os cortes nos Salários e Pensões, a criação de Postos de Trabalho. Carlos Gonçalves denuncia que dos Debates «fica escassa substância», no entanto, para quem estiver atento pode verificar que «um quase nada diferencia as políticas de PS e PSD/CDS – na Segurança Social» que vão continuar os cortes e os roubos aos trabalhadores.

Costa e Passos Coelho desviam as atenções acusando-se mutuamente pela desgraça do País, mas não conseguem iludir que foram o PS, o PSD e CDS os responsáveis desde há 39 anos nos governos. Carlos Gonçalves acusa: o «poder económico-mediático, no rescaldo deste embuste, joga tudo no PS e no Costa, como líder para a política de direita, sobrando para o PSD/CDS todos os apoios necessários às manobras e alianças futuras», concluindo que, para uma verdadeira Alternativa de esquerda, é preciso que «em 4 de Outubro, o povo reforce o PCP e a CDU e trace o rumo para um Portugal com futuro».

14 de setembro de 2015

O drama dos refugiados

Algumas notas para ajudar a compreender mais esta crise

(notas baseadas em textos de Jorge Cadima)

1. Todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia.
2. Os dois principais países de origem dos refugiados eram o Afeganistão, vítima da invasão dos EUA em 2001, com três milhões de refugiados no exterior, e o Iraque, vítima em 2003 com 1,7 milhões. Naquela altura, a Síria era o terceiro maior país de acolhimento, depois do Paquistão e do Irão, dando abrigo a mais de um milhão de refugiados. 
3. A Líbia, país que tinha em 2010 o maior Índice de Desenvolvimento Humano de África, acolhia então milhares de trabalhadores africanos na sua economia. Síria e Líbia foram entretanto destruídas pelas guerras NATO/EUA/UE. 
4. A Líbia tornou-se na maior porta de acesso de refugiados africanos para a Europa, atravessando o Mediterrâneo onde frequentemente encontram a morte. 
5. A Síria, reduzida a escombros pelos bandos ao serviço dos auto-proclamados «amigos da Síria» os terroristas apoiados pelos EUA, tornou-se o segundo maior país de origem de refugiados, com valores muito próximos do Afeganistão, ambos com 2,5 milhões. 
6. Nesse ano, continuavam a ser os países em vias de desenvolvimento a acolher a grande maioria dos refugiados: 86% do total, E a comunicação social “ocidental” continuava calada.
7. A comunicação social que esconde o que interessa ao imperialismo, fala muito do drama dos refugiados sírios que chegam à Europa. A comunicação social "esquece" quem decidiu intervir militarmente na Síria, arrasando o país.  
8. A comunicação social, controlada pelos poderes imperialistas, "esquece" que os terroristas armados pelos EUA, a que chamam "exército insurgente" está a ser coordenado a partir da Turquia [país da NATO] para depor o presidente Assad. 
9. A nossa comunicação dita "social" esquece o que diz (Telegraph, 3.11.11); «A CIA acusada de auxiliar no envio de armas para a oposição síria» ou (New York Times, 21.6.12); «Navio espião alemão auxilia os "rebeldes" sírios» ou (Deutsche Welle, 20.8.12); «Estados do Golfo pagam os salários do Exército Sírio Livre» (ABCnews, 1.4.12). 
10. Há que estar atentos ao que se pode esconder por detrás do súbito interesse da comunicação social pelo tema dos refugiados. O primeiro-ministro inglês Cameron quer «uma intervenção militar para resolver a crise síria» e um ex-Arcebispo de Cantuária (chefe espiritual da Igreja de Estado em Inglaterra) defende «ataques aéreos e outro tipo de assistência militar para criar enclaves seguros e pontos de abrigo na Síria» (Telegraph, 5.9.15). 
11. Um dos maiores patrocinadores dos bandos fundamentalistas que destroem a Síria, o Rei Salman da Arábia Saudita, encontrou-se na semana passada com o Nobel da Paz Obama, para ouvir que «o Pentágono está a ultimar um acordo armamentista no valor de mil milhões de dólares com a Arábia Saudita, para lhe fornecer armas para o seu esforço de guerra contra [???] o Estado Islâmico e o Iémen» (New York Times, 4.9.15). 

7 de setembro de 2015

Os monopólios farmaceuticos

A vergonhosa política das multinacionais farmacêuticas

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos.

Privatização da saúde
A propósito recordemos uma entrevista em 2011 com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que acusa os grandes monopólios farmacêuticos de não considerarem rentáveis os medicamentos que curam. Por isso não os desenvolvem. Em troca, preferem que as doenças sejam crónicas e desenvolver medicamentos que sejam consumidos de forma constante.
Diz Roberts, que medicamentos que poderiam curar doenças não são investigados. É aquilo que conhecemos bem: a indústria privada da saúde rege-se pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, a ponto de se assemelhar ao da máfia.

É mais rentável não curar
Diz Richard J. Roberts: «Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender». E acrescenta «A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas». E explica «as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas». Em Portugal o povo conta o caso do médico que não retirava a carraça para manter o doente sempre dependente dos seus tratamentos.

Tornar crónicas doenças que poderiam ser curadas
Richard J. Roberts, diz ainda que a investigação «é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação». E ainda: «é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo».

Exemplos
A seguir dá exemplos: «Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas».

A corrupção dos políticos
A terminar a entrevista fala dos políticos: «Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…»

Publicado originalmente no La Vanguardia. 18 de junho de 2011





5 de setembro de 2015

Comunismo

Uma lição interessante

Por Rainer Sousa
Mestre em História

Do texto editado em Brasil Escola, publico uma súmula para quem não quiser ler o texto integral no link indicado.

«De forma geral, a maioria dos livros didáticos costuma atrelar o surgimento do comunismo em função da reflexão teórica apontada por Karl Marx e Friedrich Engels. Entretanto, essa ideia de que o comunismo seria fruto de uma mera reflexão de dois teóricos do século XIX pode ser vista sobre outro prisma. Basta compreendermos o comunismo enquanto experiência socialmente vivida e, ao mesmo tempo, buscarmos enxergar traços dessa mesma experiência na fala de outros pensadores».

Na Antiguidade
«O comunismo pode ser compreendido como certo tipo de ordenação social, política e económica onde as desigualdades seriam sistematicamente abolidas. Por meio dessa premissa, a experiência comunista parte de um pressuposto comum onde a desigualdade social gera problemas que se desdobram em questões como a violência, a miséria e as guerras. A intenção de banir as diferenças entre os homens acaba fazendo com que muitos enxerguem o comunismo como uma utopia dificilmente alcançada».

Rainer Sousa fala seguidamente das conjecturas de Platão, dos ideais da Igreja na luta pela abolição das desigualdades, que na Idade Média serviram para a crítica da sociedade daquele tempo e até a defesa da supressão da classe nobiliárquica e a revolta camponesa como mecanismos de justiça social.

A ascenção da burguesia
«No período de ascensão da burguesia mercantil, outros pensadores também se preocuparam em criticar os valores de seu tempo em favor de uma sociedade ideal. No século XVI, o filósofo britânico Thomas Morus redigiu a obra “Utopia”, lançou novas bases onde o comunismo seria vivido por meio de mecanismos que subordinassem a individualidade em prol do coletivismo. Contrariando uma tendência do pensamento renascentista (o individualismo), Morus buscou uma maior comunhão social».
O advento da «Revolução Inglesa» incentivou «práticas comunistas». Diz Rainer Sousa, «Em meio às reivindicações da nascente burguesia britânica, trabalhadores urbanos e camponeses reivindicavam o fim das propriedades privadas e coletivização igualitária das riquezas. Nessa época, um grupo conhecido como “diggers” (do inglês, cavadores) plantava em lotes públicos e distribuía os alimentos colhidos entre a população inglesa».


O aparecimento do capitalismo
«O desenvolvimento da sociedade capitalista trouxe novas inspirações ao pensamento comunista. O auge dessas tentativas de explicação das desigualdades surgiu com os pressupostos do socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels. Inspirados pela dialética hegeliana e uma interpretação histórica das sociedades, esse pensadores buscaram na realidade material a construção de um argumento que colocou no antagonismo das classes sociais as bases de transformação do mundo».

«Dessa maneira, o socialismo lançou uma ousada proposta de transformação ao buscar na luta de classes e no materialismo histórico, meios racionais de mudança. Segundo o pensamento marxista, as desigualdades seriam suprimidas no momento em que as classes subordinadas tomassem o controle do Estado. Controlando esta instituição teriam a missão histórica de promover mudanças favoráveis ao fim das desigualdades sociais e económicas».

A etapa socialista
«Esse governo guiado pelo interesse dos trabalhadores, ao longo do tempo, reforçaria práticas e costumes em favor do comunismo. De acordo com o pensamento socialista, a real instituição do comunismo somente aconteceria no momento em que o Estado (compreendido como uma instituição de controle) fosse extinto em favor de uma sociedade na qual as riquezas fossem igualitariamente divididas a todos aqueles que contribuíssem com sua força de trabalho».
De uma "aula" de Rainer Sousa
Mestre em História

O texto integral pode ser visto em:
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Comunismo"; Brasil Escola. Disponível em http://www.brasilescola.com/historiag/comunismo.htm. 

3 de setembro de 2015

Crimes contra a Humanidade

Os que rotulam os revolucionários de terroristas, são os maiores terroristas do planeta

Este texto vem a propósito da acusação das FARC como organização terrorista. (Ver publicação de 31 de agosto).
Por diversas vezes foram aqui indicados relatórios que mostram os crimes contra a humanidade dos norte americanos e ainda o desrespeito pelos Direitos Humanos.
O Senado norte-americano discutiu um relatório de 6000 páginas, sobre a actividade da CIA no cumprimento da sua política de terrorismo internacional.
No entanto "o país das Liberdades da Democracia" e da transparência, só permitiu que se divulgassem 524 páginas. As restantes 5.476 não foram divulgadas.
Mesmo as 524 páginas divulgadas foram escondidas pela maioria da comunicação social, controlada pelas grandes cadeias americanas.
Os Estados Unidos intervêm em todo o mundo. Aberta ou secretamente. Não dão a conhecer o que fazem e muito menos como o fazem.
Todo o mundo está a ser espiado, secretamente manipulado e, sujeito às mais abomináveis intervenções directas ou indirectas.
Os que denunciam essas atrocidades são presos sem culpa formada e mantidos na prisão sem julgamento.
Do pouco que se conhece do relatório confirma aquilo que já se sabia: a CIA, desenvolveu um chamado «programa de detenção e interrogatório» que incluía «técnicas reforçadas de interrogatório», ou seja as mais abjectas torturas praticadas em Guantanamo e em vários outros campos de detenção espalhados pelo mundo. No sumário do relatório é possível identificar práticas como tortura do sono durante semanas a fio, alimentação e hidratação forçada por via rectal, simulação de afogamento, isolamento, iminência de assassinato, humilhações de variada espécie, estátua, entre outras. Técnicas de tortura, algumas das quais muitos comunistas e outros democratas portugueses conhecem bem praticadas pela PIDE.
Os EUA, potência imperialista que quer controlar o mundo, tem uma política criminosa e coloca-se acima da lei e de quaisquer obrigações do direito internacional.

A História dos EUA está feita de crimes, brutais crimes, de terrorismo de Estado, de crimes contra a Humanidade que numa outra qualquer situação já teriam sido motivo de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e muito possivelmente de uma agressão militar em nome da «liberdade» mas sem apoio internacional. O maior factor de instabilidade, de ameaça à Paz, de perigo  para os povos, são os EUA, o seu governo, as suas forças armadas, as bases militares e as suas agências de terrorismo organizado, espalhadas por todo o mundo.

2 de setembro de 2015

Opiniões dos Nobel da economia

Joseph Stiglitz: "A União Europeia está a destruir o seu futuro"
Le Monde | 01.09.2015 às 10:09 • às 12h39 | Entrevista por Marie Charrel

Krugman e Joseph Stiglitz Prémios Nobel de Economia, têm vindo a manifestar-se contra as políticas de austeridade e o acentuar das desigualdades que a União Europeia está a desenvolver. 
De uma entrevista do jornal Le Monde, retirei as seguintes opiniões de Joseph Stiglitz Prémio Nobel de Economia que trabalhou durante anos sobre as causas das desigualdades económica nos Estados Unidos e as suas consequências, tanto a nível político como social. Em 2 de setembro, publicou um livro sobre o assunto, The Great Divide.

Sobre as causas das desigualdades, disse que «em primeiro lugar, são frequentemente o resultado dos lucros de monopolistas e a paralisação da economia. Mas, acima de tudo, porque as desigualdades são uma terrível armadilha.../... sem o aumento da renda, não há aumento no consumo, e enfraquece o crescimento».

Disse ainda «as desigualdades não são inevitáveis, eles são o resultado de escolhas políticas. Estados conseguiram combinar o crescimento com equidade, porque fizeram deste duplo objectivo uma prioridade. É o caso dos países escandinavos, mas também Singapura ou Ilhas Maurícias, que conseguiram diversificar as suas economias, focando a educação de sua população».

À pergunta de como é possível isso com a dívida pública em níveis recordes, Joseph Stiglitz disse que isso é «uma desculpa muito pobre. Nos EUA, as taxas de juro reais são negativas, e muito baixas na Europa. Nunca a conjuntura foi tão propícia para o investimento». Disse ainda que os investimentos alimentam o crescimento nos próximos anos e, portanto, as receitas fiscais adicionais que irão equilibrar as contas públicas. E mais adiante que «uma coisa é clara: os Estados têm um papel a desempenhar neste contexto, investir em investigação para promover o desenvolvimento dessas inovações. Porque o único investimento das empresas não é suficiente».

Quanto ao crescimento o Nobel considerou que «não é dramático se, ainda que fraco, for acompanhado de políticas de redução das desigualdades».

Sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos disse que «é uma miragem». Apesar da taxa de desemprego ser baixa (5,3%), faltam 3 milhões de empregos no país.
Para permitir um desenvolvimento saudavel é preciso «investimento na investigação, educação, infra-estrutura para promover o acesso ao ensino superior. Estabelecer um salário mínimo parece-me um bom caminho. Nos últimos anos, os lucros aumentaram de forma desproporcionada face aos salários. Esta distorção de distribuição de rendimentos é uma fonte de desigualdade e potencial de crescimento fraco. Outra maneira de corrigi-lo seria fazer nossa tributação progressiva e equitativa».

No final a entrevista incidiu sobre a Europa e o terceiro pacote de ajuda à Grécia. Joseph Stiglitz foi perentório. «Este plano é a garantia de que a Grécia vai afundar numa depressão longa e dolorosa. Eu não sou muito otimista».
Relativamente à dívida disse o Nobel da Economia que a dívida é considerada um freio no crescimento mas, também pode ser um motivo para «a prosperidade futura, quando utilizada para financiar investimentos essenciais. Os europeus têm esquecido isso. … uma parte da direita do Velho Continente alimenta a histeria em torno da dívida, a fim de atingir o estado providencia. Seu objetivo é simples: reduzir o papel dos Estados. Isto é muito preocupante. Com essa visão de mundo, a obsessão com a austeridade e fobia de dívida, a UE está a destruir o seu futuro.


En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/economie/article/2015/09/01/joseph-stiglitz-l-union-europeenne-est-en-train-de-detruire-son-futur_4742246_3234.html#YqkhruhCX1d3cTQY.99 

1 de setembro de 2015

O negócio das "ajudas"

Os cérebros do capitalismo, engendraram um lucrativo negócio:
Vamos ver como, nesta conversa

- Como sabemos a melhor forma de obter dinheiro é montar um Banco.
Com o dinheiro dos outros, e são muitos, fazem-se os melhores negócios.
Se o Banco a fundar tiver bons propagandistas, está garantida a entrada de dinheiro. Muitos poucos fazem muito.
Vou-vos explicar o esquema:
Nome do Banco: Banco Central Europeu.
A quem pertence o Banco: A uma Holding chamada União Europeia.
Accionistas: Os do costume. Os grandes capitalistas, aqueles que já acumularam muito dinheiro.
Marketing: O plano está a ser organizado.
Tema base da propaganda: A Europa connosco, a Europa solidária que "ajuda" os mais fracos.
Argumento principal: Portugal vai passar para o pelotão da frente e juntar-se aos mais ricos.
Propagandistas: Os partidos da Social Democracia. Vocês e o PSD com quem também já falámos.
Condições a criar: Uma moeda única para que ninguém possa fugir, nem alterar as condições cambiais. (chamemos-lhe Euro).
Esquema do negócio: Idêntico ao de todos os bancos. Se tem dado certo, noutros sítios com o FMI é melhor não inovar. O Banco recebe uma renda fixa para as despesas e dinheiro de outros para o guardar, Entretanto empresta a quem precisa, com juros, claro.
A grande novidade está na forma de fazer com que precisem de ajuda. Sim porque se um Banco não tiver a quem emprestar dinheiro, não faz negócio.
Então que pensaram os nossos cérebros?
Fazer acordos e regulamentos na seguinte base:
O Banco está aqui para ajudar e pôr os mais fracos no pelotão da frente (lembram-se?), mas para isso é preciso que obedeçam às nossas regras.
- Nossas de quem?
- Nossas de todos nós. Isto é democracia. Os nossos amigos sociais democratas, garantem-nos que as regras de todos são as que nós precisamos que sejam.
- Nós quem?
- Nós, os que temos o vosso dinheiro bem guardado.
- E quais são essas regras?
- Primeiro, vamos atribuir subsídios aos mais fracos.
- Isso é bom com os subsídios os mais fracos investem na produção para ficar mais fortes.
- Não, não e não! Aqui é que está uma das grandes descobertas. Nós damos subsídios para destruírem os vossos meios de produção. Para afundar barcos de pesca, para destruir culturas, para não produzirem mais leite, nem vinho, para acabar com estaleiros navais para não fazerem mais barcos, não vão vocês querer substituir os que foram afundados, acabar com indústrias, com as fábricas que já existam nos países mais ricos da União, para não terem que trabalhar. Não precisamos de concorrência. Nós, os mais ricos trabalhamos para vocês que em contrapartida recebem subsídios.
- Sempre?
- Não, isso é só para ganhar clientes, depois acaba.
- Então e depois.
- Depois vocês vendem os bens do Estado, porque o Estado precisa de emagrecer, para nós engordarmos. Vendem os bancos para os nossos accionistas, vendem os Hospitais, vendem as grandes empresas estratégicas, os transportes a energia e a água e tudo o resto que tiverem. Assim vocês não precisam de se preocupar a gerir isso tudo. E como o Estado fica sem nada, as reclamações dos utentes passam para os privados. É ou não uma boa ideia? Vocês ganham o dinheiro dos ordenados de Ministros e quase que não precisam de fazer nada pois o estado fica apenas com o que não pode dar lucro.
- Isso parece boa ideia mas não sei se o povo vai aceitar.
- Aceita, aceita. Esse é o vosso trabalho. Fazer com que o povo aceite.
- Os nossos amigos do PSD e do CDS não devem ter problemas. Mas nós somos socialistas e não sei se os nossos sócios aceitam.
- A primeira coisa que têm a fazer, e já, é pôr o Socialismo na gaveta e bem escondido. Isso do socialismo poderia ser perigoso e estraga-nos o negócio.
- Mas se não temos actividade produtiva o desemprego aumenta muitíssimo.
- Isso faz parte do Plano. Como o desemprego aumenta podem baixar os ordenados e aumentar as horas de trabalho. O aumentar os horários de trabalho vai fazer com que os trabalhadores não tenham tempo para nada nem para se organizar. E quando os ordenados estiverem bastante baixos e haja muita gente a viver do subsídio de desemprego, que é pago pelos que trabalham, nós aceitamos imigrantes. Vêm trabalhar para nós com salários baixos mas ainda assim superiores aos que têm no vosso país. Assim conseguimos também reduzir os sindicalizados e dar cabo dos sindicatos.
- Então o país vai ficar despovoado.
- Não. Como o vosso país têm um bom clima vamos nós viver para lá. Compramos as vossas casas, que devem estar ao desbarato porque vazias, e os terrenos para belas quintas devem estar também a bom preço.
- Vocês têm tudo pensado.
- Nós não brincamos em serviço!
- Mas depois de acabarem os subsídios vamos ficar aflitos.
- Aí está a função central do Banco Central Europeu que vamos criar. O Banco empresta dinheiro a juros razoáveis.
- Mas como vamos pagar os juros?
- Com novos empréstimos.
- Assim aumentamos a dívida.
- Nessa altura, vocês aumentam os impostos para pagar os juros. Calculamos que podemos captar dos trabalhadores cerca de 800 milhões de euros mensais o que pode dar 10.000 milhões anuais. Depois ainda há o que pagam indirectamente nos impostos sobre o que compram, incluindo a electricidade, a água, o gás e a gasolina e muitas outras coisas. Não se importem com a dívida. O que é preciso é pagarem os juros para que as nossas receitas sejam certas e regulares de cerca de 10 a 15 mil milhões de euros anuais. Temos ainda as receitas das empresas que foram privatizadas o que, depois da distribuição aos respectivos accionistas, nos permitirá arrecadar mais 10 mil milhões de euros anuais.
- Mas se os trabalhadores ganham menos e a maioria está desempregada, o povo não aguenta.
- Ai aguenta, aguenta.
- Mas o descontentamento aumenta muito e o negócio acaba por dar para o torto. Lembrem-se que o Partido Comunista tem muita força e não nos deixa fazer tudo o que queremos.
- Esse é o único problema que nós não temos solucionado. Não podemos controlar os comunistas. Por isso estamos a tomar medidas para comprar toda a comunicação social para vos ajudar na propaganda e a esquecer os comunistas. Depois sabem bem que Salazar fez um bom trabalho durante 50 anos, com a campanha anti-comunista que ficou na cabeça das pessoas. A Igreja faz essa campanha há muitos mais anos e pode aí dar também uma ajuda importante pois o povo mais ignorante, principalmente, é muito religioso. O que é necessário é que nas eleições vocês sejam imaginativos. Não se importem de mentir pois isso dá sempre resultado. É preciso que vão mudando as pessoas. Uma vez governam vocês outras vezes governa o PSD e depois cada um atira as culpas para o anterior. Isso pega sempre. O povo é de memória curta e a comunicação social vai entretendo as pessoas com as discussões entre vocês. Bem sabem que estamos aqui para vos ajudar, tal como ajudamos no 25 de Novembro.
- Mesmo assim a revolta será cada vez maior.
- Não se preocupem. Temos um plano B que é inventar uma crise para que sirva de desculpa para tudo. Mas, simultâneamente, nós vamos tomando medidas legais e repressivas para impedir que estale a revolução. O que é preciso é atrasar a consciência dos trabalhadores. Aí têm que ser vocês a trabalhar. Seja com UGT, seja com Futebol, ou outras coisas, o trabalho aí vai ser vosso.


31 de agosto de 2015

A festa do Avante e as FARC

Quem são os terroristas?

A comunicação social, que pouco fala da maior iniciativa política e cultural do país, volta novamente, como no ano passado, a interessar-se pela presença de representantes das FARC na Festa do Avante.

Foi notícia o facto do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ter admitido a presença na festa do Avante de membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O embaixador colombiano em Lisboa, Plínio Mendoza, pediu explicações ao Governo português sobre a presença na festa do Avante de activistas das FARC, uma organização classificada como terrorista pela União Europeia.
Jerónimo de Sousa disse que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" comparativamente à UE e Estados Unidos.
O terrorismo dos poderosos
Os que dominam, os que exploram, o imperialismo, considera terroristas os que se opõem à sua política mas, apoia como "libertadores" os que lutam contra os que não se submetem aos Estados Unidos. A história recente mostra dezenas desses exemplos, desde a Al-Quaeda para lutar no Afeganistão, passando pelos que destruíram a Líbia , pela origem do Estado Islâmico até aos fascistas que derrubaram o Governo legítimo na Ucrânia, como Pinochet, como... como... recordemos ainda o apoio que os EUA dão a Israel para matar milhares de palestinianos inocentes. Todos esses "libertadores" matam e destroem países como o Iraque e a Líbia (para não falar do Vietname). Os próprios EUA são mais terroristas que todos os terroristas juntos quando, "à lei da bomba", matam milhões de pessoas inocentes, mulheres, crianças e velhos em todos esses países. Os Estados Unidos que usam bombas atómicas para destruir cidades como Hiroshima e Nagasaqui e pussuem o maior poderio apoiado nas mais violentas armas de destruição maciça no seu arsenal nuclear, para defender os seus próprios interesses e manter a supremacia, arrogam-se no direito de chamar terroristas a quem entendem. Para os Estados Unidos da América e União Europeia, terroristas são os que como Che Guevara, Fidel de Castro e tantos outros lutaram e lutam pela liberdade e independência.

As iniciativas para o diálogo
As FARC têm feito inúmeras tentativas de diálogo com o Governo da Colômbia. Promoveu à quase três anos, os chamados "Diálogos de Paz de Havana que ainda decorrem. Pela segunda vez, este ano decretaram o cessar-fogo unilateral em todas as frentes de combate, apesar de não ter sido feito o mesmo pelo exército colombiano. Estes gestos de paz, foram anteriormente interrompidos quando o governo, ignorando esta boa vontade, bombardeou acampamentos da guerrilha.
O presidente Juan Manuel Santos, considerou, agora, positivo o cessar-fogo mas, apenas prometeu uma «desescalada das ações militares» do Exercito colombiano e ameaçou pôr termo aos diálogos de paz de Havana. Ainda assim o presidente colombiano admitiu, pela primeira vez, um cessar-fogo definitivo antes da assinatura de um acordo de paz que assinalaria o fim de 50 anos de um conflito em que pereceram milhões de colombianos. O respeito pelo cessar-fogo será acompanhado por um representante da ONU e outro da UNASUR. Estas promessas de Juan Manuel Santos, não são seguras tendo em atenção o seu passado de ter concebido e organizado, com a colaboração da CIA e da MOSSAD, o bombardeamento pirata do acampamento do comandante Raul Reyes, no Equador.

Agora, Jerónimo de Sousa disse aos jornalistas que, apesar da forma de intervenção das FARC, existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou. Quem não cumpre os Direitos Humanos é o Estado Colombiano como, reconhecidamente os EUA. Jerónimo de Sousa deplorou a iniciativa do diplomata colombiano, retorquindo que caberia ao embaixador da Colômbia "dar contas das razões que levam ao assassinato, por exemplo de 70 sindicalistas comunistas, atitudes terroristas contra o movimento sindical". Disse ainda "Pensamos que esta operação e esta deriva em relação à nossa festa procura esconder a responsabilidade deste Governo em relação a actos de terrorismo de Estado, designadamente em relação à facilidade que permitiu que em território nacional se cometam como os voos da CIA, transportando prisioneiros à revelia do Direito Internacional".

De facto o PCP, tem uma concepção diferente. Para os EUA, UE, e neste caso também a Colômbia, que não cumprem a Declaração Universal dos Direitos do Homem, os terroristas são os que se querem libertar da exploração dos monopólios.

30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


29 de agosto de 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

28 de agosto de 2015

E esta... hein?!

É preciso mentir para ganhar as eleições
Confessou João Almeida (secretário de estado da Administração Interna)

Que os políticos da direita mentem nas campanhas eleitorais para enganar os eleitores, está mais que comprovado. 
Que políticos de direita, incluindo o PS, defendem entre eles, a mentira ao definirem as suas estratégias, também já sabia por confissão de alguns. 
Agora que, publicamente e na Televisão, defendessem a mentira, ainda não tinha visto. Vi, só agora, num vídeo do programa, já antigo, Prós e Contras. É o pragmatismo da mentira, confessado e defendido. É nestes aldrabões confessos que o povo vota? Até quando?



27 de agosto de 2015

Censura

Os órgãos de informação escondem as responsabilidades das tragédias

As tragédias que envolvem alguns milhões de pessoas e centenas de milhar de refugiados, são fruto das guerras que a NATO, a mando dos Estados Unidos da América, com a colaboração da União Europeia, fizeram no Médio Oriente, que arrasaram países inteiros como foi o caso, entre outros, da Líbia. Recorde-se que, em 2012, a Líbia tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior produto interno bruto (PIB) (em paridade do poder de compra) per capita do continente (em 2009), atrás da Guiné Equatorial, das Seychelles, do Gabão e do Botswana. A Líbia tem uma das 10 maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e a 17.ª maior produção petrolífera (dados da Wikipédia).
Como a história tem mostrado, os EUA, promovem as guerras civis contra os governos que não se submetem às suas exigências, ou financiam e armam terroristas, criando o pretexto para a sua intervenção e domínio de países através da colocação de governos fantoches e ditaduras (como de Pinochet, e agora na Ucrânia).
É isto que as Televisões, Jornais e jornalistas, têm medo, ou estão proibidos, de dizer.
Ver ainda:
http://c-de.blogspot.pt/2011/03/guerra-no-libano.html
http://c-de.blogspot.pt/#uds-search-results



C de ...: Rastos do Tempo

C de ...: Rastos do Tempo: Um trabalho que é mais que a beleza da imagem e som Fotografias muito belas de Armando Jorge, música, arranjo, orquestração e interpreta...

26 de agosto de 2015

Rastos do Tempo

Um trabalho que é mais que a beleza da imagem e som


Fotografias muito belas de Armando Jorge, música, arranjo, orquestração e interpretação de Chico Gouveia (sintetizadores), sobre um tema original de José Neves. A música enquadra bem a mensagem que as fotografias transmitem.
Rastos do Tempo pretende ser um singelo documento das ruínas do mundo rural português, mas também um aceno de esperança! Sim não percamos a esperança. No entanto essa esperança tem sido frustrada pela política que levou o país a uma situação de retrocesso enorme. Não basta a esperança, é preciso que tomemos consciência das causas desta realidade para que não caiamos nos mesmos erros. 
Os idosos retratados, que proporcionam as belas imagens, mostram nos seus rostos a dureza da vida que os marcou. Vida que não queremos para os nossos filhos ou netos. Esses exemplos merecem-nos essa atenção. 
Os jovens que no documentário, são o sinal da esperança, que têm um futuro à sua frente, um futuro que, inevitavelmente, terá que ser de luta para que os tempos não voltem ao passado retratado. Esperança que depende do que a geração presente lhes proporcionar e do que virão a aprender para terem vida melhor que os seus pais.
Apreciemos o trabalho de Armando Jorge e Chico Gouveia sem esquecer que as imagens são pessoas, com alegrias e sofrimentos, que representam vidas e lutas. 


25 de agosto de 2015

A Lei do Funil

A direita faz batota. Trapaceiros

A lei do funil é uma das principais leis porque se regem os políticos de direita. O lado largo do funil voltado para a direita e o estreito para a esquerda. 

Fazer batota, ou trapaça, significa usar de vantagem ilegítima ou indevida para ultrapassar parceiros ou competidores. Não cumprimento das regras de um jogo, de maneira que outro ou outros jogadores não se apercebam.

Em Comunicado, de ontem, 24 de agosto, de que se faz uma síntese, a CDU – Coligação Democrática Unitária – manifestou:
- a sua disponibilidade para estar presente, em pé de igualdade, nos debates e "frente a frente" com as forças políticas que estejam dispostas a participar.  Assim no "frente a frente" com a Coligação PSD/CDS em que participará o líder do segundo partido da coligação, a CDU participará também com o líder do segundo partido Heloísa Apolónia em representação do PEV.
Resumidamente, a CDU sublinhou:
 - Desde a primeira reunião, das três realizadas com a sua participação, o PCP manifestou inteira abertura e interesse na concretização de uma solução que assegurasse o conjunto de debates que permitisse o pleno esclarecimento e o desejável confronto de projectos e posicionamentos em discussão nas eleições legislativas de 4 de Outubro.
- É falso o que dizem o CDS e PSD, o PCP tenha vetado a participação do CDS nos debates.
- Para o PCP só são aceitáveis dois critérios objectivos:
 - o da participação nos debates de 4 candidaturas (CDU, PaF, BE e PS) ou,
- ou dos seis partidos com representação parlamentar (PSD e CDS, PCP e PEV, PS e BE).

Duma forma manhosa, desonesta, a coligação PSD/CDS-PP queria o privilégio de ter dois representantes e a CDU apenas um.
Qualquer pessoa honesta compreende que:
- Se a Coligação PSD/CDS quer ter dois representantes nos debates, por ter dois partidos, também a CDU deve ter dois representantes uma vez que também tem dois partidos, o PCP e o PEV.
Quem se opôs à solução de haver representantes dos partidos foram PS e BE que concorrem isolados.
Esclarecida a questão do número de representantes, por Coligação ou por Partidos, as televisões prepararam nova armadilha:
- Realizar programas “frente a frente” com Passos Coelho e António Costa, nos principais canais, deixando de fora os outros partidos que apenas falariam nos canais cabo, com muito pouca audiência.

No comunicado da CDU, recorda que a nova legislação sobre cobertura jornalística de campanhas eleitorais foi cozinhada entre PS, PSD e CDS contra os votos do PCP e PEV. No entanto os três partidos da troika aprovaram a legislação que está a dar estes problemas. Não acusem a CDU de querer um tratamento igual, lá porque eles tentam aplicar a Lei do Funil.

24 de agosto de 2015

Teoria da Conspiração

A censura dissimulada

Do blog Mundo Cão retirei as seguintes notas:
A «chamada teoria da conspiração, é uma maneira de colar o mesmo rótulo de descrédito em denúncias fundamentadas sobre assuntos importantes mal contados por quem nos governa…/… Trata-se de uma manobra insidiosa para invalidar o contraditório, para amarrar a opinião pública a uma explicação única e definitiva das coisas em vez de a por a reflectir sobre as realidades que nos cercam. É interessante, por exemplo, que haja jornalistas a colaborar nesta mistificação mesmo sabendo – ou devendo saber – que estão a enviar para o grupo dos aldrabões e lunáticos os seus camaradas de profissão que fazem o que têm a fazer: investigar, procurar verdades, sobretudo quando são escondidas».

De facto a facilidade com que se aplica o rótulo de “teoria da conspiração” mostra a cobardia de quem não tem argumentos e quer fugir ao debate dos assuntos.
Questões como «…o golpe na Ucrânia ter conduzido a um governo fascista, ou a possibilidade de o MH 17 não ter sido derrubado por um míssil russo, ou a circunstância de haver produtos comercializados pela multinacional Monsanto que envenenam pessoas e o planeta, ou a invasão do Iraque ter sido baseada num chorrilho de mentiras, ou o neoliberalismo existir e ter criado a crise como regime global…» são assuntos proibidos e censurados pela comunicação social. Proibidos e censurados porquê? Por isso mesmo. Por serem incómodos para quem os censura.

A pluralidade de opiniões
Quando Ford lançou a fabricação de automóveis em série, alguem lhe perguntou se se podia escolher a cor do carro.
Ele respondeu:
Qualquer um pode escolher a cor desde que seja o preto.

Alguns dos comentadores e politólogos da "cassete" do pensamento único. Na foto não se vêm as palas que têm no cérebro, 

Não sendo a censura feita da mesma forma que Salazar fazia, esta censura actual, na Televisão e na generalidade dos meios de comunicação, o que é facto é que tem exactamente os mesmos efeitos, esconder o que não lhes interessa mas, agora, de forma ainda é mais enganadora.
No fascismo ninguém, nem os próprios fascistas, escondiam que havia censura. Por isso, quando líamos um jornal estávamos prevenidos. Agora nesta chamada “democracia”, onde a maioria das liberdades têm que ser compradas por muito dinheiro, a censura, a manipulação das ideias, a deturpação e omissão dos factos, está escondida por uma falsa capa de liberdade de informação. E quando alguém quer fazer uso da sua liberdade e direito de pôr em dúvida, essas “verdades” falsas, logo é apelidado de promotor da “teoria da conspiração” e, o mais grave, é silenciado sem que tenha oportunidade de demonstrar a sua "teoria".

 «Quando exercícios deste tipo se realizam com a participação de centrais de propaganda como por exemplo as que servem as estratégias desenhadas pelo Grupo de Bilderberg percebe-se que neles nada há de inocente. Tais órgãos justificam, nesta matéria, o porquê de se auto intitularem “meios de referência”. De facto, basta-lhes seguir o rasto para se conhecerem, passo a passo, as tendências dominantes de quem segue as regras de manipulação e intoxicação dos cidadãos ao serviço do regime único».

O país vai muito bem, o mundo nunca esteve melhor e, quem disser o contrário é “conspirador” e usa a “teoria da conspiração.

O artigo de onde foram retiradas as notas assinaladas, pode ser visto aqui.

17 de agosto de 2015

Assange -a história de uma luta pela justiça

A farsa das democracias

Adaptado de um documento de John Pilger

Um recente artigo de John Pilger, publicado (aqui) mostra as violações sistemáticas à lei, às Constituições de países como o EUA que se auto proclamam Democráticos. Refere como exemplos o cerco à Embaixada do Equador em Londres em Knightsbridge [NR] «é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu apenas para ostentar o poder do estado. Já custou £12 milhões». é a caça a «um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano». O seu “crime” foi ter denunciado os crimes monstruosos dos EUA em especial no Afeganistão e no Iraque: «a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado incisivamente pela fuga dos seus telegramas diplomáticos».

Tal como em relação a outros que denunciaram crimes igualmente repugnantes e revelaram documentos secretos «Assange está numa “Lista de alvos humanos a caçar”».

Para impedir a defesa de Assange, os EUA têm inventado as mais torpes acusações e classificaram este caso de "segredo de estado". Assim «o tribunal federal em Washington impediu a divulgação de toda informação acerca da investigação»- O mesmo aconteceu no processo contra a WikiLeaks. Esta técnica de violar as leis e a justiça, foi também usada contra o soldado Chelsea Manning e contra os presos ainda mantidos ilegalmente na odiosa prisão de Guantánamo.


Depois de uma demonstração exaustiva dos atropelos à lei para condenar Assange, John Pilger, refere «a perspectiva de uma grotesca perversão da justiça estava submersa numa campanha de vitupérios contra o fundador da WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, viciosos e desumanos foram lançados contra um homem não acusado de qualquer crime».

Depois de uma teia de artimanhas e ilegalidades, John Pilger refere que «A decisão do Equador em 2012 de proteger Assange floresceu num grande tema internacional. Muito embora a concessão de asilo seja um acto humanitário, e o poder de concedê-lo seja desfrutado por todos os estados sob o direito internacional, tanto a Suécia como o Reino Unido recusaram a legitimidade da decisão do Equador. Ignorando o direito internacional, o governo Cameron recusou-se a conceder a Assange passagem segura para o Equador. Ao invés disso, a embaixada do Equador foi colocada sob cerco e o seu governo abusado com uma série de ultimatos. Quando o Foreign Office de William Hague ameaçou violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, advertindo que retiraria a inviolabilidade diplomática da embaixada e enviaria a polícia em busca de Assange, o ultraje por todo o mundo forçou o governo a recuar. Durante uma noite, a polícia apareceu às janelas da embaixada numa tentativa óbvia de intimidar Assange e seus protectores».

«Durante três anos o Equador deixou claro ao promotor sueco que Assange está disponível para ser interrogado na embaixada em Londres e durante três anos ela permaneceu intransigente» exigindo que seja Assange a deslocar-se para, evidentemente, ser preso.

«Assange contestou o mandato de prisão nos tribunais suecos. Os seus advogados citaram decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de que ele tem estado sob detenção arbitrária, indefinida, e de que tem sido um prisioneiro virtual por mais tempo do que qualquer sentença real de prisão que pudesse enfrentar. O juiz do Tribunal de Recurso concordou os advogados de Assange: a promotora havia na verdade violado o seu dever ao manter o caso suspenso durante anos. Um outro juiz emitiu uma repreensão à promotora. E ainda assim ela desafiou o tribunal.»

John Pilger termina o seu extenso relato de acontecimentos chocantes para quem defenda a justiça, com a denúncia de que «Em 2008, uma guerra à WikiLeaks e a Julian Assange foi prevista num documento secreto do Pentágono preparado pelo Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. Ele descrevia um plano pormenorizado para destruir o sentimento de “confiança”, o qual é o “centro de gravidade” da WikiLeaks. Isto seria alcançado com ameaças de “revelação [e] processo criminal”. O silenciamento e criminalização de uma fonte tão rara de verdades era o objectivo, o enlamear era o método. Enquanto este escândalo continua a própria noção de justiça é diminuída, bem como a reputação da Suécia». Dito de outra forma o poder do imperialismo ameaça todos os que se lhe oponham.

10 de agosto de 2015

Pela Paz. Fim às armas nucleares

As razões dos criminosos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki

Os bombardeamentos no Japão com bombas tradicionais atingiram 67 das maiores cidades japonesas. Em Tóquio, a chamada Operação Capelas, entre 9 e 10 de março, matou cerca de 100 mil pessoas numa única noite. Depois de bombardeadas as maiores cidades, em 1945, os estrategas norte americanos decidiram prosseguir os bombardeamentos nas outras cidades com populações que variavam de 60 mil a 350 mil habitantes. Esses ataques foram realizados com bombas tradicionais e muito bem sucedidos segundo os critérios dos militares.
Dois tipos de bombas a experimentar
Dois tipos de bombas foram elaborados por cientistas e técnicos do Laboratório Nacional de Los Alamos, sob a liderança do físico norte-americano J. Robert Oppenheimer. A bomba de Hiroshima, conhecida como Little Boy, com base no Urânio-235 e uma outra que veio a ser experimentada em Nagazaki, mais poderosa e eficiente, mas mais complicada, com base no Plutónio-239. A primeira tinha sido testada em 16 de julho de 1945, perto de Alamogordo, Novo México.
Em abril de 1945, foi decidido analisar os alvos para o lançamento das bombas. Foram indicados cinco: Kokura, Hiroshima, Yokohama, Niigata e Kyoto com os seguintes critérios:
O alvo teria que ser maior do que 4,8 km de diâmetro e ser um alvo importante em uma grande área urbana;
A explosão teria que criar dano efetivo;
O alvo teria que ser um local improvável de sofrer ataques em agosto de 1945.
Essas cidades foram intocadas durante os bombardeios noturnos pois as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos decidiram deixá-las fora da lista-alvo para que uma futura avaliação da bomba atómica pudesse ser feita com maior rigor.
Hiroshima foi considerada um bom alvo pois tem um tamanho tal que uma grande parte da cidade poderia ser amplamente danificada. Há colinas adjacentes que são susceptíveis a produzir um efeito de focagem que iria aumentar consideravelmente os danos explosão. Considerou-se que os fatores psicológicos na seleção de alvos eram de grande importância, não só para o Japão mas também que fosse suficientemente espetacular para a importância da arma a ser reconhecida internacionalmente.

Hiroshima
Hiroshima era o alvo principal da primeira missão de bombardeio nuclear em 6 de agosto, sendo Kokura e Nagasaki como alvos alternativos. Nenhum aviso foi dado a Hiroshima que uma nova e muito mais destrutiva bomba ia ser lançada, embora tivessem sido lançados folhetos entre 3 e 27 de Julho. Um dos folhetos enumerava doze cidades-alvo de bombardeios: Otaru, Akita, Hachinohe, Fukushima, Urawa, Takayama, Iwakuni, Tottori, Imabari, Yawata, Miyakonojo e Saga. A cidade de Hiroshima não estava na lista. No momento do ataque, com a bomba atómica, em 6 de Agosto de 1945, a população era de 340 a 350 mil pessoas.

Nagasaki
Em 9 de Agosto foi decidido lançar a segunda bomba de um outro modelo com base no Plutónio-239, ainda não experimentado. No dia do atentado, cerca de 263 mil pessoas estavam em Nagasaki, incluindo 240 mil residentes japoneses, 10 mil moradores coreanos, 2,5 mil trabalhadores coreanos recrutados, 9 mil soldados japoneses, 600 trabalhadores chineses recrutados e 400 prisioneiros de guerra aliados.

As razões
É concensual entre os amantes da Paz que não se justificava este massacre de populações civis como refere o Apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação publicado ontem dia 9 neste blogue. Ali e no artigo do Jornal Avante, estão fundamentadas as razões. Contudo, muitos intelectuais, continuam a debater o assunto, em torno de uma falsa questão que é saber se a bomba era necessária para derrotar o Japão já derrotado. Os americanos continuam a defender que as bombas salvaram muitos americanos e Churchill que as bombas salvaram um milhão de norte-americanos e metade desse número de vidas britânicas.

O Japão já estava derrotado
Na altura em que os Estados Unidos lançaram sua bomba atómica sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, a União Soviética tinha declarado guerra ao Japão e lançado um ataque surpresa com 1milhão e seiscentos mil de soldados contra o Exército de Guangdong na Manchúria. "A entrada soviética na guerra", observou o historiador japonês Tsuyoshi Hasegawa, "desempenhou um papel muito maior do que as bombas atómicas em induzir Japão a render-se, porque exisitia alguma esperança de que o Japão poderia terminar a guerra através da mediação de Moscovo".
As intenções sempre foram outras
Quem for sério nestas avaliações, verifica facilmente que muito antes da bomba ser lançada já havia a intenção dos Estados Unidos imporem uma supremacia internacionalmente e em especial em relação à União Soviética. Na verdade, as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki serviram para afirmar a hegemonia militar dos EUA, como potência imperialista no mundo. 
Estas práticas já vêm de longe
Essa determinação totalitária tem sido afirmada nas constantes guerras, na intromissão na política de Estados independentes e no provocar de guerras civis com o auxílio do terrorismo que criam, e apoiam quer financeiramente quer com armamento. Nos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki morreram centenas de milhar de pessoas e mais de cem mil ficaram afetadas para o resto da vida. Nas muitas guerras pela supremacia militar, económica que os Estados Unidos provocam em vários pontos do planeta, desde o Vietnam passando pelo Chile, Africa e Médio Oriente, mostram o que é o imperialismo. A luta dos povos pela Paz é um imperativo. 

Grande parte deste texto foi elaborado com base nas informações recolhidas em documentos em especial na Wikipédia  ver
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki

9 de agosto de 2015

Nunca Mais!

70 anos dos bombardeamentos nucleares contra Hiroxima e Nagasáqui


Pela sua importância e significado para os dias de hoje, quando os Estados Unidos da América espalham a guerra no mundo e desenvolvem as mais terríveis armas para mostrar a hegemonia do seu poder imperialista, publicamos o veemente apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação:

Assinalam-se, a 6 e 9 de Agosto respectivamente, 70 anos sobre os bombardeamentos nucleares, pelos Estados Unidos da América, contra as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Nesta data, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) lembra o acto de barbárie cometido contra populações indefesas num momento em que o império japonês já se encontrava militarmente derrotado, na frente terrestre na Ásia e na frente aéreo-naval do Pacífico, e se havia iniciado o processo da sua capitulação às Forças Aliadas.

Os bombardeamentos atómicos das duas cidades japonesas – sem qualquer importância para o desfecho da guerra – constituíram acima de tudo uma aterrorizante demonstração de superioridade militar por parte dos EUA. Pela sua própria natureza, a arma atómica não tem como destino a utilização na frente de batalha, mas sim as populações civis e os centros urbanos e industriais.

Para além das 250 mil mortes provocadas no imediato, e nos dias subsequentes, os bombardeamentos atómicos deixaram uma herança de sequelas graves nas populações vizinhas: a proliferação de doenças cancerígenas e malformações genéticas, que persistem hoje, sete décadas passadas, atribuídas à exposição às radiações ionizantes e às substâncias radioactivas.



Aterrorizados com este que foi, sem dúvida, um dos maiores crimes alguma vez perpetrados, os povos do mundo uniram-se para que tal tragédia não voltasse a acontecer, fazendo do Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares (lançado em 1950) uma gigantesta manifestação contra as armas nucleares. Essa causa mantém hoje flagrante actualidade, tendo em conta que o actual arsenal de armas nucleares é infinitamente maior e mais poderoso, a utilização destas armas significaria a destruição da espécie humana e da civilização.

Num momento em que muitos milhões de seres humanos são confrontados com a regressão das suas condições de vida e dos seus direitos, as despesas militares mundiais atingiram, em 2014, qualquer coisa como 1,8 biliões de dólares, parte considerável dos quais canalizados para a manutenção e modernização de armas nucleares.

Reafirmando o seu compromisso com a construção de um mundo de justiça e paz o CPPC presta homenagem às vítimas das armas nucleares lançadas em Hiroxima e Nagasáqui, e exige:
  
-Que nunca mais se repita o holocausto nuclear;
  
-A abolição das armas nucleares e de extermínio em massa e o desarmamento geral e controlado;
  
-O cumprimento das determinações da Constituição da República Portuguesa e da Carta das Nações Unidas, em respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados e igualdade de direitos dos povos.