17 de julho de 2011

Os Estados Unidos não são Portugal, diz Obama

Felizmente Portugal também não é os Estados Unidos.

Obama referia-se especialmente à situação da dívida americana que o atormenta. Mesmo na política económica, apesar dos EUA fabricarem dólares ao preço do papel impresso, os seus gastos com as guerras em que permanentemente estão envolvidos, levou a que estejam perante dívidas a todo o mundo que ultrapassam o seu PIB. Os EUA vivem à custa de muitos países, que exploram, e a quem não pagam as dívidas, como é o caso da China. Os EUA usam a força militar para impor a sua política, roubar as matérias primas de muitos países do mundo e reprimir os que tentam libertar-se das suas "ajudas". 


Portugal tem uma longa história. Fez muitas barbaridades. Mas não tantas como as feitas pelos EUA na sua curta história.


As listas de crimes contra a humanidade e afrontas aos direitos humanos, são muito extensas e repugnantes.


EUA é o exemplo mais evidente da natureza do sistema capitalista.


A notícia de que a agência de classificação de risco Standard and Poor's reduziu de estável para negativa a perspectiva de rating dos Estados Unidos provocou surpresa e reações de todo tipo. O jornal "Le Monde" observou a preocupação do FMI e de muitos especialistas sobre a incapacidade do Governo solucionar a redução dos deficits e da dívida americana.




Joseph Stiglitz, num artigo intitulado "Of the 1%, by the 1%, for the 1%" da revista "Vanity Fair" (acessível online), demonstra os efeitos nefastos das desigualdades sociais nos Estados Unidos nas últimas décadas.
Há 25 anos, a faixa dos 1% mais ricos da população detinha 12% da renda americana e controlava 33% da riqueza do país. Agora, este 1% do topo da pirâmide social tem perto de 25% da renda e 40% da riqueza nacional.
O aumento da desigualdade social reduz a democracia americana, abala a eficiência da economia e reduz a acção para modernizar a sociedade.


Democracia?


Stiglitz aponta também o tráfico de influências e o poder do grande capital na manipulação das políticas governamentais afirmando: "Quando entram no Congresso, virtualmente todos os senadores e a maior parte dos deputados são membros da categoria composta pelos 1% mais ricos, em seguida, são reeleitos com o dinheiro destes 1%, e sabem que, se servirem os membros destes 1%, serão recompensados por estes quando terminarem seu mandato".
Para o prémio Nobel de Economia de 2001 a desigualdade social é um elemento chave no emperramento da democracia e no aviltamento da identidade nacional americana.


As desigualdades de rendimentos chegaram a extremos nunca antes contabilizados. Com dinheiro fácil, os bancos de Wall Street estão agora a padecer do “moderno” milagre da alavancagem – capacidade de gerar lucros recorrendo a crédito alheio e a produtos financeiros – derivativos – fortemente especulativos e de alto risco. Ou seja fazer dinheiro sem ter que imprimir papel, nem criar riqueza.




Governo de ricos alimentado pelos pobres


Um dos principais indicadores da desigualdade é o «coeficiente Gini». Este índice, é o maior já registado, traduzindo-se numa “extrema desigualdade”. 


Entre 1979 e 2005 o rendimento antes de impostos dos agregados familiares mais pobres aumentou 1,3% por ano e o da classe média 1%. O rendimento dos super-ricos – 1% da população (3 milhões de pessoas) cresceu 200% antes da liquidação de impostos e, pasme-se, 228% depois desses impostos (dados de 2005 que hoje são muito mais elevados). O grupo dos mais pobres da população recebeu 15 300 dólares, a classe média 50 200, enquanto os milionários arrecadaram, em média, mais de 1 milhão. Em 1979, os rendimentos dos super-ricos era 8 vezes superior à da classe média e 23 vezes maior do que a dos 20% dos americanos mais pobres. Em 2005, aquelas proporções aumentaram respectivamente para 21 e 70 vezes. Entre 2002 e 2006, o topo da pirâmide arrecadou quase 75% dos lucros gerados com o aumento da riqueza produzida.


Bill Gross, líder do maior fundo de acções do mundo (Pimco) disse: “Quando o fruto do trabalho da sociedade é mal distribuído, quando os ricos ficam mais ricos e as classes média e baixa lutam para sobreviver, o sistema desmorona-se. Os diversos barcos não acompanham a maré. O centro é incapaz de se sustentar”. As taxas de criminalidade, de todos os tipos, crescem exponencialmente. 


Criminalidade e lei da selva


O FBI informou, em Setembro de 2007, que durante 2006 ocorreram 1,41 milhões de delitos violentos, número que representa um aumento de 1,9% com respeito ao ano anterior. As estatísticas dadas a conhecer pelo FBI mostram que, em 2006, o número de assassinatos e homicídios involuntários aumentou 1,8%, enquanto o número de roubos cresceu 7,2%.



Nesse mesmo ano, os residentes norte-americanos de 12 anos de idade ou mais sofreram 25 milhões de delitos violentos e roubos, o que significa 24,6 delitos violentos por cada 1.000 pessoas dessa faixa etária e 159,5 delitos contra a propriedade por cada 1.000 lares.




Nos Estados Unidos, é cometido um crime violento em cada 22 segundos, um assassinato em cada 30 minutos, um estupro em cada 5 minutos, um roubo em cada minuto e um assalto com agressão física a cada 36 segundos (FBI Release its 2006 Crime Statistics, FBI, http://www.fbi.gov/ pressre1/pressre107/cius092407.htm).


Enquanto os salários dos executivos americanos quadruplicaram desde os anos 1970, a renda de 90% dos trabalhadores do país estagnou nesse período. Em muitos casos, as empresas que aumentaram os executivos reduziram os salários dos empregados comuns.


O grupo dos 0,1% mais ricos, formado por pessoas que ganham cerca de US$ 1,7 milhão, acumulou mais de 10% da riqueza pessoal dos EUA. Há quarenta anos, os ganhos desse grupo representava 2,5% da riqueza do país. Enquanto isso, uma pesquisa do FED, o banco central americano, mostra que a renda dos mais pobres caiu 18% nos últimos anos. Estes dados são de 2008, hoje é muito pior.




Em resumo:


1) O topo de 0,01% da população ganha 976 vezes mais do que 90% dos americanos. (The Nation Online)


2) Metade dos americanos detem somente o 2,5% da riqueza nacional. Os 1% mais ricos, 33,8% (Institute for Policy Studies)


3) Os 1% mais ricos detêm 50,9% das acções americanas. Os 50% mais pobres, 2,5%.


4) Em 1986, os 1% mais ricos levavam 38% dos ganhos de capital, enquanto que os 80% mais pobres recebiam 25%. Hoje, os 1% mais ricos levam 58%, e os 80% mais pobres, 13%.


5) Enquanto na última década os salários dos CEOs cresceram 298,2%, os salários dos trabalhadores aumentaram apenas 4,3%, e o salário mínimo diminuiu 9,3%.


6) O salário hora (médio) mantém-se praticamente no mesmo valor real desde 1964 (cerca de 18 dólares/ hora)


7) A taxa de poupança pessoal caiu de 10,9% em 1982 a 2,7% em 2008 (BoEA)


8) As possibilidades de ascensão social, que na década de 40 eram de 12%, hoje são de menos de 4%


9) Em 1962, o 1% mais rico detinha 125 vezes mais riqueza que a família média americana. Hoje é 190 vezes. (NYT)


10) A carga tributária do 1% mais rico era de mais de 60% em 1968, hoje é de menos de 40%


11) Os EUA redistribuem a riqueza até 3 vezes pior que países desenvolvidos como Finlandia, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Holanda, Austrália e Canadá.


12) Os 1% mais ricos viram sua riqueza dobrar desde 1979. Os 90% mais pobres diminuíram a sua riqueza.


Concluindo:


Os EUA, país exemplar do capitalismo, são uma fraude total. Não só porque vivem do que roubam, como fabricam o dinheiro que querem, sem ter nada que o garanta, como mesmo assim, 90% da população vive mal. De nada vale serem o país mais rico quando essa riqueza está nas mão de apenas 1% de super ricos.


(dados retirados de várias fontes na Internet)

16 de julho de 2011

Combate à Corrupção (2)

Não são todos iguais


"no PS muita gente, nos últimos anos andou a encher os bolsos ", "os anos de Guterres foram o pântano".
afirmações de Mário Soares, dia 8, em entrevista à antena 1.



Desde 2007 que o Grupo Parlamentar do PCP apresenta, insistentemente, na Assembleia da República uma proposta para criminalizar a corrupção. Essa proposta não tem sido aprovada por oposição do PS, do PSD e do CDS-PP. Os que encaminharam Portugal para a política de desastre e que têm permitido a corrupção, os escândalos de enriquecimento ilícito que nos tribunais não são julgados muitas vezes por falta de leis severas e adequadas.


Apesar das discussões havidas, das declarações de apoio à prevenção e punição da corrupção e da criminalidade económica e financeira, os partidos da direita não passam das palavras e das intenções. Sabemos bem porquê. Os corruptos, os oportunistas que recebem várias reformas de milhares de euros, os que acumulam ordenados e tachos, são apoiantes desses partidos.


Quem são os corruptos e autores dos escândalos?


É fácil verificar que muitos políticos desses partidos da direita, responsáveis do Governo, titulares de cargos públicos e de Empresas Públicas, para além de terem rendimentos acima do que é razoável, apresentam proventos e património muito superiores aos que são licitamente obtidos. 




A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, obriga os Estados a introduzir o crime do enriquecimento ilícito na legislação. 


É público e notório o fenómeno da corrupção. A falta de vontade política o combater é um escândalo. Pedem-se sacrifícios aos trabalhadores, para solucionar a crise que não provocaram, e permite-se a grande corrupção e fraudes económicas que roubam ao país muitas centenas ou milhares de milhões de euros. 


Sacrifícios para quem trabalha e "benefícios" para os "amigos especuladores"


A criminalização do enriquecimento ilícito tem vindo a ser reivindicada por um movimento cívico de dimensão significativa, que integra jornalistas, especialistas em matéria penal, economistas, agentes políticos, entre outras personalidades com notoriedade pública. 


O Grupo Parlamentar do PCP, mais uma vez retomou a iniciativa de apresentar a proposta de criminalização do enriquecimento ilícito e confirmou a sua disponibilidade para analisar todas as formas de combate à corrupção em Portugal, mostrando que os Partidos não são todos iguais. Vamos ver qual vai ser, desta vez, a posição dos partidos da direita, tão céleres a impor sacrifícios aos que têm baixos rendimentos e sempre cegos, surdos e mudos na penalização dos seus "amigos corruptos".

Terrorismo. Assassínio ignóbil

Bombardeamentos, cientificamente calculados, de mulheres e crianças
O destacado lutador pela paz, investigador e jornalista belga Michel Collon descreve o bombardeamento da casa Hamidi convertida em parque infantil e de animais, local de festas populares. Os criminosos da NATO consideram-na um alvo militar. Mataram 19 pessoas, incluindo muitas crianças. Collon exorta os povos da Europa para se revoltarem contra estes massacres.



Ver mais (aqui)  e (aqui) 

Negócio da Saúde ou da Doença?

Em defesa do Serviço Nacional de Saúde 


Os grandes grupos económicos pretendem a retirada dos serviços de saúde do Estado. Isso permite-lhes um negócio altamente lucrativo. Os privados recebem os lucros e o Estado fornece os "clientes" e subsidia os serviços. Ou seja, é o costume: o Estado fica com os prejuízos e os privados com os lucros. 


Os grupos financeiros consideram a saúde uma “área de negócio". Um negócio altamente lucrativo, assim repartido: Para o Estado, um serviço de "caridade", para os que não podem pagar e, para os privados, os "clientes" de maiores rendimentos, e que podem pagar serviços de melhor qualidade.  
Assim os utentes, que recorram aos privados, pagam de duas maneiras. Aos privados o serviço que estes prestam e, de uma forma mais discreta, ao Estado, os impostos para que subsidie esses serviços. 


Segundo declarações de Jorge Pires do PCP numa conferência de imprensa de há dias, o SNS é muito apetecível pois movimenta mais de 17.000 milhões de euros.


A Constituição define de forma muito clara o papel do Estado na garantia do acesso à saúde de todos os portugueses e dá ao Serviço Nacional de Saúde, universal, geral e tendencialmente gratuito, o estatuto de instrumento para a concretização desse direito. É também por estas razões que os grupos económicos querem alterar a Constituição.


 
Expandir o mercado da doença 


As privatizações têm-se provocado o crescimento da despesa pública e dos custos pagos directamente pelos doentes. Os grupos monopolistas favorecidos pela política de direita apostam na saúde como área de negócio, mas na verdade o seu mercado é a doença. Na lógica capitalista e na economia de mercado se não houver doença o negócio perde interesse. Temos os exemplos das epidemias e pandemias fabricadas para aumentar as vendas e os lucros das farmaceuticas e empresas que negoceiam produtos para o seu combate. Tal como as empresas fabricantes de armas de guerra, o objectivo destas empresas não é nem a paz nem a saúde mas a guerra e a doença que garante a sua actividade e os seus lucros.


A saúde como factor de desenvolvimento económico e social, não faz parte dos objectivos do negócio dos privados.


Como foi mostrado na Conferência de Imprensa referida, é falso que o privado faça melhor e com menos custos. Foram referidos os exemplos do Hospital Amadora/Sintra que se traduziu num enorme prejuízo para o Estado. Os custos com as Parcerias Público Privado onde o privado não corre riscos (pois o Estado financia e garante os clientes), são sobretudo as convenções, nos medicamentos e nas comparticipações nos custos dos serviços por privados. Isto constitui a maior sangria financeira do Estado para os privados.

  Prioridade aos cursos de Marketing. A saúde é um negócio.



15 de julho de 2011

Austeridade só para os trabalhadores

Política de classe

Diz-se que a língua portuguesa é traiçoeira. Pois, na verdade, o que se escreve obriga a pensar nas várias interpretações (possíveis consoante a cultura de quem as lê). Este título, "política de classe", para uns pode significar uma "política de qualidade" de "categoria" mas pode também significar "política de uma classe social".
Simplificando, a política de direita é uma política da classe exploradora. Esta política de classe, caracteriza-se por acentuar as vantagens das classes exploradoras relativamente às classes exploradas. Como estamos a assistir, esta política cria as maiores desigualdades entre os pobres e os ricos. 


A "crise" é boa para os que a provocaram


A crise do capitalismo tem servido para impor uma política de classe ao isentar os ricos das medidas de "austeridade" que atingem principalmente quem trabalha e quem tem menores rendimentos. Cem euros roubados a cada um dos seis milhões de trabalhadores, significam 600 milhões que entram nos bolsos de uma centena de grandes capitalistas, que os arrecadam e que pouco utilizam para ajudar a economia do país.
Os trabalhadores pagam a crise, sem que esse pagamento contribua para, no futuro, repor as condições de vida dos portugueses. Grande parte desse dinheiro vai para os bancos e para o estrangeiro e é usado de acordo com os interesses de privados. Pouco é aplicado a apoiar a produção nacional e a gerar mais emprego.
Há soluções mas... não convêm a alguns


Os Governos (anterior do PS e o actual PSD e CDS-PP que apoiaram o anterior) sabem perfeitamente que há outras soluções (como as que o PCP tem indicado) que, sendo também de classe (da classe trabalhadora) são soluções que melhor servem o país mas que não servem a quem vive dos privilégios da exploração. 
Porque é que o imposto extraordinário não é aplicado aos rendimentos dos accionistas?
Porque não toca nos rendimentos da especulação bolsista?
É por isso que vimos aumentar o lucro dos mais ricos e reduzir os salários dos trabalhadores.
É por isso que aumentam as vendas dos carros mais caros e reduzir as vendas dos mais baratos. 
É por isso que vimos a exibição imoral dos bens de luxo, enquanto os mais pobres são, obrigados a viver pior.
Esta política de classe é uma verdadeira guerra aos trabalhadores para eliminar os direitos conseguidos ao longo de mais de um século. Voltámos ao séc. XIX.


Que "democracia" é esta?


Como é que a classe dominante (dos ricos, da burguesia), sendo minoritária, consegue impor a sua política? 
Porque criou mecanismos, ditos democráticos, que permitem resultados muito pouco democráticos. As eleições de quatro em quatro anos, por quem não participa, por quem nada sabe de política, por quem não tem consciência de classe, permitem eleição de uma maioria de deputados e formação de governos de direita que aprovam as leis contra os que os elegeram, contra a classe trabalhadora.
A classe no poder dispões dos meios de comunicação, jornais, rádios e televisão para convencer as pessoas que esta política é a única possível e esconder as medidas propostas pelos partidos e sindicatos que defendem os trabalhadores. As grandes cadeias de comunicação nacionais e internacionais, pertencem a privados, grandes capitalistas.  Exercem forte pressão sobre os jornalistas para veicular a informação e a cultura que lhes interessa e que dê uma visão conservadora da política e do mundo. Apoiam-se nos comentadores ao serviço dos grandes capitalistas, restringindo as opiniões de independentes. 


Uma ideologia de preconceitos e que adormece


Desde crianças que as pessoas são formadas politicamente com ideias e valores que as afastam de uma participação activa na vida pública para defender os seus interesses. Criam-se os pensamentos de que os políticos e os partidos são todos iguais, de que não há nada a fazer, de que não vale a pena lutar. Estas ideias permitem aos que estão no poder manterem a mesma política, mesmo que seja com políticos ou partidos diferentes.  
Uma sondagem publicada no Jornal de Negócios, sobre o imposto extraordinário, afirma que 45,6 por cento terá afirmado concordar e adianta que as opiniões por eleitores dos partidos, revela que a esmagadora maioria dos apoiantes da medida pertence ao eleitorado do CDS-PP (71,7%) e PSD (69,9%). Contra estas medidas estão 51,9% dos eleitores socialistas, e 65,7% dos eleitores do PCP. Ainda que estas sondagens sejam feitas para apoiar as medidas do Governo, e portanto sejam sondagens de pouca confiança, revelam contudo, como se situam os interesses de eleitores que votam nos vários partidos. 


A força dos trabalhadores


Os trabalhadores e a classe explorada, não têm os meios poderosos de que os grandes capitalistas dispõem.  Têm do seu lado a razão contra a exploração, o serem a classe mais numerosa e que tudo produz. Para transformar isso em força, os trabalhadores têm que aprender (aprender sempre) tomar consciência da sua força, dos seus objectivos de construção de uma nova sociedade, da necessidade de estarem unidos, organizados e lutar contra quem os explora. 



13 de julho de 2011

Política de desastre mais que confirmado

Números que comprovam que, por este caminho, vamos à ruína



O Boletim Económico de Verão do Banco de Portugal revela novos dados que mostram, mais uma vez, que as medidas de austeridade sustentadas numa política de direita, continuam a afundar o país. 


Prevê para este ano uma contracção de 2% da economia portuguesa e de 1,8% em 2012, o maior recuo desde 1974.


"Em comparação com o Boletim da Primavera em 2011, o crescimento do PIB foi revisto em baixa em 2011 e, sobretudo, em 2012, reflectindo o impacto sobre a procura interna das medidas de consolidação orçamental do programa de ajustamento [da troika]", aponta o boletim. "Por outro lado, as exportações foram revistas em alta, reflectindo as hipóteses relativas à procura externa dirigida à economia portuguesa, bem como o impacto da informação mais recente que se revelou mais favorável do que o antecipado". Duas situações que confirmam a necessidade da renegociação da dívida e do apoio à produção, "Pôr Portugal a Produzir" como insistentemente o PCP vem defendendo.


Renegociar a dívida enquanto há tempo


De facto se não for feita a renegociação da dívida,- montantes, juros e prazos de pagamento - esta torna-se impagável pois os juros crescem a ritmo muito superior ao do crescimento da economia (e do PIB) que continua a diminuir.


A austeridade imposta dá já os sinais de uma queda sem precedentes do consumo e indicia uma recessão que só poderá ser menos grave se a produção e as exportações aumentarem significativamente. Mostra a análise do BdP que sendo o consumo a maior fatia na criação de riqueza no país, o seu recuo aumenta a recessão este ano (menos seis pontos) e é apenas compensada parcialmente pelo contributo líquido de quatro pontos das exportações. E assim prevê-se uma recessão de 2%. 


Pôr Portugal a produzir


As quebras do consumo e a falta de incentivos à produção para substituir as importações refletem-se nas quebras de investimentos em todas as áreas de actividade, em especial do Estado que apresenta uma quebra entre 2010 e 2012 de mais de 50%.


Tudo isto leva o Banco de Portugal a prever para mais dois anos o aumento do desemprego que agravará fortemente a perda de rendimentos. Pelo menos, até 2013 Portugal serão perdidos 100 mil postos de trabalho. 

11 de julho de 2011

Reflectir e... aprender (2)

Um discurso de alerta

O discurso de Jerónimo de Sousa, no passado dia 8, em Lisboa, merece uma reflexão atenta pois tem um conteúdo muito rico de análises da situação que vivemos. 
Há anos que se agrava a situação económica e social do país “com as medidas a reboque das classificações e opiniões das agências de notação (…) com a política dos PEC em carrossel, sempre justificados pela necessidade da acalmia dos mercados e da travagem da especulação que nunca parou e que, como vemos, não vai parar enquanto permanecerem as actuais orientações políticas e (…) a atitude obediente e servil, de quem está sempre pronto para ceder a nova chantagem e a dobrar a parada dos sacrifícios aos trabalhadores e ao povo.

O passar do testemunho

Sócrates saiu da cena política derrotado, depois de anos a maltratar o país com o apoio do PSD, CDS-PP, do grande capital financeiro e especuladores. 
Sócrates saiu mas os estragos ficaram e continuam com Passos Coelho. E não foram apenas os estragos económicos e financeiros. A política de direita no esforço de se aguentar criou uma cultura de desinformação, de baixos valores, de desânimo, de afastamento das pessoas, minando a saúde mental de muita gente e a capacidade de pensar no "porquê de tudo isto". Assim muita gente que acreditou (e alguns ainda acreditam) que os “ricos nos ajudam se nos portarmos bem, se fizermos os trabalhos de casa”desvia a conversa continuando a dizer que “o mal é que os políticos são todos iguais”. Esta ideia, que apesar de irracional, foi muito bem aproveitada pela direita no poder, para impedir que as pessoas descubram as diferenças e deixem ficar tudo na mesma. 
Este é um fenómeno antigo que já Bertolt Brecht descreveu no seu famoso texto “O Analfabeto Político”:


Pessoalmente, acho inconcebível que num mundo cada vez mais marcado por lutas de morte, pela guerra, pela fome e miséria, um mundo onde as desigualdades são cada vez mais acentuadas, mesmo nos países mais ricos e ditos democráticos, haja tanta gente que ainda continue a dizer que os políticos são todos iguais e, quando chega a altura de escolher…  não repara que deixa tudo na mesma como realmente a direita quer. 


Assobiar p'ro lado e... estaca zero?

“Queimado” Sócrates, o PS tenta agora, como diz Jerónimo, “pôr outra vez a zero o conta-quilómetros da sua responsabilidade e das manobras de distanciamento em relação ao próprio acordo com a troika estrangeira, que promoveram e foram os primeiros subscritores”. Contudo o PS tem dificuldade em se desligar da política que faz desde que em 1978, Mário Soares, com a ajuda do seu amigo Carlucci, meteu o “socialismo na gaveta”.

De cedência em cedência o PS arrastou muitos trabalhadores que confiaram no Socialismo, para uma política de submissão ao Capitalismo e até ao capitalismo mais selvagem como o que vivemos hoje. Jerónimo de Sousa refere de forma clara este processo também “humilhante para aqueles que acorrentaram o país e o seu destino aos desígnios da troika da intervenção externa, do seu programa de regressão social e de declínio nacional” concluindo que “não podia ser mais esclarecedor do fiasco da estratégia desses partidos e do caminho que escolheram para o país – o caminho da rendição à insaciável gula dos grandes interesses financeiros nacionais e estrangeiros. O caminho da penalização e dos sacrifícios para os trabalhadores, as camadas populares, o nosso povo e de afundamento e ruína do país. O caminho da capitulação à vontade dos mercados e às orientações do neoliberalismo dominante que aprisionou o poder político e usurpou e usurpa a legitimidade dos povos de decidirem da sua vida colectiva”.

Quem é lixo? Lixo são os que exploram e vivem do trabalho dos outros.

Foi preciso, agora, que as agências de rating, ao serviço do grande capital americano, nos classificassem de lixo, depois de termos seguido a política que nos impuseram, para, como disse o Secretário Geral do PCP, “aqueles que ainda há pouco, acompanhando Cavaco Silva, nos criticavam e diziam não valer a pena criticar as posições dos mercados internacionais porque não beneficiavam o país, clamam agora indignados com a desfeita da classificação de lixo da dívida pública portuguesa. São, contudo, clamores de circunstância que não correspondem às suas reais posições políticas, como está bem patente no programa de Governo que acabaram de apresentar e nas medidas que acabam igualmente de anunciar”.

“Mas esta situação de pressão sistemática e permanente dos grandes centros do capital financeiro e especulativo é também reveladora da justeza das análises do PCP e da importância das suas propostas para a saída da crise, para pôr o país a funcionar, relançar a economia e desenvolver o país, defendendo as conquistas sociais e condições de vida dignas para o povo”. Isto porque os políticos não são todos iguais.


10 de julho de 2011

Muita parra pouca uva...

Indignação para inglês ver


Quanto mais nos abaixamos...
 
Com o espírito da dita "responsabilidade" que os irresponsáveis apregoavam no Governo, ou na campanha eleitoral: " de nada vale acusar os mercados", ou que "temos que acalmar os mercados", ou ainda que temos que "fazer os trabalhos de casa", foram impostos os Orçamentos de Austeridade, os PECs e os Memorandos  que roubam aos trabalhadores parte dos seus reduzidos rendimentos, quer em impostos, quer em serviços, quer nas taxas, quer nos direitos salariais, quer nos aumentos de preços... A lógica é conhecida do povo "grão a grão enche a galinha o papo". Contudo, as medidas são aprovadas, "os trabalhos de casa" feitos, mas também como diz o povo, "quanto mais nos abaixamos mais se vê o cu". 

O discurso e a realidade

Apesar das manifestações de indignação, dos responsáveis europeus e nacionais, dos discursos críticos em relação às agências de rating, os juros das obrigações gregas, espanholas, irlandesas, italianas e portuguesas, continuam a subir. A especulação do capital financeiro, dos chamados "mercados", ultrapassa tudo o que é tolerável. O grande capital aproveita a "crise" para sacar tudo o que pode aos países a quem criaram as dificuldades. É uma luta de morte em que os predadores não olham a meios para engolir as suas presas.
 
Para Portugal, na maturidade a cinco anos, os juros estiveram nos 16,955 por cento, e a três e a dois anos, chegaram aos 19,039 e 17,793 por cento, respectivamente.
 
A Grécia, renovava máximos nas obrigações a dois anos, que ultrapassam em dez pontos percentuais os juros pagos por aquela maturidade. A cinco anos, os juros escalaram para mais de 21 por cento e a dois tocavam já nos 31 por cento.
 
Alguém me explica como se podem pagar dívidas com juros muito superiores aos rendimentos actuais e previstos?

9 de julho de 2011

Reflectir no que se passa e aprender

É preciso MUDAR a sério! 

Cassete?
 
Foi ontem à noite o Comício do PCP em Lisboa e o discurso de Jerónimo de Sousa.  Mais uma vez o PCP pela voz do seu Secretário Geral, voltou a alertar para o grave caminho que tem vindo a ser seguido pelos governos de direita. É a isso que alguns chamam a “cassete”. Contudo, não sendo uma cassete, é a reafirmação cada vez mais provada que o PCP tem razão. Esta política, servindo para alguns, não serve o país não serve os trabalhadores e o povo. Passos Coelho segue as pisadas de Sócrates. Passos Coelho e o PSD, agora de braço dado com Paulo Portas e o CDS-PP apresentou um programa de governo que é a continuação agravada da política anterior e do acordo com a troika negociado por Sócrates. 
 
Falsas promessas
 
 
A campanha eleitoral do PSD foi feita com a promessa de “Mudança” aproveitando de forma oportunista o sentimento de desejo de uma nova política como defende o PCP há muitos anos. Os panfletos distribuídos por Passos Coelho, com a sua fotografia em grande plano, diziam: “ESTÁ NA HORA DE MUDAR” Em letras mais pequeninas prometiam “ o nosso compromisso com os trabalhadores portugueses”. No interior desse compromisso diziam os papeis: 
A tal ideia de mudança, que não convém a alguns, porque assim é que estão bem, e que apelidavam de “cassete dos comunistas”, passou a ser defendida por muitos políticos, técnicos, comentadores, e outros que tais, que, sem dizerem que o Partido Comunista, afinal, é que tinha razão, passaram a expressar por outras palavras, aquilo que o PCP diz há anos. É preciso apoiar a nossa economia. Esta "austeridade" gera depressão. É preciso apoiar a nossa agricultura (Paulo Portas passou a andar de boné e a visitar os agricultores). É preciso defender as pescas (Cavaco evitava falar nas “pescas” não fossem as pessoas lembrar-se que foi ele que destruiu a frota pesqueira, e por isso diz “potencialidades do mar”). Aconteceu até, calculem, que apareceram políticos e comentadores a defender, ainda que timidamente, a “reestruturação da dívida”. Diziam “reestruturação” para não dizer o que o PCP sempre defendeu “a renegociação da dívida”. Outros preferiram a palavra "reprofilage". Os que criticavam o PCP por defender que Portugal não se devia subordinar às políticas dos “mercados” indignaram-se, agora, com a classificação de  “lixo” a Portugal e, ainda por cima, logo na ocasião em que o novo Governo deu os primeiros passos de coelho para, nervosamente, cumprir as exigências dos “mercados”. 

Ah! valente!

Passos de Coelho, que apesar de ter levado “um murro no estômago”, fincou bem os pés para não recuar, prosseguiu o mesmo caminho da fuga p’rá  frente, esquecendo-se que tinha dito antes das eleições, que “É PRECISO MUDAR”. Pelos vistos um “murro no estômago” não chega para o fazer mudar. Passos Coelho continua o caminho de Sócrates, caminho que a direita há 30 anos, vem impondo a Portugal. Caminho da submissão ao grande capital, seja o americano, seja o europeu, se é que é possível distinguir.  
Por isso o PCP há 30 anos que é obrigado a recorrer à “cassete” para alertar que a política de direita não serve a Portugal e aos portugueses. Muita gente continua a ser enganada pelas promessas de “mudança” que a direita é obrigada a fazer para ganhar eleições. Mas, como disse Jerónimo de Sousa, o PCP é “Um Partido que não se rende!”. 

A política que Portugal e os portugueses precisam

É cada vez mais evidente que “com este programa, com esta política, com as medidas previstas é o afundar do país no pântano em que a política de direita o fez mergulhar”
O PCP continua a lutar, e com razão, por uma alternativa política. Uma MUDANÇA verdadeira que significa: “Rejeitar o programa ilegítimo de submissão externa, renegociar a dívida pública, defender a produção nacional e uma justa distribuição da riqueza,…” uma política “patriótica e de esquerda de que o país precisa”, em torno da qual se devem mobilizar e unir os trabalhadores e o povo. 

7 de julho de 2011

Reagir, acordar, unir forças, lutar

Que mais provas são necessárias para verificar que a política de direita não serve?

A lei dos Mercados

Moody's já teve em conta medidas anunciadas por Passos Coelho

“O consenso político e as medidas recentemente anunciadas pelo Governo foram tomadas em conta”, disse Anthony Thomas, analista sénior de risco soberano da agência de notação Moody’s.
 
Segundo o também vice-presidente da agência de rating, estes dois factores não foram suficientes para evitar os “riscos de deterioração”, pelo que a Moody’s considera que “o rating de Portugal está mais apropriado em Ba2”.
 
No comunicado em que anunciou o corte na notação, a Moody’s avança com três argumentos principais.
 
Por um lado, argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados no segundo semestre de 2013. Depois, existe uma “possibilidade crescente de a participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição” para esse segundo resgate, à semelhança do que está a ser estudado no âmbito de um segundo pacote de ajuda à Grécia.
Em terceiro lugar, agravam-se os receios de que Portugal não seja capaz de cumprir a totalidade das metas de redução do défice e da dívida acordadas com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, no âmbito do empréstimo de 78 mil milhões de euros.

Além de cortar o rating da dívida de longo prazo de Portugal em quatro níveis, a agência de notação colocou-o ainda em ‘outlook’ negativo, podendo a notação voltar a cair em breve.
 
Noticia extraída do Jornal Público

PIC-NIC CONTRA A PRECARIEDADE

Tomemos nas nossas mãos
os destinos das nossas vidas


As organizações promotoras do "Pic-Nic Contra a Precariedade" apresentaram, hoje, à Comunicação Social, as linhas de força desta iniciativa, designadamente os intervenientes nos "Debates", nas "Mesas Redondas" e nos "Concertos.
Sábado dia 9 de Julho das 10 às 21 horas no Parque Eduardo VII.
É organizado por quatro associações, a Interjovem, a Associação de Bolseiros de Investigação Científica, a Juventude Operária Católica e o Movimento 12 de Março, com o objetivo de lutar contra a precariedade laboral em Portugal. São esperados muitos jovens trabalhadores e desempregados, mas o convite estende-se a todos os que se queiram juntar à iniciativa.

6 de julho de 2011

Análise económica

Tornar simples o que parece complicado entender





C de Continuar (2)

De parasitas... a: muitos comentários e poucas conclusões
 
Hoje os jornais foram fartos em comentários dos mais insigne, pesporrentos e bachareleiros analistas, que não se escusaram a mostrar a sua indignação pela classificação dada a Portugal pelas agências de rating. Tais comentadores, no entanto, escusaram-se a interpretar estes acontecimentos. Se o fizessem, teriam que por em causa o sistema que tanto admiram e, atentos e venerandos servem. Os mercados. O neoliberalismo e a lei do mais forte. 
Para os que sempre defenderam alternativas de independência face ao grande capital, nada disto surpreende. Surpreende apenas o facto de tanta gente querer ser cega.
 
Vamos então aos comentários, apanhados ao acaso:

Passos Coelho diz que corte do ´rating´ foi um «murro no estômago».
 
«Tendo em atenção o acordo de ajuda externa já celebrado com as instituições e as medidas adicionais anunciadas pelo Governo, esta classificação parece-nos pouco compreensível», afirmou Nino Magalhães aos jornalistas.
 
«Mais do que ter uma atitude hostil para com as agências de rating e com a Moody´s em particular, interessa sublinhar e enfatizar muito que o Governo português e a maioria parlamentar que o apoia não vão esmorecer com esta notícia e vão continuar muito concentrados em cumprir com os objectivos [traçados]», acrescentou Luís Montenegro.


 
O jornal alemão Die Welt escreve esta manhã que a agência de notação financeira Moody’s “deu uma bofetada a Portugal” ao decidir um corte do ‘rating’ da dívida portuguesa para um nível que os mercados classificam como lixo.
 
Nicolau Santos considera que é inadmissível essa decisão, tendo em conta o esforço que Portugal está a fazer e os argumentos que foram apresentados.
 
João Ferreira do Amaral defende que decisão da Moody’s prova que medidas da ‘troika’ deixam muito a desejar.
 
Daily Telegraph diz que Moody’s agiu para pressionar investidores a financiarem ajuda à Grécia. 
Este comentário merece uma pergunta: Então as agências de rating já fazem política? Prejudicam uns para beneficiar outros?
 
O corte do rating de Portugal pela Moody`s é, para o ex-ministro da Economia Vieira da Silva uma «má notícia» e um ataque externo às finanças portuguesas.
 
O presidente da SIBS, Vítor Bento, considerou esta quarta-feira que apesar da descida do «rating» português ser «inconveniente», o problema está nas autoridades europeias, que se deixam «condicionar nas suas próprias políticas» pelas avaliações externas.
 
Não deixa de ser, no mínimo irónico, que o Estado e as empresas portuguesas paguem por ano cerca de 9 milhões de euros às agências de rating. as mesmas que têm baixado sucessivamente a nota à dívida soberana e que a colocam agora a nível de lixo financeiro. (Agência Financeira).
 
O presidente da EDP, António Mexia, disse esta quarta-feira que o corte de rating da Moody`s «é uma decisão lamentável, totalmente especulativa e, sobretudo, em termos de timing, não me parece justificável».
 
Para o presidente do BES, Ricardo Salgado, este foi mais um movimento na guerra que se está a travar entre o euro e o dólar.
 
O presidente do BPI, Fernando Ulrich, diz que na Europa temos que deixar de «estar escravizados pelos critérios das agência s de rating norte-americanas».
 
O presidente da CGD, Faria de Oliveira, tinha reagido, considerando a descida de rating «imoral e insultuosa», e um «ataque» a que temos que reagir.
 
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) disse «O que é que as agências de rating querem mais? Que, permitem-me a expressão, façamos o pino?». «Portugal e os outros países que venham a ser vítimas destes ataques não terão qualquer capacidade de a eles reagirem», reforçou.


E que se passa com as empresas que foram "libertas" das "golden share"?
 
Na Bolsa a PT, que recuou 3,1% para 6,61 euros, e a EDP, em baixa de 3,36% para 2,44 euros. A Galp registou a segunda menor descida e, mesmo assim, afundou 1,3% para 15,98 euros. 


Tudo ao contrário do que se dizia! Que lições há a tirar de tudo isto?

C de Continuar

Parasitas, vírus e remédios


Depois de uma ausência forçada de quase duas semanas, volto sem saber como recuperar o atraso, tanta coisa se passou que confirma a conclusão a que há muito cheguei: Esta política, em Portugal, na Europa e, em grande parte do mundo, não serve e está a ruir. O sistema capitalista que convém para alguns enriquecerem à custa da grande maioria está a sucumbir como o vírus ou o parasita que mata o corpo que o alimenta. 
Há que acordar e eliminar o parasita antes que o parasita nos destrua a todos, morrendo também.

Mais do mesmo


No ainda nosso Portugal, como se esperava, o Governo prossegue a política do anterior, agravando a situação económica de quem produz e, nessa fúria de sugar dinheiro a quem trabalha, caminha para o suicídio.
Continuam as privatizações e, já havendo pouco que valha a pena privatizar, acabam-se as "golden shares" perdendo o estado algum controle que ainda restava nas empresas estratégicas, EDP, PT, e Galp.
Cortam-se ordenados, aumentam os impostos, amputa-se o subsídio de Natal e aumenta-se o desemprego, arruinando milhões de famílias e, com elas, a economia do país.
Reduzem-se os investimentos em sectores produtivos e nas infraestruturas mais económicas como a ferroviária. Nada se fala sobre apoios às pescas, à agricultura e indústrias.
Produzimos menos mas, aumentam os horários de trabalho e a idade de reforma criando cada vez mais desemprego em especial nos jovens.
Cortam-se carreiras de transportes públicos obrigando o país a grandes desperdícios em transportes privados, importação de combustíveis e perdas de tempo inadmissíveis de quem se desloca no trânsito cada vez mais atafulhado.
Emagrece-se o Estado. Acaba-se com a Cultura. Fecham centros de saúde e escolas.


Os mesmos efeitos para as mesmas medidas


O Governo cumpre escrupulosamente as medidas impostas pela "troika", FMI, UE e BCE mas as agências de "rating" desclassificam Portugal, aliás como sucedeu cada vez que o Governo aplicou as medidas recomendadas pelo grande capital. Foi com os Orçamentos de Estado impostos pela UE, foi com os PECs, foi com o recurso ao FMI, foi com a aceitação das medidas da troika, foi com a eleição de um novo governo de maioria absoluta que se comprometeu a cumprir as exigências.
De imediato as medidas que eram "boas" provocaram a queda da bolsa e a aceleração para o desastre, tal como aconteceu na Grécia. Será coincidência? Tantas?


Uma estratégia global


A nível europeu, as cedências feitas ao capital norte-americano estão a levar à ruína do Euro e à destruição da "tão querida" união europeia, na tentativa de salvação do Dólar.
Nos EUA, surgem fortes suspeitas que o ouro do Tesouro Norte Americano "desapareceu" e foi substituído por barras de ouro falsificado. A China que investiu na produção, poderá vir a "retirar o tapete" aos EUA se exigir o pagamento das suas dívidas. Então o Dólar abre falência.


A Guerra ao serviço da Crise


Enquanto os EUA estão à beira da falência e seguem a política de sugar tudo o que podem a quem trabalha, gastam milhares de milhões de dólares nas guerras que provocam nas várias partes do mundo. Matam, bombardeiam, destroem a economia de países como o Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão e alargam as acções terroristas, através da CIA na América Central e do Sul, em África, na Ásia, nas Honduras, no Haiti e em muitos outros países independentes.

Enganar, distrair, domesticar e adormecer


A política de direita que PS, PSD e CDS é subordinada aos interesses do poder económico, num sistema de mercado, neoliberal, cheio de contradições e que não serve os interesses dos trabalhadores e do povo. Não é por incompetência que nos leva à ruína. É uma opção política que não tem por objectivo o que dizem defender. Mentem porque não podem dizer a verdade.  
Mentem como mentiu Sócrates para ganhar as eleições e "segurar" os militantes e apoiantes do PS.
Mentem como mentiu Obama e todos os políticos que se servem do povo para ser eleitos, não para defender quem os elegeu, mas para defender os interesses de classe dos que montaram um sistema político e económico, o capitalismo, com as suas leis, hierarquias e rede de poder político e económico que domina a justiça, a comunicação - jornais, rádio e televisão - a propaganda, a cultura para "distrair", "adormecer" e enganar  a maioria do povo.

O antibiótico recomendado


Tal como os parasitas e vírus, esta política, e a mentira que a sustenta, tem os dias contados. Apesar dos meios poderosos que tem, os trabalhadores ganharão consciência e saberão organizar-se e aplicar os remédios, lutando contra o vírus, por uma sociedade mais justa, por um mundo melhor, mais saudável. 



26 de junho de 2011

NATO controla e mata em Bengasi

Ex-ministra argelina que visitou Bengasi diz que quem lá manda são os franceses

A ex-ministra argelina Saida Benhabiles, Prémio das Nações Unidas, sociedade civil 2001, quis ver com seus próprios olhos o que se passa na Líbia. Relatou que Bengasi é uma cidade controlada por terroristas e serviços secretos da NATO, e o ministro francês de assuntos exteriores Alain Juppé. O verdadeiro chefe dos terroristas é o sionista e ultradereitista francês Bernard Henri Levy. As forças da NATO matam civis, crianças e mulheres e disparam contra todos os que se movem. É o massacre de um povo. Em Bengasi há mais bandeiras francesas que líbias diz a ex-ministra que só conseguiu mover-se em Bengasi por viajar com a cobertura do "centro francês de investigação para a informação".


Ver em http://civilizacionsocialista.blogspot.com/


21 de junho de 2011

A Líbia sob fogo da NATO

Este artigo vem publicado na integra em Diárioinfo, e noutros blogs, mas, pela sua importância, vou reproduzir algumas passagens e fazer um comentário final.


Um festim de sangue
por:
Cynthia McKinney ex-membro do Congresso dos EUA eleita pelo Partido Democrático, integra actualmente o Green Party, pelo qual foi candidata à eleição presidencial de 2008


16.Jun.2011

É claramente evidente que a NATO excedeu o seu mandato, mentiu acerca das suas intenções, é responsável por assassínios extra-judiciais, tudo em nome da “intervenção humanitária”. 

No período em que integrei o Comité de Relações Internacionais no Congresso, entre 1993 e 2003, tornou-se-me evidente que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) constituía um anacronismo. Fundada em 1945, no final da II Guerra Mundial, a OTAN foi criada pelos EUA como resposta à sobrevivência da União Soviética enquanto Estado Socialista. A OTAN constituía o garante político, para os EUA, de que a dominação capitalista sobre as economias Europeia, Asiática e Africana iria prosseguir. E esta garantia assegurava também a sobrevivência do apartheid global então existente.
(...)
A Ofensiva da NATO na Líbia*
 
Com tudo isto como pano de fundo, o ataque de foguetões contra Tripoli na noite passada é inexplicável. Tripoli, uma área metropolitana com cerca de 2 milhões de habitantes, suportou 22 a 25 bombardeamentos ontem à noite, abalando e partindo janelas e fazendo tremer o meu hotel até aos alicerces.
Abandonei o meu quarto no Hotel Rexis Al Nasr, caminhei pelo exterior, e podia sentir o cheiro dos explosivos. Por toda a parte, habitantes locais de mistura com jornalistas estrangeiros de todo o mundo. Enquanto ali estávamos, mais bombas atingiram vários pontos da cidade. As explosões clareavam o céu de vermelho, e mais foguetões disparados por jactos OTAN atravessavam as nuvens baixas antes de explodir.
 
Terrorismo do mais violento

Podia sentir na boca a poeira espessa levantada pelas bombas. Pensei de imediato nas munições de urânio empobrecido que se diz estarem a ser utilizadas, bem como as de fósforo branco. Se estão a ser utilizadas armas de urânio empobrecido, de que forma afectarão os civis locais?


Mulheres transportando crianças pequenas fugiam para fora do hotel. Outras corriam a lavar a poeira que lhes entrara para os olhos. Com as sereias rugindo, viaturas de emergência surgiram na zona sob ataque. Os alarmes dos carros, disparados pelos impactos sucessivos, podiam ouvir-se sob os cânticos desafiadores do povo.
 

Porque fazem isto?
 
Tiros esporádicos de armas de fogo romperam, ao que me pareceu em todo o lado à minha volta. A estação Euronews mostrou imagens de enfermeiras e médicos entoando cânticos, nos próprios hospitais em que tratavam aqueles que a última investida de choque e assombro da NATO deixara feridos. De repente, as ruas à volta do meu hotel encheram-se de gente a cantar e de automóveis a buzinar. Dentro do hotel, uma mulher líbia transportando uma criança aproximou-se de mim e perguntou-me por que lhes estão a fazer isto?

Quaisquer que fossem os objectivos militares do ataque (e eu e muitos outros questionamos a utilidade militar de semelhantes ataques) permanece o facto de que este ataque aéreo foi lançado contra uma grande cidade repleta de centenas de milhares de civis.
 
A NATO é máquina de destruir sem escrúpulos

Reflecti também se algum dos políticos que autorizou este ataque aéreo alguma vez se encontrou do lado errado de munições de urânio empobrecido guiadas a laser. Teriam alguma vez presenciado os danos horríveis que estas armas provocam numa cidade e nos seus habitantes? Pode suceder que, se alguma vez tivessem estado numa cidade sob ataque aéreo, se tivessem sentido o impacto destas bombas, se tivessem visto a devastação causada não estivessem tão dispostos a autorizar um ataque contra a população civil.

(...) No dia anterior, numa iniciativa de mulheres em Tripoli, uma mulher aproximou-se de mim de lágrimas nos olhos: a mãe está em Benghazi e ela não pode voltar para saber se a mãe está ou não bem. As pessoas do oriente e do ocidente do país viviam em comum, amavam-se, casavam entre si. Agora, em consequência da “intervenção humanitária” da OTAN, geraram-se e endurecem divisões artificiais. 
 
Racismo bárbaro dos "rebeldes" lincha negros líbios

Horrorizou-me saber que os aliados da OTAN na Líbia (os “Rebeldes”) têm linchado e massacrado os seus compatriotas de pele mais escura, depois da imprensa dos EUA ter identificado os Negros Líbios como “mercenários negros”. Digam-me agora, por favor: vão expulsar os negros de África? Informações da imprensa sugerem que os americanos ficaram “surpreendidos” por encontrar pessoas de pele escura em África. O que é que isto nos diz acerca desta gente?
O triste facto, entretanto, é que são os próprios líbios que têm sido insultados, aterrorizados, linchados, assassinados, em consequência das informações que hiper-sensacionalizaram esta grosseira ignorância. Quem é que vai ser responsabilizado pelas vidas perdidas no frenesim sanguinário desencadeado por estas mentiras?

 
Porquê?

E isto traz-me de regresso à pergunta que a mulher me colocou: porque está isto a acontecer? Honestamente, não pude dar-lhe a resposta educada e razoável que ela esperava. Do meu ponto de vista, todo o público internacional se debate com essa questão “Porquê?”.
O que sabemos e está muito claro é isto: aquilo a que eu assisti na noite passada não é uma “intervenção humanitária”.
Muitos alimentam a suspeita de que a questão é a quantidade de petróleo existente no subsolo líbio. Podem chamar-me céptica, mas dá que pensar como é que forças combinadas de terra, mar e ar da OTAN e dos EUA, custando milhares de milhões de dólares, são mobilizados contra um relativamente pequeno país do Norte de África e se supõe que todos fiquemos convencidos de que se trata de defender a democracia.

 
Bombardeamentos humanitários?

O que eu vi nas longas filas de espera para obter combustível não é “intervenção humanitária”. A recusa em autorizar fornecimento de medicamentos para os hospitais não é “intervenção humanitária”. O que é mais triste e que sou incapaz de dar uma explicação plausível do porquê às pessoas agora aterrorizadas pelas bombas da OTAN, mas é claramente evidente que a OTAN excedeu o seu mandato, mentiu acerca das suas intenções, é responsável por assassínios extra-judiciais, tudo em nome da “intervenção humanitária”.
 

Onde está o Congresso quando o Presidente excede as suas competências no desencadear da guerra? Onde está a “consciência do Congresso”?
 
É isto o imperialismo

(...)A gente de todo o mundo precisa de que nos levantemos e falemos, em seu nome e no nosso, porque a Venezuela e o Irão também estão sob ameaça. 
 
Os líbios não precisam dos helicópteros bombardeiros da OTAN, nem de bombas inteligentes, mísseis de cruzeiro ou bombas de urânio empobrecido para resolver os seus problemas internos. A “intervenção humanitária” da OTAN tem que ser denunciada pelo que realmente é à luz crua da verdade.

Enquanto anoitece sobre Tripoli tenho, juntamente com a população civil, de me preparar para mais “intervencionismo humanitário” da OTAN.
 

Parem de bombardear África e os pobres de todo o mundo!


Nota:
Creio que falta acrescentar às explicações, de actos tão vergonhosos, o facto dos EUA terem concluído após a Grande Guerra que o capitalismo pode tirar grandes proveitos das guerras e das indústrias que as servem. A actual crise do capitalismo, a derrota da URSS, permitiu o regresso ao liberalismo e o acentuar das desigualdades, com os poderosos cada vez mais poderosos e os pobres cada vez mais pobres. Assim, o poder económico dirige os políticos da direita como seus empregados fieis. O capitalismo, para servir o seu Deus Lucro, não olha a meios. Aos poucos criou as leis e os sistemas que impedem as alternativas e, como disse o escritor Gore Vidal caracterizando os EUA: é um sistema de um só partido com duas alas de direita. Os sociais democratas e conservadores, em constante alternância.

* Os subtítulos são da minha responsabilidade.

20 de junho de 2011

CONSELHO PORTUGUÊS PARA A PAZ E COOPERAÇÃO

Líbia
Fazer a paz
Defender os povos

O CONSELHO PORTUGUÊS PARA A PAZ E COOPERAÇÃO emitiu dia 14 um comunicado em que relembra os acontecimentos que estão a matar milhares de pessoas e a destruir um país, por sinal o de maior índice de desenvolvimento humano de toda a África, condena vivamente o assassinato de civis por qualquer das partes em conflito, reitera o repúdio pela intervenção da NATO, responsável pela destruição maciça de vidas e bens e exige que seja respeitada a vontade e soberania do povo líbio.

No comunicado refere que a 17 de Março foi "aprovada, com a abstenção da Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil", a Resolução 1973 de exigência de um cessar fogo e diálogo entre as partes e estabelecimento de interdição de voos excepto para benefício da população.

(...)"A 19, à noite, EUA, Reino Unido e França atacam a Libia. Desde aí, alvos militares e civis têm sido atacados pela NATO, que entretanto assumiu o comando das operações.

Refere o comunicado que a intervenção bélica contra a Libia, "É uma guerra de grandes potências importadoras e exploradoras de petróleo, com passado e actual pendor colonialista, contra um país não alinhado e dotado de grandes reservas energéticas".

"Não é uma guerra pela defesa dos cívis líbios, mas sim a favor de grandes interesses dos EUA, do Reino Unido, da França e da Holanda.
É uma guerra pela apropriação do petroleo e dos importantes fundos soberanos libios aplicados em países Ocidentais".

"Uma guerra arrasta sempre morte e sofrimento para as populações. Se a preocupação fosse salvaguardar as populações, teriam sido consideradas as reiteradas iniciativas de diálogo e negociação, intermediadas pela União Sul Africana, Rússia e de países da América Latina, aliás propostas ou aceites por Kahdafi em nome do regime líbio".
   
O comunicado mostra ainda que "Esta intervenção armada na Líbia é ilegal e ilegítima" e ainda que "a actuação do chamado “Grupo de Contacto da Líbia”, constituída pelos agressores, e que além de usurpar poderes que só os Órgãos da ONU têm, vai além do mandato que se poderá inferir da Resolução 1973: a mesma não prevê a queda do regime, nem prevê o bombardeamento de infra-estruturas civis, nem a tomada de posição e apoio a uma das partes em conflito".
 
Refere-se ainda que a "agressão dos EUA/NATO/UE à Líbia, além de ser o principal obstáculo à paz neste país, é um ataque ao Direito Internacional. É mais uma grosseira agressão aos povos que seguem uma via de autodeterminação e buscam melhores condições de vida".

O comunicado termina com a denuncia "como indigna a posição do Governo Português que, demitindo-se de facto da responsabilidade que assumiu como presidente do Comité de Sanções à Líbia, para  prestar apoio político (se não mesmo logístico) a mais uma guerra de rapina - contrariando os princípios constitucionais da República Portuguesa".

O comunicado pode ser visto na íntegra clicando aqui