31 de maio de 2011

Itália, a direita e Berlusconi.

Direita de Berlusconi perde em Milão e Nápoles 


A direita italiana liderada por Sílvio Berlusconi perdeu a cidade de Milão, onde a esquerda conquistou 55,12 por cento dos  votos 

Milão, capital económica do país ao fim de 18 anos passou-se para a esquerda. Também em Nápoles a direita foi derrotada. Tudo indica que é o princípio do fim do "reinado" de Silvio Berlusconi".

Há três dias Berlusconi foi duramente criticado por durante a Cimeira do G8 ter-se queixado a Obama por estar a ser perseguido pelos Juizes que são de esquerda. Disse ele: "Apresentamos uma reforma da justiça que é fundamental para nós. Na Itália, temos quase uma ditadura de juízes de esquerda.."

Essa atitude levou a que Daniela Melchiorre, secretária de Estado que integrava o governo de maioria em Itália, tenha anunciado a demissão. 

Daniela Melchiorre, magistrada e também presidente do partido dos liberais-democratas, considerou que a atitude de Sílvio Berlusconi, em "levar a sua estratégia de defesa ao mais alto nível mundial" foi além de todas as marcas. Disse ainda que "Não é aceitável chegar a tal vulgaridade, procurando descredibilizar uma função constitucional diante de uma das mais importantes autoridades do planeta"



A imprensa italiana destacou sobretudo a insistência do primeiro-ministro em abordar Obama, que permaneceu impassível e nada disse durante os dois minutos do aparte.

Pierluigi Bersani, líder do maior partido da oposição, fez piada, dizendo que Berlusconi devia estar pedindo a Obama uma ação militar da NATO contra os juízes.

Já em 15 e 16 de maio, Berlusconi tinha declarado à comunicação social que estava a ser perseguido pelos juízes que ordenaram seu julgamento em três casos de corrupção e um caso, em que ele foi acusado de contratar uma prostituta, menor de idade, marroquina.

Parece que o povo italiano está a reagir à pressão das influências de Berlusconi que manipula a comunicação social em Itália. Temos sempre a aprender com os erros dos outros e com os nossos.

30 de maio de 2011

Demagogias e... conversas da treta

Esconder os nomes das coisas. Ao que chega a demagogia e a burla


Paulo Portas quer apagar, ou desvalorizar a sua ideologia de direita para conquistar os votos da esquerda.
Não se iludam os mais crédulos.

Vejamos o que ele diz:
Portas cita o Presidente Kennedy. “Eu não te pergunto de onde tu vens mas o que queres fazer pelo teu país”, recordou, insistindo na desvalorização das “categorias ideológicas”. 
(Público de 29/05/2011)

Parece uma frase bonita e sábia mas é apenas mais uma embalagem para esconder o conteúdo falso. Porquê?

O dizer: "Eu não te pergunto de onde tu vens" dá a ideia de grande democrata e que aceita todos, mas logo a seguir desmente essa ideia dizendo, que apenas lhe interessa saber: "o que queres fazer pelo teu país”. Esta segunda ideia "o que queres fazer pelo teu país” pode parecer que envolve um desejo de coisa boa, mas será? E que coisa?

É aqui que entra a ideologia escondida que dizia não lhe interessar ou desvalorizar. 

Vejamos:
Se Paulo Portas perguntar a um trabalhador consciente, provavelmente ele dirá que deseja que o país produza e dê trabalho a todos, emprego estável e remunerado de acordo com o trabalho de cada um, e que proporcione educação, cultura e formação acessível a todos, saúde gratuita, segurança social, etc.

Mas se Paulo Portas perguntar aos seus amigos de partido e a quem ele serve, eles dirão que querem um país sem contratos de trabalho, com um mercado de trabalho amplo e bastante desemprego e com os trabalhadores sem direitos para as empresas terem elevados lucros para os seus accionistas. Quanto à Educação é apenas para os seus filhos e não precisa de ser gratuita pois é uma forma de seleccionar bem a sociedade. A Cultura não faz falta se não der dinheiro. A Saúde deve ser entregue a especialistas privados, pois pode ser uma boa fonte de rendimentos.
Se Paulo Portas perguntar aos banqueiros que o apoiam, o que querem fazer pelo seu país, eles começarão por perguntar: Qual país? Hoje estamos num mundo global e não há fronteiras. O que queremos é que se ganhe dinheiro. Como, não interessa. O negócio é tudo. Isso de produzir não é importante. O que dá mais é a engenharia financeira. Por isso queremos que os países tenham, mercados, bolsas activas, que movimentem muitas acções. Comprar e vender petróleo por exemplo. E a saúde e educação? Que haja a necessária para os que a podem pagar.
 
Portanto, sem perguntar de onde se vem, pode bem saber-se de onde é, e para onde quer ir. Se isto não é ideologia, então o que é?
      
Quanto aos partidos:
Poderá o Paulo Portas extinguir o seu partido, ou chamar-lhe fundação ou outro nome, pode até mudar de casa, mas não deixará de ter exactamente as mesmas reuniões, fazer os mesmos planos a mesma política com os seus amigos, banqueiros e empresários e estar bem organizado e apoiado para tentar levar Portugal para mais "à direita" ou para... com o nome da treta que queira arranjar (com a tal política que não quer que tenha nome). Se não quer falar em "direita" e "esquerda", que fale "em cima" e "em baixo", ou nalguma coisa que defina o que ele quer. Mas que não esconda o Sol com a peneira. 
Lá espertalhaço é ele. E fala bem. Tolos são os que ainda vão na cantiga, no canto da sereia, na conversa fiada ou da trampa, nas tretas, no paleio, na vigarice, nas faroladas, na conversa mole, nas balelas ou babuseiras, na chuchadeira e nas patacoadas ou lá o que ele queira chamar à sua conversa para enganar tótós.

29 de maio de 2011

A manipulação da "comunicação social" (3)

A Sic apresenta em grandes parangonas:

CDU cada vez mais distante de PS visita "bastião" de Alpiarça

O que quer dizer, não é o que diz! Isto pode ser lido ao gosto de cada um.

É mais o exemplo de uma informação que não informa. Manipula! Distorce! Este jornalismo não vale nada.


Mais adiante a Sic Notícias diz:

A CDU está hoje em campanha no "bastião" de Alpiarça e em Évora, quando está cada vez mais distante e crítica  do PS, que o secretário-geral comunista diz que "abre a porta" do governo  à direita. 

É só confusão. Pouco se percebe. Parece que, afinal, a distância é relacionada com a abertura que o PS dá à direita. Ou será a de Alpiarça a Évora? Para quem estiver atento, poderá concluir que se trata de um afastamento ideológico, uma vez que foi aqui introduzida a palavra "crítica". Ficamos um pouco mais esclarecidos, ainda que sem qualquer nova informação. 
Contudo, como a notícia sugere, "...cada vez mais distante..." revela um movimento, um afastamento. Como aprendi na escola, há uma relatividade nesta distanciação. Ficamos sem saber quem se afasta de quem ou do quê. Qual o ponto de referência? Enfim, pouco ficamos a saber, excepto que há uma intenção deliberada de não esclarecer e de proporcionar o engano. Esse é o objectivo desta notícia. Conta para a estatística, mas como uma "não notícia".

Reciclar

Não sou cartoonista, mas... 
gostaria de ser!
 
Esta política não serve. Vendo bem, nunca serviu e está fora da garantia que nunca teve.

28 de maio de 2011

Combate à Corrupção

Porque é que os corruptos e sabotadores da economia continuam à solta?

A Lei que continua por aprovar!


Esta reflexão vem a propósito de sondagens e de algumas reportagens que "elevam" políticos corruptos, mentirosos e com falta de ética aos "tops" da escolha dos portugueses.


Se a lei que, desde 2007, o PCP vem apresentando na Assempleia da República para combater os crimes de corrupção, (ver aqui) já tivesse sido aprovada, certamente que a maioria desses políticos estaria na prisão. Mas os "gangs" defendem "a família", infelizmente, com a tolerância dos portugueses.


É sabido que os baixos níveis de formação, e a indulgência para com as práticas da corrupção, fazem os portugueses aceitar, e até fomentar, o clientelismo, as cunhas, as fraudes fiscais, os favores e outras práticas desse tipo. É um fenómeno cultural e social que tem como alibi, vencer as dificuldades da burocracia e promover o desenrascanço.


Esta cultura (ou falta dela) cresceu ao longo dos tempos e, em especial, durante os 48 anos de fascismo salazarista. Inerente a ela é o não uso do direito (e dever) de denúncia e do não exercício de vigilância para esses actos de corrupção. 


Após o 25 de Abril de 74 foi estimulada uma grande participação popular na vida social e política que combateu a corrupção e esses actos de sabotagem da economia. Contudo esse ambiente foi reprimido após 1976. Por isso, abafada a Revolução dos Cravos, foi interrompida a cidadania activa, o que favoreceu este ambiente de falta de ética e de responsabilidade social, que conhecemos. A falta de literacia, e de cultura, da maioria dos portugueses, permite e origina graves problemas sociais e económicos em Portugal.




O papel da Comunicação Social


Os Orgãos de Comunicação Social, para agradar aos gostos das maiorias menos cultas e sem preocupação pela qualidade, para garantir grandes tiragens ou audiências, usam e abusam do sensacionalismo do voyeurismo, do espectáculo sem conteúdo, da exploração dos baixos valores, da falta de ética e dignidade. Preferem distrair as pessoas com a invasão da vida privada, especialmente a dos políticos, em vez de debater as suas ideias e opções. Isto desenvolve uma deficiente cidadania e a incapacidade de compreender e participar na vida política e social do país. Interessa mais à comunicação social discutir pormenores para os quais não é preciso pensar, do que as politicas em causa. 


 
"Se eu pudesse fazia o mesmo"
 
Fica sempre por relacionar a política com os interesses que defendem. Os escândalos e a corrupção com a política defendida. Problemas que causam enormes prejuizos ao país, são apresentadas como jogos-espectáculo, sem qualquer efeito pedagógico ou exemplar. Por vezes os corruptos são apresentados como heróis, os espertos, os desenrrascados que se safaram. Reportagens ouvindo cidadãos destacam afirmações tais como: "ele foi esperto", "eu se pudesse fazia o mesmo", "parvo era ele se não se aproveitasse", "se todos roubam, porque é que ele não havia de roubar". 
É isto que leva os portugueses a eleger os mentirosos, os expertos, os corruptos os que "desviam" o que é de todos, que destroem o país e roubam todos os portugueses.  


Outros textos sobre o assunto:
Projecto de lei
Noticia do JN



27 de maio de 2011

Enganar tótós

Vender a embalagem sem o conteúdo, é o que está a dar!


A estratégia da mentira, do populismo, de dizer frases que nada dizem, mas que parecem muito acertadas, é muito utilizada pelos partidos de direita. Paulo Portas é o exemplo mais carismático. No entanto PS e PSD estão a utilizar esses estratagemas para impressionar as pessoas menos politizadas ou menos críticas. Dizem os propagandistas desses partidos que «mais importante do que ter ideias é saber fazer passar o discurso» falar bem mesmo sem dizer nada. É o que está a dar.


A burla que rende


Isto, para além da exploração da ignorância, é uma burla feita aos eleitores.

Os jornais, a rádio e a televisão, colaboram nesta falta de conteúdo, pois entendem que têm mais audiências e vendem mais se os políticos em vez de debaterem propostas e ideias, insultarem-se já que não é fácil "pô-los à porrada". É isso que o povo gosta, dizem esses "políticos", para assim aparecerem mais vezes na Televisão ou nas notícias e serem muito falados. Não interessa o que se diz, interessa é provocar escândalo. 


São estes políticos que governam o país e o conduzem para o desastre. São eles que ganham as eleições. Quanto mais roubarem, quanto mais fraudes fizerem melhor, mais deles se fala e é neles que o povo tem votado.


A Troika, ou os Três inocentes

Em terra de cegos, quem tem um olho...

Há dias, Paulo Baldaia, Director da TSF, disse maravilhas dos discursos de Paulo Portas e afirmou, «o homem fala, o sábio cala, o tolo discute». A popularidade do Paulo Portas é justamente porque o CDS «tem mostrado muito pouco», apenas com «meia dúzia de máximas» e que «não concretiza muitos dados». 
Segundo este jornalista o eleitorado não gosta de quem apresenta propostas concretas, pois isso obriga a discutir e a pensar. 
O jornalista, comentador Sousa Tavares disse «político que diga toda a verdade, não ganha eleições».
Portanto, dizem estes senhores, é preciso falar "para tótós", porque são a maioria, que elegem o governo. 

26 de maio de 2011

Os Responsáveis

Sempre os mesmos a estragar
e quem tem a culpa?  

1 Mário Soares 1976 / 1978 P S

2 Mário Soares 1978 P S / C D S

3 Nobre da Costa 1978 

4 Mota Pinto 1978 / 1979 

5 Lurdes Pintassilgo 1979 / 1980 

6 Sá Carneiro 1980 / 1981 A D (PPD-CDS-PPM)

7 Pinto Balsemão 1981 A D (PPD-CDS-PPM)

8 Pinto Balsemão 1981 / 1983 A D (PPD-CDS-PPM)

9 Mário Soares 1983 / 1985 P S / P P D

10 Cavaco Silva 1985 / 1987 P S D

11 Cavaco Silva 1987 / 1991 P S D

12 Cavaco Silva 1991 / 1995 P S D

13 António Guterres 1995 / 1999 P S

14 António Guterres 1999 / 2002 P S

15 Durão Barroso 2002 / 2004 P S D / C D S

16 Santana Lopes 2004 / 2005 P S D / C D S

17 José Sócrates 2005 / 2009 P S

18 José Sócrates 2009 / 2011 P S
 
35 anos de "Troika" PS, PSD, CDS

P S – Em 7 GOVERNOS – Durante 22 ANOS

P P D / P S D – Em 9 GOVERNOS – Durante 23 ANOS

C D S / P P – Em 6 GOVERNOS – Durante 10 ANOS

25 de maio de 2011

Uma entrevista curiosa

Conversa com um reformado esclarecido.


Uma jornalista da Rádio da Terra, (RT), entrevista o presidente da Associação de Reformados, o senhor Sousa. A Conversa foi a seguinte:


RT - O senhor Sousa é o presidente da Associação de Reformados cá da Terra e certamente conhece bem os problemas dos reformados.


Sousa - Eu faço por isso. Leio muito. Mesmo quando estamos a jogar às cartas procuro ir conversando sobre os nossos problemas.


RT - Então está informado sobre a situação do País e da crise económica.


Sousa - Procuro ler ouvir e discutir os assuntos. Mas muitas vezes a televisão e os jornais mentem e só falam no que lhes convém. Tenho que andar a descobrir o que é verdade e o que é mentira.


RT - Mas sabe que todos os partidos se aliaram para fazer cair o Governo.


Sousa - Não foi assim. Não houve nenhuma aliança. Cada partido tinha as suas razões, umas boas outras más. É preciso saber destrinçar as coisas. A mim não me enganam com essa de serem todos iguais. Tenho apenas a quarta classe mas conheço a vida e estou atento às manigancias que vão por aí.


RT - Então quais foram essas razões?


Sousa - Os partidos da direita PSD e CDS sempre apoiaram o PS que fazia a política que eles queriam. A única diferença é que cada um quer lá meter os amigos. Mas o PSD e o CDS deixaram o PS queimar-se com a política que eles pretendiam fazer. A menina sabe que há 35 anos são sempre os mesmos a governar? Quando um está queimado, o povo vota no outro, esquecendo-se que o outro já tinha feito o mesmo. Isto é como um balancé. Ora está um em cima e outro em baixo mas não saem do mesmo sítio. O que já está cheio fica mais pesado e vai para baixo ajudando o outro a subir.


RT- Mas o PCP também votou contra o PEC e ajudou a fazer cair o Governo do PS.


Sousa- Sim mas isso foi por outras razões. O PCP sempre votou contra os outros PECs enquanto que o PSD e CDS sempre tinham votado a favor do PS. Desta vez quem votou ao contrário foi o PSD e o CDS. O PCP não se aliou à direita! Porque não me perguntou porque é que o PSD e o CDS desta vez votaram com o PCP? Eles votaram contra o PEC porque ainda queriam pior, como já disseram.


RT - Mas então porque é que o PCP não apoiou o PS?


Sousa - Porque o PCP não é como os outros que umas vezes se aliam a uns e outras a outros. O PCP vota sempre de acordo com os interesses do povo e não para apoiar este ou aquele. O PCP votou contra as propostas do Governo porque eram más. Porque o PEC não é a solução que o país precisa.


RT - Já vi que o senhor é apoiante do PCP. Mas não acha que a votação do PCP foi ajudar a direita e fez cair o Governo?


Sousa - Não! Não acho! Eu tenho cabeça para pensar. Já lhe disse que apesar de ter a quarta classe sei ler e informar-me. Primeiro, o Governo demitiu-se porque quis. Não foi por perder a votação que se tinha que demitir. Depois, o PCP votou contra uma proposta que era errada e injusta pois o PS queria resolver os problemas que criou a retirar mais dinheiro ao povo. Queria mais cortes nos apoios sociais; mais cortes nos salários dos trabalhadores, queria aumentar os impostos. Mas não aos bancos. Queria facilitar os despedimentos. O PCP podia votar a favor disto? O Governo não tinha que cair. O PS podia ter avançado com outras medidas, ou aprovado as medidas alternativas que o PCP propunha.


RT - Mas agora o FMI veio dizer que é preciso fazer esses sacrifícios. E as medidas de austeridade não são tão graves como pareciam.


Sousa - Não é verdade, porque o que eles chamam “ajuda externa”, não vai ajudar nada o país e o povo. É ajuda apenas para os Bancos. Essa "ajuda" vai baixar os rendimentos dos trabalhadores e reformados. Vai entregar aos privados as melhores empresas do Estado e permitir os negócios com os serviços de saúde e outros. Os ricos e os bancos é que vão ganhar. Como é que vamos pagar a dívida com mais desemprego e menos produção. Só se passarmos a não comer. Eu tenho só a quarta classe mas sei o que estou a dizer. Isto qualquer pessoa vê.


RT - Mas o senhor Sousa não acha que este empréstimo a Portugal é uma oportunidade para sair da situação em que o País se encontra?


Sousa - Não! Não é! Dos 78 mil milhões de euros do “empréstimo”, 55 milhões são para os Bancos. Estamos a pedir empréstimos para pagar os empréstimos anteriores e para pagar juros. Eu bem tenho visto o que dizem os economistas que só em juros Portugal terá de pagar, ao fim de 7 anos, mais de 100 mil milhões de euros. Também na Grécia e na Irlanda, eles diziam que era uma "ajuda" e, como já se está a ver, com essa "ajuda" ainda ficaram pior.


RT - Então acha que os três partidos PS, PSD, e CDS que assinaram o acordo com o FMI estão a mentir aos portugueses?


Sousa - Eles umas vezes mentem, outras vezes dizem meias verdades, outras escondem o que vai acontecer. Os trabalhadores e os reformados vão ser muito penalizados. Vão congelar o salário mínimo e diminuir os salários por via da alteração da legislação de trabalho e das horas extraordinárias não pagas.
Vão diminuir todas as pensões e reformas, porque aumentam os impostos e os preços das coisas. Isso não dizem eles.
Aumentar o IVA é o mesmo que diminuir os salários e as pensões, pois as coisas ficam todas mais caras. 
Para os mais idosos vão ainda fazer cortes nos apoios e prestações sociais. Vamos ter que pagar mais taxas moderadoras. Os medicamentos vão ficar muito mais caros. E muito mais que vamos ver.


RT- Mas acha que há outras soluções?


Sousa - Claro que há outras soluções. Mas essas eles não querem. O PCP e a CDU têm propostas alternativas que ajudam os trabalhadores, os reformados e a economia do País. Eu ouvi o Jerónimo dizer na televisão que deveríamos exigir a renegociação da dívida pública, dos seus prazos, dos juros e valores a pagar. Eu sei perfeitamente que quando não posso pagar uma dívida tenho que pedir para a pagar em prestações e em mais tempo. Não posso deixar de comer para pagar a dívida senão acabo por morrer de fome e não pago a dívida. Também sei que se uma pessoa tiver prestações para pagar e estiver desempregado não as pode pagar. Não sei como é que eles querem pagar a dívida sem aumentar os rendimentos e aumentando o desemprego. Com estas medidas vamos produzir menos e vamos ter que pedir mais empréstimos para pagar os empréstimos. Por isso a solução tem que ser ao contrário como diz a CDU. Temos que apoiar as empresas e não os bancos, apoiar a agricultura e as pescas para produzirmos mais e termos mais receitas, em vez de gastar o dinheiro com as compras ao estrangeiro. Onde é que já se viu, termos as terras abandonadas, pessoal desempregado e comprarmos tudo no estrangeiro. Acha que isto tem que ser assim?


RT - Eu creio que isso tem lógica mas porque é que o Governo, o PS, o PSD e o CDS insistem nas medidas de austeridade?


Sousa - Porque são partidos dos grandes patrões que querem aproveitar esta oportunidade para retirar os direitos que os trabalhadores conseguiram com o 25 de Abril. Querem ganhar mais dinheiro à custa dos trabalhadores e do povo em geral. Para eles é mais fácil reduzir salários e aumentar os preços do que obrigar os patrões a modernizar as empresas e criarem postos de trabalho. Aumentando o desemprego eles têm sempre os trabalhadores na mão. 


RT - Mas temos que gastar menos. Os salários têm que ser reduzidos...


Sousa - Eu tenho uma vaca que dá leite. Acha que se eu reduzir a ração para poupar dinheiro e disser à vaca que tem que se habituar a comer menos a vaca vai dar mais leite? Ou a vaca morre ou deixa de dar leite. O que é que eu ganho com isso? No primeiro mês ponho no banco o dinheiro que poupei na ração mas nos meses seguintes já não tenho dinheiro para por no banco e ainda tenho que lá ir buscar o que tinha amealhado. Temos que poupar é nos gastos com submarinos e nos negócios para os amigos, como os das empresas público-privadas.
Não é no que produz que se deve poupar. Se me ajudassem a comprar outra vaca podia pagar o empréstimo desde que os juros não fossem demasiado altos. O país também ganhava pois não ia comprar leite à Itália e a Espanha.


RT - Mas se o PS, PSD e CDS são a maioria e não aceitam as propostas da CDU então não temos outra alternativa.


Sousa - As propostas do PCP e da CDU são realistas e viáveis no interesse do País, dos trabalhadores e das novas gerações. Se o povo não abrir os olhos quem vai sofrer são os nossos filhos e netos. Nas eleições de 5 de Junho o povo pode votar na CDU para mudar esta política. Se a CDU tiver mais votos, o PS, o PSD e o CDS-PP têm menos deputados e não podem fazer tudo o que querem. 


RT - Mas se o País não tem dinheiro, como é que se faz? Onde vamos buscar o dinheiro?


Sousa - O país tem dinheiro. Está é mal distribuido. Os lucros dos bancos foram quase quatro milhões de euros por dia! Por dia! Note bem! A fuga aos impostos das grandes empresas que têm muitos lucros representam milhares de milhões de euros por ano.
Muito desse dinheiro foge do país pela mão desses senhores que dizem defender Portugal. São traidores que vendem o país. Tem milhares de milhões de euros nos bancos estrangeiros. O Governo o PS o PSD e o CDS estão feitos com eles e não aprovaram as leis que a CDU apresentou para os obrigar a pagar impostos sobre os rendimentos. Só o Senhor Amorim mais o Belmiro e o Soares dos Santos, ganham mais que dois milhões de reformados com 227 euros de reforma. Veja bem se o dinheiro não existe. Está é mal distribuído. Viu os milhares de milhões que tivemos que pagar por causa dos roubos feitos no BPN? Não sabemos da missa a metade. E os ordenados de muitos milhares de euros dos amigos do PS do PSD e CDS? Quase 80% dos reformados por velhice e invalidez recebem, uma pensão inferior a 400 euros. São quase dois milhões de reformados. Eu como Presidente da Associação tenho ido a muitas reuniões onde estes assuntos são discutidos. Quase um milhão de mulheres recebem apenas 293 euros por mês. Por isso. mais de dois milhões de portugueses vivem na pobreza. Acha isto justo?


RT - Mas o Governo também reduziu as pensões a partir de 1.500 euros.


Sousa - Em primeiro lugar, quando se fala em pensões elevadas dever-se-á diferenciar as que resultam do trabalho de uma vida e aquelas que têm sido arranjadas por artíficios e fraudes dos amigos do PS, do PSD e do CDS-PP, com valores escandalosos. O congelamento das reformas e os cortes nas pensões a partir de 1500 euros, pode ser injusto se rouba o dinheiro das contribuições de cada trabalhador durante toda a vida. Os que ganham 5.000 e 10.000 euros de reformas acumuladas e que não descontaram deviam ser presos. Mas se um pobre roubar um pão é logo preso. É uma vergonha.


RT - Eu sei que o voto é secreto mas já vi que vai votar na CDU, mesmo que a CDU não ganhe. Porquê?


Sousa - Essa é boa. Voto na CDU por tudo o que já lhe disse. Eu voto no partido que sei que melhor defende os trabalhadores e o país. O meu voto é uma grande responsabilidade para a vida dos meus filhos e meus netos. Não é por mim que estou no fim da vida. Não quero ficar com um peso na consciência de que não fiz tudo o que podia para os defender. O voto é secreto mas não tenho medo de dizer que vou votar no quadradinho do PCP-PEV ao lado do girassol! Eu não me engano!

24 de maio de 2011

A Alternativa

Uma política Patriótica e de Esquerda


Renegociação imediata da dívida pública portuguesa – com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar – no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego.


Transformação de créditos externos de entidades públicas.


Intervenção junto de Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, para adopção de medidas que libertem os países visados das inaceitáveis imposições e políticas da União Económica e Monetária e do Banco Central Europeu.


Diversificação das fontes de financiamento, emissão de Certificados de Aforro e do Tesouro para a captação de poupança nacional, bem como diversificação também das relações comerciais, mutuamente vantajosas, com outros países, designadamente de África, Ásia e América Latina.


Reforço do investimento público, voltado para a indústria, a agricultura e as pescas, para a criação e recuperação de infra-estruturas necessárias à produção, que aposte na substituição de importações por produção nacional.


Aproveitamento dos recursos nacionais, com combate ao desemprego, ao trabalho precário, à desvalorização dos salários, com o aproveitamento do mais importante potencial nacional – a capacidade criativa e produtiva de milhões de trabalhadores.


Defesa de um forte e dinâmico Sector Empresarial do Estado, recuperando para o sector público sectores básicos e estratégicos da nossa economia, designadamente na banca, na energia, nas telecomunicações e transportes.


Apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME) e a dinamização e defesa do mercado interno, pela melhoria do poder de compra dos trabalhadores e reformados.


(Para ver texto completo Clique aqui

23 de maio de 2011

Uma explicação

Uma Conversa fácil de entender
Só os cegos não vêm...

A Primavera esmerou-se. Um sol agradável acariciava-nos na esplanada do café à beira da minha porta. A chegada do Senhor Antunes, o mais popular dos meus vizinhos, deu ensejo a uma lição sobre Europas e finanças a nós todos que disto pouco ou nada percebemos.
- Oh Sô Antunes explique lá isso do Banco Central Europeu, aqui à rapaziada do Café.

(para ver o resto da conversa clique aqui)

Avivar a memória dos esquecidos

Os últimos anos de política em Portugal


Creio que não é preciso repetir que a direita governa, ou desgoverna, o país há 35 anos.

Recordemos, resumidamente, os últimos dez anos que são ilustrativos.
Depois de três Governos consecutivos de Cavaco Silva (PSD), Guterres, (PS) culpando o governo anterior, pediu sacrifícios aos portugueses prometendo que a adesão ao Euro nos traria prosperidade num futuro próximo. Foi um "falhanço" total que, em 2002, o levou a pedir a demissão e a refugiar-se no Alto Comissariado para os Refugiados. 


Entrou Durão Barroso (PSD), em sociedade com CDS, afirmando que o país estava de "tanga", e pediu mais sacrifícios para recuperar a economia. Ao fim de dois anos, com a tanga ainda mais rota, Durão Barroso, abandonou o Governo e foi para Presidente da Comissão Europeia. Santana Lopes, que desgraçou Lisboa, substituiu Durão Barroso, para continuar a desgraçar o país, com o CDS a ajudar. 


Ao fim de um ano de desastres, perde as eleições para Sócrates (PS) que, para "salvar" o défice orçamental, continuou a política de privatizações e de sacrifícios dos anteriores. 


Na campanha eleitoral, Sócrates disse que a taxa de desemprego era de 7,1%. e "que esse número é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida". Prometeu entre muitas coisas, 150.000 empregos. 


Sócrates e as constantes mentiras


A um ano do final do primeiro mandato a taxa de desemprego era de 8.4%. Então, a crise do capitalismo, nos Estados Unidos, serviu de desculpa para as dificuldades que já não podia disfarçar. Apesar disso, não se inibe de contratar os serviços dos que fizeram a campanha de Obama, para o ajudar (a mentir) nas eleições de 2009. Sócrates fez por esquecer que tinha criticado a taxa de desemprego de 7.1% em 2005 e que a elevou para 9,4% em 2009. Promete e despromete aumentos e abaixamentos de impostos. Afirma que o pior da crise já passou, que os sacrifícios depressa vão acabar e que 2010 será o ano da recuperação. O povo crédulo, para não dizer pior, acreditou. 
Sócrates (PS) voltou a ganhar as eleições. 


Será que a mentira continua a beneficiar o infractor?


O desemprego, a dívida e os sacrifícios continuaram a aumentar. A situação económica afundou-se ainda mais. 


Aproximam-se novas eleições. Voltam as promessas, as desculpas e a afirmação de que não existe alternativa. 


Mesmo antes das eleições PS+PSD+CDS assinam um contrato com a troika que compromete Portugal à política que imposeram aos portugueses. Mais sacrifícios sem fim à vista e sem qualquer resultado para a salvação necessária.


As troikas bem combinadas


O acordo das troikas interna e externa, não serve Portugal.
Pedir empréstimos para pagar dívidas, ficando com mais dívidas dos novos empréstimos, nada resolve. Pelo contrário. Juros em cima de juros.
Quem ganha com isto? Certamente os Bancos. 


É mentira que não há alternativa. 


A alternativa existe mas não convém aos bancos. 
A alternativa é renegociar a dívida enquanto é tempo, é aumentar os impostos aos bancos e às mais valias especulativas e canalizar o dinheiro para apoio à nossa produção, à agricultura, às pescas e às pequenas e médias empresas para reduzir o desemprego e pôr Portugal a produzir.

A política da troika interna não é incompetência. É a política que convém aos que têm ganho à custa dos trabalhadores. Aos que se dão bem com os favores e negociatas com os dinheiros públicos. Aos que enriquecem com o empobrecimento dos que trabalham.


O voto é uma possibilidade de fazer vencer a alternativa. Uma política patriótica e de esquerda. Uma política para Portugal e para quem produz.


Depois de tudo isto, destes anos de política sempre igual e de desastre, de quem é a responsabilidade?
Será, alguma pandemia de Alzheimer e síndrome de Down? Será "mau olhado"?



22 de maio de 2011

As técnicas da manipulação

Do Jornal Público

Um exemplo:

Sócrates: “Eles” derrubaram o Governo, mas “levantaram o PS”

Maria José Oliveira
Sócrates: “Eles” derrubaram o Governo, mas “levantaram o PS”
Em Évora, o líder do PS dedicou uma grande parte da sua intervenção a diabolizar o programa do PSD, acusando ainda os sociais-democratas de “insultar os adversários".

CDU sustenta que votar PS é "levar o FMI para o Governo"

Nuno Sá Lourenço
CDU sustenta que votar PS é "levar o FMI para o Governo"
No comício do PCP e Os Verdes no Porto, as palavras de ordem foram contra os três partidos que assinaram o acordo de resgate financeiro do país com a troika de entidades internacionais.





Reparem como seria diferente se os títulos fossem assim:


Sócrates sustenta que “Eles” derrubaram o Governo, mas “levantaram o PS”

Maria José Oliveira
Sócrates: “Eles” derrubaram o Governo, mas “levantaram o PS”
Em Évora, o líder do PS dedicou uma grande parte da sua intervenção a diabolizar o programa do PSD, acusando ainda os sociais-democratas de “insultar os adversários".

CDU: "Votar PS é levar o FMI para o Governo"

Nuno Sá Lourenço
CDU sustenta que votar PS é "levar o FMI para o Governo"
No comício do PCP e Os Verdes no Porto, as palavras de ordem foram contra os três partidos que assinaram o acordo de resgate financeiro do país com a troika de entidades internacionais.





Apenas a troca da palavra sustenta dá logo uma outra ideia

Estejamos atentos!

      18 de maio de 2011

      Assentar ideias e conceitos

      A história e a evolução da política, da economia e da sociedade

      Com base num trabalho do Professor de Economia Ricardo Bergamini, compilei este texto simplificado (que está mais completo em "Conceitos"):

      O Modo de Produção

      O modo de produção e de troca é base de toda a estrutura social. E a economia é o factor fundamental no desenvolvimento da História. Todos os acontecimentos políticos, sociais e intelectuais – são, pois, determinados por factos materiais, sobretudo económicos (as relações de produção e troca entre os homens). Não é a filosofia, portanto, mas a economia de cada época a causa de todas as mudanças sociais e de todas as revoluções políticas.

      A Luta de Classes

      A luta de classes é um facto e uma fatalidade histórica (senhores e escravos; patrícios romanos e plebeus; barões e servos; nobreza feudal e burguesia; capitalismo e proletariado, foram os interventores nas várias épocas).

      A Mais–Valia

      Só o trabalho cria riqueza. O capital nada cria; ele próprio é criado pelo trabalho. O trabalhador não recebe o total da sua produção. Há uma diferença entre o que ele recebe e o que ele produz.
      O que o trabalhador recebe, salário (o suficiente para a manutenção e reprodução do trabalhador) é muito menor do que o valor criado (ou acrescido) pelo trabalho. Essa diferença, da qual se apropria o capitalista, é a mais-valia.
      Com a evolução tecnológica, das máquinas, aumenta consideravelmente a mais valia do capitalista. O trabalhador com o auxílio das máquinas produz muito mais em menos tempo e recebe em troca uma pequeníssima parte da mais valia que criou.


      A Propriedade privada dos meios de produção

      O valor do produto não é uma relação directa com o número de horas de trabalho. O capitalismo, permite que o proprietário dos meios de produção, máquinas, etc. se aproprie dessa mais valia enorme - entre o salário do trabalhador e o valor criado pelo seu trabalho.

      O número de horas necessário para produzir o que é possível comprar é cada vez menor. Daí o aumento do desemprego uma vez que o capitalista não abdica de baixar o número de horas de trabalho na mesma proporção em que estas se reduzem pela ajuda das máquinas.
      O capitalista prefere que haja desemprego para poder, ainda, baixar os salários, ganhando de duas maneiras o que lhe aumenta as mais valias de uma forma elevadíssima.

      A Crise do capitalismo

      Não se trata, apenas, da exploração e da injustiça. A mais-valia é o que a sociedade poderia usar para benefício comum, para um mundo melhor. 

      O trabalhador não ganha o suficiente para comprar o equivalente ao que produz. Logo, os artigos de consumo produzidos pelos trabalhadores se acumularão e não encontrarão compradores. É esta superprodução que provoca as depressões, ou crises, criadas pelo sistema capitalista.
      As crises produzem a miséria e esta, por sua vez, produz as revoluções sociais.


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