30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


29 de agosto de 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

28 de agosto de 2015

E esta... hein?!

É preciso mentir para ganhar as eleições
Confessou João Almeida (secretário de estado da Administração Interna)

Que os políticos da direita mentem nas campanhas eleitorais para enganar os eleitores, está mais que comprovado. 
Que políticos de direita, incluindo o PS, defendem entre eles, a mentira ao definirem as suas estratégias, também já sabia por confissão de alguns. 
Agora que, publicamente e na Televisão, defendessem a mentira, ainda não tinha visto. Vi, só agora, num vídeo do programa, já antigo, Prós e Contras. É o pragmatismo da mentira, confessado e defendido. É nestes aldrabões confessos que o povo vota? Até quando?



27 de agosto de 2015

Censura

Os órgãos de informação escondem as responsabilidades das tragédias

As tragédias que envolvem alguns milhões de pessoas e centenas de milhar de refugiados, são fruto das guerras que a NATO, a mando dos Estados Unidos da América, com a colaboração da União Europeia, fizeram no Médio Oriente, que arrasaram países inteiros como foi o caso, entre outros, da Líbia. Recorde-se que, em 2012, a Líbia tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior produto interno bruto (PIB) (em paridade do poder de compra) per capita do continente (em 2009), atrás da Guiné Equatorial, das Seychelles, do Gabão e do Botswana. A Líbia tem uma das 10 maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e a 17.ª maior produção petrolífera (dados da Wikipédia).
Como a história tem mostrado, os EUA, promovem as guerras civis contra os governos que não se submetem às suas exigências, ou financiam e armam terroristas, criando o pretexto para a sua intervenção e domínio de países através da colocação de governos fantoches e ditaduras (como de Pinochet, e agora na Ucrânia).
É isto que as Televisões, Jornais e jornalistas, têm medo, ou estão proibidos, de dizer.
Ver ainda:
http://c-de.blogspot.pt/2011/03/guerra-no-libano.html
http://c-de.blogspot.pt/#uds-search-results



C de ...: Rastos do Tempo

C de ...: Rastos do Tempo: Um trabalho que é mais que a beleza da imagem e som Fotografias muito belas de Armando Jorge, música, arranjo, orquestração e interpreta...

26 de agosto de 2015

Rastos do Tempo

Um trabalho que é mais que a beleza da imagem e som


Fotografias muito belas de Armando Jorge, música, arranjo, orquestração e interpretação de Chico Gouveia (sintetizadores), sobre um tema original de José Neves. A música enquadra bem a mensagem que as fotografias transmitem.
Rastos do Tempo pretende ser um singelo documento das ruínas do mundo rural português, mas também um aceno de esperança! Sim não percamos a esperança. No entanto essa esperança tem sido frustrada pela política que levou o país a uma situação de retrocesso enorme. Não basta a esperança, é preciso que tomemos consciência das causas desta realidade para que não caiamos nos mesmos erros. 
Os idosos retratados, que proporcionam as belas imagens, mostram nos seus rostos a dureza da vida que os marcou. Vida que não queremos para os nossos filhos ou netos. Esses exemplos merecem-nos essa atenção. 
Os jovens que no documentário, são o sinal da esperança, que têm um futuro à sua frente, um futuro que, inevitavelmente, terá que ser de luta para que os tempos não voltem ao passado retratado. Esperança que depende do que a geração presente lhes proporcionar e do que virão a aprender para terem vida melhor que os seus pais.
Apreciemos o trabalho de Armando Jorge e Chico Gouveia sem esquecer que as imagens são pessoas, com alegrias e sofrimentos, que representam vidas e lutas. 


25 de agosto de 2015

A Lei do Funil

A direita faz batota. Trapaceiros

A lei do funil é uma das principais leis porque se regem os políticos de direita. O lado largo do funil voltado para a direita e o estreito para a esquerda. 

Fazer batota, ou trapaça, significa usar de vantagem ilegítima ou indevida para ultrapassar parceiros ou competidores. Não cumprimento das regras de um jogo, de maneira que outro ou outros jogadores não se apercebam.

Em Comunicado, de ontem, 24 de agosto, de que se faz uma síntese, a CDU – Coligação Democrática Unitária – manifestou:
- a sua disponibilidade para estar presente, em pé de igualdade, nos debates e "frente a frente" com as forças políticas que estejam dispostas a participar.  Assim no "frente a frente" com a Coligação PSD/CDS em que participará o líder do segundo partido da coligação, a CDU participará também com o líder do segundo partido Heloísa Apolónia em representação do PEV.
Resumidamente, a CDU sublinhou:
 - Desde a primeira reunião, das três realizadas com a sua participação, o PCP manifestou inteira abertura e interesse na concretização de uma solução que assegurasse o conjunto de debates que permitisse o pleno esclarecimento e o desejável confronto de projectos e posicionamentos em discussão nas eleições legislativas de 4 de Outubro.
- É falso o que dizem o CDS e PSD, o PCP tenha vetado a participação do CDS nos debates.
- Para o PCP só são aceitáveis dois critérios objectivos:
 - o da participação nos debates de 4 candidaturas (CDU, PaF, BE e PS) ou,
- ou dos seis partidos com representação parlamentar (PSD e CDS, PCP e PEV, PS e BE).

Duma forma manhosa, desonesta, a coligação PSD/CDS-PP queria o privilégio de ter dois representantes e a CDU apenas um.
Qualquer pessoa honesta compreende que:
- Se a Coligação PSD/CDS quer ter dois representantes nos debates, por ter dois partidos, também a CDU deve ter dois representantes uma vez que também tem dois partidos, o PCP e o PEV.
Quem se opôs à solução de haver representantes dos partidos foram PS e BE que concorrem isolados.
Esclarecida a questão do número de representantes, por Coligação ou por Partidos, as televisões prepararam nova armadilha:
- Realizar programas “frente a frente” com Passos Coelho e António Costa, nos principais canais, deixando de fora os outros partidos que apenas falariam nos canais cabo, com muito pouca audiência.

No comunicado da CDU, recorda que a nova legislação sobre cobertura jornalística de campanhas eleitorais foi cozinhada entre PS, PSD e CDS contra os votos do PCP e PEV. No entanto os três partidos da troika aprovaram a legislação que está a dar estes problemas. Não acusem a CDU de querer um tratamento igual, lá porque eles tentam aplicar a Lei do Funil.

24 de agosto de 2015

Teoria da Conspiração

A censura dissimulada

Do blog Mundo Cão retirei as seguintes notas:
A «chamada teoria da conspiração, é uma maneira de colar o mesmo rótulo de descrédito em denúncias fundamentadas sobre assuntos importantes mal contados por quem nos governa…/… Trata-se de uma manobra insidiosa para invalidar o contraditório, para amarrar a opinião pública a uma explicação única e definitiva das coisas em vez de a por a reflectir sobre as realidades que nos cercam. É interessante, por exemplo, que haja jornalistas a colaborar nesta mistificação mesmo sabendo – ou devendo saber – que estão a enviar para o grupo dos aldrabões e lunáticos os seus camaradas de profissão que fazem o que têm a fazer: investigar, procurar verdades, sobretudo quando são escondidas».

De facto a facilidade com que se aplica o rótulo de “teoria da conspiração” mostra a cobardia de quem não tem argumentos e quer fugir ao debate dos assuntos.
Questões como «…o golpe na Ucrânia ter conduzido a um governo fascista, ou a possibilidade de o MH 17 não ter sido derrubado por um míssil russo, ou a circunstância de haver produtos comercializados pela multinacional Monsanto que envenenam pessoas e o planeta, ou a invasão do Iraque ter sido baseada num chorrilho de mentiras, ou o neoliberalismo existir e ter criado a crise como regime global…» são assuntos proibidos e censurados pela comunicação social. Proibidos e censurados porquê? Por isso mesmo. Por serem incómodos para quem os censura.

A pluralidade de opiniões
Quando Ford lançou a fabricação de automóveis em série, alguem lhe perguntou se se podia escolher a cor do carro.
Ele respondeu:
Qualquer um pode escolher a cor desde que seja o preto.

Alguns dos comentadores e politólogos da "cassete" do pensamento único. Na foto não se vêm as palas que têm no cérebro, 

Não sendo a censura feita da mesma forma que Salazar fazia, esta censura actual, na Televisão e na generalidade dos meios de comunicação, o que é facto é que tem exactamente os mesmos efeitos, esconder o que não lhes interessa mas, agora, de forma ainda é mais enganadora.
No fascismo ninguém, nem os próprios fascistas, escondiam que havia censura. Por isso, quando líamos um jornal estávamos prevenidos. Agora nesta chamada “democracia”, onde a maioria das liberdades têm que ser compradas por muito dinheiro, a censura, a manipulação das ideias, a deturpação e omissão dos factos, está escondida por uma falsa capa de liberdade de informação. E quando alguém quer fazer uso da sua liberdade e direito de pôr em dúvida, essas “verdades” falsas, logo é apelidado de promotor da “teoria da conspiração” e, o mais grave, é silenciado sem que tenha oportunidade de demonstrar a sua "teoria".

 «Quando exercícios deste tipo se realizam com a participação de centrais de propaganda como por exemplo as que servem as estratégias desenhadas pelo Grupo de Bilderberg percebe-se que neles nada há de inocente. Tais órgãos justificam, nesta matéria, o porquê de se auto intitularem “meios de referência”. De facto, basta-lhes seguir o rasto para se conhecerem, passo a passo, as tendências dominantes de quem segue as regras de manipulação e intoxicação dos cidadãos ao serviço do regime único».

O país vai muito bem, o mundo nunca esteve melhor e, quem disser o contrário é “conspirador” e usa a “teoria da conspiração.

O artigo de onde foram retiradas as notas assinaladas, pode ser visto aqui.

17 de agosto de 2015

Assange -a história de uma luta pela justiça

A farsa das democracias

Adaptado de um documento de John Pilger

Um recente artigo de John Pilger, publicado (aqui) mostra as violações sistemáticas à lei, às Constituições de países como o EUA que se auto proclamam Democráticos. Refere como exemplos o cerco à Embaixada do Equador em Londres em Knightsbridge [NR] «é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu apenas para ostentar o poder do estado. Já custou £12 milhões». é a caça a «um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano». O seu “crime” foi ter denunciado os crimes monstruosos dos EUA em especial no Afeganistão e no Iraque: «a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado incisivamente pela fuga dos seus telegramas diplomáticos».

Tal como em relação a outros que denunciaram crimes igualmente repugnantes e revelaram documentos secretos «Assange está numa “Lista de alvos humanos a caçar”».

Para impedir a defesa de Assange, os EUA têm inventado as mais torpes acusações e classificaram este caso de "segredo de estado". Assim «o tribunal federal em Washington impediu a divulgação de toda informação acerca da investigação»- O mesmo aconteceu no processo contra a WikiLeaks. Esta técnica de violar as leis e a justiça, foi também usada contra o soldado Chelsea Manning e contra os presos ainda mantidos ilegalmente na odiosa prisão de Guantánamo.


Depois de uma demonstração exaustiva dos atropelos à lei para condenar Assange, John Pilger, refere «a perspectiva de uma grotesca perversão da justiça estava submersa numa campanha de vitupérios contra o fundador da WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, viciosos e desumanos foram lançados contra um homem não acusado de qualquer crime».

Depois de uma teia de artimanhas e ilegalidades, John Pilger refere que «A decisão do Equador em 2012 de proteger Assange floresceu num grande tema internacional. Muito embora a concessão de asilo seja um acto humanitário, e o poder de concedê-lo seja desfrutado por todos os estados sob o direito internacional, tanto a Suécia como o Reino Unido recusaram a legitimidade da decisão do Equador. Ignorando o direito internacional, o governo Cameron recusou-se a conceder a Assange passagem segura para o Equador. Ao invés disso, a embaixada do Equador foi colocada sob cerco e o seu governo abusado com uma série de ultimatos. Quando o Foreign Office de William Hague ameaçou violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, advertindo que retiraria a inviolabilidade diplomática da embaixada e enviaria a polícia em busca de Assange, o ultraje por todo o mundo forçou o governo a recuar. Durante uma noite, a polícia apareceu às janelas da embaixada numa tentativa óbvia de intimidar Assange e seus protectores».

«Durante três anos o Equador deixou claro ao promotor sueco que Assange está disponível para ser interrogado na embaixada em Londres e durante três anos ela permaneceu intransigente» exigindo que seja Assange a deslocar-se para, evidentemente, ser preso.

«Assange contestou o mandato de prisão nos tribunais suecos. Os seus advogados citaram decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de que ele tem estado sob detenção arbitrária, indefinida, e de que tem sido um prisioneiro virtual por mais tempo do que qualquer sentença real de prisão que pudesse enfrentar. O juiz do Tribunal de Recurso concordou os advogados de Assange: a promotora havia na verdade violado o seu dever ao manter o caso suspenso durante anos. Um outro juiz emitiu uma repreensão à promotora. E ainda assim ela desafiou o tribunal.»

John Pilger termina o seu extenso relato de acontecimentos chocantes para quem defenda a justiça, com a denúncia de que «Em 2008, uma guerra à WikiLeaks e a Julian Assange foi prevista num documento secreto do Pentágono preparado pelo Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. Ele descrevia um plano pormenorizado para destruir o sentimento de “confiança”, o qual é o “centro de gravidade” da WikiLeaks. Isto seria alcançado com ameaças de “revelação [e] processo criminal”. O silenciamento e criminalização de uma fonte tão rara de verdades era o objectivo, o enlamear era o método. Enquanto este escândalo continua a própria noção de justiça é diminuída, bem como a reputação da Suécia». Dito de outra forma o poder do imperialismo ameaça todos os que se lhe oponham.

10 de agosto de 2015

Pela Paz. Fim às armas nucleares

As razões dos criminosos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki

Os bombardeamentos no Japão com bombas tradicionais atingiram 67 das maiores cidades japonesas. Em Tóquio, a chamada Operação Capelas, entre 9 e 10 de março, matou cerca de 100 mil pessoas numa única noite. Depois de bombardeadas as maiores cidades, em 1945, os estrategas norte americanos decidiram prosseguir os bombardeamentos nas outras cidades com populações que variavam de 60 mil a 350 mil habitantes. Esses ataques foram realizados com bombas tradicionais e muito bem sucedidos segundo os critérios dos militares.
Dois tipos de bombas a experimentar
Dois tipos de bombas foram elaborados por cientistas e técnicos do Laboratório Nacional de Los Alamos, sob a liderança do físico norte-americano J. Robert Oppenheimer. A bomba de Hiroshima, conhecida como Little Boy, com base no Urânio-235 e uma outra que veio a ser experimentada em Nagazaki, mais poderosa e eficiente, mas mais complicada, com base no Plutónio-239. A primeira tinha sido testada em 16 de julho de 1945, perto de Alamogordo, Novo México.
Em abril de 1945, foi decidido analisar os alvos para o lançamento das bombas. Foram indicados cinco: Kokura, Hiroshima, Yokohama, Niigata e Kyoto com os seguintes critérios:
O alvo teria que ser maior do que 4,8 km de diâmetro e ser um alvo importante em uma grande área urbana;
A explosão teria que criar dano efetivo;
O alvo teria que ser um local improvável de sofrer ataques em agosto de 1945.
Essas cidades foram intocadas durante os bombardeios noturnos pois as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos decidiram deixá-las fora da lista-alvo para que uma futura avaliação da bomba atómica pudesse ser feita com maior rigor.
Hiroshima foi considerada um bom alvo pois tem um tamanho tal que uma grande parte da cidade poderia ser amplamente danificada. Há colinas adjacentes que são susceptíveis a produzir um efeito de focagem que iria aumentar consideravelmente os danos explosão. Considerou-se que os fatores psicológicos na seleção de alvos eram de grande importância, não só para o Japão mas também que fosse suficientemente espetacular para a importância da arma a ser reconhecida internacionalmente.

Hiroshima
Hiroshima era o alvo principal da primeira missão de bombardeio nuclear em 6 de agosto, sendo Kokura e Nagasaki como alvos alternativos. Nenhum aviso foi dado a Hiroshima que uma nova e muito mais destrutiva bomba ia ser lançada, embora tivessem sido lançados folhetos entre 3 e 27 de Julho. Um dos folhetos enumerava doze cidades-alvo de bombardeios: Otaru, Akita, Hachinohe, Fukushima, Urawa, Takayama, Iwakuni, Tottori, Imabari, Yawata, Miyakonojo e Saga. A cidade de Hiroshima não estava na lista. No momento do ataque, com a bomba atómica, em 6 de Agosto de 1945, a população era de 340 a 350 mil pessoas.

Nagasaki
Em 9 de Agosto foi decidido lançar a segunda bomba de um outro modelo com base no Plutónio-239, ainda não experimentado. No dia do atentado, cerca de 263 mil pessoas estavam em Nagasaki, incluindo 240 mil residentes japoneses, 10 mil moradores coreanos, 2,5 mil trabalhadores coreanos recrutados, 9 mil soldados japoneses, 600 trabalhadores chineses recrutados e 400 prisioneiros de guerra aliados.

As razões
É concensual entre os amantes da Paz que não se justificava este massacre de populações civis como refere o Apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação publicado ontem dia 9 neste blogue. Ali e no artigo do Jornal Avante, estão fundamentadas as razões. Contudo, muitos intelectuais, continuam a debater o assunto, em torno de uma falsa questão que é saber se a bomba era necessária para derrotar o Japão já derrotado. Os americanos continuam a defender que as bombas salvaram muitos americanos e Churchill que as bombas salvaram um milhão de norte-americanos e metade desse número de vidas britânicas.

O Japão já estava derrotado
Na altura em que os Estados Unidos lançaram sua bomba atómica sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, a União Soviética tinha declarado guerra ao Japão e lançado um ataque surpresa com 1milhão e seiscentos mil de soldados contra o Exército de Guangdong na Manchúria. "A entrada soviética na guerra", observou o historiador japonês Tsuyoshi Hasegawa, "desempenhou um papel muito maior do que as bombas atómicas em induzir Japão a render-se, porque exisitia alguma esperança de que o Japão poderia terminar a guerra através da mediação de Moscovo".
As intenções sempre foram outras
Quem for sério nestas avaliações, verifica facilmente que muito antes da bomba ser lançada já havia a intenção dos Estados Unidos imporem uma supremacia internacionalmente e em especial em relação à União Soviética. Na verdade, as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki serviram para afirmar a hegemonia militar dos EUA, como potência imperialista no mundo. 
Estas práticas já vêm de longe
Essa determinação totalitária tem sido afirmada nas constantes guerras, na intromissão na política de Estados independentes e no provocar de guerras civis com o auxílio do terrorismo que criam, e apoiam quer financeiramente quer com armamento. Nos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki morreram centenas de milhar de pessoas e mais de cem mil ficaram afetadas para o resto da vida. Nas muitas guerras pela supremacia militar, económica que os Estados Unidos provocam em vários pontos do planeta, desde o Vietnam passando pelo Chile, Africa e Médio Oriente, mostram o que é o imperialismo. A luta dos povos pela Paz é um imperativo. 

Grande parte deste texto foi elaborado com base nas informações recolhidas em documentos em especial na Wikipédia  ver
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki

9 de agosto de 2015

Nunca Mais!

70 anos dos bombardeamentos nucleares contra Hiroxima e Nagasáqui


Pela sua importância e significado para os dias de hoje, quando os Estados Unidos da América espalham a guerra no mundo e desenvolvem as mais terríveis armas para mostrar a hegemonia do seu poder imperialista, publicamos o veemente apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação:

Assinalam-se, a 6 e 9 de Agosto respectivamente, 70 anos sobre os bombardeamentos nucleares, pelos Estados Unidos da América, contra as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Nesta data, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) lembra o acto de barbárie cometido contra populações indefesas num momento em que o império japonês já se encontrava militarmente derrotado, na frente terrestre na Ásia e na frente aéreo-naval do Pacífico, e se havia iniciado o processo da sua capitulação às Forças Aliadas.

Os bombardeamentos atómicos das duas cidades japonesas – sem qualquer importância para o desfecho da guerra – constituíram acima de tudo uma aterrorizante demonstração de superioridade militar por parte dos EUA. Pela sua própria natureza, a arma atómica não tem como destino a utilização na frente de batalha, mas sim as populações civis e os centros urbanos e industriais.

Para além das 250 mil mortes provocadas no imediato, e nos dias subsequentes, os bombardeamentos atómicos deixaram uma herança de sequelas graves nas populações vizinhas: a proliferação de doenças cancerígenas e malformações genéticas, que persistem hoje, sete décadas passadas, atribuídas à exposição às radiações ionizantes e às substâncias radioactivas.



Aterrorizados com este que foi, sem dúvida, um dos maiores crimes alguma vez perpetrados, os povos do mundo uniram-se para que tal tragédia não voltasse a acontecer, fazendo do Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares (lançado em 1950) uma gigantesta manifestação contra as armas nucleares. Essa causa mantém hoje flagrante actualidade, tendo em conta que o actual arsenal de armas nucleares é infinitamente maior e mais poderoso, a utilização destas armas significaria a destruição da espécie humana e da civilização.

Num momento em que muitos milhões de seres humanos são confrontados com a regressão das suas condições de vida e dos seus direitos, as despesas militares mundiais atingiram, em 2014, qualquer coisa como 1,8 biliões de dólares, parte considerável dos quais canalizados para a manutenção e modernização de armas nucleares.

Reafirmando o seu compromisso com a construção de um mundo de justiça e paz o CPPC presta homenagem às vítimas das armas nucleares lançadas em Hiroxima e Nagasáqui, e exige:
  
-Que nunca mais se repita o holocausto nuclear;
  
-A abolição das armas nucleares e de extermínio em massa e o desarmamento geral e controlado;
  
-O cumprimento das determinações da Constituição da República Portuguesa e da Carta das Nações Unidas, em respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados e igualdade de direitos dos povos. 

8 de agosto de 2015

Cenoura murcha

A história do burro e da cenoura revisitada

O comunicado do Sindicato dos Médicos, com o título acima começa assim:
"Não é difícil ver quem se pretende que seja o burro nesta história"

"Os médicos de família já estão no limite da sua capacidade de oferecerem cuidados de qualidade aos seus doentes.


Segundo informações nos jornais, Paulo Macedo quer dar mais dinheiro aos médicos, cerca de 350 euros líquidos, para que aceitem alargar as suas listas de utentes. Isso significa que os médicos de família que estão já sobrecarregados venham a ter entre mais de 2300 a 2800 doentes para atender. Significa ainda que as consultas que se exigem aos médicos não ultrapassem os 15 minutos sejam reduzidas para cerca de metade do tempo. As noticias dizem que o Governo vai avançar com esta medida à revelia dos sindicatos que alertam que os médicos, "a serem iludidos por esta cenoura murcha e desbotada", vão prejudicar qualidade dos cuidados de saúde aos doentes.
As exigências da limitação dos tempos de consulta são uma indignidade quer para utentes que têm direitos, quer para os médicos que devem defender a ética inerente à sua profissão.


Imagem retirada de WEHAVEKAOSINTHEGARDEN

7 de agosto de 2015

O que a Televisão esconde dos portugueses

Quatro exemplos entre mil

1) Mais 500 mil emigrantes, ou seja a sangria do País em mais dez por cento da sua população activa e a desertificação humana equivalente a mais um distrito como o de Leiria;

2) Mais 800 mil pobres, a fazer passar esta cifra da vergonha dos dois milhões e setecentos mil que já hoje temos para os três milhões e meio (mais de um terço da população na pobreza);

3) Mais 500 mil desempregados. A fazer subir o desemprego para valores próximos dos dois milhões;

4) Mais 50 mil milhões de euros sobre a nossa dívida pública, a passar dos actuais 130,2 por cento para cerca de 160 por cento do PIB.

e muito mais
para ver aqui e nas outras páginas

5 de agosto de 2015

A pátria em acentuada decadência

Ainda há quem lute e não desista

No passado 31 Julho, Baptista Bastos escreveu no Jornal de Negócios uma crónica, que é importante conhecer.
Começa B.B. por acentuar o papel de desinformação da nossa Comunicação dita Social. «Se quiser saber o que realmente ocorre, tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo». 

O colonialismo ideológico

A esse propósito também o Papa Francisco disse que «A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico». Por muito que "comentadores e politólogos" tentem disfarçar, são eles próprios, que o confirmam pelas constantes mentiras com que procuram defender esta política, de direita. Muito mais disse o Papa. Por isso, não agradou a esta direita que coloniza os meios de comunicação. Os jornais e a Televisão escondem tanto quanto podem, quem, contra corrente, tem a coragem de dizer a verdade.

A realidade não pode ser desmentida

Por isso não estranhamos que, um estudo da Marktest sobre o tempo de antena dado pelos maiores canais de televisão, tenha mostrado que «os comunistas são, entre todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Partido Ecologista Os Verdes, os que menos ocupam as atenções mediáticas». Por outras palavras: Os comunistas, como outros já referidos, incomodam, agitam as águas podres deste charco em que esta política de direita, há 39 anos vem transformando o país. Muito gostariam os colonizadores que não existisse o Partido Comunista, nem que homens sérios "colocassem a boca no trombone" uma vez que os microfones e câmaras de Televisão já a Censura do poder controla.

Adormecimento e pensamento único

Baptista Bastos não é "um qualquer" como os que vão à Televisão fazer o frete ao governo. Baptista Bastos não rasteja aos pés dos "colonizadores" - para utilizar as palavras do Papa - como rastejam os sabujos, os repugnantes seres, sem espinha dorsal, que lambem as botas dos seus patrões donos dos Orgãos de Comunicação Social, a troco de umas benesses. B.B. aponta «O universo de embuste criado com o "empobrecimento" da população; a "austeridade" imposta por uma ideologia que ignora as características, a cultura e a História do país». Mostra a «apatia de desistência», planeada, para que este povo se vá habituando a ser explorado sem refilar. Tal como no fascismo, Batista Bastos evidencia que faz parte desta política de direita o adormecimento das mentalidades. Para isso, estes colonizadores, com a cumplicidade dos que dizendo-se de esquerda, sempre abriram o caminho à direita, inoculam os analgésicos «o fetiche do futebol; as revistas cor-de-rosa» acompanhado das drogas que Televisões e Jornais injectam a toda a hora nos portugueses que ainda procuram conhecer o que se passa neste país e no mundo.

Os que não se vergam

Para quem a verdade é um valor, como diz Baptista Bastos «É penoso ler a imprensa dita de "referência", estafada em desaforar o leitor dos grandes problemas nacionais e internacionais». Dá como exemplo o caso da Grécia e o que tem sido dito, para concluir «No ponto da situação, há uma luta de classes e de poder que pode arrastar a Europa para um abismo profundíssimo. A questão é que deixou de existir analistas que, pedagogicamente, explicassem o que está em jogo, e os perigos decorrentes de uma Europa atrozmente desunida, que não passa de uma cabisbaixa serventuária da Alemanha». "Sem papas na língua" e com lucidez, B.B. termina a sua crónica dizendo: «Na discórdia europeia, Passos Coelho colocou-se, obediente e sabujo, ao lado de Angela Merkel, tal como, anteriormente, o fizera José Sócrates. Nesta parada de serviçais, não o esqueçamos, o único partido que sempre recalcitrou foi, e tem sido, o PCP. Goste-se ou não, os comunistas portugueses têm pelejado contra a subserviência dos nossos governos e alertado para a urgente necessidade de Portugal sair desta Europa defeituosa. Nada desta problemática é tratada, com a seriedade exigida, pelos órgãos de comunicação sociais. Se quiser saber o que realmente ocorre tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo. Este reino cadaveroso está envolvido num lamaçal de condescendências e de cumplicidades, que afecta a própria alma do que somos. "Um fraco rei faz fraca as fortes gentes", disse-o o Poeta, melhor do que ninguém».

Não deixemos que enfraqueçam a força do povo e, por todos os meios ao nosso alcance, façamos com que a Comunicação dita Social, não continue a deformar as nossas consciências. Comuniquemos!

1 de agosto de 2015

O "custo" futuro desta política de direita.

39 anos a destruir. Quantos serão precisos para recuperar o país?

Falam os entendidos que a redução do desemprego para os níveis de antes desta crise, vai demorar vinte anos. Acabar com o desemprego nem sequer é suposto. O desemprego é necessário ao capitalismo para manter os trabalhadores sempre ameaçados.
Graças a esta política de direita, Portugal é dos países com maior índice de pobreza da Europa.  As crianças têm sido o grupo populacional mais afetado.
Quantos anos vão ser precisos para reduzir a fome e a pobreza?

Um Balanço entre muitos outros

Tal como a pobreza, a destruição do ensino público são fatores principais que comprometem o futuro da nossa sociedade.
Estes quatro anos de governação do PSD/CDS, seguiram-se a outros do PS, de ataque à Escola Pública e à Educação em geral, em desrespeito pelos direitos dos portugueses consagrados na Constituição da República.
Num relatório que faz o balanço da Legislatura(1), o Grupo parlamentar do PCP aponta que «o Governo PSD/CDS impôs cortes superiores a dois mil milhões de euros no ensino não superior, colocando Portugal na cauda dos países da OCDE em financiamento da educação pública. Foram encerradas centenas de escolas públicas, foram despedidos professores, foram cortados salários aos docentes e aos trabalhadores não docentes» a ponto de criarem o caos em muitas áreas.

Ensino de qualidade, só para os ricos

Muito grave, e anticonstitucional, é a «A elitização do ensino levada a cabo pelos partidos da política de direita».

«Nas opções políticas e ideológicas dos partidos da política de direita a escola pública, será uma escola desqualificada (...) para a generalidade das crianças e jovens. Já para os filhos da média e grande burguesia, defendem uma a resposta privada, de elevada qualidade» mas só acessível aos que têm capacidades económicas elevadas. 
Assim, os ricos e a classe no poder, poderá ter acesso a «conhecimento nos seus níveis mais desenvolvidos» e a «competências de “liderança” que interessam ao grande capital, fielmente servido pelos partidos que se têm alternado no governo há mais de 39 anos»
É incalculável o desperdício de capacidades que muitos filhos de trabalhadores têm, para que só os ricos possam permanecer nos cargos de poder.

Quantos anos vão ser necessário para o país se recompor destas políticas de direita?

(1) O relatório que li em Pdf relativo à "Educação" tem 61 páginas A4, das quais 59 são o Índice de Projectos Lei, de Projectos Resolução, Apreciações Parlamentares, Intervenções, Declarações, Pedidos de Esclarecimento e Perguntas. Para quem tenta fazer crer que o PCP só faz oposição e não tem propostas, convenhamos que é uma relação enorme.

28 de julho de 2015

30 anos em rodagem

O trampolim do Marketing

0 Expresso publicou, revista-2230, um artigo que considero de grande interesse analisar. É um trabalho importante de Ângela Silva sobre a vida do político Cavaco Silva. “30 anos em rodagem”. Não devemos desconhecê-lo. (Ver aqui) 
Este trabalho de Ângela Silva mostra como se fabrica um político que, defendendo interesses contra o povo, contra o país, consegue que o povo e o país o elevem a Presidente da República e o mantenham nos píncaros da política durante 30 anos.


O bom aluno


Isto deve levar-nos a reflectir no que falta a políticos que defendem o povo e o país para que, não consigam o suficiente para que, este povo e este país, reconheça os erros que têm cometido ao eleger quem não os defende.
Leva-me também a reflectir no poder que, as técnicas da comunicação e outras ciências como o marketing político podem ter para que prevaleça a mentira sobre a verdade.

A transformação da mentira 


Por último fico a pensar que, sendo mais fácil convencer com a verdade do que com a mentira, o que é que nos falta para que não sejamos capazes de mostrar ao povo, tantas vezes enganado, quem, verdadeiramente, defende os interesses que os outros, mentido com habilidade, dizem defender?

Sabemos que a direita têm o controlo da Comunicação dita Social. Sabemos que a cultura "das massas" tem sido adulterada por preconceitos transmitidos ao longo de gerações. Mas também sabemos que a mentira “tem perna curta” e, mesmo com as ajudas de trampolins da Comunicação Social e Marketing, a verdade pode ter muita força se for devidamente transmitida.

Como amantes da verdade, mas também do progresso, da Técnica e da Ciência, utilizemo-las com inteligência, com assertividade e eficácia.  Isso também se aprende. Num combate tão desigual não cultivemos a ignorância nem utilizemos pedras ou fisgas, para combater espingardas.

Ainda mais dois destaques do trabalho de Ângela Silva:

Como tudo começou, sempre as ajudas do PS...
... e como acaba


17 de julho de 2015

As Palavras e os Fatos

Portugal e as soluções europeias

A Televisão continua a querer formatar os cérebros dos portugueses. Em mais de 90% das informações e dos comentadores que escolhe, considera que apenas existem três partidos em Portugal. São os partidos das "soluções europeias", mais conhecidos pela troika portuguesa.
A justificação que esses atores dão, é que apenas esses partidos são do “arco da governação” ou como agora dizem “o PCP e o BE colocam-se fora de qualquer solução governativa”. E como dizem isso, sem respeitar a vontade do povo português, quer antecipando o resultado das eleições, quer ditando o que é “solução governativa”, tudo fazem para que esses partidos não contem, não sejam ouvidos.

A censura encapotada

Nos debates quase que só falam da disputa entre PS e PSD, ainda que a política não seja muito diferente. E assim vão roubando aos portugueses a informação de outras propostas e outras soluções para a política em Portugal.
E, nos debates que promovem evitam que esteja algum comunista para desmentir as suas afirmações.
Explicam também que a solução governativa é a que é ditada pela troika. Na Grécia o povo, quer nas eleições, quer em referendo mostrou que não quer mais essas “soluções governativas”. Então porque é que a televisão e os comentadores que escolhe, não aceitam democraticamente que o povo português venha a rejeitar essa “solução governativa”?
Vejamos então o que tem sido a “solução governativa” do PS, PSD e CDS (os tais que eles dizer do “arco do poder”.

Das palavras e dos atos passemos aos fatos

Essa “solução governativa” que defendem esses partidos conduziu Portugal para os níveis do século passado.
O estudo «Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas», revela que o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia. E os autores do estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres, são insuspeitos quanto à sua ligação justamente aos partidos chamados do “arco do poder” que governam Portugal há 38 anos.

Agricultura e indústria destruídas

Esse mesmo estudo revela muitos outros dados que o PCP e o BE, (os tais que estão fora da solução governativa que a Televisão e os comentadores classificaram sem esperar pela expressão da vontade do povo português), já tinham apontado sem que isso fosse devidamente divulgado. Revela também que desde a integração europeia, a nossa indústria caiu dez pontos percentuais, e a agricultura em geral passou de oito por cento, em 1986, para apenas dois por cento actualmente.
O estudo informa ainda que a degradação das condições de trabalho, subiu em 50% relativamente a 1986 com o número de precários de 700 mil. Por isso, reconhecem eles, a precariedade do trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da União Europeia e, a emigração ocupa o primeiro lugar, com mais de cinco milhões de portugueses que tiveram que abandonar o país para trabalhar fora.

Os portugueses trabalham pouco?

Creio estar estafada a acusação de que os portugueses trabalham pouco. No entanto não é demais referir que o estudo feito revela que Portugal é um dos países da OCDE com mais horas de trabalho em 2014. Os trabalhadores portugueses têm vindo a aumentar as horas de trabalho, muitas vezes sem as receber, embora o desemprego se mantenha num dos mais elevados. Os portugueses trabalham mais 486 horas anuais do que os alemães e menos 185 horas do que os gregos. Justamente os países que são mais explorados nesta “Europa da Coesão Social”.

A verdade começa a vir ao cimo

Todos sabemos, e eles também, que a Televisão influencia muito a forma de pensar do povo. Por isso o esforço que fazem para silenciar, para evitar que algum comunista vá à televisão defender os seus pontos de vista. É esta a sua democracia e a democracia deste sistema que tem na mão quase todos os meios de comunicação. Contudo tenho vindo a verificar que nos jornais, muitos jornalistas já se atrevem a defender soluções e opiniões que a Televisão considera estarem fora das soluções governativas. Tenho lido muitos artigos que, finalmente reconhecem a razão de muitos dos avisos que o PCP tentou lançar, mas na maioria cortados pela “censura”. Alguns já aqui foram reproduzidos, de tempos de antena que a Televisão não pôde cortar.

16 de julho de 2015

Avisos

O que a vida nos ensina

A Grécia tem-nos permitido aclarar as análises políticas feitas há muito tempo. Desde Marx até aos dias de hoje.
Bons artigos têm sido publicados. Não devemos perdê-los. Para alguns confirmam as previsões e os avisos feitos. Para muitos outros podem servir para lhes mostrar uma realidade que não queriam admitir. Todos aprendemos.
Para além das referências feitas em “Quem te avisa teu amigo é”, aponto agora um outro aviso de Sérgio Ribeiro “Com vossa licença” feito no seu blogue.
De entre os muito artigos que estão à nossa disposição aponto: "A crise Grega demonstra que a alternativa ao sistema capitalista passa pela Revolução" do sempre marcante Miguel Urbano Rodrigues, e "Este texto não é sobre a Grécia", de Miguel Tiago. Muitos outros serão também importantes mas não os refiro porque ou os não li e, outros que li poderiam, se referidos, acentuar inevitáveis discriminações. Procurem-nos.


15 de julho de 2015

Isto é um golpe!

Colunistas dos mais influentes jornais internacionais mostram-se muito críticos do acordo alcançado entre a Grécia e os credores.

“Esta lista de exigências do eurogrupo é uma loucura. A hashtag dominante #ThisIsACoup está exatamente certa. Isto vai para além da rispidez, para ser puramente vingativo, uma destruição completa da soberania nacional, e sem esperança de alívio. É, presumivelmente, feito para ser uma proposta que a Grécia não pode aceitar; mas ao sê-lo, é uma traição grotesca de tudo o que o projeto europeu supostamente devia representar”, diz Paul Krugman.

No Financial Times, Wolfgang Munchau põe o dedo na ferida que acusa “Um Estado membro a forçar a expulsão de outro. Este foi o verdadeiro golpe durante o fim de semana: não apenas a mudança de regime na Grécia, mas também a mudança de regime na zona euro”.

Os banqueiros e grandes capitalistas dominam a "União Europeia" através dos seus servidores

A festa depois de terem conseguido roubar mais o povo

Em vários jornais internacionais, as críticas às imposições feitas pelos líderes da zona euro ao Governo da Grécia merecem repúdio.

Os comentadores referem que “ao forçar Alexis Tsipras a uma humilhante derrota, os credores da Grécia fizeram bem mais que forçar uma mudança de regime na Grécia ou colocar em perigo as suas relações com a zona euro”.

Para Munchau, o que aconteceu foi mais do que isso: “Eles destruíram a zona euro tal como a conhecemos e demoliram a ideia de uma união monetária como um passo para uma união política democrática”.

Paul Krugman concorda, salientando que “o que aprendemos nas últimas semanas é que ser membro da zona euro significa que os credores podem destruir a tua economia se não te portares bem”. E este "portar bem" significa continuar a roubar o povo.

O que acontece na Grécia

Lições que temos que aprender

Cada vez mais se reforça a convicção de que, com esta “união europeia”, não é possível resolver a crise que o capitalismo criou. A austeridade que a EU está a impor à Grécia, a Portugal e a outros países visa exclusivamente ir buscar dinheiro aos povos, aos trabalhadores, para o transferir para os Bancos dominados pelo grande capital financeiro.
A Grécia, por ser o país onde a crise mais se adiantou em relação a outros, mostra-nos o caminho que, cedo ou tarde, nos espera.
E o caminho para servir o povo não passa por Bruxelas. É o povo que terá que o abrir.

nem se constrói com salamaleques



Os planos coloniais

Numa primeira fase os grandes banqueiros que, apesar de se concentrarem na Alemanha, não têm pátria, acenaram-nos com a cenoura dos subsídios e “empréstimos” para pôr os países mais atrasados em igualdade com os mais avançados. Diziam ser a Europa da solidariedade. Era, na realidade, mais um passo no programa do imperialismo para dominar os povos.
Esses subsídios e empréstimos visavam, em especial, destruir a nossa economia já frágil, para comprarem por tuta e meia empresas que produziam. Visavam, e conseguiram, destruir as nossas actividades da Pesca, da Agricultura e Indústrias. Paralelamente passaram a vender-nos o que deixamos de produzir.
Com os empréstimos e os chamados subsídios para o nosso desenvolvimento, levaram-nos a fazer estradas e obras de grande envergadura, obras não produtivas, mas que permitiram negócios fabulosos em especial para a Alemanha. Para as fábricas e outros meios de produção, não vieram subsídios.
Recordemos os avisos como os aqui publicados em texto anterior.

Consolidação da dominação

Depois de estarmos bem endividados, credores e “mercados”, passaram a mandar em nós. E esse mandar foi feito por etapas para não dar nas vistas. Graças aos seus agentes colocados em Portugal e noutros países, representados pelos governos, impediram que o povo se pronunciasse em referendo sobre os Tratados que assinaram. A dependência económica foi-se consolidando por tratados e leis que esses governos de direita assinaram em nome do povo.
Assim esses “mercados”, esses bancos, montaram o maior negócio de sempre, com o dinheiro de quem (o) produz. E quem o produz fica em dívida.
Esta Europa não é dos europeus! É a Europa dos grandes banqueiros dos grandes capitalistas.
Chegamos aos dias de hoje com uma Grécia a caminho de ser uma colónia da Alemanha. Portugal caminha na mesma direcção. Tudo o que era nosso foi vendido. Pouco nos resta.
Em 38 anos de governos do PS do PSD e do CDS, esses partidos armadilharam a nossa economia e destruíram o nosso futuro.


"austeridade" para quem?

A solução que nos impõem é aceitar mais “austeridade” ou, traduzindo, transferir dinheiro do povo, das pensões, dos salários, dos impostos, para os seus bancos chamados “mercados” que passaram a ser chamados credores para legitimarem o negócio leonino que fizeram e a quem ficamos a dever cada vez mais. Ficamos a dever e ainda agradecemos o que nos fizeram. É a isto que eles chamam “austeridade”.
Os governos PS, PSD e CDS assinaram tratados com esses grandes capitalistas, e contraíram as  dívidas que nos amaram, dívidas para todos nós pagarmos. Aqui, na Grécia, como na Espanha e outros países. Quando ouvimos Passos Coelho a defender a Alemanha e a condenar a Grécia ouvimos o que ele diz para os portugueses: “Temos que aceitar, temos que ser mansos”. Aceitar o poder dos ricos que enriqueceram a nossa custa porque governos PS, PSD e CDS assim o permitiram e ajudaram.
Eles, todos, os grandes capitalistas e os governos e partidos que os servem, sabem bem que a dívida contraída é impagável. A eles isso não importa. O que é preciso é receber os juros que valem muito mais que a dívida.  O que é preciso é ir recebendo cada vez mais enquanto o povo aguentar. E aguenta, aguenta, dizem.