2 de novembro de 2011

Perguntas evidentes

Gato escondido com o rabo de fora
 
Como é que um referendo, uma consulta ao povo,  amedronta e põe em pânico, estas "democracias"? 

Então democracia já não é o poder do povo e para o povo?



O governo faz o mal e a caramunha

Paulo Portas e as falinhas mansas

Na televisão, Paulo Portas deu a deixa da estratégia do "comer e calar". Disse que os portugueses devem ver o exemplo da Grécia que, se afunda, porque o povo está a desestabilizar as soluções que foram encontradas para salvar o país e a Europa.


Esperteza bastante primária. Felizmente as pessoas estão a aprender depois de tanto sugadas pelos vampiros.
As soluções para a crise, segundo a política que ele defende são: aumentar o horário de trabalho e reduzir os ordenados; aumentar o desemprego e reduzir os apoios sociais...etc. etc.
Não foram os trabalhadores que criaram a situação que estamos a viver. No texto abaixo isso é bem demonstrado. (clicar aqui)


Em Portugal, como em quase todos os países capitalistas, os grandes grupos financeiros vêm há anos a aproveitar a "crise" que criaram, para acentuar a exploração e fazer uma transfusão de dinheiro das classes exploradas para os grandes exploradores. A "crise" é para a maioria mas, para eles, a crise é um negócio muito lucrativo. Este facto é indesmentível pois os muito ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. As camadas médias da população, também elas exploradas, estão a desaparecer para se juntarem às camadas mais pobres.


Nos últimos 12 meses, o crescimento da fortuna dos mais ricos foi 2 vezes superior ao aumento da riqueza a nível mundial. Os mais ricos do mundo, 1% da população mundial, controlam quase 40% (exactamente 38,7%) da riqueza de todo o mundo!


Os governos eleitos pelos povos, fazem a política neoliberal dos poderosos, acentuando as desigualdas atravéz do que chamam "austeridade". Austeridade para a maioria, mas eles continuam a sugar o sangue e o dinheiro dos que trabalham.


Paulo Portas, avisou: Não podemos desestabilizar. Porque os "mercados" ficam nervosos (por perderem o negócio), e depois é pior.
Ou seja. Paulo Portas defende que devemos "comer e calar", porque quem manda são os "mercados".


Mas afinal quem desestabiliza?
Os que refilam por estarem a ser roubados, ou os que roubam?
Os que obrigam a trabalhar de graça, para poderem despedir mais, ou os que trabalham e não recebem?


Dizia Bertolt Brecht: "Dizem violento o rio que tudo arrasta..., mas não dizem violentas as margens que o oprimem".

1 de novembro de 2011

Crise do capitalismo

Do blog Olhar à esquerda, retirei este fragmento de um texto de Juvenal que aconselho a ler:


O PADRASTO DA CRISE INTERNACIONAL

Já todos percebemos que a dramática crise que estamos a viver, é provocada pelo sistema bancário e pelas dívidas soberanas.
... na sua origem está uma golpada do Sistema Capitalista, proporcionada pelo sistema bancário americano.
Se é verdade que a questão do “Sub-prime” foi o detonador da crise, as razões mais profundas são a dívida contabilizada de cerca de 16 triliões de dólares, o passivo que os Estados Unidos têm a descoberto e se calcula na ordem dos 115 Triliões de dólares, mais a parcela de dólares que circula à sorrelfa e se calcula que sejam quatro vezes mais do que as emissões oficiais.
O sistema de emissão da moeda americana, estando na mão de entidades privadas, a celebrada Reserva Federal, tem permitido todas as barbaridades...


Texto completo (aqui)

Palestina membro de pleno direito da UNESCO

Publicidade enganosa


Diz-se que quando há crise de credibilidade, de imagem, ou para vender um produto que não presta, é preciso investir na publicidade.
Foi o que Obama fez no dia da morte de Kadafi, num discurso de vitória em que afirmou que a morte de Kadafi foi um sinal do reforço da liderança do EUA em todo o mundo.


Pois eu diria que há muitos outros sinais, esses sim, bem reais, da perda de credibilidade de Obama e dos EUA.


Registemos dois bem recentes. Há dias foi a votação quase unânime de 186 paises contra o bloqueio que os EUA fazem a Cuba há 50 anos. Ontem foi a votação na Unesco, admitindo a Palestina como membro de pleno direito.  

31 de outubro de 2011

UNESCO

A "democracia" dos EUA e de Israel

Os Estados Unidos ameaçaram também que cortariam financiamento à UNESCO caso a organização aceitasse a Palestina como membro de pleno direito.

Morte de Kadafi

As tentativas de desinformar que falham

Logo após a morte de Kadafi, apesar da profusão de vídeos e demonstrações dos troféus de guerra dos rebeldes, o CNT tentou fazer passar a mensagem de que Kadafi tinha sido morto pelos seus apoiantes para que não revelasse segredos. Isso chegou a ser sugerido como verdadeiro na nossa televisão (ver aqui em 18/out.). Contudo a grande maioria das notícias revela o contrário. Kadafi foi morto com crueldade pelos rebeldes. Era aos rebeldes que não interessava que Kadafi fosse julgado pois isso iria motivar grandes ações de apoio em sua defesa.
Guerrilheiros, revolucionários, não se comportam assim.


Acaba a intervenção da NATO, não acabou a luta e a guerra da desinformação
  
Acaba hoje a intervenção da NATO que "oficialmente" durou oito meses, depois de um mês de guerra civil em que os rebeldes foram apoiados pelas tropas especiais inglesas e pela CIA. Oito meses de guerra da NATO, com forças potentissimas, muitos milhares de bombardeamentos diários, que, para alem dos alvos militares, mataram imensos civis, mulheres e crianças, destruiriam as infraestruturas de comunicação, de água, de electricidade, de gás e muitos edifícios de habitação, escolas creches e até hospitais. Destruíram o país mais desenvolvido de África. 

Guerra de uma organização, de um grupo de países, que decidiu, unilateralmente, interceder a favor de rebeldes em oposição a um governo legal que ainda há poucos anos era considerado amigo. 
Se Kadafi era ditador há 42 anos porque é que foi, tanto tempo, amigo dos que agora o combateram.

Incompreensível é também a afirmação de que o ditador era odiado pela maioria do povo. Como é possível que fossem precisos nove meses de guerra, com fortes apoios em armamento, da Inglaterra, França e Estados Unidos, e oito meses de intervenção directa da NATO, com milhares de bombardeamentos, por aviões e navios de guerra, em apoio a uma das partes (que se dizia maioritária) e fortemente armada, numa guerra civil. Onde foi Kadafi buscar as forças para aguentar este combate? É questão que o futuro dirá.


30 de outubro de 2011

Canto da sereia ou canto do cisne?

Cada dia Passos Coelho acrescenta um ponto

Mesmo sem referir as mentiras da Campanha Eleitoral, já no Governo, Passos Coelho tem vindo dia após dia a anunciar o prolongamento da austeridade. Primeiro era 2012, rapidamente passou para 2013, já referiu o 2014 e agora são "mais alguns anos". Que política é esta? 

Se a dívida é grande há responsáveis e beneficiados. Quem são eles? 
Expliquem-nos a origem desta crise do capitalismo! O que sabemos é que as grandes fortunas estão a aumentar e as desigualdades são cada vez maiores. Porquê? O Governo eleito para nos defender tem obrigação de explicar para onde foi o nosso dinheiro. Não basta dizer que se gastou. Se se gastou alguém o ganhou. Os trabalhadores que criam a riqueza não o ganharam pois estão cada vez mais pobres. Quem o ganhou? Como? A trabalhar? 

29 de outubro de 2011

Direitos Humanos? Que direitos?

China expõe hipocrisia dos EUA em relação aos Direitos Humanos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou seu Relatório por Países sobre Práticas de Direitos Humanos correspondente a 2009, erigindo-se, mais uma vez, em "juiz mundial dos direitos humanos".

Como em outros anos, os documentos estão cheios de acusações sobre a situação dos direitos humanos em mais de 190 países e regiões, inclusive a China. No entanto, é completamente omisso, ignora e inclusive encobre as violações dos direitos humanos em seu próprio território.

Aproveitando estas publicações do Portal O Vermelho, vou colocar no separador "Cortes e recortes" deste blog alguns dados, compilados pelo Conselho de Estado da China, que evidenciam o que é  "Democracia" no país das desigualdades.
Para ver mais, (clique aqui)





Os donos do mundo


Os Governos ao serviço
do capital financeiro



Li no jornal Económico de dia 21 um interessante artigo de Rui Barroso, com o título "Afinal, o Goldman Sachs manda no mundo?"

Esta pergunta é justificada quer por várias opiniões quer por dados que vou procurar resumir, ainda que face a tanta informação seja tarefa difícil.

Começa RB por citar o Presidente da GS: "Sou um banqueiro a fazer o trabalho de Deus". Explica contudo que o "trabalho de Deus" é a "encarnação do lado negro da força em Wall Street". Cita também o autor de "Money & Power: How Goldman Sachs Came to Rule the World", William D. Cohan, "Eu concordo com a tese de que os bancos, e especialmente o Goldman Sachs, se tornaram demasiado poderosos na medida em que influenciam a nossa política, a nossa economia e a nossa cultura". 
O poder do GS nos centros de decisão política levou a que esse banco seja tratado por Government Sachs. 

De facto o GS conta com um exército de antigos funcionários em cargos políticos e económicos nos lugares mais sensíveis nos paises e instituições do mundo. E diz RB que "o inverso também acontece, o recrutamento de colaboradores que já desempenharam cargos de decisão". E continua:"Não há dúvida que Wall Street tem uma força cada vez mais poderosa no governo americano. Não são apenas os milhões que vão para os bolsos de políticos atrás de políticos para ajudá-los a ganhar as eleições, mas os banqueiros de Wall Street são frequentemente escolhidos para posições de poder na Casa Branca, no Tesouro, na SEC [regulador dos mercados financeiros] e noutros reguladores", observa William D. Cohan, que passou 16 anos a trabalhar na banca de investimento antes de se dedicar ao jornalismo de investigação.

Não é só nos EUA que ex-Goldmans dão o salto para altos cargos políticos e económicos. Um dos exemplos é o futuro presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que desempenhou o cargo de director-geral do Goldman International entre 2002 e 2005, levando-o mesmo a ser questionado no Parlamento Europeu sobre as ligações do banco de investimento à Grécia.

Tanto na crise financeira americana de 2008 como na tragédia grega, "o Goldman Sachs foi alvo de acusações(...). O Goldman Sachs ajudou, a partir de 2002, a Grécia a encobrir os reais números do défice, através de ‘swaps' cambiais com taxas de câmbio fictícias, o que na prática permitiu a Atenas aumentar a sua dívida sem reportar esses valores a Bruxelas". Continuando a citar o autor do artigo "Segundo o "Der Spiegel", o banco cobrou uma elevada comissão para fazer esta engenharia financeira e, em 2005, vendeu os ‘swaps' a um banco grego, protegendo-se assim de um eventual incumprimento por parte de Atenas. 

No início de 2010, os analistas do Goldman recomendaram aos seus clientes a apostar em ‘credit-default swaps' sobre dívida de bancos gregos, portugueses e espanhóis". Angela Merkel, disse: "É um escândalo os mesmos bancos que nos trouxeram para a beira do abismo ajudaram a falsear as estatísticas", mas isso não impediu que Petros Christodoulou, um antigo empregado do Goldman, assumisse em Fevereiro de 2010 o cargo de director da entidade que gere a dívida pública grega. 

RB refere que "O escândalo grego levou alguns deputados europeus a questionarem o futuro presidente do BCE sobre a sua independência para assumir o cargo". 

Nos EUA "O banco chegou mesmo a ser condenado por fraude". Além disso, recorreu a fundos públicos e foi acusado de ser beneficiado com o resgate da AIG, coordenado pelo Tesouro dos EUA, liderado na altura por um antigo presidente do Goldman. "Os banqueiros e 'traders' de Wall Street foram recompensados por tomarem riscos elevados com o dinheiro de outras pessoas. Como consequência, os bancos foram salvos e os banqueiros receberam os seus bónus de milhões de dólares. É difícil de acreditar que foram recompensados pelo seu falhanço, mas foi o que aconteceu", disse William D. Cohan.

Alessio Rastani, um 'trader' em 'part-time', defendeu em directo na BBC que não eram os governos que mandavam no mundo, mas sim o Goldman Sachs. 

Esta semana, numa entrevista ao "Huffington Post", Rastani teceu uma série de ideias sobre o papel do Goldman no mundo. E diz que as teorias da conspiração que aparecem sobre o banco não são uma coincidência. "Os governos dependem dos bancos, os bancos dependem dos governos. A relação é tão cinzenta e quem controla quem? Quem é o marionetista e quem é a marioneta? (...)", disse.

Em Abril de 2010, um jornalista da "Rolling Stone", Matt Taibbi, descreveu GS como um "grande vampiro" que se alimenta da humanidade, com um apetite sanguinário implacável por tudo o que envolva dinheiro.

Hank Paulson, antigo secretário de Estado do Tesouro dos EUA, saiu da liderança do Goldman Sachs para ser secretário de Estado do Tesouro durante a administração Bush. 
Paulson delineou o programa de ajuda à banca durante a crise financeira de 2008, que também resgatou o Goldman.

Mario Draghi, futuro presidente do BCE, foi director-geral da Goldman Sachs International. 

Mark Carney, governador do Banco Central do Canadá foi responsável pelas áreas relacionadas com risco soberano e foi o homem com a tarefa de delinear a estratégia do banco durante a crise russa de 1998.

Romano Prodi, antigo presidente da comissão europeia e ex-primeiro-ministro italiano esteve no Goldman nos anos 90. A ligação valeu-lhe críticas da Oposição quando rebentou um escândalo a envolver o Goldman e uma empresa italiana.

Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, foi director-geral do Goldman. Antes de se juntar ao banco tinha trabalhado no Departamento do Tesouro norte-americano. 

Robert Rubin, antigo Secretário de Estado do Tesouro dos EUA, teve cargos de topo na administração do Goldman. 

Ducan Niederauer, presidente da NYSE Euronext que detém as bolsas de Nova Iorque, Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, foi responsável do Goldman pela área da execução de ordens dadas sobre títulos financeiros.

Mark Patterson, Chefe de Staff do Tesouro dos EUA, antes de se juntar ao governo estava registado como lóbista, intercedendo para defender os interesses do Goldman.

António Borges, director do Departamento Europeu do FMI, foi vice-presidente e director-geral do Goldman. Após sair do banco foi da associação que delineia a regulação dos 'hedge funds' e em Outubro de 2010, foi nomeado director do FMI para a Europa.

Carlos Moedas, Secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro, e actual responsável pelo acompanhamento do programa da 'troika' trabalhou para a divisão europeia de fusões e aquisições do Goldman Sachs. 

António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank, teve o primeiro emprego no Goldman. 
  
William C. Dudley, presidente da Fed de Nova Iorque, é a segunda figura mais importante na condução da política monetária dos EUA. Foi durante mais de uma década economista-chefe do Goldman e director-geral.


Goldman negoceia com um programa que tem potencial para influenciar os mercados. 
A negociação de acções e obrigações com dinheiro do próprio banco terá, segundo a “Bloomberg”, representado mais de 30% dos lucros que o Goldman conseguiu gerar em 2010. 
A negociação por conta própria do Goldman Sachs é conhecida pela sua pontaria. No segundo trimestre de 2010, enquanto se incendiava o rastilho da crise de dívida soberana, as operações de ‘trading’ do Goldman não fecharam um único dia com perdas. 

Em 2009, um antigo funcionário do Goldman, Sergey Aleynikov, foi detido por tentar vender parte do código secreto que o banco utiliza para fazer os seus negócios por conta própria e para assumir funções de ‘market maker’. Segundo o Ministério Público, na acusação ao antigo colaborador, “o banco levantou a possibilidade de que existe o perigo de que alguém que saiba como utilizar o programa possa fazê-lo para manipular o mercado de formas injustas”. Além disso, argumentou o procurador, o Goldman “gastou milhões atrás de milhões de dólares a desenvolver o programa nos últimos anos e é algo que dá ao banco milhões de dólares em receitas”.

Os Reguladores consideram que as divisões de negociação por conta e risco do próprio banco são um dos factores que podem levar a crises como a do Lehman Brothers. 

O Goldman Sachs foi o maior financiador de Obama na corrida à Casa Branca e o lóbi de Wall Street está presente na nova regulação para os mercados financeiros. “Estão a ter um papel importante. Eu não diria que o poder político está subjugado ao poder financeiro mas eles funcionam como uma mão e uma luva, tornando seguro que Wall Street pode viver com as novas leis e regulações, (...)”, defende William D. Cohan, jornalista que tem investigado o modo de actuação do Goldman Sachs. 


E em Portugal...


Em Portugal, o Goldman Sachs é Operador Especializado em Valores do Tesouro, o que significa que é uma das entidades contratadas pelo Estado para colocar dívida nacional no mercado e para aconselhar sobre as estratégias de financiamento que Portugal deve tomar. 

A ligação ao Goldman e a outras grandes firmas de Wall Street levou alguns órgãos de comunicação anglo-saxónicos a sugerir que Portugal e estes bancos terão feito negócios similares aos embustes orçamentais na Grécia. 

Nas ofertas públicas de aquisição que a Sonaecom lançou à Portugal Telecom e que o BCP lançou ao BPI, ambas em 2006, o Goldman interveio a montar as estratégias de defesa às ofertas hostis. Recentemente, foi ainda noticiado que o Goldman Sachs mostrou interesse em analisar os dossiers das privatizações da EDP e da REN que o Governo está a preparar no âmbito do acordo com a troika. Outro negócio a envolver o Goldman foi a compra, por parte da EDP-Renováveis, de uma eólica norte-americana. A EDP comprou a Horizon Wind Energy por 1,6 mil milhões de euros ao Goldman Sachs.

(Artigo publicado no suplemento Outlook de 14 de Outubro)

28 de outubro de 2011

As medidas para salvar... quem?

O G20 e a Cimeira


O G20 é o grupo das principais potências desenvolvidas e emergentes. Assume-se líder da política económica no mundo, ainda que, no seu seio tenha economias muito distintas.
Na sua última reunião antes da Cimeira da UE, os ministros e banqueiros centrais dos 20 "exigiram" ao seus parceiros europeus, as medidas para resolver a crise e evitar "contágios".


Tentando ler nas linhas e entrelinhas do que foi divulgado, concluo que as medidas, segundo os interesses do grande capital financeiro, são, entre outras:


a) sacar dos paises que os "mercados" considerem em dificuldade, o máximo de vantagens, aumentando ou reduzindo as suas notações, conforme convenha, para que o negócio dos juros seja mais lucrativo. Se necessário dar mais alguma erva à vaca para que esta não morra e dê mais leite.


b) reduzir até onde for possível os direitos dos trabalhadores, para tornar ainda mais acentuada a exploração.


c) Dar ao FMI, um papel mais importante na execução destas políticas.


d) Que os sacrifícios pedidos aos povos permitam capitalizar os bancos para que tenham acesso suficiente a financiamentos, e assim prosseguirm na sua prática especulativa. A recapitalização da banca europeia, está estimada entre €192-228 mil milhões (segundo um estudo de Constantin Gurdgiev) e €275 mil milhões, segundo contas do Morgan Stanley divulgadas pelo Financial Times.


e) Fazer participar os países emergentes (porque os desenvolvidos estão falidos) com excedentes nas suas balanças, para evitar uma nova recessão, nos países desenvolvidos, associada ao pânico financeiro.


É o que a Cimeira decidiu fazer a que o nosso Governo obedece.

Recapitalização dos Bancos

Quem vai pagar a recapitalização dos Bancos?

O jornal de Negócios informava ontem que "Falando em Bruxelas no final da cimeira da Zona Euro, Passos Coelho disse que não pode "ainda confirmar" o valor de 7.804 milhões de euros que a Autoridade Europeia de Bancos estimou, na quarta-feira, necessários para os bancos portugueses se capitalizarem, mas admitiu que esse montante está dentro das previsões de Lisboa e também dentro do envelope financeiro para o efeito contemplado no programa da "troika". 

27 de outubro de 2011

As inevitabilidades da política de direita

São inevitáveis as medidas propostas no Orçamento do Estado para 2012?

Vejamos:
 
Quebra de salários da Administração Pública, de 18,4% o que acumulada (2010/2012) será de 31,7%, dois mil e dezasseis milhões de euros.
Para quê? Para dar ao BPN dois mil trezentos e cinquenta milhões de euros.


Aumento do IRS, com a retirada dos apoios à Saúde, à Habitação, Educação, Lares e pensões de alimentos, cerca de 143,8 milhões de euros


Aumento do IVA, com as alterações à tabela de 6 para 13%, ou 23% ou ainda de 13 para 23% levam-nos cerca de dois mil e 44 milhões de euros. 


Os cortes na Saúde, quase mil milhões de euros.


Os cortes na Educação são cerca de seiscentos milhões de euros.


Os cortes no investimento público são 923 milhões de euros.


Os cortes nas pensões e prestações sociais são superiores a 2 mil milhões de euros.


Para as Pequenas e médias empresas, (que são as que dão mais emprego e produção nacional) deixa de haver taxa reduzida de IRC para os primeiros 12 500€ de rendimento tributável e desaparece o benefício fiscal à interioridade.


Para as Grandes empresas, não há significativos agravamentos, mantêm-se a quase totalidade dos benefícios fiscais e as SGPS (sociedades de gestão de participações sociais) continuam a beneficiar do regime fiscal que as isenta de tributação de mais-valias e deixam de estar sujeitas à clausula de caducidade prevista no Estatuto dos Benefícios Fiscais, pelo que passam a beneficiar por tempo indeterminado desses benefícios, bem como dos benefícios referentes à reorganização e reestruturação de empresas (isenção de IMT, IS e emolumentos e encargos legais).


Porquê? Para aumentarem as nossas exportações de capitais para os Offshores e paraísos fiscais, pois então! O que é preciso é aumentar as exportações (de dinheiro).


Estes são os factos e "contra factos não há argumentos". Não há argumentos, mas há ainda um comentário a fazer:


Esta política de direita é inevitável porque foi este o caminho que escolheram: Fortalecer os bancos e as grandes empresas à custa dos trabalhadores e das pequenas empresas.
Este dinheiro que nos é roubado é, na maioria, para dar aos bancos para que os bancos nos possam emprestar a juros elevados. Ou seja, os bancos trabalham com o nosso dinheiro de borla, e voltam a emprestar ao Estado que o pagará com os nossos impostos. Os impostos terão que ser aumentados para pagar os juros que os bancos ganham com o nosso dinheiro à borla. Engenharias financeiras!


Eu também gostava de ter um negócio assim.


Vou tentar convencer uns tantos tótós a depositarem os seus salários na minha conta. Depois quando eles precisarem de dinheiro eu empresto-lhes o seu dinheiro a um juro de uns 10% para despesas da minha gestão.


Aceito ofertas! Depois direi qual o NIB para onde devem depositar os vossos rendimentos. Garanto que, se o número de depósitos for elevado, e eu for à falência, por ter gasto mais do que devia, o Estado irá nacionalizar-me e paga as minhas dívidas para convosco.


É claro que o estado ir-vos-á buscar o dinheiro para pagar as minhas dívidas, aos vossos impostos, onde é que havia de ser, é mais uma inevitabilidade, para eu poderei continuar o negócio de grande utilidade para o país. Emprestar dinheiro a quem dele precise! 


Prometo, também, que depois vos levo a passear num dos meus iates ou num dos aviões que entretanto comprei com o vosso dinheiro, mediante uma módica quantia a discutir (isto para evitar que se inscrevam os "turistas de pé descalço", que iriam dar mau ambiente ao passeio).


Memórias de um tipógrafo clandestino

26 de outubro de 2011

30.000 visitas

Este blog ultrapassou já as 30.000 visitas nos 10 meses de vida que tem.

Espero ter sido útil para todos os que por aqui passaram.

Muito há a melhorar, eu sei. Mas, com a ajuda das vossas opiniões e sugestões, certamente nos aproximaremos do objectivo: tornar acessível, interpretar e criticar informações que por vezes nos passam despercebidas, neste mundo de informação controlada. 
Os grupos que detêm os meios de comunicação, moldam as consciências, impondo pela constante repetição, como se fossem únicas, opiniões e políticas que nada têm a ver com os interesses dos trabalhadores e populações. 

Hoje é, novamente, preciso saber "ler nas entrelinhas", no que é dito e, em especial, no que é escondido.

Saudações para todos(as).

A censura na comunicação dita social

Notícia de significativa importância que a censura obriga a esconder

A Assembleia Geral da ONU com os votos de 186 países contra dois (Estados Unidos e Israel) condenou o embargo que os EUA, há 50 anos, impõem a Cuba.

25 de outubro de 2011

Mais uma vez os EUA isolados

Assembleia Geral da ONU exige fim de bloqueio contra Cuba

A Assembleia Geral da ONU exigiu hoje, terça-feira (25), pelo vigésimo ano consecutivo, o fim do bloqueio norte-americano imposto a Cuba há meio século.
 
Novamente a decisão é da maioria esmagadora de 186 paises. Apenas os EUA e Israel votaram contra.
 
É significativa a prepotência dos EUA e o conluio de Israel. Enquanto Obama afirma que a liderança dos EUA no mundo foi mais uma vez demonstrada nas Guerras do Iraque e Líbia, a Assembleia da ONU e os 186 países mostram que essa liderança apenas é conseguida pela força das armas.
"O dano económico direto contra o povo cubano supera os 975 bilhões de dólares", disse o chanceler cubano Bruno Rodríguez. 
 
A condenação quase unânime dos estados Unidos levou o chanceler cubano a dizer: "É inacreditável o fato de que, 20 anos depois, esta Assembleia continue considerando este assunto" os Estados Unidos persistam no bloqueio pois "nunca ocultaram que seu objetivo é derrubar o governo revolucionário" cubano. 
 
"Por que o governo Obama não se ocupa dos problemas dos EUA e deixa nós cubanos resolvermos em paz e sossegados os nossos"?, questionou.
 
Bruno Rodriguez, afirmou que "O governo de Cuba permanecerá o governo do povo, pelo povo e para o povo. Nossas eleições não serão leilões. Não teremos campanhas eleitorais de 4 bilhões de dólares, nem um Parlamento com o apoio de 13% dos eleitores. Não teremos elites políticas corruptas separadas do povo. Continuaremos a ser uma verdadeira democracia e não uma plutocracia. Defenderemos o direito à informação verdadeira e objetiva".

Continua a farsa sobre a Líbia

Os "profissionais" do jornalismo já não sentem vergonha por transmitir, sem comentários, evidentes mentiras

O descaramento é tal que ouvi ontem no notíciário da televisão, um jornalista dizer, sem corar nem gaguejar, o CNT sugere que o Kadafi foi morto pelos seus homens, porque "a sua morte imediata iria beneficiá-los".
A noticia, segundo o "honesto" jornalista, foi dada pelo primeiro ministro da Líbia Mahmoud Jibril, o mesmo que tinha dito que o corpo não seria autopsiado e que seria entregue â família. 
24 horas depois foi autopsiado e 48 horas depois disse que foi enterrado em local secreto no deserto. 


Esta fez-me lembrar a do Bin Laden atirado ao mar.


(Nem Sócrates ou Passos Coelho dizem e desdizem com tanta rapidez).

24 de outubro de 2011

A História julgará

Guerra na Líbia. A comunicação social manipulada

Um relato de quem viveu os acontecimentos

A torta pedagogia da direita

Passos Coelho: "Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"

O que é que as crianças desta escola aprenderam, com o primeiro ministro de Portugal?
A direita precisa de mentir, de enganar, para ganhar eleições. 
Se dissessem a verdade, e quais os interesses que defendem, só os banqueiros e amigos votavam neles.
A direita sempre defendeu a classe exploradora, fingindo que defende o povo.