3 de janeiro de 2012

Convite

Quarta feira dia 4, às 18 horas, na Casa do Alentejo Lisboa

A História não se repete

Água mole em pedra dura...

Estive uma semana afastado deste blogue, em viagem pelo país. As notícias que li, ouvi e vi, trataram de rever o que foi o ano que findou. 
 
Um ano, pode ser uma fatia da nossa vida mas é uma pequeníssima migalha na História da Humanidade, na História das lutas do Homem, pelo progresso. 
 
O tempo vão volta atrás, os ponteiros dos relógios giram continuamente no mesmo sentido. Os calendários têm sempre mais uma unidade na contagem dos dias, dos meses, dos anos. 
 
As pessoas nascem, crescem e morrem e são renovadamente diferentes. A História não se repete. Contudo a vida das pessoas e das sociedades tem avanços e recuos. Por vezes, essas condições, dão saltos qualitativos importantes. Há revoluções. São rupturas com as políticas do passado.
  
 
No percurso que fiz visitei imensas vilas e aldeias. Em todas se viam as marcas do 25 de Abril de 1974. As pessoas assumiram que eram donas dos seus destinos e tinham querer. Bem ou mal discutiam a sua vida, a vida das suas terras.
 
O Poder Local, nuns sítios mais, noutros menos, passou a fazer parte das vidas dos habitantes. Os sinais são claros. Nas obras, nos hábitos ou nas controvérsias de café ou da taberna.  
 
Mas se a história não se repete, repetem-se os sinais de velhas políticas que o 25 de Abril há 37 anos venceu.   
 
2011 foi um ano - a somar a outros 34 - de ver a vida a andar para trás, para muitos milhões de pessoas. O calendário que acabámos de substituir era de 2011 mas, para muitos portugueses, parece repetir-se a vida dos tempos em que as paredes tinham pendurado o calendário de 1973. 
 
2011 foi mais um ano de luta desigual na tentativa de travar a destruição do que foi construído pelo povo e para o povo. Nas cidades, vilas e aldeias que percorri, falei com muita gente. Todos indignados. Muitos convencidos que “é a vida”, “é a crise”, “essa maldição”... Alguns reconhecendo que foram enganados, outros culpando “quem lá os meteu”. 
  
 
A História não se repete. Contudo a vida das pessoas e das sociedades tem avanços e recuos. Depende de nós, com a nossa luta organizada, impedirmos os que querem recuar nos tempos e voltar à exploração sem leis, sem limites, ao regime liberal do século XIX em que a lei era a do mais forte, dos que detêm os meios de produção e dão trabalho apenas a quem querem. 
 
A História não se repete. O Homem aprende sempre. Diz o povo: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. 


Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
Bertolt Brecht 
Aumentemos, pois a pressão e o caudal da água contra as pedras que tentam impedir o livre curso da História. 

28 de dezembro de 2011

"Passagem de Ano" dos portugueses

Um lavagante para assinalar o Novo Ano de 2012

Para os 2% de ricos:
  

Para os 98% restantes, oferta do nosso governo:


Ao que nos conduz a política de direita e das desigualdades

23 de dezembro de 2011

Natal de 2011, Natal de injustiças, Natal de luta

Há muito que não tínhamos um Natal assim

35 anos de políticas de direita arruinaram o país, reduziram a democracia que conquistámos em 1974, aumentaram as desigualdades, e fizeram-nos regressar a muitas das condições de vida dos tempos do fascismo.

Já lá vão 37 anos. Muitos portugueses não viveram o regime fascista, não conheceram as duras realidades da vida do povo, em especial nas aldeias, no interior atrasado do país. Não conheceram a fome a miséria das aldeias que viviam isoladas, sem estradas ou caminhos. Não conheceram os bairros de barracas nas periferias das cidades. 
A maior parte de Portugal não tinha rede elétrica, não tinha abastecimento de água. A maioria das habitações não tinha casa de banho. 
Os trabalhadores do campo trabalhavam de sol a sol. Nos campos do Alentejo, os proprietários das terras, grandes agrários, "leiloavam" os trabalhadores oferecendo salários de miséria nas "praças de jorna". Quem não aceitasse trabalhar pelo preço oferecido, era posto à margem e ficava sem trabalho.

As crianças não tinham escolas e eram obrigadas a trabalhar muito cedo para ajudar a família. A mortalidade infantil era elevada. As doenças, a tuberculose ceifava as vidas dos mais fracos e mais pobres.
Quase dois milhões de portugueses tiveram que emigrar "a salto" como diziam. 
Eram emigrantes que muito dificilmente voltavam para rever a família se mulher e filhos não fugissem também para se juntar ao marido e pai no estrangeiro. 
A população envelheceu com a saída dos mais novos. Portugal não tinha futuro. 

O Natal era vivido nas aldeias pelos "velhos", mulheres e crianças. Apesar da fome e miséria o povo não deixou de ter sempre algo para o jantar de Natal com a família restante. Era a imagem da "casa portuguesa com pão e vinho sobre a mesa" que Salazar louvava. 

A tradição dos festejos de Natal, desde a homenagem pagã ao solstício de inverno, à celebração cristã do nascimento de Jesus era, feita à volta de rituais muito simples. A tradicional canção que José Afonso tão bem interpretou, mostra isso mesmo. O Natal dos simples:



Hoje, 37 anos passados, da Revolução que nos libertou do regime fascista que conduziu Portugal à miséria, ao isolamento internacional, obrigam-nos a recordar esses tempos.

2011 vai terminar com nuvens negras ameaçando o regresso aos tempos difíceis do antigamente para quem trabalha. 

O processo revolucionário do 25 de Abril de 1974, que tanta esperança trouxe aos portugueses, foi interrompido pela traição de alguns que se aliaram à direita e aos ricos "donos de Portugal" que tinham perdido o seu poder.

Provando que o dinheiro não desapareceu, apenas mudou de bolsos, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres. 
  
Aproxima-mo-nos perigosamente dos tempos em que Almeida Garret, escreveu: “E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”.



22 de dezembro de 2011

Um ano de c de...

Em 22 Dez 2010

com esta nota
C de Começar. Criado no primeiro dia de Inverno de 2010...
e esta fotografia


comecei este blogue C de...
Faz hoje um ano.
O contador de visitas iniciado em 1 de Janeiro deste ano, marca agora 42100.
Foram certamente menos os "curiosos" que espreitaram estas páginas. Foram, certamente, menos ainda os que voltaram e se mantiveram fieis leitores. Mas, mesmo assim, são muitos a que espero corresponder às suas curiosidades.


Aproxima-se o dia de Natal. Festa originalmente pagã, destinada a celebrar o nascimento anual do Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), e adaptado pela Igreja Católica no século III d.C.,
O solstício de inverno, no calendário atual ocorre normalmente por volta do dia 22 de dezembro no hemisfério norte e 21 de Junho no hemisfério sul e a festa solar do natalis invicti (natividade do sol inconquistado) era celebrada em 25 de dezembro e era a festa mais popular em muitas culturas. Festa que marcava o inicio de um novo ano solar e a nova actividade agrícola.


Em muitas localidades do Nordeste Transmontano as festas de Natal reproduzem as originais pagãs de louvor à Mãe Natureza. A Fogueira do Galo, e outros rituais solsticiais e de Ano Novo decorrem durante doze dias. Os jovens mascaram-se e ritualizam o caos da morte do dia que antecede o novo ano com a vitória dos dias a crescer. 
A Festa dos Rapazes, durante dois dias, os rapazes solteiros comandam a vida na aldeia. Os dias que começam a ficar mais longos, para os rapazes, significa também a passagem para a idade adulta. 
Os "caretos", criaturas estranhas vestindo trajes bizarros, com chocalhos e fitas penduradas, exibem máscaras diabólicas. Dançam, pulam, rodopiam e fazem grande algazarra, simbolizando o caos. Mas a Luz vence as Trevas. O Sol e a esperança renascem. Começa um novo ano. 
O que é novo supera o que é velho. É a dialética da vida.

Portugueses no caminho da ruína

É urgente travar esta política de desastre

Revisto, novamente, o Pacto de Agressão do grande capital financeiro

Em Conferência de Imprensa, Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do PCP, alertou para mais uma manobra, do Governo e da Troika que agrava ainda mais a vida dos portugueses em benefício dos Bancos e "mercados".

A manobra foi discreta para evitar que a maioria dos portugueses desse por ela.
A reunião do Conselho de Ministros de Domingo "foi uma enorme farsa em «mangas de camisa», para esconder esta revisão e agravamento do Pacto de Agressão".

De facto "depois da assinatura do Pacto de Agressão, já se está na sua segunda revisão, confirmando, tal como o PCP preveniu, o carácter insaciável dos verdadeiros promotores e beneficiários desta política: o grande capital nacional e estrangeiro, as grandes potências da União Europeia".

Esta alteração tal como as anteriores, "é puro terrorismo social" que desrespeita a Constituição da República Portuguesa.
Esta Revisão é mais "uma significativa desvalorização dos salários por via da liquidação da contratação colectiva e a brutal redução das indemnizações por despedimento para 8/12 dias por cada ano de trabalho e da facilitação/liberalização dos despedimentos com poder discricionário para o patronato".
                             


À saúde, serão retirados mais 550 milhões de euros, à educação mais 190 milhões. Os despedimentos anunciados atingem mais de 30.000 trabalhadores. Para além da destruição dos serviços públicos agrava-se o "abandono e desertificação de vastas regiões do território nacional – de que se destaca um programa de agressão específico para a Madeira" e a recessão económica e retrocesso do país demorará anos a ser recuperada.

Esta nova Revisão impõe o "aumento dos preços e tarifas dos serviços prestados pelas empresas públicas, designadamente nos transportes, ... mas também na energia, na água, nos serviços de saúde, incluindo as taxas moderadoras", cujo escandaloso aumento é de mais de 100%.

Este roubos ao povo e aos trabalhadores vão para "apoios directos e indirectos" ao grande capital. É para "a banca, e para o conjunto do sector financeiro, que estão reservados os incalculáveis apoios e transferência de recursos públicos à custa dos sacrifícios do nosso povo. Para além dos 12 mil milhões de euros já inscritos para a chamada recapitalização da banca – e à qual a CGD está impedida de recorrer - somam-se novas compensações, às que já eram conhecidas, no quadro dessa escandalosa negociata que dá pelo nome de “transferência dos fundos de pensões para a Segurança Social”. Ou seja, o Estado poderá vir a devolver parte do valor transferido pelo fundo de pensões para reforço do capital bancário – uma fraude, em que bancos fazem de conta que transferem e o Governo faz de conta que houve transferência, para passar a assegurar as reformas dos trabalhadores da banca, operação essa que, como o PCP já sublinhou, é uma verdadeira bomba relógio no sistema de segurança social".

"Tal como a realidade está a demonstrar o país está a ser conduzido contra a parede. De pacote em pacote, de austeridade em austeridade, os responsáveis por esta política prosseguem num rumo sem fim à vista, onde os sacrifícios de hoje justificam novos sacrifícios amanhã. E, ora no Governo, ora na oposição, PS, PSD e CDS, com o apoio do actual Presidente da República, comportam-se como executantes de um programa anti-democrático e de traição nacional a que urge pôr fim".

"O PCP sublinha a necessidade urgente de interromper este rumo, de rejeitar o Pacto de Agressão, antes que seja tarde. É preciso exigir a imediata renegociação da dívida pública – nos prazos, nos juros e montantes" e reservar meios para "o crescimento económico e a criação de emprego" para "o aumento da produção nacional, controlando importações, estimulando o investimento público, apoiando as PME´s"; "há que interromper as privatizações e recuperar o controlo público dos sectores básicos e estratégicos da economia"; "há que valorizar os salários e as pensões, combatendo desigualdades e dinamizando a economia nacional", em respeito pela Constituição e pela soberania nacional.

Vasco Cardoso acentuou que "o povo português tem direito a viver no seu país, e a lutar pelos seus direitos, pelo desenvolvimento e progresso de Portugal. É isso, e só isso, que pode garantir um Portugal com futuro".

21 de dezembro de 2011

O "Livro verde" muito escuro

O Governo quer impedir as populações de participar na vida local e reduzir a democracia nas autarquias

Quer afastar as autarquias das localidades extinguindo imensas freguesias
 
Quer as Câmaras a funcionar sem discussão democrática, como um "gang" do presidente, tornando mais difícil descobrir as negociatas e a corrupção que abunda em muitos políticos dos partidos da direita.

A proposta da reforma da administração local. do governo é um enorme atentado à democracia local favorecendo regimes presidencialistas, monolíticos, do "quero posso e mando", sem democracia, sem pluralidade de opiniões, sem participação cidadã, sem transparência nas decisões e ações. 
A actual Lei das Autarquias não deve ser alterada, pois permite, minimamente, uma governanção local democrática e participada. 
A haver reforma seria exatamente em sentido contrário ao que propõe o Governo. Portanto no sentido do reforço dos poderes das Assembleias, ao contrário do reforço do presidencialismo.
  
Para uma maior intervenção democrática das Autarquias, ao contrário do que quer impor o "Livro Verde escuro", exige-se o alargamento das competências do Poder Local e em especial das Freguesias, o aprofundamento da participação, da cidadania, o reforço de poderes da Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia, em especial na fiscalização dos executivos, de forma a defender os interesses das populações e impedir as negociatas entre "amigos", a corrupção e o compadrio.


20 de dezembro de 2011

Tudo previsto!

Facilitar os despedimentos para combater o desemprego

Os competentíssimos tecnocratas do nosso governo tem todas as instruções dos seus ultra competentes chefes da troika para a aplicação dos planos para o desenvolvimento da nossa economia e redução do desemprego. 
 
Plano A
 
Eles sabem bem que o combate ao desemprego, é a medida mais importante para a recuperação da nossa economia. Por isso, e como prenda de Natal, anunciaram já uma estratégia inovadora: 1ª Etapa - Aumentar o horário de trabalho. 2ª Etapa - Reduzir salários e os subsídios de férias e de Natal. 3ª Etapa - Reduzir os feriados e as férias. 4ª Etapa - Aumentar os preços dos produtos através do aumento do IVA. e agora a genial 5ª Etapa - Facilitar os despedimentos. 

Com tal estratégia, tão bem imaginada, é impossível que os empresários não comecem de imediato a colocar anúncios para admissão de mais pessoal. Isto porque a produção irá aumentar imenso dada a redução do poder de compra e o aumento dos preços dos produtos, conjugadamente. 
Quem, senão um génio, para conceber tão inteligente plano?
Mas, a minha admiração é ainda maior porque, tais génios, - apesar de garantida uma probabilidade de 97, 85% de sucesso - a pensar na hipótese, muito remota, de tal plano falhar, (02.15%) conceberam um Plano B, que revela a grande responsabilidade que assumem para com os portugueses que lhes pagam, e bem, os ordenados tão merecidos.
 
Plano B
 
O Plano B, já preparado, para o caso de causas externas, não permitirem a solução do desemprego em Portugal, apesar de muito improvável, é o seguinte:


18 de dezembro de 2011

Auditoria cidadã à dívida pública

Convenção de Lisboa

Sob o lema "CONHECER PARA AGIR E MUDAR", reuniram-se em Lisboa centenas de cidadãos que debateram as questões relacionadas com a Dívida Pública. Do texto final da Resolução, de extraí algumas ideias que me pareceram mais significativas:

OS PROBLEMAS

O texto começa com a seguinte introdução: "Salários e pensões confiscadas, trabalho adicional não pago, mais impostos sobre o trabalho e bens básicos de consumo, mais taxas sobre a utilização de serviços públicos, menos protecção no desemprego, cedência a privados de bens comuns pagos por todos — tudo justificado pela necessidade de servir a dívida pública sem falha. Dizem-nos que cortar despesa pública, aumentar impostos e taxas, degradar o nível de provisão e de qualidade dos serviços públicos para servir a dívida sem falha, é “a única alternativa”. Mas como pode ser alternativa o que não chega sequer a ser uma solução? A austeridade, o nome dado a todos os cortes e confiscos, não resolve nenhum problema, nem sequer os da dívida e do défice público. Pelo contrário: conduz ao declínio económico, à regressão social, e depois disso à bancarrota. É chegado por isso o momento de conhecer o que afinal é esta dívida, de exigir e conferir a factura detalhada. De onde vem a dívida e porque existe? A quem deve o Estado? Que parte da dívida é ilegítima e ilegal? Que alternativas existem para resolver o problema do endividamento do Estado? Tudo isso incumbe a uma auditoria à dívida pública. Uma auditoria que se quer cidadã para ser independente, participada, democrática e transparente".

DA CRISE FINANCEIRA Á CRISE DA DÍVIDA

O texto faz seguidamente uma análise da génese dos problemas desde 2007, data em que foram evidentes os efeitos de uma crise que teve origem na especulação financeira e imobiliária nos EUA. Refere-se que, numa primeira fase, os Estados salvaram o sistema financeiro através de injecções massivas de dinheiro do Estado socializando os prejuízos da banca. O preço, destas medidas foi a degradação das contas públicas. 

A crise estendeu-se à Europa, em particular à Grécia, à Irlanda e a Portugal, Espanha e Itália. Estas economias viveram uma degradação da sua posição na economia europeia e mundial, que resultou no endividamento, público e privado. "A vulnerabilidade económica estrutural destes países, somada à crise financeira internacional, foi explorada pelos mercados financeiros através de uma euforia especulativa em torno da dívida pública de que se não conhecem precedentes".

"A resposta a este ataque foi, incompreensivelmente, a imposição de programas de austeridade brutais a estes países, agravados pelas condições exigidas nos vários resgates financeiros da troika BCE/FMI/FEEF. A austeridade condena os países intervencionados ao aumento do desemprego, à destruição progressiva do Estado social e à recessão sem fim".


CONFIRMAM-SE AS ANÁLISES DA CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCP SOBRE QUESTÕES ECONÓMICAS E SOCIAIS

A análise prossegue verificando que "a situação que se vive em Portugal resulta das condições de adesão ao euro e da sua arquitectura". 

Com base nos dados do Governo verifica-se que no início da intervenção da troika, a dívida pública portuguesa era de 97% do PIB e em 2013, prevê-se que seja acima de 106% do PIB desse ano e o desemprego situar-se-á acima dos 13%. Portugal terá uma dívida pública maior e estará mais pobre. Reconhecer-se-á então que a dívida pública é insustentável e que os sacrifícios foram inúteis, tendo servido apenas para agravar os problemas.

Estas conclusões não são novidade e têm sido constantemente repetidas pelo PCP em especial depois da Conferência Económica e Social realizada em 24 e 25 de Novembro de 2007, quando nos EUA se revelou a crise do capitalismo. Continuando as conclusões da Convenção, conclui-se que "a austeridade não oferece soluções", que se torna "urgente a reestruturação da dívida pública" alargando os prazos de pagamento, reduzindo as taxas de juro, ou mesmo reduzindo o valor da dívida. 

17 de dezembro de 2011

Islândia e Argentina (2)

Resposta a um comentário anónimo ao texto anterior

Sr. Anónimo
Agradeço ter feito o comentário pois é sempre uma oportunidade para o debate. Faço-o aqui dada a dimensão da resposta que não permite de outro modo e, desta forma, creio ser também útil para outros leitores. 

Não vou pôr em causa o que disse, ainda que tenha abordado o problema desses países de uma forma demasiado restrita e fugindo ao cerne da questão. 
O texto que escrevi não tinha, nem tem, a intenção de analisar os problemas económicos dos países referidos, que sei bem que são diferentes dos de Portugal.
Por isso, como há-de reparar se ler o meu texto com isenção, eu apenas referi a forma como eles se libertaram da chantagem que os mercados, o FMI (Argentina) e a União Europeia (Islândia) lhes fizeram. Também por isso, não aceito a sua crítica de "Ora ai está um texto escrito de má fé! Possivelmente por alguém que é amigo de algum politico e por isso tenta confundir o problema da Islândia com o Português e atirar a culpa para os banqueiros".

Ainda que não fosse esse o tema do texto, admito que, conscientemente, "atirei a culpa para os banqueiros" (caso da Islândia) e não só os banqueiros, como é o caso da Argentina. 
O cerne da questão está na forma como o povo desses países reagiram defendendo os interesses do seu país e, "de certo modo", se estiveram "marimbando" (para utilizar o termo tão badalado) para as chantagens e ameaças do FMI, da União Europeia (Islândia) e também dos Bancos Ingleses e Holandeses.

Independentemente da grande fatia de culpa dos Bancos e banqueiros, no caso da Islândia, também o Governo da Islândia quis pagar as dívidas exigidas pela União Europeia, impondo um Plano de Austeridade aos islandeses. Como sabe o Presidente da República, apesar das ameaças, exigiu que fosse feito um referendo. O povo recusou pagar as dívidas da responsabilidade dos Bancos Privados e exigiu a renegociação da dívida. A União Europeia (UE) acabou por ceder e baixou os juros significativamente.

Essa é a moral da história.
  
Na Argentina de 1999 Fernando de la Rúa anunciou a necessidade de uma série de aumentos de impostos e ajuste da estrutura estatal com privatizações de considerável magnitude. 
A situação económica e social era muito delicada: desemprego que superava os 15% e que subia implacavelmente, desconfiança de 

Quem paga, manda?

Jerónimo de Sousa «O roubo organizado pelo governo aos portugueses, será derrotado»

Não foi a dívida que destruiu o aparelho produtivo.
Foi a destruição do aparelho produtivo que levou à dívida 

Na Europa como em Portugal, como em todo o lado, há os que pagam e os que recebem, os que enriquecem e os que embobrecem.

Ontem na Assembleia da República, Jerónimo de Sousa confrontando o Primeiro-Ministro com o roubo organizado aos trabalhadores e ao povo, afirmou que a luta contra este pacto de agressão será a causa da derrota destas políticas de desastre nacional.




Sobre a justificação do Governo de que "quem paga é que manda", disse Jerónimo de Sousa, que se assim fosse nós mandávamos muito. Em troca dos subsídios europeus para encher os bolsos de alguns, Portugal pagou em dinheiro com elevados juros agiotas. Pagou com a destruição do nosso aparelho produtivo. Pagou com a desativação da nossa indústria, Siderurgia, indústria naval, e toda a indústria pesada. Pagou com a destruição da nossa Agricultura. Pagou com a destruição da nossa frota pesqueira. Pagou com a desativação da nossa Marinha Mercante. 
Pagámos para que alguns ganhassem, como foi o caso da Alemanha, que passou a vender a Portugal o que deixámos de produzir.

16 de dezembro de 2011

Islândia e Argentina

Dois exemplos que devem ser estudados

Quer a Argentina e depois, recentemente, a Islândia sofreram dramáticamente as crises financeiras que os Bancos e grandes grupos económicos criaram. Tudo indica que estavam piores que Portugal. No primeiro caso por a Argentina ter sofrido muitos anos de roubos e de uma política subordinada ao imperialismo americano e com a intervenção do FMI. No segundo caso por a Islândia ser um país muito pequeno e sem poder para enfrentar as grandes potências económicas.
  
O Presidente da Islândia depois de recusar assinar o acordo para pagar as dívidas dos Bancos privados, obrigou o Governo a um referendo que mostrou que tinha razão. Os islandeses recusaram pagar as dívidas dos Bancos privados, recusaram pagar os juros agiotas e decidiram julgar e prender os banqueiros. 
  
Em ambos os casos, diziam os que defendiam o grande capital o que diz hoje o nosso governo, repetindo a senhora Merkel. Diziam que os mercados iriam reagir cortando as ajudas e financiamentos. Seria o desastre!
Contudo não foi isso que aconteceu. Renegociaram a dívida, reduziram os juros e afinal o "papão" dos mercados foi bluff. Não só continuam a ter acesso aos mercados como apresentam índices de crescimento económico e de desenvolvimento social muito superiores aos da maioria dos países europeus. 
  
Como sempre, valeu a pena lutar. O povo fez bem em não se assustar com as chantagens do capital financeiro nem com os seus servidores de Bruxelas. Esteve-se "marimbando" (palavra da moda) para os sábios da Europa, para os analistas, para os comentadores de serviço que repetiam como Passos Coelho: não há alternativa, temos que fazer o que manda a troika.


15 de dezembro de 2011

Vítimas ou caloteiros?

Qual a verdadeira razão do "PAPÃO" de "não pagar" a dívida?

O vice-presidente da bancada do PS referiu que Portugal devia ameaçar deixar de pagar a dívida nacional externa. Pedro Nuno Santos, líder do PS-Aveiro, disse que o Governo devia ignorar as exigências dos credores internacionais e, dessa forma, poupar os portugueses aos sacrifícios a que estão a ser obrigados. "Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos". 

Caloteiros? Quem?

A resposta não se fez esperar. Logo vieram as acusações de "caloteiro" ao atrevimento de Pedro Santos, inclusive da direcção do PS que sempre se encostou ao grande capital financeiro. Note-se que isto não é novo. Também quando o PCP defende a renegociação da dívida, logo a comunicação social veicula as vigorosas acusações dos defensores dos Bancos, dizendo que nós não somos caloteiros.

Faço então algumas perguntas:

Quem é que disse que queria ser caloteiro? Quem contraiu as dívidas?
Então porque não são os Bancos, causadores da crise, a pagar as dívidas com o muitos milhares de milhões de euros que ganharam, em juros cobrados ao Estado e aos portugueses?

Se esses fabulosos lucros foram em grande parte distribuídos aos acionistas banqueiros, e estão bem escondidos nos bancos da Suíça ou paraísos fiscais, porque não são eles (os donos) a entrar com o capital que falta aos Bancos.? Porque exigem que seja o Estado com o dinheiro dos trabalhadores a fazê-lo?
Esses senhores, para alem de caloteiros, não serão coniventes com os ladrões que roubam o dinheiro das famílias portuguesas?

Os jornalistas, pagos por esses senhores, exploram a seriedade tradicional do povo português, que não gosta de caloteiros, para agora chamar caloteiros aos que são vítimas dos exploradores.

Pedir fiado

Quando um pobre pede fiado na mercearia ou na farmácia, em geral faz todo o esforço para pagar a dívida. Isso faz parte dos nossos valores, da nossa cultura. Mas também faz parte dos nossos valores o merceeiro ou o farmacêutico não cobrar juros pela dívida.

Com os Bancos e os chamados mercados é muito diferente. Esses, tal como os penhoristas, aproveitam-se de quem tem dificuldades, para exigir elevados juros, para além de penhorarem tudo o que podem. E a exploração é tal que, quanto maiores são as dificuldades, mais aumentam os juros.

Lei do Funil

Os Bancos e "mercados", que vivem do nosso dinheiro, ganham mais em juros do que os valores que emprestam. No entanto, o Estado, (que somos todos nós), recapitaliza os bancos. E neste caso são os que precisam, os Bancos, que impõem as condições. Ou seja, a "lei do funil". A parte larga para eles e a apertada para os outros.

É isto que o povo não sabe. É isto que os defensores dos bancos escondem e usam para apelar aos "nobres sentimentos" para defesa dos bancos e para continuarem a roubar o povo para dar aos grandes capitalistas. 

Bancos públicos ou privados?

Para que servem os Bancos? Para ajudar a economia, certamente. Ora, os Bancos privados fazem precisamente o contrário. Servem-se da economia do país para ter grandes lucros e distribuir esses lucros aos acionistas. A Caixa Geral de Depósitos, que é do Estado, poderia apoiar a economia portuguesa em vez de gastar os seus recurso a apoiar os Bancos. 

Só para o BPN foram mais de 5.000 milhões de euros, perdidos.

Vejam o que disse Carlos Carvalhas sobre isto, já há meses:


 
Nuno Teles escreveu em "Ladrões de Bicicletas" que "Pedro Nuno Santos diz aquilo que devia ser evidente para todos. As condições de pagamento da dívida são a única arma negocial ao dispor das periferias nesta era do protectorado de Merkozy. Eu diria mais, no actual contexto de austeridade recessiva é evidente que Portugal não conseguirá pagar esta dívida, nestas condições".

É evidente que este governo dos Bancos, está a tentar roubar o máximo que puder aos trabalhadores, aos mais pobres. Tal como dizia Salazar, dividir os custos pelos pobres é melhor porque eles são muitos e já estão habituados.
 
Só não vê quem não quer. E, enquanto os que sofrem não quiserem ver, é difícil que isto mude.

Governo quer destruir o Sistema Público de Transportes

Mais um crime económico contra o país. Entrega ao grande capital estrangeiro das empresas nacionais




Jerónimo de Sousa acusou o Governo de querer transferir o controlo público da CP, da CP Carga, da TAP, da ANA, da CARRIS, da Transtejo, da Soflusa, do Metropolitano de Lisboa ou dos STCP, para as mãos do grande capital estrangeiro, ou melhor para o grande capital Alemão ou Francês de onde são oriundas empresas como a DB, a ARRIVA, ou a Transdev.

Jerónimo de Sousa apelou para a luta dos trabalhadores e dos utentes para impedir tal destruição com as consequências que se adivinham. Redução das carreiras, aumento dos preços e pior serviço às populações. 

Trata-se de entregar aos privados a CP, a CP Carga, a TAP, a ANA, a CARRIS, a Transtejo, a Soflusa, o Metropolitano de Lisboa ou dos STCP.

O Governo disse que nada estava decidido mas, mais uma vez, mente! Como disse Jerónimo de Sousa "está a ser implementada uma política de factos consumados a coberto de um intenso manto de demagogia e manipulações. Incapaz de discutir com o PCP, com os utentes e os trabalhadores, que lhe desmascaram as mentiras e expõem as suas criminosas intenções, o Governo prefere a política das atoardas e dos factos consumados".

14 de dezembro de 2011

Destruição da nossa cultura

Fim do ensino da língua e cultura portuguesa no estrangeiro

No blog Emigração foi hoje noticiado que o Governo de Portugal, com o apoio do Instituto Camões, decidiu acabar com o Ensino de Português no Estrangeiro (EPE). Diz a notícia: "É o fim, … em 72 países perdem os empregos 1691 docentes e 155 000 jovens e crianças portuguesas e luso-descendentes a possibilidade de estudar a sua língua e cultura materna.

A menos de um mês do final do primeiro semestre de aulas, – a 29 de Novembro – 20 docentes na suíça dos cursos de língua e cultura portuguesa no estrangeiro receberam uma comunicação – primeiro por telefone e posteriormente por via electrónica – que a 31 de Dezembro 2011 cessariam as suas funções. A indignação instalou-se na comunidade portuguesa.

Ver mais (aqui)

Perante a situação a que nos conduziram, ministros que deveriam defender as funções de que foram investidos e para as quais são pagos (e bem) por todos nós, têm o desplante de aconselhar os jovens portugueses a emigrar. 
Quando é que reagimos a tanta barbaridade que esta política de direita, ao serviço dos bancos, dos negócios para alguns, nos impõe?
Quando será que a revolta é suficiente para corrermos com estes bandidos que destroem o país e as nossas vidas?

Também (no blog citado) se informa:
Criado na Alemanha movimento para defesa do ensino de português no estrangeiro. Resposta do Grupo Parlamentar do PCP ao “Colectivo para a Defesa do EPE “, de França.


O PCP criticou fortemente estas opções do Governo no Orçamento de Estado (ver vídeo) e respondeu a esta grave situação com uma carta que pode ser vista (aqui). 


Inês Zuber substitui a eurodeputada Ilda Figueiredo

Força Ilda, a luta continua

É esta a frase muito ouvida em resposta e apoio às belas e fortes intervenções de Ilda Figueiredo.

Ilda Figueiredo, continua na luta ao lado do povo, na defesa de uma verdadeira democracia. Uma democracia que dê aos trabalhadores aos que produzem e criam a riqueza, a possibilidade de gerir os destinos do país. Uma democracia que levará a um mundo mais justo, de paz e solidariedade entre os povos.

Ilda Figueiredo nos 12 anos em que esteve no Parlamento Europeu, deixou uma obra de grande valor, reconhecida por todos, só possível pela forma de trabalho colectivo do PCP, mas também pela sua dedicação e entusiasmo como defendeu os interesses dos trabalhadores e de Portugal.

Para a Ilda, como fraternalmente era tratada, a sua tarefa continua, agora, na luta pela paz e pela amizade entre os povos, no quadro das recentes responsabilidades por si assumidas no movimento da paz português.

Inês Zuber, Socióloga, de 31 anos de Idade, candidata nas últimas eleições, vai agora continuar o trabalho no Parlamento Europeu em representação do PCP.

Inês Zuber, é bolseira de investigação científica, assistente de investigação no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – Instituto Universitário de Lisboa. Foi da Direcção Nacional da Juventude Comunista Portuguesa, da sua Comissão Política e Secretariado. Foi também membro do Comité Central do PCP e candidata pela CDU à Câmara Municipal de Lisboa e é membro da Direcção da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC).


13 de dezembro de 2011

Extinção das freguesias

Em defesa das Freguesias e do Poder Local Democrático


A Reforma Administrativa que o Governo quer impor apesar do repúdio generalizado dos eleitos das Autarquias, é um golpe antídemocrático quer no seu conteúdo quer na forma como  está a ser preparado. 
O Poder Local Democrático foi uma das maiores conquistas do 25 de Abril e é o motor do desenvolvimento das localidades, das Freguesias, dos Municípios e do País. 
Graças às autarquias, a qualidade de vida das populações transformou-se imenso nestes 37 anos passados.


A destruição de muitas freguesias e da participação democrática nas Câmaras e Juntas de Freguesia, é andar para trás e voltar ao tempo do fascismo, dos Governadores Civis que nomeavam os presidentes de Câmara, Juntas e Regedores, pessoas da sua confiança para manter vigiadas as populações, e fazerem as negociatas que lhes apeteciam com o dinheiro do povo.


O Congresso das Freguesias com 1300 presidentes de Junta de Freguesia repudiou tal Reforma Administrativa. Apesar disso o Ministro Relvas, numa atitude antidemocrática, não atende à vontade dos autarcas e diz que vai avançar na eliminação de 1800 Freguesias. 


Por todo o país estão a surgir movimentos de defesa das Autarquias.


A Plataforma «Freguesias Sim! Proximidade aos Serviço das Populações” assume-se como espaço de intervenção cívica em defesa das freguesias e do que elas significam enquanto expressão de identidade do nosso povo, representação e defesa da vivência coletiva, fator de coesão social e territorial.

Constituída por eleitos do Poder Local Democrático, representantes dos trabalhadores de autarquias e do movimento associativo popular, esta Plataforma assume uma clara atitude de oposição aos projetos de empobrecimento do Poder Local Democrático, de liquidação da sua expressão democrática e dimensão representativa que encontram na pretendida extinção de centenas de freguesias presente no denominado «Livro Verde para a reforma da Administração Local» ambicionada concretização.