31 de março de 2011

Sejamos justos

Quererá Obama ultrapassar Bush? Mais um pequeno esforço e consegue.

Os EUA intensificam as intervenções e bombardeamentos na Líbia agora com os seus serviços da NATO.
Obama declara no Congresso que esta intervenção se justifica para defender os interesses dos EUA.
O jornal New York Times noticiou que a CIA, e os serviço Ingleses (SAS) já tinha inserido na Líbia operacionais, há mais de uma semana, para ajudar os rebeldes contra as tropas governamentais.
Obama declara que tem intenção de fornecer armas aos rebeldes. 

O principal representante do Vaticano na capital líbia afirmou, citando testemunhas, que pelo menos 40 civis terão morrido nos ataques da coligação. Ao todo já foram mortas milhares de pessoas e outras tantas ficaram feridas, desde que começou a insurreição contra o coronel Kadhafi há cerca de seis semanas.

Obama está assim a concorrer para um novo Prémio Nobel da Paz e a aproximar-se rapidamente dos feitos históricos de Bush.

É, portanto, injusto que Bush não tenha sido galardoado também com o Nobel da Paz. Creio que é uma injustiça que tem que ser reparada.

30 de março de 2011

O crescer das desigualdades

Como aproveitar bem a crise do capitalismo. "Manual para não Tótós".

Do artigo "Há crise e crise..." do Diário.info, fiz a seguinte adaptação resumida.

A riqueza acumulada de todos os HNWI - High Net Worth Individuals (pessoas com mais de 1 milhão de dólares) no mundo atinge os 33,4 milhões de milhões de dólares em 2005; 37,2 em 2006; 40,7 em 2007; 32,8 em 2008 e em plena crise, em 2009, subia para 39 milhões de milhões de dólares. Para se ter uma noção da escala deste valor bastará dizer que representa cerca de três vezes o Produto Interno Líquido dos EUA.

Os UHNWI Ultra High Net Worth Individuals (pessoas com mais de 30 milhões de dólares). Em 2009 incluía 93.100 indivíduos, ou seja, um super rico por cada 75.000 pessoas. 


13.845.000.000.000 Dólares

Estes 93.100 indivíduos possuem activos acumulados de cerca 13.845.000.000.000 dólares, ou seja, o equivalente ao Produto Interno Líquido de toda a Europa.

A Merryl-Linch e a Capgemini, prevêem que em 2013 a riqueza dos HNWI rondará os 48,5 milhões de milhões de dólares, ou seja, que terão aumentado em 60% as fortunas que possuíam em 2005. 

Nos EUA, em 1979 o 1% mais ricos concentrava 9% do rendimento nacional. Hoje concentra 24%. O rendimento deste 1% era, em 1962, 25 vezes superior à média nacional. Hoje é 190 vezes superior. Os lucros das 500 corporations mais importantes aumentaram 141,4% e os rendimentos dos seus dirigentes cresceram 282% entre 1990 e 2010.

O Relatório da sociedade financeira JP Morgan Chase é um bom exemplo: os lucros aumentaram 48% em relação a 2008 e, no primeiro quadrimestre de 2010, aumentaram 47% em relação ao mesmo período de 2009. Os analistas estimam que os lucros das corporations tenham aumentado 27% no último quadrimestre de 2010.

O chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, já o expressara claramente quando afirmou “não nos permitamos desbaratar uma boa crise, uma vez que a crescente catástrofe económica pode ser utilizada para a introdução de mudanças e para decidir sacrifícios que seriam inaceitáveis num contexto diferente”. Não é possível ser-se mais claro.

O capital foi buscar ao Estado somas inimagináveis para impedir o colapso do sector financeiro. Como diz o professor Michael Hudson o capital, utilizou "a crise bancária como pretexto para alterar a legislação, permitindo às empresas privadas e às entidades públicas despedir sem custos e com a máxima arbitrariedade, assim como reduzir as pensões e as despesas sociais, de modo a poder dar mais dinheiro aos bancos”. 

É exactamente este "Manual" que o PS, PSD e CDS cumprem. 
As ordens dos EUA vêm no "Manual" que enviaram à Europa, em inglês, para ser cumprido. Estas ordens são acompanhadas das instruções para que a comunicação social, em especial as Televisões, criem a ideia que não há alternativas, e por isso os comentadores devem ser sempre da direita, porque, se os tótós desconfiam e abrem os olhos, lá se vão os lucros dos não-tótós.

Correcção gramatical e etiquetas às 2:15 h.

Os "donos do mundo"

Os EUA e o Direito Internacional



Ditadores há muitos. Não é minha intenção discutir, agora, o conceito de ditador que, certamente, incluirá muitos dos que os EUA apoiam, desde que defendam os seus interesses.

Ainda que Kadafi seja um ditador, neste caso um ditador que nacionalizou empresas petrolíferas inglesas e americanas, o direito internacional não permite que as nações intervenham em Estados independentes para impor alterações de regimes ou de líderes desses regimes. Se assim não fosse, muitas intervenções teriam que se fazer também por outros países. 

O direito internacional é explícito na condenação de "guerras preventivas". Nem sequer o argumento de evitar muitas mortes pode ser usado, pois não é possível prever quantas mortes haveria nem quantas mortes haverá com uma guerra preventiva, como sucedeu no Iraque.          
A moral universal contra a guerra preventiva é forte pois, a ser aceite a possibilidade de fazer guerras preventivas, não faltariam argumentos para justificar essas guerras. Qualquer guerra pode ser considerada preventiva, com o argumento, como disse Obama, o Nobel da Paz, que "estavam em causa os interesses dos Estados Unidos". 


Assim os Estados Unidos consideram-se acima de todos os restantes Estados, com o postulado subjacente de que a nenhum outro país deve ser permitido construir um poder militar, nem sequer semelhante, ao dos EUA.

O direito internacional ajustado com justificação das ameaças terroristas, nomeadamente com o novo conceito estratégico da NATO está a ser aplicado para defender o terrorismo imperialista dos EUA que pretende ser, em simultâneo, legislador, juiz e polícia do mundo. Um estado que representa menos de 7% da população mundial assume-se como ideólogo e colono dos restantes povos.
A dita "maior democracia do mundo" já consultou todos os povos para saber se querem ser "defendidos" (de quem?) pelos EUA? 
Com os mesmos argumentos a Alemanha, do Kaiser Guilherme II a Hitler, quis governar o mundo.

29 de março de 2011

O exemplo da Islândia (2)

Cava... ndo-se mais o fosso!


No blog anónimo do séc.XXI um curto mas interessante texto do bem conhecido Economista Sérgio Ribeiro, toca no cerne das questões que aqui foram referidas na passada Sexta-Feira 25. Destaco estes parágrafos: 
"Os critérios da Standard (a normais) & Poor's (pobres) e mais duas outras - e mais não há - não podem ser os nossos cangalheiros.
Parece que os islandeses já os puseram com (o) dono (deles)! E são pouco mais de 300 mil num território pouco maior que o nosso."
Já agora vai também um comentário feito no post:

Jorge Manuel G disse...


Parece que os islandeses andaram a insultar os "mercados". De ladrões para cima. E mandaram-nos roubar para outro lado.
Acho que lhes deviamos seguir o exemplo.
Alguma coisa deveríamos aprender. A começar por ter eleito um presidente que tivesse... coragem para fazer o que o da Islândia fez. Apesar das ameaças dos "mercados" e da Europa, recusou-se a assinar a lei do pagamento da dívida de um Banco privado e fez um referendo. Depois, o povo votou por 93% para não pagar a dívida. Os tais "mercados" perante a determinação do Presidente e do povo, recuaram e agora propõem-se renegociar a dívida, como já foi dito aqui.

27 de março de 2011

Trabalhadores, classe operária, proletários.

Este é o título de uma notícia da Lusa difundida pelo Jornal Público e que vou destacar pela sua importância
Jerónimo actualiza marxismo-leninismo aos operários dos 
“call-centers” da “geração à rasca”
27.03.2011 - 04:36 Por Lusa

A notícia completa pode ver-se aqui


A notícia começa assim: Num encontro com jovens comunistas, na Casa do Alentejo, em Lisboa, Jerónimo de Sousa começou por referir-se à história dos 90 anos do PCP, mas depressa se centrou na actualidade, referindo que continua válido o ditado (ditado que revela a injusta segregação de classes, digo eu) segundo o qual “operário será filho de operário, doutor será filho de doutor”.

“Só que agora é operário dos serviços, precário”. Disse ainda que a direita “Querem a precariedade porque tem uma vantagem enorme, paga mais barato, são trabalhadores com menos direitos e trabalhadores mais frágeis no plano da organização, da sindicalização e da consciência de classe”.

Actualmente, até as condições físicas das empresas não proporcionam a criação de uma “consciência de classe”, afirmou, ilustrando que os “call centers” não têm o que nas fábricas se constituía como “o plenário mais espontâneo”, o refeitório e o balneário.

“Tínhamos uma vida colectiva em que íamos formando a consciência”, disse.

Recorrendo à experiência de antigo operário, mostrou outra diferença: “Na minha empresa sabia-se quem era o patrão. A maioria dos trabalhadores hoje não sabe onde está o patrão ou quem é o patrão”, afirmou. 

Jerónimo de Sousa assumiu, na sua intervenção, a necessidade de materializar a teoria e olhar para casos concretos.


“Temos um ideal, somos marxistas-leninistas, lutamos pelo socialismo, mas foi a partir das coisas concretas que o partido se tornou um partido com experiencia própria, que não seguiu modelos”, argumentou. 

“O discurso de cátedra é muito importante, fazermos um discurso sustentado e rigoroso, mas se não conhecermos a realidade, a realidade passa por nós sem nós darmos por isso”, defendeu. 

Para Jerónimo de Sousa é preciso “conhecer o mundo” e aprender com ele, até porque, defendeu, “ninguém nasce comunista, ninguém é comunista antes de o ser”.

“Vocês pensam que a geração de Abril era tudo malta de olhos rasgados até ao umbigo. Não, também aprendemos”, disse.

O líder comunista fez uma referência ao protesto da geração à rasca, “com todas as suas particulares e contradições que se manifestaram”, entre referências a outras manifestações, como a de dia 19 de Março, da central sindical CGTP.

Jerónimo de Sousa terminou a noite apelando à participação na manifestação de 1 de Abril, promovida pela Interjovem, assim como ao 1.º de Maio e 25 de Abril.

Nota: Sugiro que vejam a notícia em "Juventude debate: «O Sonho tem Partido»"


Democracia?

São conjecturas, mas merecem a nossa reflexão.

Estive para publicar estas conjecturas no separador respectivo deste blogue. Mas, de conjectura em conjectura, isto foi adquirindo outra feição. Cá vai.

A propósito das reflexões que tenho vindo a fazer sobre "O que é a Democracia?" recordo uma frase muito em voga no princípio dos anos sessenta, no movimento estudantil, levantada por uma Tese que tinha por título "Democracia é: se o povo quer merda, dá-se-lhe merda"

Também num texto de Manuel Abranches de Soveral, sobre o Manifesto Monárquico, li "Há que ter a coragem de dizer que democracia não é a tirania dos estúpidos, dos ignorantes, dos mal-educados, dos sem-carácter e dos burocratas. E que só a promoção e desenvolvimento de verdadeiras elites, livres e diversas, reconhecidas como tal, nos pode livrar das falsas elites republicanas do jet-set, dos media, da política e dos partidos, e evitar a total inversão de valores que cada vez mais caracteriza a decadente sociedade ocidental".

Para quem não me conheça, esclareço, para evitar dúvidas, que não concordo! Mas, afinal, com que é que não concordo? De imediato concluo que não concordo que "Democracia é: se o povo quer merda, dar-se-lhe merda" assim como não concordo que Democracia possa ser "a tirania dos estúpidos, dos ignorantes, dos mal-educados, dos sem-carácter e dos burocratas".  
Também não concordo que "só a promoção e desenvolvimento de verdadeiras elites", nos possa livrar "das falsas elites republicanas do jet-set, dos media, da política e dos partidos, e evitar a total inversão de valores que cada vez mais caracteriza a decadente sociedade ocidental"

Na óptica do autor, "não se pode, em boa verdade, conduzir um novo processo civilizacional sem a formação de verdadeiras elites, capazes de, pelo exemplo e pela palavra, liderarem a mudança". Mas não concordo que se excluam desses motores da mudança, os média, a política e os partidos. Isso é como dizer que os partidos são todos iguais. 

Com papas e bolos se enganam os tolos

Condeno os resultados que foram referidos mas, é preciso explicar que, numa sociedade de classes, em que os que estão no poder, oprimem os explorados para que nunca cheguem ao poder, (para não perderem os "escravos"), os "males da sociedade" não se devem à "Democracia", vista como ideal de liberdade, para uma sociedade sem classes. 
Se há hoje muita gente que assim pensa, é porque o poder vem querendo reduzir a Democracia ao voto. Isto tem sido aceite, porque desde a escola, a família nos vem "ensinado" que Democracia é o povo votar. Por isso, muitos estão convencidos que estamos numa Democracia. Nesta democracia, em que julgamos estar, em que somos legalmente explorados e roubados, em que o dinheiro manda e nos retira a liberdade, de facto podemos votar, (mas seremos livres de escolher as alternativas?). 
Se o povo disser que quer merda (convencido que a merda é boa) o resultado da votação será merda (como temos visto!). Mas será culpa do povo? Certamente que não! 
Nesta "democracia de quem tem o poder", ou como disse Manuel Abranches de Soveral "do jet-set, dos media, da política e dos partidos (que mandam, digo eu)", e que promove "a total inversão de valores" não se poderia esperar outra coisa que não fosse a "decadente sociedade ocidental", referida. 

Portanto, nestas conjecturas, pergunto? Quem é que nesta sociedade, (ou em Portugal, se preferirem), pode promover a verdadeira Democracia? 

São as elites que estão ligadas ao poder? Não! Isso é o que tem sido feito e dá este resultado. 
É o povo que quer merda? Não! Porque o povo não quer merda! Há povo que vota na merda como compra um produto estragado numa bonita embalagem, que um bom Marketing e a publicidade lhe vendeu! 
Então quem é que pode gerar a mudança, para uma verdadeira Democracia? Peço que me ajudem a encontrar as respostas...

26 de março de 2011

Invasão da Líbia

Os Serviços Secretos da Rússia, informam que está em preparação
a invasão terrestre da Líbia


De acordo com informação do serviço de inteligência da Rússia (ver http://sp.rian.ru/international/20110325/148594995.html ) os EUA, Grã-Bretanha e outros paises da Nato preparam a invasão da Líbia. 


"Segundo informações através de vários canais, os países da NATO, com uma participação mais activa por parte dos EUA e Grã-Bretanha estão a elaborar um plano para lançar operação terrestre no território da Líbia. Presumivelmente, essa operação poderá iniciar-se se a coligação não conseguir derrubar o regime de Kadafi com a ajuda de bombardeamentos aéreos e ataques de mísseis", disse o interlocutor da agência.


Nas últimas 24 horas, as forças da coligação realizaram 153 ataques, lançaram 16 mísseis Tomahawk e quatro bombas contra as forças leais a Kadafi e infrestruturas, consideradas militares.

25 de março de 2011

O exemplo da Islândia

Alguma coisa podemos aprender, com a situação de outros.


Na Internet, anda a circular um texto que, segundo afirma, procura romper a barreira do silêncio que a comunicação social tem feito à "revolução anticapitalista" na Islândia. Citam-se informações de alguns blogues que revelam que, com a crise capitalista e, perante as dívidas dos Bancos, foi formada uma coligação de esquerda que  nomeou  Johanna Sigurdardottir, para primeiro ministro. O novo Governo, enfrentou a pressão da exigência do pagamento em oito anos de uma dívida de 3,9 mil milhões de euros, de um Banco on-line à Grã-Bretanha e Paises Baixos. A União Europeia exigiu o pagamento mas o Presidente da República recusou-se a assinar a lei negociada pelo Governo, imposta pela UE. Nesta situação, o Governo, foi obrigado a submeter a proposta, a referendo popular realizado em Março de 2010. A população, por 93%, recusou pagar a dívida contraida pelo Banco privado. Neste contexto, a União Europeia, no princípio deste ano, foi obrigada a reformular a proposta de pagamento e alargou o prazo de 8 para 30 anos, reduzindo os juros de 5.5% para 3 e 3.3%. Contudo o Presidente decidiu novamente recusar a promulgação da lei e submeter a proposta a referendo popular, marcado para 9 de Abril. Esta posição levou a União Europeia a fazer várias ameaças para atemorizar os Islandeses e forçar a aprovação dos pagamentos da dívida.
Os "mercados", nomeadamente a Agência Moody's, têm vindo a fazer duras ameaças e chantagens, dizendo explicitamente que se o povo voltar a recusar o pagamento da dívida, será desvalorizada a "classificação" da Islandia e, os juros, passarão a ser elevados ou até os financiamentos recusados. A Grã-Bretanha ameaça levar a dívida a Tribunal. No entanto, muitos juristas, consideram que os tribunais não podem obrigar um país a transformau uma dívida privada, de um banco privado, em dívida pública. 



A questão central que se coloca ao povo islandês é uma questão de princípio "uma dívida ilegítima permanece ilegítima e não deve ser paga"
O que preocupa a União Europeia, os países ricos, os banqueiros e os ditos "mercados" não é o valor da dívida que é insignificante comparada com as de outros países. É sim o exemplo de "rebeldia" que poderá alastrar a outros países europeus também estrangulados pelas dívidas dos bancos. É isso que mais temem os grandes capitalistas e especuladores financeiros chamados "mercados".
Para Portugal, seja qual for a decisão do povo islandês, este caso é uma clara demonstração de que é possível não ceder à chantagem dos "mercados" e às imposições da União Europeia. É também uma clara evidência de que, um Presidente da República que defenda a Constituição e o povo, pode sempre impor-se e não aceitar as chantagens.

As informações para este post foram retiradas de http://www.cadtm.org/Islande-l-odieux-chantage e de http://resistir.info/

24 de março de 2011

Começou a Campanha Eleitoral.

Estejamos atentos!
  
Com a queda do Governo PS, vêm aí as promessas e demagogias de uma campanha eleitoral (que já começou há muito através dos jornais, dos comentadores políticos dos analistas, etc.) mas que, agora, entra numa nova fase.

O problema não está na existência de campanhas eleitorais. As campanhas fazem parte da democracia e do esclarecimento das pessoas. São até, uma boa oportunidade para ouvir o que cada um diz e tentar compreender o que é verdade e o que é falso. Lembremo-nos de que, mais cego, é o que não quer ver.

É preciso saber interpretar o que são as palavras e o que são as intenções, muitas vezes escondidas ou camufladas nas palavras. Temos sido enganados pelos partidos que prometem uma coisa e, depois, no poder, fazem outra. Recordemos e aprendamos com o passado. É preciso desconfiar dos que dizem que são todos iguais. Essa é uma forma de esconder as intenções de alguns. De levar as pessoas a não pensar e a "deixar andar". 

Mas, os partidos, não são todos iguais! Por aquilo que dizem e, pelo que fazem, é sempre possível "prever" a política que defendem. É sempre possível separar o "trigo do joio", filtrando as palavras e os interesses que estão por detrás dessas palavras.



Vou dar um exemplo, que creio ser característico e, já verificado em palavras e acções.

O PSD e o CDS têm vindo há muito tempo a defender uma política de redução das despesas do Estado ou do sector público. O PS, de uma forma menos explícita, tem vindo a fazer o que o PSD quer, privatizar. É uma medida lógica para o País que tem um défice público tão elevado, dizem eles. Mas, que querem eles dizer com isto?
Defendem retirar do Estado muitas actividades para as entregar aos privados. Pode isto parecer lógico pois, como esses partidos sustentam, a privatização pode gerar receitas e menos encargos para o Estado e para os portugueses que pagam impostos. Contudo temos que raciocinar! Será isso verdade?

Vejamos alguns exemplos:
São os sectores mais importantes do estado, e os que geram receitas, que os privados estão interessados em comprar, muitas vezes por baixos valores. Coisas que os portugueses já pagaram, com os seus impostos, e que por isso é de todos, património público, que vão perder para as mãos de poucos. Mas, dizem alguns “se é para o Estado gastar menos, enfim… O que é preciso é gastar menos”. Será? Vejamos exemplos já conhecidos. Pensemos no que se passou depois do 25 de Abril, com todos estes anos de PS+PSD+CDS (política de direita que, com algumas variantes, defenderam sempre as privatizações). 



Várias situações se passaram: 

1. Se a empresa do Estado é lucrativa, como por exemplo nos transportes rodoviários, (os privados preferem as mais lucrativas) o Estado passou a ter menos despesas mas também tem menos receitas. Por outro lado, os privados, reduzem ainda mais as despesas, por exemplo, suprimindo carreiras, pois o dinheiro dos passes está garantido e o número de clientes é o mesmo, passando, estes, a estar mais tempo à espera de transporte e indo mais apertados (se couberem). O negócio, que já era lucrativo para o Estado, passa a ser muito mais lucrativo para os privados. Quem perde são os utentes, e o Estado, que deixou de ter as receitas que passaram para os privados.

2. Se a empresa do estado não era lucrativa, o privado, para a adquirir, negoceia com o governo o aumento dos custos dos serviços ou uma indemnização do Estado para cobrir os prejuízos. Se aumentar os custos, o Governo, lava daí as suas mãos e vê-se livre de alguns encargos. O utilizador continua a pagar os mesmos impostos ao Estado e paga ainda o aumento dos custos do serviço. Se isso der muito nas vistas fazem, “suaves” mas constantes, aumentos de preços sempre acima da inflação e ao fim de 3 ou 4 anos o negócio passa a ser lucrativo para o privado. Entretanto o governo, para compensar os prejuízos do privado, nos primeiros anos, dá uma indemnização, que acaba por ser sempre superior aos prejuízos que o estado tinha se mantivesse a empresa pública. Perde o Estado uma parte e perde o utilizador outra. O utilizador continua a pagar os mesmos impostos, ou mais, e paga o aumento dos preços dos passes ou dos bilhetes. Quem ganhou? É fácil de ver.

3. Há, também, formas indirectas de o Estado passar para os privados certos serviços. É o caso da Saúde, do Ensino e outros. Nestes casos como a Constituição defende os direitos das pessoas, e esses serviços não podem acabar, o esquema é o seguinte: Com pretexto de que é preciso reduzir despesas, o Estado reduz o pessoal, as instalações e funcionamento dos serviços. Os privados vêem, então, oportunidades de negócio, pois há pessoas que têm que ser atendidas e não têm onde. Surgiram os grandes grupos ligados aos bancos que montam serviços iguais aos que o Estado abandonou mas agora cobram bem os serviços. Um doente que tenha que recorrer frequentemente a esses serviços, ou um estudante que não tenha vagas, ou a escola pública é muito distante, tem que recorrer aos privados. Os privados para além de cobrarem mais caro esses serviços, ainda são subsidiados. Resultado: As despesas do Estado reduziram-se um pouco, ou por vezes nem isso, (caso das escolas) mas o utente tem que pagar muito mais para poder ter o serviço.

Progressivamente, para não dar muito nas vistas, os serviços do Estado vão sendo cada vez menos, e os dos privados cada vez mais e mais caros. É uma forma que a política da direita utiliza para "sacar" mais dinheiro aos contribuintes com o pretexto da redução do Estado.



Muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Em todas estas situações os partidos da direita fazem grande propaganda com a redução das despesas do Estado e do maior equilíbrio das contas públicas mas, nada dizem, quanto à redução proporcional que os impostos deveriam ter e, muito menos, lembram que os utilizadores, mesmo que não paguem mais impostos, pagam muito mais pelos serviços que precisam. Entretanto os lucros de alguns vão crescendo.

Isto é a estratégia da rã cozida sem dar por isso. Mete-se a rã dentro de uma panela com água tépida. A rã sente-se bem (agradece) e deixa-se ficar. Põe-se a panela sem tampa em lume brando e a água aquece lentamente. A rã continua a achar agradável a água morna e relaxa. A água continua a aquecer lentamente mas a rã vai-se habituando e fica mole, com sono, vai perdendo as forças. Quando a água está já demasiado quente e incomodativa a rã quer saltar da panela mas já não tem forças. Ali fica até morrer.

Esta história, verdadeira, mostra quanto é importante estarmos prevenidos, antes de as coisas acontecerem. É preciso fazer um esforço crítico para interpretar o que nos querem “dar ou vender”. Qual o interesse daqueles que fazem propostas que parecem boas? Que interesses defendem? O povo diz: homem prevenido vale por dois. Estejamos prevenidos. Agucemos as nossas consciências. As consciências de classe que defendem os nossos interesses. Os Partidos não são o clube da terra ou a equipa de futebol de que somos fãns por simpatia ou porque gostamos da sua cor. Os partidos defendem projectos, defendem classes, defendem interesses. Acordemos enquanto a água está morna!

23 de março de 2011

Sócrates demite-se!

Depois do chumbo do PEC e das politicas de desastre do governo o Primeiro Ministro José Sócrates, demitiu-se.


Confirma-se o que o PCP vem dizendo há muito tempo. Portugal precisa de uma política patriótica e de esquerda, que ponha Portugal a produzir e um Estado que seja o motor do desenvolvimento, para a redução do desemprego, promover o crescimento da produção e das exportações, do apoio social dos trabalhadores e dos portugueses.
É falsa a imagem que o PS quer dar de que não foram apresentadas alternativas. O que é verdade é que o Governo se submeteu aos ditames de interesses do grande capital financeiro, dos chamados mercados, em vez de aceitar as propostas do PCP, para colocar o Estado a conduzir uma política de apoio à produção, de criação de postos de trabalho, reduzir o desemprego e produzir aquilo que importamos. Só assim  reduzimos os custos sociais, o défice com as importações e a nossa dependência no campo alimentar, na agricultura na indústria e em muitos sectores produtivos. Os muitos milhões gastos com os Bancos, com as exigências do grande capital, se canalizados para o apoio à Produção, promoviam o desenvolvimento e não a recessão como tem vindo a acontecer.

Chumbado o PEC do Governo!

Confirmada a necessidade de uma nova política, Uma política patriótica e de esquerda.

Do debate na assembleia da república há minutos, muitas conclusões podem, e irão, ser retiradas. Contudo, há um trecho da intervenção do PCP que creio apontar uma questão essencial: "Para o PCP, Portugal não está condenado ao atraso, nem à perda de soberania. Portugal não é um país pobre. Aproveite-se as potencialidades nacionais com a promoção do aparelho produtivo e da produção nacional, factor essencial para criar mais emprego, o reforço do investimento público e alargamento dos serviços, o fim das privatizações e a recuperação pelo Estado do controlo estratégico da economia, a reforma do sistema fiscal, uma outra repartição da riqueza que valorize os salários e as pensões, a recuperação da soberania económica, orçamental e monetária!.
Mesmo em relação à nossa dívida é produzindo mais que deveremos menos!.
Que é que é preciso ver mais para concluir que esta política de direita está esgotada, que a dança de alternância já cansa!" 


Aguardamos agora a declaração do Primeiro Ministro e Presidente da República.

Visita de Obama à América Latina

Pedido de desculpas, pelo atentado a Allende e apoio a Pinochet.


De uma notícia de Lusa e transmitida pela SIC (ver aqui) Recortei o seguinte:

"No mesmo Palacio de la Moneda, que em 1973 foi bombardeado pelos militares de Pinochet, num golpe de Estado que teve o apoio da CIA e do Departamento de Estado norte-americano, Obama defendeu hoje que o seu Governo apoia a democracia, a erradicação da pobreza e o desenvolvimento social. 
Nos últimos dias, sindicatos, organizações de esquerda e o ex-Presidente cubano, Fidel Castro, pediram que Obama aproveitasse a sua visita ao Chile para pedir perdão pelo apoio do Governo norte-americano de então ao golpe dirigido por Augusto Pinochet". 

Obama responde:

"Creio que é importante que não fiquemos presos pela história, e o facto é que nas últimas décadas vimos um progresso extraordinário do Chile, que não foi impedido, pelo contrário, foi apoiado pelos Estados Unidos".

Comentário meu:

Quanto ao pedido de desculpas, zero! Em troca, a "boa vontade" de os EUA não terem "impedido", pelo contrário, terem "apoiado" o progresso do Chile. Obrigado!!!
Isto pode querer significar algo mais do que as meras palavras de Obama. Pode significar que Obama relaciona o progresso do Chile ao apoio dos EUA à ditadura de Pinochet e ao actual governo conservador liderado por Sebastian Piera. Seja como for, é lamentável o posicionamento egocentrista e hegemónico da visão da política internacional dos EUA e de Obama. Todas as relações internacionais são vistas, não de forma de cooperação entre povos, mas subordinadas aos interesses económicos do grande capital dos EUA.  

Pela Paz - Não a nova guerra do petróleo

Hoje dia 23 - Mostremos a nossa indignação  pela guerra na Líbia.

22 de março de 2011

Pedido de desculpas

Publicado no Jornal Público:


NATO diz que imagens podem causar mais danos do que as de Abu Ghraib

EUA pedem desculpa por fotografias de soldados com civis afegãos mortos
21.03.2011 - 12:12 Por PÚBLICO

O corpo da notícia, confirma a hipocrisia de tal preocupação.

"O Exército norte-americano pediu desculpa por imagens de soldados sorrindo sobre cadáveres de civis que tinham alegadamente morto, fotografias de “troféu” que poderão causar mais danos do que as de soldados americanos torturando presos em Abu Ghraib, no Iraque."


Não é preciso relacionar isto com o que escrevi no texto abaixo, de ontem para, apenas no que se refere à preocupação dos EUA, se tornar evidente que as desculpas são devidas à publicação das fotografias e não aos actos cometidos que se sucedem e continuam a repetir-se. A morte de civis, homens, mulheres e crianças, nas guerras que permanentemente os EUA provocam para defender os exclusivos interesses do grande capital, nada têm a ver com a justiça, nem com valores humanistas.

21 de março de 2011

A maior democracia do mundo.

O papel da política norte americana ao serviço dos "donos do mundo"


Os EUA e seus aliados (servidores), enquanto invocam a defesa da liberdade, da democracia e motivos humanitários para bombardear a Líbia - os habituais bombardeamentos humanitários como no Afeganistão e Iraque - apoiam os crimes e chacinas praticadas pela ditadura feudal do Iémen e incentivaram a monarquia islamista da Arábia Saudita a invadir o Bahrein para ajudar com tropas o Xeque Khalifa, monarca contestado pela revolta popular. O Xeque Hamad Bin Issa Al Khalifa apoiado pelos EUA mantém uma ditadura e um governo composto pela família real que mantém presos mais de 450 elementos da oposição política, muitos dos quais sofrem abusos sexuais e torturas. Os Norte americanos têm no país a maior base naval do mediterrâneo, a sede da V Esquadra.
Por princípio, não analiso as políticas em função das pessoas mas pelos interesses que defendem e, especialmente, como respondem aos interesses dos trabalhadores e dos povos. Não tenho qualquer simpatia por Khadafi e, muito menos, pela sua política ambígua. Como é visível, tenho ainda menos simpatia pela política dos EUA que colonizam grande parte do mundo, impondo guerras, matando e provocando genocídios, como no Vietname, onde morreram mais de 3 milhões de pessoas, quase 5 milhões foram afectados pelas armas químicas, como o agente laranja que atrofiou e matou milhões de pessoas em especial as crianças. No Iraque a revista médica britânica The Lancet informou que entre a invasão de Março de 2003 e Julho de 2006, em três anos, morreram 655 mil pessoas em consequência da guerra, que o risco de morte entre civis é 58 vezes maior do que antes do início da guerra que causou a queda do regime de Saddam Hussein (1979-2003) e “Até agora, um milhão de iraquianos foram assassinados sem razão, e muitos milhões ficaram aleijados…”. A lista de guerras e genocídio de populações provocados pelos EUA, é muito vasta. Qualquer dia vou procurar fazê-la de forma mais completa e publicá-la neste blog, se entretanto a CIA ainda não dominar totalmente a Internet. 




Mas, dizia eu, a lista de crimes da política dos estados unidos é grande e vou apenas referir por tópicos o que encontrei na história recente. 

1903 - 1904 - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
1906 - 1909 - Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
1907 -  Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protectorado, sobre o território livre da Nicarágua.
1907 - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras.
1908 - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.
1910 - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.
1911 -  Tropas americanas invadem as Honduras para proteger interesses americanos durante a guerra civil.
1911 - 1941 - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.
1912 -  Tropas americanas invadem Cuba para proteger interesses americanos em Havana.
1912 - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
1912 - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
1912 - 1933 -Tropas dos Estados Unidos invadem e ocupam o país durante 20 anos.
1913 - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de proteger cidadãos americanos durante a revolução, bloqueiam as fronteiras.
1914 - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.
1914 - 1918 - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
1915 - 1934 -Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de Julho, e transformam o país numa colónia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
1916 - 1924 - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, ocupando o país durante oito anos.
1917 - 1933 - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado económico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.
1918 - 1922 - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista na Rússia. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
1919 - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez as Honduras, colocando no poder um governo a seu serviço.
1918 - Tropas dos Estados Unidos invadem a Jugoslávia e intervêm contra os sérvios na Dalmácia.
1920 - Tropas americanas invadem e ocupam a Guatemala durante greve operária do povo.
1922 -  Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
1922 - 1927 Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.
1924 - 1925 - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.
1925 - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores.
1927 - 1934 - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando território chinês.
1932 - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional de El Salvador comandadas por Marti.
1946 -A marinha americana ameaça invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta aos Soviéticos terem abatido um avião espião dos Estados Unidos.
1947 - 1949 - Invasão de Comandos dos EUA para garantir vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.
1947 - EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, na Venezuela, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado e  colocam um ditador no poder.
1948 - 1949 -Fuzileiros americanos invadem o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
1950 - Comandos militares dos Estados Unidos esmagam a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.
1951 - 1953 – Intervenção na Guerra da entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. 
1954 - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, da Guatemala, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. 
1956 - Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal.
1958 - Forças da Marinha americana invadem o Líbano durante a guerra civil.
1958 - Tropas dos Estados Unidos invadem o Panamá para combater manifestantes nacionalistas.
1961 - 1975 - Americanos invadem o Vietnãm e tenta impedir, a formação de um estado comunista.
1962 -  Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil.
1964 - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, que queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira do seu país.
1965 - 1966 -  Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital da República Dominicana, São Domingo para impedir que os  nacionalistas cheguem ao poder. A CIA coloca Joaquín Balaguer na presidência e depõe  o presidente eleito Juan Bosch. 
1966 - 1967 - Boinas Verdes e marines americanos invadem a Guatemala  para combater movimento revolucionário.
1969 - 1975 - Militares americanos depois da Guerra do Vietname invadem e ocupam o Camboja.
1971 - 1975 - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do Laos.
1980 - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, os americanos  preparam uma  operação militar surpresa para resgatar, 60 detidos na Embaixada Americana. 
1982 - 1984 - Os Estados Unidos invadiram o Líbano logo após a invasão do país por Israel.
1983 - 1984 - Após um bloqueio económico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop na Ilha de Granada. Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada para eliminar a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.
1983 - 1989 -  Tropas americanas  invadem as Honduras
1986 - Exército americano invade o território boliviano.
1989 - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas Virgens durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
1989 - Intervenção americana no Panamá: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 -  Tropas americanas invadem a Libéria durante guerra civil.
1990 - 1991 - Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao Iraque, seguido de uma  "Operação Tempestade no Deserto".  George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.
1992 - 1994 -  Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália, para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
1993 - É lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.
1994 - 1999 -Tropas americanas ocuparam o Haiti para devolver o poder ao presidente Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe.
1996 - 1997 -Fuzileiros Navais americanos  invadem a área dos campos de refugiados Hutus no Zaire onde a revolução congolesa iniciou.
1997 - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria durante guerra civil.
1997 -  Tropas americanas invadem a Albânia.
2000 - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").
2001 - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.
2003 - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição maciça, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque, "Operação Liberdade do Iraque". A guerra começa apenas com apoio da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde deixaram um país arrasado, a violência aumentou mais do que nunca, com mais de um milhão de mortos.



Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadem países, ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia". Muitas outras acções de intervenção na política dos países, são desenvolvidas pela CIA e outros serviços secretos americanos, sendo, talvez, o mais repugnante a deposição do Presidente eleito Salvador Allende, e o apoio ao Ditador Pinochet que assassinou muitos milhares de chilenos e encarcerou outros tantos como presos políticos. A substituição de Allende foi um golpe militar com participação dos EUA.
Mas não acaba aqui a intervenção da “maior democracia do mundo”. O regime capitalista em que se apoia (e que serve), explora muitos países do terceiro mundo e até países de economia mais evoluída. Explora milhões de pessoas que vivem nas mais miseráveis condições, de fome de doença e de difícil sobrevivência. Países em que os recursos são explorados por empresas americanas e sempre que se querem libertar são invadidos e dominados por fantoches colocados pelos EUA. Note-se ainda que, esta política capitalista, ao criar as desigualdades mais injustas, atinge, também, o povo americano que tem vindo a aumentar a sua revolta.

20 de março de 2011

Guerra na Líbia

Uma guerra injusta, ilegal e, mais uma vez, pelos interesses do petróleo


Os EUA e os tradicionais aliados, França de Sarkozy e Grã Bretanha de Cameron, lançaram os ataques à Líbia, iniciando assim mais uma guerra. Esta com o pretexto da defesa do povo que, como no Iraque, se traduziu em muitas centenas de milhares de mortos, milhões de vítimas e a na ruína do país.

Na Líbia país muito rico em petróleo, e com um regime tribal forte, Kadafi pode não ser santo, mas é o único líder que tem o consenso da maioria das tribos. Neste conflito não se vislumbra o aparecimento de outros líderes, que reúnam um consenso e permitam uma política mais justa para o povo. Não foram abertas portas para um diálogo. 

"Dividir para reinar",  é a política do grande capital, que lançou a crise financeira que afecta muitos países capitalistas e, numa "fuga prá frente", deve estar a preparar a divisão da Líbia, para se apoderar das suas riquezas. 
Nessa divisão certamente que os EUA, vão querer o controlo das zonas do petróleo. Esse pode ser o grande objectivo ainda escondido. Se relacionarmos isto com o novo conceito estratégico da Nato e na sua intervenção nas zonas do mundo que são muito ricas em matérias primas, podemos verificar uma lógica dos "donos do mundo" nestas acções.

  
Neste caso, da Líbia, os EUA e seus aliados, antigas potências coloniais europeias, bem como Israel, Egipto, Arábia Saudita e Emiratos Árabes, apesar de não terem provado, genocídios e as barbaridades que afirmam, lançaram acções de propaganda na comunicação social que dominam, para justificar as operações realizadas de fornecimento de armas aos "rebeldes" concentrados em Benghazi, e agora, o ataque ao país, com a cobertura numa Resolução do Conselho de Segurança da ONU que não cobre as acções que estão a realizar. 
Repete-se o uso da mentira, utilizada no Iraque. 
O descaramento é tal que Berlusconi, envolvido em muitos escândalos, prometeu juntar-se aos agressores. Era mesmo de Berlusconi que estes aliados precisavam para ficar a quadrilha completa. 

A Resolução do Conselho de Segurança, obtida com muita dificuldade e 5 abstenções (Alemanha, Brasil, China, Índia e Rússia) não autoriza os ataques e bombardeamentos que estão a ser feitos.
Destina-se a criar uma zona de exclusão aérea para permitir um corredor livre da intervenção de aviões líbios e não consente o bombardeamento nem o ataque a alvos que não tenham a ver com a garantia da zona aérea. Muito menos a resolução do Conselho de Segurança, permite que os EUA escolham os alvos em função das partes em conflito. 

Sem respeito pela ONU, os ataques franceses e norte-americanos, tiveram objectivos militares que nada têm a ver com isso mas, apenas, aniquilar as forças governamentais, em combate com os rebeldes no terreno. A coberto dessas acções o Qatar e Emiratos Árabes Unidos estão a armar os revoltosos com novo equipamento militar. Ao seu critério, “democrático”, armam uns e desarmam outros. Isto é ainda mais vergonhoso, porque no caso do Bahrein e nas outras revoltas populares, os EUA com os seus aliados árabes, tentam esmagar as revoltas ocorridas noutros países liderados por ditadores, como na Arábia Saudita que, para além do povo, as mulheres são vítimas maiores. Sobre tudo isto a Comunicação Social “controlada” mantém um silêncio hipócrita. Também a ONU, NATO e EU, assobiam para o lado e fingem desconhecer. 

A ONU e as organizações controladas pelos EUA, não se preocupam com os palestinos massacrados em Gaza, com a selvajaria da tropa da NATO que massacra indefesos camponeses afegãos, nunca se manifestou contra os aviões da CIA telecomandados (drones) que assassinam velhos, mulheres e crianças no Paquistão, como não se manifestou contra o genocídio americano no Iraque.
    
No caso do Egipto e Tunísia os povos não precisaram da intervenção estrangeira para se libertarem dos ditadores que sempre foram aliados, financiados e armados pelo ocidente em troca do petróleo.

   
Os EUA que provocaram a crise financeira que se abate sobre os povos da maioria dos países capitalistas, estão também numa situação de grande crise. Crise económica, financeira e social.
O encadeado de situações verificadas com a rebeldia de alguns "amigos" como Sadan Hussain, e vários líderes do Irão apoiados pelo ocidente, levaram à constante perda de influência dos EUA à queda dos "petro-dólares" e à travagem das compras de Títulos do Tesouro dos EUA pelos países do Golfo. 

Recentemente, com os sismos e maremoto no Japão, que debilitou ainda mais a economia há uma década em crise, os EUA vão perder compradores dos  títulos da dívida americana (T-Bonds) e vão, como é provável, ter mais um concorrente nas vendas de parte importante das suas reservas em Títulos do Tesouro dos EUA para financiar a reconstrução e o relançamento da economia do Japão.
Note-se que os EUA é o país com a maior dívida espalhado pelos cinco cantos do mundo, mas em especial pela China, Japão e Grã-Bretanha. 

Também é quase certo que a redução de investimentos em equipamento em nuclear de produção de energia, juntamente com a instabilidade das revoltas no Médio Oriente, vai agravar a pressão sobre os preços do petróleo do gás e do carvão. 

Esta nova guerra lançada pelos EUA, tem tudo isto em consideração, como “fuga prá frente” é, também, uma tentativa para salvar o capitalismo, sistema económico que está em profunda crise. Se vai adiar o fim do capitalismo não me atrevo a prever. Contudo, o que sabemos, e estamos a confirmar no dia a dia, é que, para adiar a morte do capitalismo pagamos todos, nos aumentos de impostos, nos aumentos do custo de vida, nas reduções de salários, no aumento do desemprego, na redução das pensões, na redução da assistência, na qualidade do ensino, nas privatizações e no roubo permanente que o grande capital financeiro, os "mercados", fazem a todos nós.

Revolução

Hoje publicado no Separador «Conceitos»

19 de março de 2011

Hoje, Sábado 19 continua a luta

Grande Manifestação de Indignação e Protesto
 
Hoje, em Lisboa vão confluir trabalhadores vindos de longe, alguns de muito longe, numa determinação de mostrar a sua indignação e protesto contra a política de direita, ao serviço do grande capital financeiro, que arruína as pessoas e o País. É um esforço grande, sem dúvida, mas muito pequeno comparado com o orgulho de lutar contra as injustiças desta política, de lutar ao lado da minha classe explorada.
 
Vindo de longe, de muito longe,  cada um vai poder dizer: Eu vim de longe... mas valeu a pena. Vim de muito longe mas cumpri o meu dever de trabalhador consciente.
 
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
.../...
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
Os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei prá aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

18 de março de 2011

18 de Março de 1871 - Comuna de Paris

Faz hoje anos a Comuna de Paris. Primeiro governo operário da história, fundado em 1871.


Como referi nos textos "O que é aDemocracia" apesar do poder operário na Comuna ter durado apenas 72 dias, foi um episódio muito importante e discutido, por ser a primeira tentativa séria de transformação da sociedade. Foi o primeiro governo operário da história, disse Karl Marx na altura.
A Comuna de Paris resultou da insurreição popular de 18 de março de 1871. Durante a guerra franco-prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembléia Nacional uma maioria de deputados monarquicos favorável à capitulação ante a Prússia. A população de Paris, opunha-se a essa política e obrigou o governo a abandonar precipitadamente a capital francesa. A Comuna de Paris adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional.


O poder comunal manteve-se durante 72 dias, enfrentando não só o invasor alemão como também tropas francesas, mas acabou por ser esmagado com extrema crueldade. Mais de 20.000 communards foram executados pelas forças de Thiers. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra, para auxiliar na tomada de Paris.




Aproveito para citar algumas passagens de um artigo de opinião do Avante. 

«Os proletários da capital no meio dos desfalecimentos e das traições das classes governantes, compreenderam que para eles tinha chegado a hora de salvar a situação tomando em mãos a direcção dos negócios públicos...».
Diz seguidamente Manuel Gouveia, autor do artigo "Faz 140 anos que o proletariado de Paris iluminou a história." chamando a atenção para a actualidade dos objectivos "pela  decisão, histórica e pioneira, de passar à concretização da tarefa do proletariado tomar nas suas mãos o poder do Estado".
Relacionando com a situação que se vive em Portugal, Manuel Gouveira recorda que "passado dia 12 de Março reforçou a importância de aqui lembrar esta actualidade. Pelo que revelou do grau de consciência existente hoje da «traição das classes governantes» e de que é «chegada a hora de intervir». Pelo que revelou do atraso na compreensão de que, também hoje, a tarefa do proletariado é «tomar nas suas mãos» o poder, e não o de escolher entre os representantes das classes dominantes os que administrarão o Estado". Manuel Gouveia, realça que "No dia 19 de Março, a luta continua. Desempregados, precários, efectivos, com contratação colectiva ou sem ela, do sector privado ou da administração pública, a recibos verdes, contratados à hora ou ao mês, bolseiros e estagiários, aprendizes ou mestres, mas todos, todos, proletários, todos dependentes da venda da sua força de trabalho, todos explorados. É a luta do trabalho contra o capital, que há séculos faz mover a história.

Como aprendemos com os que há 140 anos se atreveram a tomar o céu de assalto, «tomar nas suas mãos a direcção dos negócio públicos» exige muito mais dos trabalhadores do que a justa resistência à exploração e uma imensa coragem – exige organização e direcção, teoria e prática revolucionária, consciência, disciplina e perspectiva. Partido. Que se cria na luta, e só na luta." Texto completo Aqui.

17 de março de 2011

Geração à rasca

Assim começa um texto: 
Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Para ver o texto na íntegra

Este texto publicado pela autora do Blog Assobio Rebelde  http://assobiorebelde.blogspot.com/2011/03/geracao-rasca-nossa-culpa.html e que anda a circular na Net como sendo de Mia Couto.


Este escrito que provocou muitos comentários, feitos com análises diferenciadas, uns interessantes outros nem por isso, reproduzi-o em C de Consultar http://c-de-consultar.blogspot.com/
Escolhi alguns ou, partes de alguns comentários (escolha que é da minha única responsabilidade) e publico-os, no final, no seguimento do texto.