30 de dezembro de 2014

UM ZOO HUMANO - Miguel Urbano

A selva de corrupção e prepotência em que o país, arruinado, vegeta 

O Diário.info publicou um texto de Miguel Urbano Rodrigues, fundamental para abanar a imobilidade de muitos. 
Miguel Urbano caracteriza a política de direita dando o exemplo da «tentativa de impedimento do direito à greve na TAP» referindo que «a questão já não é apenas a ostensiva ilegalidade. É a utilização, tal como nos tempos do salazarismo, do argumento das "motivações ideológicas" da greve». Concluindo que «Este bando fascizante torna o país irrespirável».

Mostra, Miguel Urbano, o ridículo da arrogância, do absurdo, fascizante «Passos, Portas & Companhia ignoram a Constituição e as leis da República e, invocando "o interesse nacional" para imporem ao país «medidas brutais que o empobrecem cada vez mais».

«A destruição do aparelho produtivo e a ofensiva contra a função pública e a classe média é devastadora. Arruinou Portugal sem atingir os objectivos. As dívidas interna e externa subiram brutalmente, excedendo muito o PIB, que caiu. O desemprego atingiu um patamar sem precedentes. Com uma peculiaridade: a "austeridade" que empobreceu o povo trabalhador contribuiu para o enriquecimento daqueles que o exploram» apontando «Soares dos Santos, Amorim, Belmiro, aos banqueiros e outros magnates que são os donos de Portugal» e muitos outros que «exibem com despudor fortunas colossais que amontoaram em tempo mínimo» e como consequência «A miséria alastra pelo país, a fome é já uma realidade em milhares de famílias».

Por outro lado os escândalos, rotineiros, «Envolvem a banca, as privatizações, as chamadas parcerias público-privadas, as escuras negociatas de políticos e empresários, as fraudes de aventureiros instalados pelo governo em postos-chave da Administração Pública. O regabofe asfixia e humilha o país».

Portas «Recolheu das cinzas um partidinho de saudosistas do fascismo e fez dele o apêndice do PSD que lhe garante a maioria no Parlamento». É «um farsante perigoso que tripudia sobre a ética política, envolvido em compromissos escuros, negócios sujos (submarinos) e ligações perigosas (uma universidade fantasmática)».

Caracterizando o Zoo, Miguel Urbano refere «A terceira figura do bando que desgoverna Portugal» a ministra Maria Luís Albuquerque, que «Difere do chefe e dos colegas pela suavidade das falas». 
«O ministro da Economia é o rosto de uma ultra-direita mascarada» referindo as suas declarações sobre a requisição civil imposta pelo governo para neutralizar a greve da TAP «lembram as de alguns ministros de Salazar». Outro membro do Zoo é Montenegro, o líder da bancada parlamentar do PSD, «imagem da direita cavernícola».

Miguel Urbano aborda o papel da Comunicação Social e a desinformação. Diz «O sistema mediático é controlado pelo grande capital. O noticiário nos jornais de "referência" é mau, mas a reflexão sobre a política do Executivo é muito pior».
«Os comentadores e politólogos – quase todos políticos reaccionários – competem na tarefa de ocultar a realidade social politica e económica». Sobre esta questão penso, em breve, fazer uma abordagem mais pormenorizada. Miguel Urbano alarga a sua destemida análise a muitas outras figuras do Zoo que actuam na «selva de corrupção e prepotência em que o país, arruinado, vegeta»

Como resultado do controlo dos órgãos de comunicação, e em termos de conclusões Miguel Urbano lembra que a «definição que Marx nos ofereceu da "alienação" ajusta-se bem à atitude de uma ampla faixa da população que não está ainda preparada para transformar o protesto em luta organizada, acompanhando a minoria dos trabalhadores que saem às ruas, mobilizados pela CGTP, e desafiam o governo nos locais de trabalho» e por isso não estão ainda reunidas as «condições subjectivas» o que «inviabiliza em tempo previsível rupturas» capazes promer a ruptura com esta política. Mas, diz Miguel Urbano «não sou pessimista» lembrando os momentos da História de Portugal, em que o povo se levantou contra a opressão. Por isso, diz, «Os inimigos do povo que exercem o poder serão varridos!».

Vale a pena ler o artigo na íntegra em http://www.odiario.info/?p=3505

29 de dezembro de 2014

Breve balanço de 2014

Portugal precisa de uma política alternativa.
O Mundo está em mudança

Aproxima-se o final de 2014, fecundo em acontecimentos - para o bem e para o mal. 
Não querendo fazer um balanço, que certamente seria incompleto, aponto assuntos, avulso, mas que me parecem importantes a não esquecer em 2015. 
A nível nacional, 2014 foi mais uma dramática confirmação de que esta política de direita não serve. Não serve o País, os portugueses mas serve - e bem - para alguns.

As desigualdades aumentaram, tal como aumentou a pobreza e a fome.
Apesar dos sacrifícios a dívida não parou de crescer a ponto de ser impagável.
A direita, mais uma vez, anunciou que, agora com a saída da troika, tudo começaria a ser melhor. Mentira! Tal como se previa a situação piora com esta política.

Corruptos!
Pela primeira vez um Primeiro Ministro de Portugal (PS) foi preso.
Muitos iguais ou piores que Sócrates, dos que passaram pelos governos, desde há 38 anos, há muito que deviam estar presos.
Tinha já sido condenado Isaltino (PSD)
Foi também o Duarte Lima (PSD). Condenado e preso. E Dias Loureiro e seus amigos? 

Assinale-se que as leis deveriam ser muito mais duras para os crimes económicos, para quem rouba o país e todos os portugueses. No entanto a direita, ou os chamados partidos do "arco do poder" ou, mais prosaicamente a "troika interna", PS, PSD, e CDS, não deixam que as leis penalizem devidamente os corruptos, sabendo eles que é no seu seio que estão os criminosos. Tudo gente fina.
Este ano foi preso o banqueiro Ricardo Salgado. 

O juiz, Carlos Alexandre, que já tinha deixado passar situações graves, parece estar determinado a corrigir a incapacidade da justiça. Foi figura importante dos casos Monte Branco, das Operações Furacão, Portucale, Processo Face Oculta, Álvaro Sobrinho, Caso BPN, Processo Remédio Santo, Operação Labirinto, Caso Vistos Gold, Ricardo Salgado e Operação Marquês. Pena é que fiquem de fora tantos do BPN, como Dias Loureiro (PSD).
Também Paulo Portas (CDS) apesar da reconhecida corrupção dos Submarinos está em liberdade e no Governo. Klaus Lesker, o administrador da MPC Ferrostaal que vendeu os submarinos, foi preso preso na Alemanha. E cá?
E os vistos Gold?
A extenção de fraudes, roubos, corrupção e outros crimes é enorme e todos envolvem PS, PSD e CDS.

São todos iguais?
Da falência do BES e do GES ainda estão à solta muitos.
Do BPN (banco do PSD) nunca mais se soube nada.
Somam a muitos milhares de milhões de euros as fraudes e os prejuízos para o país e para os portugueses.
A direita, desesperadamente, tenta dizer que são todos iguais.
Por isso, os jornais que nunca falam da Festa do Avante, inventaram que o BES subsidiou a Festa do jornal do PCP! Ridículo mas sintomático. Não! Não são todos iguais!

Durão Barroso saíu da CE e a direita colocou outro igual, o Juncker organizador das fugas fiscais de muitas multinacionais e grandes empresas.
Zeinal Bava, com as trafulhices que fez, pôs a PT nas mãos de interesses estrangeiros. Ele e Durão Barroso foram condecorados pelo "Padrinho" que ocupa o lugar de Presidente da República.  

Continuam as criminosas privatizações e a venda de Portugal a retalho. 
É um escândalo o caso da TAP. A maior empresa exportadora de Portugal.

A Alternativa existe!
Num outro plano convém saber quais as alternativas.
O novo "líder" do PS, António Costa, para o público diz que vai romper com a política de direita mas, na prática, ainda nada se viu. Pelo contrário, o que faz é o mesmo que se fez. 
Propostas, como as que apresentou o PCP, para uma política alternativa, o PS não avança. Que lutas promove o PS para travar as políticas de direita? Serão lutas de gabinete que não se sabe o que tramam? Estaremos atentos no novo ano.

Censura e liberdades? Que liberdades?
Neste blogue muito se tem falado da Censura da Comunicação social e em especial da Televisão. De facto, cada vez mais, o poder financeiro controla os órgãos de comunicação. Governo, políticos de direita, comentadores, jornalistas contratados para o efeito, preenchem todos os espaços não deixando que se conheçam as alternativas e as propostas apresentadas, como soluções patrióticas e de esquerda.
Essa censura atinge não só o conhecimento da realidade portuguesa como da internacional.
O mundo piorou depois da Guerra Fria, da queda do Muro de Berlim e da derrota dos países socialistas, no final da década de 80. As guerras provocadas pelos EUA, NATO e Israel, tem dizimado muitos milhares de pessoas, destruído países e economias. 
O capitalismo em decadência, depois desta crise económica e financeira, a maior de sempre, tenta salvar-se através da força bruta das armas, e do domínio de países e das suas matérias primas, em especial o petróleo.

O capitalismo na sua fase imperialista, tem apoiado governos fascistas (Ucrânia) e ditaduras em África e América do Sul em contrapartida do domínio económico das riquezas desses países.
Os EUA através da CIA treinam e fornecem grandes quantidades de armas modernas e poderosas a terroristas. Essa política tem funcionado como o feitiço contra o feiticeiro. Os grupos terroristas, depois de armados e treinados pela CIA, muitas vezes fogem ao controlo norte americano, como foi o caso da Al-Quaeda e agora com o "Estado Islâmico" para afrontar a Síria.

Nunca o Mundo esteve tão violento, com tantas guerras com tantas vítimas, em especial civis, mulheres, crianças e idosos. Nalgumas regiões assistimos a autênticos genocídios como na faixa de Gaza e Palestina.
A lei internacional e os Direitos Humanos não são respeitados.

Decadência do capitalismo
É evidente o isolamento cada vez maior dos Estados Unidos. Todos os países na ONU condenam sistematicamente acções o bloqueio de Cuba e a invasão da Palestina por Israel. Em todo o mundo os povos fizeram inúmeras manifestações e protestos. A libertação dos Cinco Cubanos foi uma vitória dessas lutas.

O recente relatório sobre as torturas de presos nos Estados Unidos da América, foi escondido e apenas é conhecida uma pequeníssima parte. Mesmo essa pequena parte revela os crimes monstruosos que os Estados Unidos praticam, crimes só comparáveis aos de Hitler e dos ditadores que os Estados Unidos apoiam,

Esse isolamento dos Estados Unidos foi evidenciado ainda nas decisões da ONU, nas eleições no Brasil e Uruguai, pelas Organizações de apoio mútuo criadas pelos países que fogem ao domínio dos Estados Unidos. Caso dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e ainda das Organizações da América do Sul e Cuba.

Os BRICS estão a estudar moeda alternativa ao Dólar e a formar um Banco Internacional.

A China ultrapassou economicamente, os Estados Unidos em 2014. Está "de olho" nos fundos do tesouro dos EUA, pedra de toque da economia global. Está a redefinir a sua estratégia de investimento no estrangeiro e a promover o Renmimbi como moeda internacional, libertando do domínio do dólar vários países do BRICS e outros com quem está já a negociar nas moedas locais.
O apoio à Rússia é expressivo.  

Só com luta conseguiremos mudar
Nestes países a fome e a pobreza diminuiu fortemente enquanto nos EUA e outros países dominados pelo capitalismo aumenta, como aumentam as desigualdades, o crime, o desemprego, o trabalho escravo. O mundo está mais injusto e violento por acção do capitalismo mas, simultâneamente, está a aprender e a mudar.
Nós em Portugal, também haveremos de aprender com o desastre destes 38 anos de política de direita. 
Nós também haveremos de mudar. Depende dos trabalhadores e do povo. 
A luta continua em 2015.

22 de dezembro de 2014

Estamos no Natal e Aproxima-se 2015

Natal começou por ser a festa do sol, da luz, do crescimento dos dias contra a escuridão.

O sol quando nasce é para todos. E todos, é mesmo todo o mundo.
Mais uma vez o mundo está em complexa convulsão reflexo das mudanças de ordem mundial.
Vimos guerras e conflitos em sucessão cada vez mais globais.
Poderosos interesses económicos de grupos reduzidos, dominam a política e pisam direitos humanos, a paz, a justiça internacional até aqui respeitada.
Os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria, acentuaram a sua hegemonia no mundo. Esta terminou mas reacenderam-se guerras muito mais dolorosas. Guerras onde morrem centenas de milhar de pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos. Guerras que têm reflexos em todos nós.
A lei internacional é permanentemente desprezada e substituída pela lei do mais forte. Povos inteiros são dominados e subjugados aos interesses das grandes economias e das multinacionais sem pátria.

O imperialismo tem não só a força das armas, mas também o controle total dos meios de comunicação globais, reescrevendo a história de acordo com os seus interesses para manipular as consciências e a opinião pública e colectiva. Esse controlo é total na medida que controla a quase totalidade dos agentes da informação.
Hoje com a "realidade" virtual, criam-se factos, inventam-se situações para deturpar a realidade objectiva e o conhecimento. Para distrair a humanidade desviando, e escondendo crimes e acções repugnantes praticadas para que o imperialismo consolide o seu poder. Poder que domina pelas armas e pela informação, pela destruição de valores humanos e sua substituição por uma cultura globalizada que introduz valores que facilitam a aceitação do domínio do mais forte.
Cultura que conforma, que não perspectiva a autonomia e capacidade colectiva da mudança.

A soberania nacional, a autonomia, foi substituída pelos mercados que fazem a lei. Passou-se a um novo tipo de colonização dos mais fracos, acompanhado de cultura da aceitação dessa perda de independência face ao poder financeiro dos bancos internacionais.
Os que não aceitam essas imposições são sujeitos a boicote e bloqueio dos poderosos, como tem sido o caso de Cuba. É paradigmática esta situação. Mais de cinquenta anos de bloqueio condenado internacionalmente por resoluções quase unânimes de todos os países do mundo, não tiveram qualquer efeito na decisão de um único país.
Israel, com a cumplicidade dos EUA, faz uma guerra e ocupação ilegal, da Palestina, matando muitos milhares de civis, de mulheres e crianças inocentes.

Há muito que poderosas agências de espionagem como a CIA, com mais de 170.000 agentes espalhados pelo mundo, fomentam conflitos, armam, treinam e financiam seitas e grupos terroristas, para derrubar governos legítimos que não obedeçam às suas ordens.
Apoiam o nazismo e fascismo em vários países. Apoiam ditadores que lhes entreguem as riquezas do país à exploração das empresas americanas. Fomentam a guerra entre religiões de acordo com o princípio "dividir para reinar" e assim intervirem do lado que lhes interessar.

Um relatório recentemente aparecido ao conhecimento público mostra uma pequena parte dos métodos de intervenção mais escabrosos, torturando até à morte muitos presos, muitas vezes sem qualquer culpa, apenas para obter informações.

Usam a chantagem directa em relação a Governos e Presidentes da República de vários países. Fazem espionagem e vigiam empresas de todo o mundo. Gastam milhares de milhões de dólares para manter o mundo inteiro sob sua vigilância, incluindo os seus mais próximos aliados.
Muito do dinheiro vem da droga, cuja produção aumentou várias vezes, com as forças que controlam o Afeganistão. Outra fonte de financiamento é a venda de petróleo produzido em território controlado pelos terroristas.

Quase tudo isto tem acontecido depois da queda do Muro de Berlim e da destruição dos países socialistas.
Estará o mundo melhor?
Assistimos a cada vez mais conflitos que se generalizam no interior do mundo dito civilizado. Mortes, assassínios em massa, feitos por crianças, jovens ou adultos em escolas. É esta a cultura fomentada. O exemplo vem de cima. Os EUA têm o recorde mundial de presos. 
A fome assola o mundo . A pobreza cresce no mesmo ritmo que crescem as grandes fortunas. O trabalho escravo aumenta tal como o tráfico humano e o tráfico de droga.

Aumenta o perigo de as guerras se alastrarem às grandes potências podendo caminhar para uma guerra mundial. Hoje muitos tipos de armas de alta precisão estão já próximo das armas de destruição em massa em termos de capacidade mortal. Os riscos são cada vez maiores.

Haverá quem julgue despropositado falar disto em época natalícia. Haverá quem prefira não conhecer esta negra realidade.
No entanto, não ficaria bem com a minha consciência limitar-me às bonitas mensagens de Natal sem pensar nos que sofrem.
Tentarei intervir e evitar ser dominado pela cultura que nos querem impingir: "não há nada a fazer". "Sempre foi assim e sempre há-de ser".

21 de dezembro de 2014

Portas e os submarinos

É ditadura ou democracia uma minoria enganar a maioria?
E se essa classe no poder, depois de eleita, fizer as leis que impedem a sua condenação?

Paulo Portas roubou a Portugal e aos portugueses mais de 15 milhões de euros. 

O despacho do Ministério Público (MP), que arquivou o processo, reconhece as vigarices que Paulo Portas fez e que levou ao roubo a todos os portugueses.
As investigações mostraram as ilegalidades, mas essas ilegalidades não foram crimes (de acordo com a lei, feita para defender ladrões).
Não se pode chamar roubo ao "desvio" de mais de 15 milhões de euros?

Se o despacho do MP reconhece os factos, mas considera que o processo tem que ser arquivado, então o que está em causa é o sistema político de gatunos que, para se defender, aprova leis que impedem os tribunais de actuar.

É a isto que se pode chamar "democracia"? 
Democracia porquê? Porque o povo votou neles confiando que não eram gatunos. E, o povo ao votar neles permite que eles façam as leis. Mesmo que sejam contra a Constituição. 
O Presidente da República que tem o dever de fazer cumprir a Constituição, também foi eleito pelos portugueses. Portanto isto é tudo uma democracia.

Voltando aos submarinos e aos factos provados

É um facto provado que Portugal e os portugueses foram roubados.
Na Alemanha os que venderam os submarinos foram condenados. 
O Tribunal e MP reconhecem as responsabilidades e as ilegalidades de Paulo Portas. Confirmam que Paulo Portas “excedeu o mandato” que lhe foi conferido.
O MP verifica que, Paulo Portas celebrou um contrato de compra diferente dos termos definidos na adjudicação.
Diz, as negociações “decorreram de forma opaca”.
Confirma que foi detectada “a violação de princípios e normas de natureza administrativa”.
Diz que houve a "incúria", "negligência" e "falta de cuidado pelo bem público". 

Mas, a somar a isto, e apesar das responsabilidades, da negligência, da incúria, da violação dos princípios, do desaparecimento de mais de 15 milhões de euros, o Paulo Portas continua no Governo (Vice Primeiro Ministro). 
Este governo confirma que é um bando de criminosos chamados "irresponsáveis", forma legal de não irem todos presos como foi Sócrates (por enquanto).

Como estamos numa democracia e os eleitores votaram neles, (para fazerem as leis) os portugueses, para além de aceitarem ser roubados ainda vão pagar milhões aos advogados que os defendem, para que todos fiquemos com as consciências tranquilas e o "PROCESSO ARQUIVADO".

Solstício de inverno. Dia mais curto do ano

Dia 21 de Dezembro. Solstício de inverno, hoje às 17.11 horas

Amanhã os dias começam gradualmente a ser maiores. 
Hoje o sol nasceu às 07:51 e esconde-se às 17:19. 
Amanhã o dia será quase um minuto maior.
É por isso que desde a antiguidade se celebra o solstício, que simbolizava o renascimento, o reinício, o dia em que sol, a luz vencia a escuridão. 
Celebração com festa , porque os dias começam a ser maiores. Porque o sol não desaparecerá. Porque os dias não se transformarão numa noite contínua e a vida continuará.
Na longinqua história há imensas referências ao solstício de inverno. Foi uma das datas mais importantes na Roma antiga. Tal como na Europa pré-cristã, na China, na América do Sul, e em muitos lugares do mundo, em outras datas as comemorações do solstício de inverno.
Festa dos Rapazes
No hemisfério sul, as datas são trocadas entre os soltícios de verão e de inverno. O de verão ocorre em dezembro e o solstício de inverno em junho.
Na zona de Bragança, a festa dos caretos, ou “festa dos rapazes”, é uma exemplo das festas pagãs para a comemoração do solstício de inverno.
A partir do século IV, essas festas foram aproveitadas para celebrar o Natal, festa cristã que assinala o nascimento de Jesus Cristo.

Natal
...
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão 

.../...
Ary dos Santos

19 de dezembro de 2014

A liberdade de explorar

Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria, diz ministra

Tereza Campello é ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil. Num debate em que participaram também outros especialistas, a ministra disse: 

“Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria”, informando que entre 2002 e 2013, o país reduziu em 82% a população de brasileiros considerados em situação de fome, restando ainda quase 2% da população nessa situação. Foram factores decisivos o aumento dos rendimentos dos mais pobres. Disse ainda “Já nasceu no nosso país a primeira geração de crianças sem fome e na escola. Elas não vão repetir a trajetória de seus pais”.

Detenhamo-nos nessa frase "Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria" que parece óbvia mas, para muitos não o é.

Recordo Cuba em contraponto com as "liberdades" dos Estados Unidos da América. 
Cuba acusada de falta de liberdade não tem fome. Os EUA que se auto-denominam de país das liberdades, exemplo máximo, do capitalismo, estudo de Feeding América, revela que uma em cada seis crianças norte-americanas menores de cinco anos passa fome.

Se alargássemos esse conceito de liberdade à saúde, à educação, à cultura, à habitação, à segurança na velhice, à estabilidade no emprego, e a tantos outros factores básicos como aqueles, então a diferença seria astronómica. Se ampliássemos essa comparação à generalidade dos países capitalistas, poucos se orgulhariam dos resultados, ainda que, muito do nível de vida, nos países capitalistas seja efeito da exploração de muitos povos em todo o mundo. Exploração essa que é feita, não só à custa da fome nesses países como, à custa da vida de muitos milhões de pessoas, mortas para que o domínio imperialista se estenda a todo o mundo. 




Que aconteceu com as "liberdades" nos países que eram socialistas e agora são pasto do capitalismo? Os dados objectivos, os números, são incontornáveis. 

A forma de continuar a enganar, os menos avisados, é criar uma ideia de liberdade que desvie as atenções dos dados objectivos e remeta a discussão para factores subjectivos em que a liberdade de explorar é mascarada de liberdade absoluta, liberdade que se compra por quem tem dinheiro.
Nos países socialistas, em que a liberdade de explorar não existe, dizem os capitalistas, então, não há liberdade.
Sobre estes falsos conceitos de liberdade há, ainda, muito a dizer, na mesma medida em que os preconceitos e a "cultura" burguesa estão, ainda, estão muito arreigados. Quando as pessoas "abrirem os olhos" e verificarem que é essa cultura que sustenta quem está no poder para continuar a explorar, começará então a libertar-se da escravatura, da miséria moral, social e económica e, então, irá verificar que o fosso, ou o muro, que separa os muito ricos dos muito pobres, é a melhor medida para avaliar a "liberdade" desta sociedade podre. Então descobrirá que a felicidade, objectivo supremo, não se alcança com essa noção limitada de liberdade.



18 de dezembro de 2014

A liberdade de explorar

A pobreza moral dos EUA e a pobreza económica social da sua população

A fome e a miséria

Mais algumas informações sobre o tema anterior:
No país mais rico do mundo, agora o segundo, depois da China, nos EUA, milhões de crianças estão muito abaixo do limiar de pobreza, realidade que a comunicação social procura esconder.

Mais de 12 milhões de crianças estão à beira da fome em todo o país e mais de três milhões e meio de crianças com menos de cinco anos passam fome nos Estados Unidos da América.

Segundo a USDA, National Nutrient Database for Standard Reference, 32, 5 milhões de norte-americanos recebem auxílio alimentar, mas o número pode ser bem maior devido ao aumento do desemprego e da pobreza no último ano e de uma grande parte não se ter cadastrado. 
Por outro lado a Food Research and Action Center estima que mais de 16 milhões de pessoas procuram assistência alimentar federal, mas não conseguiram inscrever-se no programa.



Ainda uma reportagem publicada pelo New York Times no dia 9 de maio refere uma enorme insuficiência dos programas de assistência nos vários estados. Na Califórnia, por exemplo, só metade das pessoas que passam fome conseguiu cadastrar-se em programa de alimentação. Noutros estados, como Missouri, onde a inscrição das pessoas é mais fácil, centenas de milhares de famílias trabalhadoras pobres inscritas recebem cada vez menos ajuda a cada mês que passa.

Desse país, exemplo supremo do capitalismo, "país das liberdades" muito há que falar. Espero em breve abordar os direitos humanos e as torturas para juntar ao "país das liberdades o "país da democraCIA". 





17 de dezembro de 2014

O controlo da Informação

O significado do silenciamento do discurso de Putin

No sítio de O Diário info, foi feita uma análise ao importante discurso de Putin, discurso também aí publicado.

Sem comentar a análise de Atílio A. Boron nem o "importante e histórico" discurso, quero apenas alertar para uma questão que me é muito cara e várias vezes referida: 
O domínio da Comunicação Social, ou da Informação, a nível mundial, por um conjunto de cadeias de difusão das notícias, privadas e públicas controladas pelo poder económico que manipula também governos e políticas.

O que aconteceu a este importante discurso é um exemplo flagrante. 

Os factos são:
- Putin fez uma análise da situação internacional e lançou sérios avisos a todo o mundo. 
- Esta análise e avisos foram silenciados, (censurados), por toda a Comunicação Social.

Diz Atílio A. Boron: «Este discurso foi ignorado porque nele se traça um diagnóstico realista e isento de qualquer eufemismo para denunciar a aparente e imparável deterioração da ordem mundial e os diferentes graus de responsabilidade dos principais actores do sistema».



Conclusão:
Não fora a acção, ainda que débil, da informação alternativa, em especial na Internet, e, hoje, o direito de sermos livremente informados, estaria suprimido. O total controle das informações e da formação das opiniões, é o objectivo para "formatar as consciências" de acordo com o modelo que interessa, para que sejamos autómatos obedientes, máquinas para trabalhar, pensando apenas no que, para o "sistema", é útil. 
Os comentários de Boron e o discurso de Putin põem, também, o dedo nessa ferida.

Alerta à navegação:
O controlo da Internet, é passo importante para que o poder económico seja também o poder do total domínio das consciências. Não sendo fácil que nos calem, os objectivos passaram a ser: 
- Primeiro: Que o que dissermos não tenha qualquer efeito.
- Segundo: Que o que falarmos seja o que eles querem que digamos. 
Então seremos mais um veículo de transmissão das suas vontades tidas como "ideias".
De facto, é bem conhecido o papel que a informação tem na nossa (de)formação.

Afinal não é assim tão segura a mensagem de Manuel Freire:
Não há machado que corte 
a raíz ao pensamento...
Por isso, enquanto é tempo, é preciso garantir que:
Nada apag(ue) a luz que vive 
num amor num pensamento...
Porque, assim, não deixaremos que dominem a nossa vontade, de "ser livre como o vento"

15 de dezembro de 2014

Construir a Alternativa

Definir o que se quer e o que nos une

Não há projecto sério, nem obra que se queira construir, sem que se defina primeiro o que e como fazer.

Isto vem a propósito da leitura do Comunicado do CC do PCP onde se lê um apelo «A todos os portugueses, aos que intervêm nas organizações e movimentos de massas e sectores sociais anti-monopolistas, aos democratas e patriotas, a todas as personalidades independentes que querem outro rumo para o País, o PCP reafirma a sua disponibilidade para examinar os elementos essenciais à construção de uma política patriótica e de esquerda, assente na Constituição da República e nos valores e ideais de Abril.
É necessário que cada força, cada democrata e patriota afirme, de forma clara e inequívoca, o que entende e propõe para que seja possível a ruptura com a política de direita e a construção de uma política alternativa e de uma alternativa política».


Esta necessidade parece óbvia para quem tem objectivos sérios e transparentes. Tentei compreender quais as propostas, do Congresso do PS, órgão máximo daquele Partido, para que seja possível a ruptura com a política de direita e a construção de uma política alternativa e de uma alternativa política. O que é facto é que vi, apenas, intenções não concretizadas. Não vi propostas concretas. Creio que era a oportunidade excelente para que aquele partido obtivesse dos militantes, dos congressistas, a linha de conduta para participar e fazer participar à volta de um projecto claro, sério e definido, todas as forças, que queiram a «ruptura com a política de direita e a construção de uma política alternativa e de uma alternativa política». 

A Alternativa existe!

Um programa, um projecto para a construção da Alternativa a esta política de direita e de desastre.

É preciso conhecer as propostas que os partidos apresentam para uma política que salve o País e os portugueses do desastre para que estamos a ser conduzidos. Como aqui já tem sido referido, o PCP há muito que tem vindo a discutir linhas de acção e propostas para uma política alternativa e para uma alternativa política. No recente Comunicado do PCP está, mais uma vez, apresentada a proposta daquele partido e que aqui se reproduz a parte que a sintetiza.



«A alternativa de que o País precisa, com toda a urgência, tem na proposta de política patriótica e de esquerda que o PCP apresenta a base essencial para a sua concretização. Assenta: na renegociação da dívida, dos seus montantes, juros e prazos; na promoção e valorização da produção nacional; na recuperação para o controlo público dos sectores e empresas estratégicas, designadamente do sector financeiro; na valorização de salários, pensões e rendimentos dos trabalhadores e do povo; na defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, designadamente dos direitos à educação, à saúde e à protecção social; numa política fiscal que desagrave a carga sobre os rendimentos dos trabalhadores e das micro, pequenas e médias empresas e tribute fortemente os rendimentos e o património do grande capital, os lucros e a especulação financeira; na rejeição da submissão às imposições do Euro e da União Europeia recuperando para o País a sua soberania económica, orçamental e monetária».

Que mais propostas concretas há?

14 de dezembro de 2014

São todos iguais? Quem?

A estratégia da direita: "são todos iguais"

Quando a direita já não consegue esconder a corrupção, os roubos, as vigarices, características da sua forma de actuar e dos seus mentores que enriquecem, toca de espalhar por aí "são todos iguais".
Assim se todos roubam, se todos, são vigaristas, quer a direita dizer que roubar é um defeito humano, que ser vigarista é normal. São todos iguais. 
E, sendo assim, como se uma infelicidade que provém do Adão ter comido a maçã, nada há a fazer. E, ser nada há a fazer o melhor é ficar tudo na mesma. 

Vem isto a propósito da notícia do jornal «Público» sobre alegados donativos do BES/Novo Banco à Festa do «Avante!».

Sabe bem o «Público» que mesmo que muitos dos seus leitores desconfiem de tal notícia, ainda por cima mal feita, vale a pena mentir. Isso vende jornais e há sempre quem acredite. Vai daí e publica em grande título:  "BES aprovou donativo de 11 mil euros proibido por lei à Festa do Avante!". Ora toma!

Quem acreditaria que Ricardo Salgado era tão amigo dos comunistas para lhes dar 11.000 euros?

Agora, pergunta-se:

Que jornalismo é este que, apesar dos desmentidos e não tendo confirmação da acusação publica tal notícia?

Que jornalismo é este que apesar dos desmentidos e "não tendo conseguido contactar com o BES" para confirmar a notícia, a publica mesmo assim?

Que jornal é este que deixa publicar esta notícia mesmo tendo recebido a informação da Entidade das Contas, diz, que esta entidade «limitou-se a responder que “se houve ou tivesse havido donativos de pessoas colectivas, a entidade teria imediatamente feito uma queixa-crime ao Ministério Público”».

Que jornalista é esta Maria Lopes que na resposta da Entidade das Contas diz "limitou-se a responder"?.
O que quer esta espécie de Jornalista dizer com "limitou-se a responder"?

Creio que os leitores do jornal Público, quando lêem as suas noticias devem reflectir bem no que estão a ler.

Vítor Dias no seu blogue, mais uma vez denunciou estas manobras do "nosso" jornalismo.

Conclusão: Coitados dos jornalistas ao serviço da direita que se esforricam à procura de um caso, nem que seja inventado, para encontrar nos comunistas algum pecado. A direita quer que o povo acredite que são todos iguais. Mas, nem todos são iguais. Infelizmente a lista dos crimes da direita, já vai muito longa. 

13 de dezembro de 2014

Garantir a derrota da política de direita

Jerónimo de Sousa, encerrou mais uma fase da acção nacional «A força do povo, por um Portugal com futuro - uma política patriótica e de esquerda»

Esta foi mais uma acção do PCP para discutir e aperfeiçoar as suas propostas de Alternativa a esta política.
Na realidade estas discussões muito alargadas estão a ser feitas há vários anos, mas agora mais voltadas para um “programa” que permita estruturar uma “Politica Patriótica e de Esquerda”.
São propostas muito concretas que apontam um caminho bem definido. Não há nelas evasivas e palavras vãs.

Jerónimo de Sousa, na intervenção que fez definiu em poucas palavras o objectivo «É preciso garantir a derrota da política de direita e romper com o ciclo de rotativismo». 

Fez um balanço dos debates feitos em todo o país ao longo deste ano referindo que permitiram «não apenas realizar uma profunda reflexão sobre os problemas do País e sobre os eixos, os objectivos e as prioridades centrais de uma política alternativa à política de direita, mas igualmente constatar a existência de uma forte vontade de contribuir para encontrar na convergência os caminhos da afirmação de uma solução alternativa e romper com décadas de política de direita».

Fez um diagnóstico muito exaustivo dos problemas do país e da política de direita que é a causa da crise e do seu afundamento. Diagnóstico sempre fundamentado em dados objectivos e concretos. 

Política alternativa séria 
Concluindo essa análise afirmou que «não há política séria de resposta aos problemas nacionais que possa omitir as verdadeiras causas da grave situação a que foi conduzido o País» tal como «Não há política verdadeiramente alternativa e de resposta à inversão do rumo de afundamento do país que oculte a origem e razões da crise que o País enfrenta».

Por isso provou a necessidade de «promover múltiplas rupturas com o caminho que vem sendo seguido, como o propõe a política patriótica e de esquerda que o PCP defende».

Respostas concretas
Em clara referência à ausência de propostas do PS e António Costa, Jerónimo de Sousa acentuou que essas rupturas com a política de direita sâo «rupturas com a orientação, a lógica, as opções de classe da política de direita, […] com o domínio do capital monopolista e a sua posição determinante na estrutura e funcionamento da economia portuguesa, [...] ruptura com a política de reconfiguração do Estado […] de liquidação do seu papel nas tarefas do desenvolvimento, […] ruptura com a crescente desvalorização do trabalho e dos trabalhadores e do processo de agravamento da exploração e empobrecimento que está em curso, […] ruptura com a mutilação e subversão das políticas sociais, […] ruptura com o processo europeu de integração capitalista, […] com a dependência e subordinação externa, […] ruptura com a subversão da Constituição e a crescente mutilação do regime democrático».

Tais princípios são a base essencial para permitir uma verdadeira política alternativa.

Mostrou Jerónimo de Sousa que existem «três grandes constrangimentos na superação dos quais se apresentam soluções concretas» e que para além de justas são exequíveis e viáveis.
Soluções que serão articuladas, em síntese, a renegociação da dívida, estudo e preparação do País para se libertar da submissão do euro e ainda a recuperação do controlo público da banca colocando-a ao serviço do país e dos portugueses.

As grandes linhas
Referiu ainda «as grandes linhas de força de uma política orientada para a recuperação pelo Estado Português de elementos centrais da soberania e independência nacional», […] «onde a par da resposta às questões da dívida, do Euro e do controlo Público da Banca, se impõe recuperar para o Estado alavancas de comando económico e decisão estratégica necessárias a uma política económica e financeira para servir o País, mas também para travar e impedir novas perdas de soberania, nomeadamente, que assuma a exigência de revogação do Tratado Orçamental, e do espartilho que ele constitui…».
Paralelamente Jerónimo de Sousa apontou «Uma política para o investimento produtivo e a produção nacional que tem como objectivos centrais: o pleno emprego, o crescimento económico, a dinamização do mercado interno, a promoção das exportações e a substituição de importações, o apoio às micro, pequenas e médias empresas».

Soluções e alternativas
No grande número de debates realizados pelo PCP foram referidas «as soluções alternativas de uma política orçamental e de uma justa política fiscal e ao serviço do País, assegurando o desagravamento da carga sobre os rendimentos dos trabalhadores e dos pequenos e médios empresários e uma forte tributação dos rendimentos do grande capital, os lucros e dividendos, a especulação financeira e garantir a arrecadação fiscal necessária para dar cabal cumprimento às funções sociais do Estado e uma adequada gestão orçamental com o desenvolvimento».
Jerónimo de Sousa informou que «se confirmou como uma das componentes essenciais de uma política patriótica e de esquerda a valorização do trabalho e dos trabalhadores […]», a inversão da «política de fragilização, privatização e encerramento de serviços de públicos…», mostrando detalhadamente as acções a empreender em cada um dos domínios.

As "bases para um programa"
Assim foram definidas umas autênticas bases para uma proposta de Programa de Governo, de um Governo que conte co0m a participação do PCP que «é a grande força política nacional que inequivocamente tem soluções para os problemas do País, que as apresenta com toda a transparência e se disponibiliza, visando a convergência dos democratas, patriotas e das forças em ruptura com a política de direita, […] para a «construção de uma alternativa política capaz de garantir um novo rumo na vida nacional».

Convergência e acção para a alternativa
Jerónimo de Sousa em nome do PCP lançou o repto a patriotas e democratas, trabalhadores e outros portugueses, organizações sociais, que sabem que é possível outro caminho e que estão dispostos a concretizar uma verdadeira alternativa política – a alternativa patriótica e de esquerda!

«Somos dos que pensamos que há condições e é possível ir mais longe na convergência e acção comum dos sectores e personalidades democráticas na base de um diálogo sério e leal, aceitando e respeitando naturais diferenças, […] mas que não emergirá sem o PCP e muito menos contra o PCP». Apontou que para isso é preciso «a remoção de preconceitos, a rejeição de ambições hegemónicas, a recusa de marginalizações». Disse ainda que «essa construção exige acima de tudo clareza de propósitos» e que é no terreno dos conteúdos «e na base de compromissos sérios que se constrói a verdadeira alternativa».

Crítica à política das meias tintas
Numa referência ao discurso de António Costa, alertou para as «falsas soluções da mera alternância dos que acenam com diálogos à esquerda, sem romper com a política de direita».
Jerónimo de Sousa foi muito claro na crítica às políticas que o PS tem desenvolvido, à passividade no combate à política do Governo, à «política das meias-tintas», à espera que sejam os outros a trabalhar para eles colherem os frutos.

A concluir a extensa análise Jerónimo de Sousa, lançou um aviso ao PS! 
Não! Não há soluções à esquerda sem ruptura com a política de direita!
«Os portugueses não podem sair do sal para se enfiarem na salmoura!»

É pois uma clara «política alternativa – que os portugueses anseiam».

12 de dezembro de 2014

A Censura discreta

Em Portugal, os órgãos de comunicação social privados pertencem a cinco grandes grupos económicos que condicionam jornalistas.

Continuando o tema da publicação anterior, aborda-se neste texto, para alem do condicionamento da opinião pública o condicionamento dos Jornalistas.
O papel da Comunicação dita Social, ou dos média, na "formação de opiniões" é conduzida por interesses económicos e é tratada como mercadoria, a "produção de conteúdos". Mas que conteúdos? Conteúdos que, para além da frivolidade, encerram valores, ideologias e opiniões muito condicionados. As opiniões e pontos de vista que a generalidade dos media veiculam são sempre limitados a uma concepção política, ideológica, social e cultural do "pensamento único", dos interesses da classe no poder que coincidem com os interesses dos grupos económicos proprietários dos média.

Dizem todos o mesmo...

Qualquer telespectador, leitor ou ouvinte mais atento repara que quase todos dizem o mesmo, quer sejam as notícias ou as opiniões dos comentadores. Por vezes parecendo haver discordâncias essas são menores, de forma e não de conteúdo. A ideia transmitida vai sempre parar ao mesmo. "Não há alternativa... Temos que aguentar". Tudo isto acompanhado por fortes doses de anestesia com as notícias dos crimes ou programas para entreter. Não se estimula a análise. Os telespectadores, os ouvintes ou leitores recebem a toda a hora doses maciças de informação superficial, descontextualizada, sem análise para que não se saiba o porquê das coisas. O que é dito é como se fosse uma verdade absoluta. Não se perspectivam alternativas. 
Quem não procura informação alternativa, jornais de esquerda, sites na Internet que ofereçam confiança, e outras, está condenado a só saber o que esses média querem que se saiba e da forma como eles querem. É assim que as pessoas são moldadas por esta máquina infernal do capitalismo que nos explora porque deixamos. E deixamos porque nos convencem que não há alternativa.



Os jornalistas explorados e os sem... ética

A agravar este problema, os jornalistas que dantes tinham alguma independência, hoje raros são os que mantêm a sua tradicional ética. A precariedade aumenta, como aumenta o trabalho não remunerado de estagiários. A maior parte recebe em função do que é publicado. Se o chefe ou patrão não gostam é muito provável que o trabalho não seja remunerado. A liberdade dos jornalistas quase não existe uma vez que os editores têm poderes para decidir sobre aquilo que é publicado e como é publicado. 
O Estatuto dos Jornalistas regulamenta, a favor dos editores, as opiniões e os diferentes pontos de vista dos jornalistas.


Exige-se que a comunicação social seja "pluralista, democrática e responsável" que promova a informação e formação, com liberdade de opinião. Os média deveriam ter o papel de estimular a participação cívica em todos os assuntos da sociedade e promover a transparência da vida política, o controlo democrático da acção dos órgãos de poder. 
Para a necessária participação na vida política, os cidadãos devem conhecer as realidades, as alternativas e opções para a solução dos problemas nacionais. Devem saber pensar e tomar consciência dos seus interesses e direitos. Para isso os média teriam que ser um meio para a elevação do nível cultural da população, o estímulo para a assumpção dos valores que o 25 de Abril nos transmitiu, a solidariedade, a amizade a paz e compreensão entre os povos.




11 de dezembro de 2014

Comunicação Social - a voz do dono

Mais de uma centena de órgãos de comunicação social, em Portugal, estão nas mãos de cinco grandes grupos económicos

Referi em anteriores publicações, que os média, em Portugal como no Mundo, reflectem as ideias os pontos de vista que servem os interesses comuns a esses grandes grupos económicos, e por isso condicionam a formação da opinião dos leitores, espectadores e ouvintes.

No Brasil

Do Brasil, vêm-nos exemplos - caso da revista Veja e da capa contra Dilma na véspera das eleições - idênticos aos que no nosso país vimos, muitas vezes com subtileza para que não se dê por isso, do condicionamento da opinião pública. Poe vezes a mensagem é passada de modo subliminar. 

Laurindo Leal Filho, professor aposentado da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, num artigo publicado por "Vermelho" diz que no Brasil (e cá de certo modo) «...os meios de comunicação agem sem limites, actuando apenas segundo os interesses de quem os controla. As vozes dissonantes ainda são sufocadas. Dessa forma, a democracia deixa de funcionar plenamente por não contar com um de seus principais instrumentos: a ampla circulação de ideias».  Por iso no Brasil é tão actual a discussão à volta da regulamentação da actividade da Comunicação Social.

Fazem o mal e a caramunha 

Diz o professor Leal Filho, «...é necessária uma regulação da mídia, capaz de ampliar o número de pessoas que têm o privilégio de falar com a sociedade». De facto os que controlam a comunicação social, os grandes grupos económicos não querem seguir regras. Eles que fazem a censura, apontam quem defende a obrigatoriedade de comunicação social promover a "ampla circulação de ideias, de opiniões. Acusam isso de censura. Ao contrário, os sectores democráticos, exigem que a comunicação social, não esteja subordinada a interesses e a posições políticas e ideológicas que são as do poder económico dos donos dos grandes grupos proprietários da média, do capitalismo, portanto.

De facto, «...a regulação tem como objetivo romper com a censura que eles praticam quando escondem ou deturpam fatos como lhes interessam» diz  Leal Filho. Tal como as empresas monopolistas que controlam o mercado, a grandes empresas da comunicação social, controlam a difusão das ideias e, portanto a Constituição e as regras devem  «...garantir a liberdade de expressão de toda a sociedade e não apenas daqueles que controlam a Comunicação Social. 

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Foram apenas destacados alguns pontos do artigo, feito para a realidade brasileira aplica-se na generalidade a todas as sociedades. Em Portugal há ainda uma especificidade que tem a ver com a sua última frase «Cabe ao Estado mediar e conduzir essa mudança». Em Portugal o Estado é dirigido pelos políticos no poder e, estes são dirigidos pelo poder económico dos grandes grupos capitalistas com interesses idênticos aos dos grupos proprietários da Comunicação Social privada. Como sabemos as Leis são feitas pela maioria de deputados que estão intimamente ligados a esses interesses e/ou ideologias. 
Terá que ser o povo, os trabalhadores, a tomar em suas mãos a mudança de política e a fazer da Comunicação Social um instrumento para servir o país, a cultura e os valores do 25 de Abril.

10 de dezembro de 2014

A Nova Escravidão, uma das marcas do capitalismo

21 milhões de novos escravos e 168 milhões de crianças obrigadas ao trabalho infantil.

Pelo menos 21 milhões de seres humanos no planeta sofrem novas formas de escravatura, denunciaram no início deste mês, especialistas das Nações Unidas em direitos humanos, considerando que é necessário vontade política para combater o flagelo.

As mulheres e crianças do sexo feminino são as principais atingidas e encontram-se em situação idêntica a dos antigos escravos, afirmou a relatora especial para as Formas Modernas de Escravatura, Urmila Bhoola. Segundo a jurista sul-africana, as estatísticas sobre este flagelo não incluem os 168 milhões de menores submetidos ao trabalho infantil, metade das quais em trabalhos perigosos, o que revela bem a dimensão do problema.

Na declaração conjunta, exige-se que os estados cumpram as suas obrigações face às leis internacionais sobre direitos humanos e se empenhem mais para eliminar o flagelo da nova escravatura. Os três especialistas pedem ainda que as negociações em curso para fixar a agenda de desenvolvimento sustentável após 2015 tenham em conta a erradicação deste flagelo.

9 de dezembro de 2014

Voo MH17. As mentiras forjadas pelo imperialismo

Tal como as "armas de destruição maciça" que serviram de pretexto para invadir o Iraque, também o abate do Boing 777 da Malaysia Airlines, está desmascarado 

O cinismo e a hipocrisia das potências imperialistas ultrapassa o que podemos imaginar. 
Perante os crimes hediondos que praticam pelos cantos do mundo Presidentes, como Obama, Prémio Nobel da Paz, inventam situações e pretextos criminosos para fazer a guerra, como foi o que arranjaram para invadir o Iraque. Em julho passado conceberam destruir a vida de  298 passageiros mais a tripulação do voo MH17 abatendo o Boing 777 da Malaysia Airlines para justificar as agressões às populações da Ucrânia oriental, culpando a Rússia.

Está hoje provado à exaustão que foi tudo forjado com o governo fascista que assaltou o poder em Kiev.

Tanta desfaçatez só é possível porque o imperialismo controla a comunicação social, monopolizada pelos grandes grupos económicos. As grandes cadeias de informação que comandam a distribuição de notícias por todo o mundo dão as orientações para a comunicação social nos vários países como acontece em Portugal. As notícias da CNN da Fox, da BBC e muitas outras cadeias são passadas na nossa televisão e jornais, enquanto que as tentativas de contraditório são subtilmente censuradas muitas vezes pelos próprios jornalista que se submetem para não perderem o emprego. 

Vem isto a propósito das inúmeras confirmações já obtidas de que o Boing 777 da Malaysia Airlines, foi abatido por aviões a mando do governo fantoche, pró fascista declarado, de Kiev.



Os EUA tentaram durante muito tempo que as provas não fossem conhecidas. O governo de Kiev reteve ou destruiu as gravações dos relatos dos pilotos. As fotos, incluindo as de satélite e os resultados dos testes estiveram na posse dos Estados Unidos e do Reino Unido e da NATO durante meses enquanto as agências noticiosas faziam o seu papel de responsabilizar a Rússia.  

Já em 28 de julho o diário,info mostrava que o MH17 foi desviado 200 quilómetros para norte em relação à rota habitualmente seguida pela Malaysia Airlines e que inesplicavelmente "mergulhou" directamente para o meio da zona de guerra. Porquê? Que tipo de comunicação recebeu o MH17 da torre de controlo de tráfego aéreo de Kiev?

EUA e Kiev calados como ratos
  
Kiev tem permanecido silencioso acerca da questão. E no entanto a resposta teria sido simples, caso Kiev tivesse divulgado a gravação das comunicações entre a torre de controlo e o voo MH17.
Os SBU (serviços de segurança ucranianos) confiscaram a gravação. 

Passados 4 meses as evidências são reconhecidas. Contudo os EUA e Kiev mantêm-se em silêncio.
Há dias, o Conselho de Segurança da Holanda terminou a colecta de fragmentos do Boeing da Malaysia Airlines, que caiu em Julho no leste da Ucrânia. 
O antigo piloto da Lufthansa, Peter Haisenko, analisou diferentes versões da queda da aeronave na Ucrânia e garante após análise das muitas provas, de que o avião não foi abatido por um míssil terra-ar, mas por ataque directo de um avião militar.


As acusações contra a Rússia foram mal-alinhavadas desde o início contrariamente aos factos fidedignos, disse Haisenko. Todos os peritos que investigavam a catástrofe, inclusive da comissão holandesa, sabem que não foi um míssil, mas um caça. Isso é evidente.

Os jornais e televisões que transmitiram as informações organizadas pelos americanos, sabem bem que o que informaram foram falsidades. Contudo são raros os que corrigiram as mentiras. Na generalidade mantiveram-se calados revelando cumplicidade e falta de respeito pelos seus leitores.

Ver também RESISTIR INFO DE 21 DE JULHO  http://resistir.info/chossudovsky/mh17_21jul14.html
ou http://www.odiario.info/?p=3475
e muitas outras que os links indicam.




8 de dezembro de 2014

O Muro das Desigualdades

As cada vez maiores Desigualdades, é o mais ignóbil Muro da vergonha desta sociedade. Muro que impõe a maior das violências.

Aprofunda-se o capitalismo, com o liberalismo e fundamentalismo de mercado. A política de direita algema o Estado, e entrega tudo aos privados. Os serviços criados para atenuar as desigualdades, passam a ser geridos pelo critério capitalista do máximo lucro, bem expresso na célebre a frase de um ministro "Quem quer saúde paga".

Esta sociedade capitalista reforça os muros que separam os que vivem do trabalho dos outros, dos que apenas têm como rendimento, a sua força para trabalhar.

Dum lado do Muro os muito ricos que tudo podem comprar e do outro os que nada têm e só sobrevivem enquanto trabalham. Se adoecem nem a saúde podem pagar. A sua alternativa é a morte.

Que liberdade tem quem vive desse lado do Muro? Os que não têm dinheiro, os 842 milhões de pessoas que passam fome e nem forças têm para as trocar por comida?

O Muros das desigualdades, acorrentam sonhos, encarceram a felicidade, violentam quem nasce filho de um pobre, enquanto do outro lado do Muro os filhos dos ricos nascem já ricos e com a liberdade que o dinheiro compra.

A ditadura do poder económico 
Um dos homens mais ricos da América, entrevistado por um jornalista que lhe perguntou quanto pagava de impostos, riu-se e com ar de desprezo disse: Eu já sou suficientemente rico para não ter que pagar impostos.
Os trabalhadores que produzem as riquezas que seguem directamente para os armazéns do outro lado do Muro, tudo o que compram com os tostões que recebem, nem sequer podem fugir ao IVA quando, para poderem continuar a trabalhar, têm que comprar pão para se alimentar. 

Um trabalhador que numa fábrica produz dezenas de sapatos por dia, ao fim dum mês não fica com o suficiente para comprar um par de sapatos dos milhares que produziu.


Deste lado do Muro morrem milhões de crianças, condenadas porque os pais não podem dar-lhes de comer nem pagar a sua saúde, nem obter água potável. Sim, 700 milhões de pessoas não têm água potável. Mil milhões defecam ao ar livre. As contaminações atingem em especial as crianças, deste lado do Muro. Do outro lado consomem-se milhões de litros de bebidas de todo o tipo e destoiem-se alimentos para que os preços não desçam. O mundo produz a quantidade suficiente para que não haja fome. Contudo, 842 milhões de pessoas passam fome.
85% da riqueza mundial pertence a 10% dos mais ricos que têm, em média, quarenta vezes mais que o cidadão médio do mundo. Na metade de baixo dessa pirâmide, metade da população mundial adulta tem que se conformar com 1% da riqueza mundial, distribuida por todos.
De um lado do Muro, algumas dezenas de pessoas mais ricas têm rendimento total superior ao total dos muitos milhões de pobres do outro lado.
Se os muito ricos trabalhassem, precisariam de centenas de vidas a trabalhar até aos 80 anos para acumular a sua riqueza.

Saltar o muro
Será possível um pobre saltar este muro das desigualdades. Não, esta desigualdade extrema retira a liberdade e a mobilidade. Quem nasce pobre está condenado a morrer pobre. E seus filhos e netos, nascidos ou por nascer, herdarão sua pobreza. 

Um outro Muro foi derrubado para o capitalismo conquistar mais espaço. Assim se estendeu a quase todo o mundo. De imediato, foram erguidos muitos outros muros. 7.500 quilómetros já estão acabados. Mais quase 10.000 estão a ser construídos. O Muro das desigualdades cresceu na mesma medida que a liberdade de um lado reduziu a do outro.


7 de dezembro de 2014

Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues

Muito interessante, comovente, mas cheia de força, a homenagem onde participaram muitos intelectuais, grandes figuras da cultura do país, mas, onde também, mais uma vez, a comunicação social esteve quase ausente

A RTP fez uma referência interessante ao vídeo que foi feito e passou nesta homenagem.
"Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem...  
Um homem fala sobre o seu passado, que se confunde com o da História do seu país. Num discurso comovente evoca a luta pela liberdade e a sua crença nas revoluções e na supremacia da Beleza. Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem. E se as coisas em que acreditou nem sempre lhe corresponderam foi porque ainda não tinha chegado o tempo certo. Mas vai haver um mundo novo. Vai haver. No meio do Tempo, Urbano reflecte, enquanto a brisa do sul não cessa de soprar".

Alguns jornais fizeram breves alusões à Homenagem que ontem foi feita, no Auditório da Biblioteca Nacional. 

Urbano Tavares Rodrigues tem dezenas de livros publicados, desde o romance ao conto e aos poemas, passando pelo ensaio, a narrativa de viagens, a crítica e o teatro. Tem ainda alguns livros por publicar.

Urbano Tavares Rodrigues foi homem de  imensa coragem na sua vida de intervenção em muitos domínios. Homem de intensa actividade política, no seu partido, no movimento da Paz, na oposição democrática, enfrentando a prisão, as torturas e as represálias. Manteve sempre essa coragem, depois do 25 de Abril, até ao fim dos seus dias.

O escritor, jornalista e militante do PCP, Urbano Tavares Rodrigues morreu na manhã de sexta-feira, 9 de Agosto de 2013. Estava a poucos meses de completar 90 anos. Mas, Urbano Tavares Rodrigues continua connosco, sempre presente, mesmo para além da sua bela mensagem que nos deixou:

«Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz.» 

BPN conhecido como o Banco do PSD

BPN, por enquanto, o maior escândalo financeiro e político da história de Portugal.

O roubo e a falência custaram directamente aos portugueses 2.400 milhões de euros com a nacionalização dos prejuízos sem que ao menos o Estado tenha beneficiado dos activos de todo o grupo da SLN. A direita tem horror às nacionalizações porque isso prejudica os banqueiros. Nacionalizações só dos prejuízos, que os portugueses aguentam. Se contarmos com os custos indirectos esse valor chegará aos 9.000 milhões.

Os portugueses aguentam
Entretanto os Banqueiros que receberam os Bancos nacionalizados em 1975, esses, dizem "os portugueses aguentam, aguentam. Eles, os banqueiros, os privados, vão colocando o dinheiro que ganham com o que o Estado arranca a cada português, no estrangeiro ou nos paraísos fiscais.


Estamos apenas a falar da oferta que o Governo PS fez ao BPN com a nacionalização. Oferta, pois não exigiu aos banqueiros que ganharam o dinheiro que o fossem buscar onde o puseram. Em Gibraltar, no Brasil, nos offshores de Porto Rico, em Cabo Verde, na Suiça, nas ilhas Caimão e em todas as propriedades que compraram.
Que acontece a um português (que aguenta, aguenta) se não aguentar e falhar na prestação da casa?
Os Bancos, imediatamente os põe na rua e ficam com a casa.
Que aconteceu aos banqueiros que roubaram o Banco e não pagam para que os portugueses paguem o que eles roubaram? Nada!. 

Quem faz as leis

Foram movidos processos judiciais. Mas como foram eles que fizeram a Lei na Assembleia da República, PS, PSD e CDS, todos amigos dos seus amigos Banqueiros, os que lhes deram os Bancos Nacionalizados e os que nacionalizaram os prejuízos para os portugueses pagar, essas Leis tudo permitem a quem tem dinheiro para pagar a bons advogados. Ou seja: pagámos nós os advogados deles. Esses arrastam os processos, escondem as provas e coitado do Ministério Público tem uma falha qualquer, erro numa data, uma vírgula que ficou esquecida e então o Tribunal interpretando as leis do PS, PSD e CDS, marimba-se no apuramento da verdade e determina: Arquive-se o processo. Mas não arquivam o pagamento que os portugueses fazem ao Estado para o Estado pagar aos Bancos. 

Figuras ou figurões
  
Quem são as figuras que, desta forma, mostram que mandam no Governo, no Presidente (?), nos deputados do PS, do PSD e do CDS que lhes fizeram tudo o que eles mandaram fazer? 

O BPN foi criado em 1993 e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que compreendia um universo de empresas, muitas delas, nebulosas sociedades, sediadas em paraísos fiscais e offshores o que lhes possibilitava as negociatas sem controlo e a fuga aos impostos. 
Não foi por acaso que esse Banco foi fundado. Não foi por acaso que era conhecido como o Banco do PSD.



O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado. Já não sabemos se Oliveira e Costa era o homem de confiança de Cavaco ou se Cavaco era o homem de confiança de Oliveira e Costa. Este assumiu a presidência do BPN em 1998. O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos governos de Cavaco Silva, entrou para a política (PSD) com 40 contos e trabalhou tanto, tanto que passou para uma fortuna de 400 milhões. Vem depois o nome de Daniel Sanches, outro ex-ministro (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN pela mão de Dias Loureiro. Outro foi Rui Machete, presidente do Congresso do PSD. Outros ainda foram os ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho um presidente Banco Europeu de Investimentos e outro pelo Finibanco.

Outro com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN. Também no Brasile está acusado de assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das herdeiras do milionário Tomé Feteira. 
Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco. 

Negócios com Cavaco
  
Os responsáveis por estas fraudes, tiveram também negócios com Cavaco. Ou seria que Cavaco teve negócios com eles? O que é certo é que Cavaco beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência. Em 2001, ele e a filha compraram a 1 euro por acção, preço combinado com Oliveira e Costa, 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros. Os portugueses que tudo aguentam acharam que Cavaco tinha um baixo ordenado e ofereceram-lhe, para além dos votos, mais estes 350.000 euros. Teria sido com esse dinheiro que Cavaco comprou uma casinha de férias na Aldeia da Coelha? Cavaco como não gosta de se afastar dos amigos, comprou a casinha mesmo ao lado da de Oliveira e Costa e de alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor da casinha é apenas 199.469,69 euros, mas fez uma permuta com o construtor Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento. 

Foram tantos os roubos que o BPN faliu. Em 2008, quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do Cavaco. Este descobriu um prejuízo de 1.800 milhões de euros, que os portugueses que aguentam tanto, aguentam e aguentaram.

Onde está o dinheiro?
  
Para onde foi o dinheiro do BPN? Oliveira e Costa repartiu-o pelos seus amigos e, como quem parte e reparte... ficou com a sua parte. Alguma razão haverá para que o BPN fosse conhecido como o Banco do PSD.
Já no governo de Sócrates, o BPN com o seu chorudo prejuízo, passou para a Caixa Geral de Depósitos, do Estado (paga português). A Caixa era liderada por Faria de Oliveira, outro ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua recandidatura presidencial, ao lado de Norberto Rosa, ex-secretário de estado também de Cavaco. 

Os portugueses afinal não são piegas
  
Em 31 de julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN. Estava previsto a venda ser por 180 milhões mas os portugueses fizeram um desconto e venderam por 40 milhões de euros. 
Os portugueses aguentaram mais 550 milhões de euros para além dos 2.400 milhões que já lá tinham enterrado. Mas como os portugueses afinal não são piegas e tudo aguentam, suportaram também os encargos dos despedimentos de 1.580 trabalhadores (20 milhões de euros).

O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é um famoso pensionista de Portugal com reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

O julgamento do caso BPN já começou, mas pouco se sabe. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal. Parece que dessa lista não consta o nome de Cavaco. Porque será?




às 0.25 foi feito um corte ao texto original que continha incorrecções dos valores a pagar por cada português.