C de Comunicar, C de Conversar, C de Comentar, C de Criticar, C de Conhecer, C de... Cultura
6 de fevereiro de 2011
5 de fevereiro de 2011
O que é Democracia? (5 e meio)
Um intervalo
Um intervalo, não na reflexão sobre a Democracia, mas, na modesta análise histórica que venho fazendo, nos cinco textos que publiquei, e onde pretendi relembrar que a luta de hoje, pela justiça social, decorre das várias etapas deste longo percurso da humanidade. O intervalo é tão só para apresentar um vídeo para não perdermos o objectivo de toda esta conversa e rever o saudoso José Saramago. O que é a Democracia?
Um intervalo, não na reflexão sobre a Democracia, mas, na modesta análise histórica que venho fazendo, nos cinco textos que publiquei, e onde pretendi relembrar que a luta de hoje, pela justiça social, decorre das várias etapas deste longo percurso da humanidade. O intervalo é tão só para apresentar um vídeo para não perdermos o objectivo de toda esta conversa e rever o saudoso José Saramago. O que é a Democracia?
Interrogações
O sonho de Hitler?
Será que a Alemanha está de outra forma a tentar concretizar o sonho de Hitler?
Será que a Alemanha está de outra forma a tentar concretizar o sonho de Hitler?
O que é Democracia? (5)
O papel da Igreja
Como foi referido nos textos que tenho vindo a publicar sobre o tema geral “O que é Democracia?”, as últimas décadas do séc.XIX foram muito intensas no despertar dos movimentos sociais em defesa dos trabalhadores explorados. A Igreja Católica, normalmente ligada ao poder e à manutenção das ideias conservadoras, em 15 de Maio de 1891, surpreendeu o mundo com a publicação da Encíclica Rerum Novarum, pelo o Papa Leão XIII. Esse documento abordou os problemas surgidos na sociedade, após a revolução industrial. Como o indica o título da encíclica (Das coisas Novas) foi a primeira vez que a Igreja Católica, assumiu uma posição face às desigualdades e aos direitos e deveres das partes envolvidas na produção industrial e agrícola. Esta acção aumentou a influência da Igreja e encorajou o aparecimento de uma corrente socialista ligada à Rerum Novarum.
A encíclica reflectiu sobre as questões levantadas pela revolução industrial e pela dita “democracia” das sociedades liberais do final do século XIX. Leão XIII apoiou o direito dos trabalhadores para formarem sindicatos, mas rejeitou o socialismo, na defesa da propriedade privada dos meios de produção.
A encíclica criticou fortemente a falta de ética e valores morais na sociedade, responsabilizando o Estado pelo afastamento dos princípios defendidos pela Igreja e indicou regras que deveriam ser usadas na procura de maior justiça sócio-económica, e em especial na melhor distribuição da riqueza. Defendeu a intervenção do Estado na economia, a favor dos mais pobres e desprotegidos, tal como pugnou pela caridade que os ricos e os patrões deviam ter para com os trabalhadores.
O Prof.BARBOSA, Gustavo H C. no seu estudo “A encíclica Rerum Novarum e o Direito do Trabalho” mostra “o palpitante medo da Igreja Católica com o avanço das idéias socialistas” tais como a "luta de classes", o "materialismo dialéctico", o "fim da propriedade privada dos meios de produção”, que foram incluídos na "lista negra". No entanto, a encíclica foi importante para a evolução do Direito do Trabalho em especial no que se refere à dignidade humana do trabalhador.
Como já referi, o Estado liberal, dominado pela burguesia, não legislava, não intervinha nas relações capitalistas formadas na época, deixando que as desigualdades se acentuassem dramaticamente. Voltando a Lacordaire, “Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, é a liberdade que escraviza, é a lei que liberta”.
O direito, apenas defendia a propriedade privada e esquecia os direitos do homem no campo moral. A dignidade humana foi rebaixada ao extremo pela ("liberdade") opressão económica.
Muitos intelectuais desenvolveram estudos e movimentos, preconizando a busca pela igualdade social, desenvolvendo o colectivismo. Nesse ambiente de reflexão Karl Marx atingiu o máximo da sistematização na sua importante obra, de rigor científico, “O Capital”.
Como foi referido nos textos que tenho vindo a publicar sobre o tema geral “O que é Democracia?”, as últimas décadas do séc.XIX foram muito intensas no despertar dos movimentos sociais em defesa dos trabalhadores explorados. A Igreja Católica, normalmente ligada ao poder e à manutenção das ideias conservadoras, em 15 de Maio de 1891, surpreendeu o mundo com a publicação da Encíclica Rerum Novarum, pelo o Papa Leão XIII. Esse documento abordou os problemas surgidos na sociedade, após a revolução industrial. Como o indica o título da encíclica (Das coisas Novas) foi a primeira vez que a Igreja Católica, assumiu uma posição face às desigualdades e aos direitos e deveres das partes envolvidas na produção industrial e agrícola. Esta acção aumentou a influência da Igreja e encorajou o aparecimento de uma corrente socialista ligada à Rerum Novarum.A encíclica reflectiu sobre as questões levantadas pela revolução industrial e pela dita “democracia” das sociedades liberais do final do século XIX. Leão XIII apoiou o direito dos trabalhadores para formarem sindicatos, mas rejeitou o socialismo, na defesa da propriedade privada dos meios de produção.
A encíclica criticou fortemente a falta de ética e valores morais na sociedade, responsabilizando o Estado pelo afastamento dos princípios defendidos pela Igreja e indicou regras que deveriam ser usadas na procura de maior justiça sócio-económica, e em especial na melhor distribuição da riqueza. Defendeu a intervenção do Estado na economia, a favor dos mais pobres e desprotegidos, tal como pugnou pela caridade que os ricos e os patrões deviam ter para com os trabalhadores.
O Prof.BARBOSA, Gustavo H C. no seu estudo “A encíclica Rerum Novarum e o Direito do Trabalho” mostra “o palpitante medo da Igreja Católica com o avanço das idéias socialistas” tais como a "luta de classes", o "materialismo dialéctico", o "fim da propriedade privada dos meios de produção”, que foram incluídos na "lista negra". No entanto, a encíclica foi importante para a evolução do Direito do Trabalho em especial no que se refere à dignidade humana do trabalhador.
Como já referi, o Estado liberal, dominado pela burguesia, não legislava, não intervinha nas relações capitalistas formadas na época, deixando que as desigualdades se acentuassem dramaticamente. Voltando a Lacordaire, “Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, é a liberdade que escraviza, é a lei que liberta”.
O direito, apenas defendia a propriedade privada e esquecia os direitos do homem no campo moral. A dignidade humana foi rebaixada ao extremo pela ("liberdade") opressão económica.
Muitos intelectuais desenvolveram estudos e movimentos, preconizando a busca pela igualdade social, desenvolvendo o colectivismo. Nesse ambiente de reflexão Karl Marx atingiu o máximo da sistematização na sua importante obra, de rigor científico, “O Capital”.
4 de fevereiro de 2011
A arte de criar necessidades
Economia de Mercado - Capitalismo
Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender... Aumentar os lucros!
No dia 2 publiquei dois vídeos que contêm mensagens que nos alertam para as "manhas" do sistema económico e político em que vivemos. Enviaram-me outro que, por sinal, já o tinha visto circular em emails, mas que considero também muito interessante. Aqui vai ele:
O que é Democracia? (4)
Marx e o socialismo científico
Com o constante agravamento da exploração dos trabalhadores e na década de 1830, o proletariado tentou e promoveu várias revoluções. No final da década, Marx, desenvolveu uma análise histórica, estudando a composição das sociedades ao longo da evolução humana relacionando-as com as várias formas de opressão social. Uma das conclusões que retirou, foi que, apesar da burguesia ter tido um grande papel revolucionário na destruição do poder monárquico e religioso e valorizando a liberdade económica, tornou-se numa nova classe opressora. O objectivo do máximo lucro e a liberalização da competitividade, desprezaram as relações humanas, pessoais e sociais, a ponto do operário ser encarado como uma máquina de trabalho, ou simples peça na engrenagem da produção.
Os estudos e os métodos de análise de Marx, consolidaram a corrente científica do socialismo, o “socialismo científico”. Em 1848 Marx e Engels, discutiram e redigiram o Manifesto Comunista, definindo com rigor e objectividade os princípios e programa de acção da Liga Comunista. Esse documento que expressava os propósitos da organização do proletariado, incitando a classe operária a unir-se contra a opressão do capital é, historicamente, um dos tratados políticos de maior influência mundial. As lutas e revoluções até então, improvisadas e caóticas e sem objectivos comuns e coerentes passaram a congregar os trabalhadores e alastraram por toda a Europa.
Karl Marx afirmava que "os operários, que são obrigados a vender-se por minuto, são uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial. (...) Com a difusão do uso das máquinas e a divisão do trabalho, o trabalho proletário perdeu todo o carácter independente e, com isso, todo o atractivo para o operário, que passa a ser um simples acessório da máquina e ao qual se pede apenas uma operação manual simplicíssima, extremamente monótona e facílima de aprender. (...) Operários concentrados em
massa nas fábricas são organizados militarmente e dispostos como meros soldados da indústria, sob a vigilância de toda uma hierarquia de sub-oficiais e oficiais".
O trabalho, que deveria ser a mais alta expressão da actividade do ser humano, foi tornado uma mercadoria da indústria capitalista e na economia de mercado resultante do liberalismo. Marx mostrou que a sociedade estava dividida em duas grandes classes, exploradores e explorados. Esta divisão de classes, corresponde aos proprietários dos meios de produção de um lado e do outro os produtores que, para viver, dependem de quem lhes compre a única coisa que têm, a força do trabalho. Concluiu Marx, que a sociedade teria que ser transformada com a eliminação das classes antagónicas. Os trabalhadores só deixarão de ser mercadoria quando forem os donos das fábricas – dos meios de produção. Então surgirá uma nova sociedade sem classes.
A Comuna de Paris de 1871 foi o poder revolucionário que governou aquela cidade, segundo as perspectivas do Manifesto Comunista. Apesar do poder operário ter durado apenas 72 dias, a Comuna é um episódio muito importante e discutido, por ser a primeira tentativa séria de transformação da sociedade. Foi o primeiro governo operário da história, disse Karl Marx na altura. Marx era teórico e dirigente da Associação Internacional dos
Trabalhadores (AIT), cuja secção francesa teve papel destacado na revolução e no governo da Comuna de Paris. Marx, ao caracterizar a Comuna como governo operário, concluiu que “a classe operária”, seria uma “classe social ascendente”, tendo demonstrado ter condições de elaborar um programa político próprio, organizar-se em torno dele, e assumir o governo de Paris a “capital do mundo”.
Na realidade, em 1870, a classe operária em Paris possuía organizações de massa e ideias próprias bem definidas. Sindicalmente estava organizada na Federação das Associações Operárias de Paris, constituída por cerca de 40.000 membros. Essa massa operária, formou-se na luta e realizou crescentes greves nos anos de 1868 a 1870.
Em toda a Europa, os exemplos das lutas operárias foram alastrando. Na Alemanha, Bismark na tentativa de conter o acentuado descontentamento dos operários, promoveu, em 1869, uma regulamentação do trabalho que atenuava os desmandos incontrolados do capitalismo liberal. Contudo, os ideais do Socialismo continuaram a alastrar e as organizações de trabalhadores multiplicavam-se e aumentavam a sua força. Em 1878, na Alemanha, foram proibidas as associações de trabalhadores. A grande burguesia no poder não quis arriscar a perda das regalias que usufruía. Os trabalhadores apesar de mais subjugados, não deixaram de se organizar e lutar, incrementando o seu nível de consciência e a convicção da inevitabilidade da transformação social.
Com o constante agravamento da exploração dos trabalhadores e na década de 1830, o proletariado tentou e promoveu várias revoluções. No final da década, Marx, desenvolveu uma análise histórica, estudando a composição das sociedades ao longo da evolução humana relacionando-as com as várias formas de opressão social. Uma das conclusões que retirou, foi que, apesar da burguesia ter tido um grande papel revolucionário na destruição do poder monárquico e religioso e valorizando a liberdade económica, tornou-se numa nova classe opressora. O objectivo do máximo lucro e a liberalização da competitividade, desprezaram as relações humanas, pessoais e sociais, a ponto do operário ser encarado como uma máquina de trabalho, ou simples peça na engrenagem da produção.
Os estudos e os métodos de análise de Marx, consolidaram a corrente científica do socialismo, o “socialismo científico”. Em 1848 Marx e Engels, discutiram e redigiram o Manifesto Comunista, definindo com rigor e objectividade os princípios e programa de acção da Liga Comunista. Esse documento que expressava os propósitos da organização do proletariado, incitando a classe operária a unir-se contra a opressão do capital é, historicamente, um dos tratados políticos de maior influência mundial. As lutas e revoluções até então, improvisadas e caóticas e sem objectivos comuns e coerentes passaram a congregar os trabalhadores e alastraram por toda a Europa.
Karl Marx afirmava que "os operários, que são obrigados a vender-se por minuto, são uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial. (...) Com a difusão do uso das máquinas e a divisão do trabalho, o trabalho proletário perdeu todo o carácter independente e, com isso, todo o atractivo para o operário, que passa a ser um simples acessório da máquina e ao qual se pede apenas uma operação manual simplicíssima, extremamente monótona e facílima de aprender. (...) Operários concentrados em
massa nas fábricas são organizados militarmente e dispostos como meros soldados da indústria, sob a vigilância de toda uma hierarquia de sub-oficiais e oficiais".
O trabalho, que deveria ser a mais alta expressão da actividade do ser humano, foi tornado uma mercadoria da indústria capitalista e na economia de mercado resultante do liberalismo. Marx mostrou que a sociedade estava dividida em duas grandes classes, exploradores e explorados. Esta divisão de classes, corresponde aos proprietários dos meios de produção de um lado e do outro os produtores que, para viver, dependem de quem lhes compre a única coisa que têm, a força do trabalho. Concluiu Marx, que a sociedade teria que ser transformada com a eliminação das classes antagónicas. Os trabalhadores só deixarão de ser mercadoria quando forem os donos das fábricas – dos meios de produção. Então surgirá uma nova sociedade sem classes.
A Comuna de Paris de 1871 foi o poder revolucionário que governou aquela cidade, segundo as perspectivas do Manifesto Comunista. Apesar do poder operário ter durado apenas 72 dias, a Comuna é um episódio muito importante e discutido, por ser a primeira tentativa séria de transformação da sociedade. Foi o primeiro governo operário da história, disse Karl Marx na altura. Marx era teórico e dirigente da Associação Internacional dos
Trabalhadores (AIT), cuja secção francesa teve papel destacado na revolução e no governo da Comuna de Paris. Marx, ao caracterizar a Comuna como governo operário, concluiu que “a classe operária”, seria uma “classe social ascendente”, tendo demonstrado ter condições de elaborar um programa político próprio, organizar-se em torno dele, e assumir o governo de Paris a “capital do mundo”.
Na realidade, em 1870, a classe operária em Paris possuía organizações de massa e ideias próprias bem definidas. Sindicalmente estava organizada na Federação das Associações Operárias de Paris, constituída por cerca de 40.000 membros. Essa massa operária, formou-se na luta e realizou crescentes greves nos anos de 1868 a 1870.
Em toda a Europa, os exemplos das lutas operárias foram alastrando. Na Alemanha, Bismark na tentativa de conter o acentuado descontentamento dos operários, promoveu, em 1869, uma regulamentação do trabalho que atenuava os desmandos incontrolados do capitalismo liberal. Contudo, os ideais do Socialismo continuaram a alastrar e as organizações de trabalhadores multiplicavam-se e aumentavam a sua força. Em 1878, na Alemanha, foram proibidas as associações de trabalhadores. A grande burguesia no poder não quis arriscar a perda das regalias que usufruía. Os trabalhadores apesar de mais subjugados, não deixaram de se organizar e lutar, incrementando o seu nível de consciência e a convicção da inevitabilidade da transformação social.
3 de fevereiro de 2011
Professores
Professores fazem falta
A Fenprof prepara com a comunidade educativa lutas contra o corte previsto nas verbas para a Educação. O Governo quer eliminar mais de 30 mil horários e despedir outros tantos docentes.
Hoje em Mafra, realiza-se às 18.30 na Sala da CDU (Assembleia Municipal) um debate de deputados da CDU com Professores de Mafra.
2 de fevereiro de 2011
Novos textos
Foram publicados novos textos nos separadores de Cde...Cortes e recortes e de C de...Conjecturas
Economia de Mercado
Economia de Mercado - Capitalismo
Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender... Aumentar os lucros!
Os vídeos apresentados abaixo, mostram como funciona a economia de mercado posta ao serviço do máximo lucro no sistema capitalista. Este tema tem a ver com uma "Conjectura" que publiquei no separador com esse nome, aqui neste blogue C de... "Horários de Trabalho e aumento da produção global". No sistema capitalista, que domina o mundo, as principais empresas que controlam os mercados (estes não são aqueles que é preciso acalmar), projectam os produtos que fabricam para não serem compatíveis uns com os outros e para durarem pouco tempo. Em cada produto lançado, introduzem faseadamente, também algumas inovações (upgrades), para que os consumidores sejam "obrigados" a actualizar os produtos ou a comprar novos.
Se a produção fosse concebida a pensar nos consumidores, muito do lixo produzido, era evitável. Todos ganhávamos e ganhava o planeta. O capitalismo produz para obter o máximo lucro, aumenta a poluição e esgota os recursos do Planeta. Recursos que poderiam ser aplicados a resolver as necessidades dos mais pobres, dos que nada têm, enquanto outros gastam inutilmente.
Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender - Comprar - Lixo - Produzir - Vender... Aumentar os lucros!
Os vídeos apresentados abaixo, mostram como funciona a economia de mercado posta ao serviço do máximo lucro no sistema capitalista. Este tema tem a ver com uma "Conjectura" que publiquei no separador com esse nome, aqui neste blogue C de... "Horários de Trabalho e aumento da produção global". No sistema capitalista, que domina o mundo, as principais empresas que controlam os mercados (estes não são aqueles que é preciso acalmar), projectam os produtos que fabricam para não serem compatíveis uns com os outros e para durarem pouco tempo. Em cada produto lançado, introduzem faseadamente, também algumas inovações (upgrades), para que os consumidores sejam "obrigados" a actualizar os produtos ou a comprar novos.
Se a produção fosse concebida a pensar nos consumidores, muito do lixo produzido, era evitável. Todos ganhávamos e ganhava o planeta. O capitalismo produz para obter o máximo lucro, aumenta a poluição e esgota os recursos do Planeta. Recursos que poderiam ser aplicados a resolver as necessidades dos mais pobres, dos que nada têm, enquanto outros gastam inutilmente.
30 de janeiro de 2011
Professores
Governo quer despedir milhares de professores
Passado o periodo eleitoral, o Governo retoma a ofensiva em vários sectores do País.
No ensino, a intenção do Governo é despedir milhares de professores. Mais uma consequência do Orçamento, aprovado com os votos do PS e a abstenção do PSD, que impõe um corte de 803 milhões de euros na Educação.
Não bastou a redução de 5.000 professores neste ano lectivo, para se atingir a brutal redução de 11,5% nas verbas para a Educação, sobretudo à custa do emprego e dos salários dos professores.
No blogue "http://professores-unidos.blogspot.com/" prevê-se que o Governo "em Setembro, eliminarão entre 30.000 e 40.000 horários de trabalho que correspondem a outros tantos empregos de docentes. Medidas que se reflectirão nas escolas públicas e também nas particulares e cooperativas, visto que a organização pedagógica e as regras de funcionamento são comuns.
Esta brutal onda de desemprego que se abaterá sobre os professores terá consequências muito graves no trabalho das escolas e um impacto extremamente nefasto na qualidade educativa".
Para discutir estes graves problemas, uma Comissão de Professores da CDU de Mafra, preparou para a próxima quinta feira dia 3 de Fevereiro, às 18.30 um debate com Professores do Concelho de Mafra, um deputado do PCP, um representante do PEV e um Delegado Sindical.
Odebateintitulado "À Conversa com..." realiza-se na sala da CDU na Ala Sul do Convento de Mafra. Os temas a tratar são:
Organização do Ano Lectivo 2011/2012 (Fim da Área Projecto e Estudo Acompanhado; Fim do par pedagógico (EVT); Fim do Desporto Escolar na componente lectiva; Cargos de coordenação: Director Turma e outros a serem atribuídos aos professores com redução ao abrigo do artigo 79); Cortes Salariais e Consequências das políticas do Governo.
Passado o periodo eleitoral, o Governo retoma a ofensiva em vários sectores do País.
No ensino, a intenção do Governo é despedir milhares de professores. Mais uma consequência do Orçamento, aprovado com os votos do PS e a abstenção do PSD, que impõe um corte de 803 milhões de euros na Educação.
Não bastou a redução de 5.000 professores neste ano lectivo, para se atingir a brutal redução de 11,5% nas verbas para a Educação, sobretudo à custa do emprego e dos salários dos professores.
No blogue "http://professores-unidos.blogspot.com/" prevê-se que o Governo "em Setembro, eliminarão entre 30.000 e 40.000 horários de trabalho que correspondem a outros tantos empregos de docentes. Medidas que se reflectirão nas escolas públicas e também nas particulares e cooperativas, visto que a organização pedagógica e as regras de funcionamento são comuns.
Esta brutal onda de desemprego que se abaterá sobre os professores terá consequências muito graves no trabalho das escolas e um impacto extremamente nefasto na qualidade educativa".
Para discutir estes graves problemas, uma Comissão de Professores da CDU de Mafra, preparou para a próxima quinta feira dia 3 de Fevereiro, às 18.30 um debate com Professores do Concelho de Mafra, um deputado do PCP, um representante do PEV e um Delegado Sindical.
Odebateintitulado "À Conversa com..." realiza-se na sala da CDU na Ala Sul do Convento de Mafra. Os temas a tratar são:
Organização do Ano Lectivo 2011/2012 (Fim da Área Projecto e Estudo Acompanhado; Fim do par pedagógico (EVT); Fim do Desporto Escolar na componente lectiva; Cargos de coordenação: Director Turma e outros a serem atribuídos aos professores com redução ao abrigo do artigo 79); Cortes Salariais e Consequências das políticas do Governo.
29 de janeiro de 2011
O que é Democracia? (3)
A revolta dos “novos escravos”
Na Inglaterra, país onde o desenvolvimento industrial foi pioneiro, a necessidade de mão-de-obra para as fábricas fez deslocar grandes massas de trabalhadores do campo para as cidades. As condições de trabalho e falta de regulamentação e de leis que protegessem os trabalhadores levou Robert Owen, rico industrial e “socialista utópico” a dinamizar as primeiras Trade Unions, (sindicatos). Propos leis para reduzir a exploração, em particular das crianças, e regular os princípios liberais da atividade industrial e comercial "do lucro imediato acima de qualquer outra coisa". Owen, por experiêcia própria, dizia que a lógica do capitalismo tinha levado os trabalhadores a condições de vida desumanas, materiais e espirituais, piores que as pré-industriais. Os industriais, numa competição acelerada, para obterem o máximo lucro, "levaram as classes inferiores, de cujo trabalho deriva hoje essa riqueza, a um nível de verdadeira opressão... Por conseguinte, eles encontram-se actualmente numa situação de degradação e miséria muito maior do que aquela em que se encontravam antes da introdução dessas indústrias, de cujo sucesso depende hoje a sua mera subsistência", disse Owen.
Também em França, Fourier, outro “socialista utópico”, defendeu o princípio do “direito do trabalho” como uma necessidade de regulamentar as relações entre empregador e empregado, e de defender os trabalhadores que não tinham alternativas senão aceitar o que lhes era “oferecido”. Surgiram críticas dos socialistas (utópicos) ao direito de propriedade dos meios de produção e à exploração, críticas e análises que tiveram a virtude de despertar a consciência não só de trabalhadores como também de muitos humanistas e de alguns sectores da burguesia.
Em Inglaterra, em 1831, uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as condições de trabalho e dos trabalhadores, registou: “… Diante desta Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores homens e mulheres, meninos e meninas, abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada um deles, clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem…” O relatório produzido, foi uma impiedosa condenação dos legisladores que, quando em suas mãos detinham o poder, “abandonaram os fracos à rapacidade dos fortes”.
As concepções liberais da autonomia da vontade, hipocritamente projectadas nas relações de trabalho, traduziam-se na liberdade do economicamente mais forte para explorar o mais fraco.
Assim neste ambiente controverso, a classe operária foi aprendendo, à sua custa, a organizar-se, primeiro por necessidades de ajuda humanitária, que depois evoluíram para embriões de organizações de classe.
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28 de janeiro de 2011
26 de janeiro de 2011
Capitalismo e especulação financeira
Casos do BPN
Li hoje no Editorial do Negócios, o seguinte:
O fabuloso ano de 2002 do BPN, Jornal Negócios, 26-01-2011, Editorial
Pedro Santos Guerreiro - Director
26 de Setembro de 2003. O Negócios revela em primeira página: "Auditor com reservas às contas do BPN". Eram as contas de 2002 - o ano em que, como foi dito ontem no tribunal, o BPN já estaria falido. Mas aquela notícia teve consequências: o BPN mudou de auditor e cortou a publicidade ao Negócios.
É assim que funcionam os "mercados" e o capital financeiro.
Fiquei entretanto a pensar se a atitude do Jornal Negócios será uma excepção? Quantos editores cedem às pressões do poder económico e publicam apenas aquilo que aos proprietários dos órgãos de comunicação convém?
No final do Editorial, revela-se que José Oliveira e Costa explicava que tinha tomado decisões "para não pagar tanto imposto", afirmava que o crédito ao imobiliário e construção era "produto de alta qualidade" e que "A SLN tem 420 sócios, todos empresários de sucesso. Tomara que todo o crédito estivesse tão seguro quanto estes!"
Oito anos depois, começa o julgamento. O Director do Negócio termina assim o seu Editorial.
Alguns desses accionistas estão agora no banco dos réus. Outros, como Cavaco Silva, preferem riscar a passagem do BPN pelas suas vidas. Oliveira e Costa diz-se afectado na sua saúde. O tribunal vai adiando o julgamento porque não tem uma sala em condições. Tudo isto é fabuloso: do domínio das fábulas. "Valores que distinguem", diziam eles. Nós distinguimos bem: são dois mil milhões de euros.
O Julgamento foi adiado para depois das eleições, tal como o governo adiou as Indemnizações dos despedimentos.
Creio, não ser necessário mais comentários.
Li hoje no Editorial do Negócios, o seguinte:
O fabuloso ano de 2002 do BPN, Jornal Negócios, 26-01-2011, Editorial
Pedro Santos Guerreiro - Director
26 de Setembro de 2003. O Negócios revela em primeira página: "Auditor com reservas às contas do BPN". Eram as contas de 2002 - o ano em que, como foi dito ontem no tribunal, o BPN já estaria falido. Mas aquela notícia teve consequências: o BPN mudou de auditor e cortou a publicidade ao Negócios.
É assim que funcionam os "mercados" e o capital financeiro.
Fiquei entretanto a pensar se a atitude do Jornal Negócios será uma excepção? Quantos editores cedem às pressões do poder económico e publicam apenas aquilo que aos proprietários dos órgãos de comunicação convém?
No final do Editorial, revela-se que José Oliveira e Costa explicava que tinha tomado decisões "para não pagar tanto imposto", afirmava que o crédito ao imobiliário e construção era "produto de alta qualidade" e que "A SLN tem 420 sócios, todos empresários de sucesso. Tomara que todo o crédito estivesse tão seguro quanto estes!"
Oito anos depois, começa o julgamento. O Director do Negócio termina assim o seu Editorial.
Alguns desses accionistas estão agora no banco dos réus. Outros, como Cavaco Silva, preferem riscar a passagem do BPN pelas suas vidas. Oliveira e Costa diz-se afectado na sua saúde. O tribunal vai adiando o julgamento porque não tem uma sala em condições. Tudo isto é fabuloso: do domínio das fábulas. "Valores que distinguem", diziam eles. Nós distinguimos bem: são dois mil milhões de euros.
O Julgamento foi adiado para depois das eleições, tal como o governo adiou as Indemnizações dos despedimentos.
Creio, não ser necessário mais comentários.
Irritar os "Mercados"
Irritar os mercados deve ser a palavra de ordem dos portugueses. Pelos vistos temos andado muito enganados.
Os mercados lá sabem! Quando foi aprovado o Orçamento, aumentaram as taxas de juro, agora eleito Cavaco aumentam outra vez. Está-me a parecer que temos andado enganados e para resolver os problemas do País e baixar os juros da dívida, o que é preciso é... "avisar a malta" e... irritar os mercados!
Os mercados lá sabem! Quando foi aprovado o Orçamento, aumentaram as taxas de juro, agora eleito Cavaco aumentam outra vez. Está-me a parecer que temos andado enganados e para resolver os problemas do País e baixar os juros da dívida, o que é preciso é... "avisar a malta" e... irritar os mercados!
24 de janeiro de 2011
O que é Democracia? (2)
A revolução industrial
Como já referi no texto anterior, quando desponta a Revolução Industrial, a burguesia, manufatureira, em ascenção, promove o combate à legislação proteccionista, mercantilista - que remontava ao feudalismo - nessa época, favorecendo a aristocracia no poder. As novas ideias do individualismo, da liberdade individual, criam outros valores, e uma nova ética, não só na liberdade de contratar pessoal, de definir as condições desses “contratos” sem restrições, mas sobretudo na "liberdade do homem em sociedade", mais precisamente no mercado de trabalho. A “liberdade” de contratar sem regras era equiparada à liberdade da mão-de-obra aceitar ou não esses “contratos”.
Considerava-se que para os novos empreendimentos e indústrias prosperarem, era essencial aos negócios, não haver regras que os cerceassem. Nesta ampla liberdade individual, as novas relações eram reguladas por contrato social, e combatidas as regras antes fixadas pelas Corporações de Ofício.
Os objectivos sociais passam a ser entendidos como a soma dos objectivos individuais, vistos na óptica do máximo lucro.
Justificavam os ideólogos do liberalismo que todos os cidadãos deviam ser "iguais perante a lei" partindo do princípio que, sem regras, sem lei, qualquer pessoa tinha iguais oportunidades de montar o seu negócio, ser empresário e vir a ser proprietário dos meios de produção e poder também contratar trabalhadores para a sua empresa. Esta justificação era na realidade falsa. Pelo contrário, a livre exploração da mão-de-obra levava cada vez mais ao empobrecimento dos trabalhadores e à fortuna cada vez maior dos exploradores mais bem sucedidos.
Nessa forma de sociedade aumentava rapidamente o fosso que separava os proprietários (capital) dos não-proprietários (trabalho).
O individualismo levava a uma exploração do mais fraco pelo mais forte. O capitalista "livremente" podia impor, sem interferência do Estado, as suas condições ao trabalhador. Havia igualdade jurídica, esquecendo os restantes factores para que houvesse igualdade real.
O mais forte tinha a liberdade de subjugar o mais fraco, assim como o mais fraco tinha a liberdade de não aceitar essa subjugação (ainda que a sua fraqueza o não permitisse, pois dela dependia a sua subsistência, e até a sua vida).
Os ricos eram cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Era cada vez mais clara a fronteira entre classes (exploradora e explorada).
Defendiam os liberais, com certo cinismo, que as pessoas podiam auto regulamentar seus interesses e as relações económicas pelas regras do Direito Natural. O fraco tem o mesmo direito que o forte de o atacar. Se o leão ataca o cervo também o cervo pode atacar o leão.
Os trabalhadores sofriam, sem qualquer protecção pois como disse Jonh Locke “o Estado não deve interferir”.
A classe operária e vários humanistas, na impossibilidade de se libertarem, desenvolveram várias formas de ajuda aos mais necessitados. Surgiram associações de auxilio e de solidariedade e, também, movimentos sociais e políticos que procuraram defender os trabalhadores explorados.
Ainda hoje muitos tentam regressar a esses tempos em nome da liberdade e da democracia.
Como já referi no texto anterior, quando desponta a Revolução Industrial, a burguesia, manufatureira, em ascenção, promove o combate à legislação proteccionista, mercantilista - que remontava ao feudalismo - nessa época, favorecendo a aristocracia no poder. As novas ideias do individualismo, da liberdade individual, criam outros valores, e uma nova ética, não só na liberdade de contratar pessoal, de definir as condições desses “contratos” sem restrições, mas sobretudo na "liberdade do homem em sociedade", mais precisamente no mercado de trabalho. A “liberdade” de contratar sem regras era equiparada à liberdade da mão-de-obra aceitar ou não esses “contratos”.
Considerava-se que para os novos empreendimentos e indústrias prosperarem, era essencial aos negócios, não haver regras que os cerceassem. Nesta ampla liberdade individual, as novas relações eram reguladas por contrato social, e combatidas as regras antes fixadas pelas Corporações de Ofício.
Os objectivos sociais passam a ser entendidos como a soma dos objectivos individuais, vistos na óptica do máximo lucro.
Justificavam os ideólogos do liberalismo que todos os cidadãos deviam ser "iguais perante a lei" partindo do princípio que, sem regras, sem lei, qualquer pessoa tinha iguais oportunidades de montar o seu negócio, ser empresário e vir a ser proprietário dos meios de produção e poder também contratar trabalhadores para a sua empresa. Esta justificação era na realidade falsa. Pelo contrário, a livre exploração da mão-de-obra levava cada vez mais ao empobrecimento dos trabalhadores e à fortuna cada vez maior dos exploradores mais bem sucedidos.
Nessa forma de sociedade aumentava rapidamente o fosso que separava os proprietários (capital) dos não-proprietários (trabalho).
O individualismo levava a uma exploração do mais fraco pelo mais forte. O capitalista "livremente" podia impor, sem interferência do Estado, as suas condições ao trabalhador. Havia igualdade jurídica, esquecendo os restantes factores para que houvesse igualdade real.
O mais forte tinha a liberdade de subjugar o mais fraco, assim como o mais fraco tinha a liberdade de não aceitar essa subjugação (ainda que a sua fraqueza o não permitisse, pois dela dependia a sua subsistência, e até a sua vida).
Os ricos eram cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Era cada vez mais clara a fronteira entre classes (exploradora e explorada).
Defendiam os liberais, com certo cinismo, que as pessoas podiam auto regulamentar seus interesses e as relações económicas pelas regras do Direito Natural. O fraco tem o mesmo direito que o forte de o atacar. Se o leão ataca o cervo também o cervo pode atacar o leão.
Os trabalhadores sofriam, sem qualquer protecção pois como disse Jonh Locke “o Estado não deve interferir”.
A classe operária e vários humanistas, na impossibilidade de se libertarem, desenvolveram várias formas de ajuda aos mais necessitados. Surgiram associações de auxilio e de solidariedade e, também, movimentos sociais e políticos que procuraram defender os trabalhadores explorados.
Ainda hoje muitos tentam regressar a esses tempos em nome da liberdade e da democracia.
23 de janeiro de 2011
Eleições e o despertar de consciências
Hoje, dia de Eleições para Presidente da República, Cavaco Silva ganhou à primeira volta com quase 53%, Francisco Lopes, o meu candidato, obteve 7,14%.
Como disse Jerónimo de Sousa, "esta candidatura ligada aos trabalhadores e aos problemas do país, recolheu apoio e a identificação que constituem um importante contributo para novas opções políticas e garantiram a determinação na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais".
Para quem desejaria um melhor resultado, pode parecer que foi mau. Nada de mais errado. A candidatura de Francisco Lopes, como ele disse, "colocou ao povo português a questão essencial em causa no tempo em que vivemos: a necessidade da ruptura e mudança face a um rumo de declínio e injustiça social que conduziu o País para o atoleiro". Objectivo sem dúvida ambicioso para ser compreendido pela maioria dos portugueses. Objectivo que assusta os comodistas (não os comunistas), quem foi habituado à pasmaceira, ao "deixa andar", chamados de "estabilidade". O País precisa de "estabilidade", disseram políticos e comentadores em constantes comícios feitos na Televisão e Jornais, bem apoiados, por quem quer que tudo fique na mesma pois, é assim, que mais lucram. Como hoje já não há serviço de censura, esta é feita por "administração directa", silenciando grande parte da comunicação de Francisco Lopes. Com ar de pluralismo, fazem-se debates entre comentadores iluminados, directores dos jornais, e outros que tais, e tudo fica em casa. Dizem, esses iluminados pelo saber, que a Campanha Eleitoral foi muito fraca. Que os candidatos se atacaram mais do que fizeram propostas. Na realidade, foi essa a ideia que quiseram dar, e que transmitiram, desvalorizando, ou omitindo, as linhas políticas de "um novo rumo patriótico e de esquerda, vinculado aos valores de Abril e a concretização do projecto consagrado na Constituição da República Portuguesa, no caminho do desenvolvimento, da justiça e do progresso social" muitas vezes referido por Francisco Lopes.
Muitos trabalhadores entenderam as propostas de afirmação do "caminho da produção nacional, da criação de emprego, da valorização do trabalho e dos trabalhadores", a ponto de haver quem, sem referir a autoria, falasse do mesmo como se fosse uma ideia sua, descoberta na ocasião.
Mas, também como disse Francisco Lopes, os resultados destas eleições, estão "muito além da sua expressão em votos", estão na "simpatia, no apoio e na identificação com os objectivos da candidatura, que constituem um importante contributo para novas opções políticas e a abertura de um caminho novo patriótico e de esquerda para o País".
Muitos dos eleitores que pela primeira vez votaram num candidato comunista, muitos que ainda desta vez não votaram, como também não votaram noutro, alargam "esta corrente de acção para mudar Portugal para melhor" disse Francisco Lopes acrescentando "Contem com a nossa convicção, a nossa determinação, o nosso projecto, a nossa confiança nos trabalhadores, no povo e no País. Temos encontro marcado já amanhã e todos os dias que se seguem na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais, para construir um Portugal com futuro, uma sociedade mais justa".
Como disse Jerónimo de Sousa, "esta candidatura ligada aos trabalhadores e aos problemas do país, recolheu apoio e a identificação que constituem um importante contributo para novas opções políticas e garantiram a determinação na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais".
Para quem desejaria um melhor resultado, pode parecer que foi mau. Nada de mais errado. A candidatura de Francisco Lopes, como ele disse, "colocou ao povo português a questão essencial em causa no tempo em que vivemos: a necessidade da ruptura e mudança face a um rumo de declínio e injustiça social que conduziu o País para o atoleiro". Objectivo sem dúvida ambicioso para ser compreendido pela maioria dos portugueses. Objectivo que assusta os comodistas (não os comunistas), quem foi habituado à pasmaceira, ao "deixa andar", chamados de "estabilidade". O País precisa de "estabilidade", disseram políticos e comentadores em constantes comícios feitos na Televisão e Jornais, bem apoiados, por quem quer que tudo fique na mesma pois, é assim, que mais lucram. Como hoje já não há serviço de censura, esta é feita por "administração directa", silenciando grande parte da comunicação de Francisco Lopes. Com ar de pluralismo, fazem-se debates entre comentadores iluminados, directores dos jornais, e outros que tais, e tudo fica em casa. Dizem, esses iluminados pelo saber, que a Campanha Eleitoral foi muito fraca. Que os candidatos se atacaram mais do que fizeram propostas. Na realidade, foi essa a ideia que quiseram dar, e que transmitiram, desvalorizando, ou omitindo, as linhas políticas de "um novo rumo patriótico e de esquerda, vinculado aos valores de Abril e a concretização do projecto consagrado na Constituição da República Portuguesa, no caminho do desenvolvimento, da justiça e do progresso social" muitas vezes referido por Francisco Lopes.
Muitos trabalhadores entenderam as propostas de afirmação do "caminho da produção nacional, da criação de emprego, da valorização do trabalho e dos trabalhadores", a ponto de haver quem, sem referir a autoria, falasse do mesmo como se fosse uma ideia sua, descoberta na ocasião.
Mas, também como disse Francisco Lopes, os resultados destas eleições, estão "muito além da sua expressão em votos", estão na "simpatia, no apoio e na identificação com os objectivos da candidatura, que constituem um importante contributo para novas opções políticas e a abertura de um caminho novo patriótico e de esquerda para o País".
Muitos dos eleitores que pela primeira vez votaram num candidato comunista, muitos que ainda desta vez não votaram, como também não votaram noutro, alargam "esta corrente de acção para mudar Portugal para melhor" disse Francisco Lopes acrescentando "Contem com a nossa convicção, a nossa determinação, o nosso projecto, a nossa confiança nos trabalhadores, no povo e no País. Temos encontro marcado já amanhã e todos os dias que se seguem na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais, para construir um Portugal com futuro, uma sociedade mais justa".
O que é Democracia? (1)
Palavra que permite tantas ambiguidades
Será que existe democracia? Ou democracia é apenas um ideal? E se é um ideal, que ideal é esse?
Ainda que seja meu objectivo apenas dar ideias simples e levantar questões, que nos ajudem a pensar, dada a amplitude do tema, vou dividir os textos, ou as postagens se preferirem, em vários capítulos.
Como é sabido as ideias de Democracia vêm da Grécia Antiga (demo=povo e kracia=governo), o que interpretado na sua pureza daria Governo do Povo. Pergunta-se desde logo. Povo a governar ou, governo em nome do povo? Reflictamos nos casos conhecidos da história, em especial a partir do séc. XIX e, mais particularmente, após os primórdios da Revolução Industrial.
Nessa época, de grande riqueza histórica e cultural, desenvolveram-se duas doutrinas políticas dominantes, o liberalismo de um lado e o socialismo do outro. Cada uma delas era sustentada por pessoas que ocupavam diferentes posições na sociedade.
Os burgueses eram os habitantes dos burgos. Artesãos, comerciantes e negociantes que trabalhavam com dinheiro, e de certo modo concorriam com a nobreza, que era quem detinha a riqueza e o poder (coisas que têm andado sempre ligadas). Os mais pobres viviam fora das cidades, nas suas periferias “extramuros”. Na generalidade, todos os burgueses eram desprezados pelos nobres. Eram os herdeiros dos vilões da Idade Média (habitantes das vilas - conceito romano), eram os artesãos, lojistas e companheiros que compunham o movimento sans-culottes da grande Revolução Francesa de 1789.
O trabalho humano e a liberdade
Há muito que filósofos descobriram que o trabalho é fonte de libertação, factor de cultura e de progresso. O trabalho dá dignidade ao ser humano, por o colocar em vantagem aos restantes animais, controlando a natureza para melhorar o seu bem-estar.
No século XVIII a primazia pela razão elevou o homem como responsável pelo progresso material e técnico e pela descoberta de que essa qualidade exigia liberdade de viver e pensar. Este conceito de liberdade foi uma reacção ao Absolutismo Monárquico. A intervenção do Estado, absolutista, na economia foi vista como uma limitação da liberdade. Assim as ideias liberais começaram a surgir contra o Absolutismo, contra o direito divino dos Reis e da Religião de Estado. Destacaram-se Adam Smith, Jean-Jacques Rousseau, Locke, Montesquieu e Voltaire, entre outros.
O trabalho livre foi considerado integrante da liberdade do indivíduo.
A partir do final do Séc XVIII, e depois da Revolução Francesa, os burgueses foram conseguindo o poder nos principais países da Europa.
Os burgueses mais ricos, com o desenvolvimento da técnica, aperfeiçoaram meios de produção sofisticados que permitiam maior produção a custos mais baixos, concorrendo em vantagem com os outros artesãos. O laissez-faire (liberdade de cada um fazer) está no cerne da regulamentação das novas actividades de produção que revelavam qualidades novas “industriais”. Esses burgueses, puderam então controlar as relações de trabalho, a vida nas fábricas, sem restrições. A liberdade permitia que se instituísse uma nova forma de escravidão, com o aumento do poder dos que assim conseguiam aumentar rápidamente a sua fortuna. O operário não passava de um simples meio de produção.
A liberdade de contratar não dava meios ao operário, subjugado pela fome. O trabalho era a sua única fonte de sobrevivência e portanto não podia recusar uma jornada de trabalho que muitas vezes se estendia durante quinze horas, em condições de higiene e segurança deploráveis tendo que aceitar uma retribuição miserável. Teoricamente livre, o operário tornava-se cada vez mais dependente do patrão. Surgia uma concepção de direito a que posteriormente correspondeu um papel do estado, contrária aos interesses do proletariado. A classe operária sem qualquer protecção, sofria, enquanto o Estado assistia inerte, na convicção liberal de que seu papel não devia ir além da ordem pública, podendo os cidadãos conduzir-se como melhor lhes aprouvesse. Jonh Locke afirmou: "ao Estado não cabe interferir. O homem é livre. A intervenção do Estado é negativa". É fácil concluir que, esta concepção de liberdade, serve apenas a quem tem o poder.
Será que existe democracia? Ou democracia é apenas um ideal? E se é um ideal, que ideal é esse?
Ainda que seja meu objectivo apenas dar ideias simples e levantar questões, que nos ajudem a pensar, dada a amplitude do tema, vou dividir os textos, ou as postagens se preferirem, em vários capítulos.
Como é sabido as ideias de Democracia vêm da Grécia Antiga (demo=povo e kracia=governo), o que interpretado na sua pureza daria Governo do Povo. Pergunta-se desde logo. Povo a governar ou, governo em nome do povo? Reflictamos nos casos conhecidos da história, em especial a partir do séc. XIX e, mais particularmente, após os primórdios da Revolução Industrial.
Nessa época, de grande riqueza histórica e cultural, desenvolveram-se duas doutrinas políticas dominantes, o liberalismo de um lado e o socialismo do outro. Cada uma delas era sustentada por pessoas que ocupavam diferentes posições na sociedade.
Os burgueses eram os habitantes dos burgos. Artesãos, comerciantes e negociantes que trabalhavam com dinheiro, e de certo modo concorriam com a nobreza, que era quem detinha a riqueza e o poder (coisas que têm andado sempre ligadas). Os mais pobres viviam fora das cidades, nas suas periferias “extramuros”. Na generalidade, todos os burgueses eram desprezados pelos nobres. Eram os herdeiros dos vilões da Idade Média (habitantes das vilas - conceito romano), eram os artesãos, lojistas e companheiros que compunham o movimento sans-culottes da grande Revolução Francesa de 1789.O trabalho humano e a liberdade
Há muito que filósofos descobriram que o trabalho é fonte de libertação, factor de cultura e de progresso. O trabalho dá dignidade ao ser humano, por o colocar em vantagem aos restantes animais, controlando a natureza para melhorar o seu bem-estar.
No século XVIII a primazia pela razão elevou o homem como responsável pelo progresso material e técnico e pela descoberta de que essa qualidade exigia liberdade de viver e pensar. Este conceito de liberdade foi uma reacção ao Absolutismo Monárquico. A intervenção do Estado, absolutista, na economia foi vista como uma limitação da liberdade. Assim as ideias liberais começaram a surgir contra o Absolutismo, contra o direito divino dos Reis e da Religião de Estado. Destacaram-se Adam Smith, Jean-Jacques Rousseau, Locke, Montesquieu e Voltaire, entre outros.
O trabalho livre foi considerado integrante da liberdade do indivíduo.
A partir do final do Séc XVIII, e depois da Revolução Francesa, os burgueses foram conseguindo o poder nos principais países da Europa.
Os burgueses mais ricos, com o desenvolvimento da técnica, aperfeiçoaram meios de produção sofisticados que permitiam maior produção a custos mais baixos, concorrendo em vantagem com os outros artesãos. O laissez-faire (liberdade de cada um fazer) está no cerne da regulamentação das novas actividades de produção que revelavam qualidades novas “industriais”. Esses burgueses, puderam então controlar as relações de trabalho, a vida nas fábricas, sem restrições. A liberdade permitia que se instituísse uma nova forma de escravidão, com o aumento do poder dos que assim conseguiam aumentar rápidamente a sua fortuna. O operário não passava de um simples meio de produção.
A liberdade de contratar não dava meios ao operário, subjugado pela fome. O trabalho era a sua única fonte de sobrevivência e portanto não podia recusar uma jornada de trabalho que muitas vezes se estendia durante quinze horas, em condições de higiene e segurança deploráveis tendo que aceitar uma retribuição miserável. Teoricamente livre, o operário tornava-se cada vez mais dependente do patrão. Surgia uma concepção de direito a que posteriormente correspondeu um papel do estado, contrária aos interesses do proletariado. A classe operária sem qualquer protecção, sofria, enquanto o Estado assistia inerte, na convicção liberal de que seu papel não devia ir além da ordem pública, podendo os cidadãos conduzir-se como melhor lhes aprouvesse. Jonh Locke afirmou: "ao Estado não cabe interferir. O homem é livre. A intervenção do Estado é negativa". É fácil concluir que, esta concepção de liberdade, serve apenas a quem tem o poder.
22 de janeiro de 2011
Reflexões em dia de reflexão
Votos em Branco ou Nulos
A abstenção ou o voto em branco contribuem sempre para aumentar a percentagem de votação do candidato melhor colocado. Insatisfações ou diferenças de opinião não devem servir para fazer de conta que tudo é igual. Se isto está mau não podemos ficar calados.
Lembremo-nos de Martin Luther King:
"Não tenho medo das palavras dos violentos, mas sim do silêncio dos honestos"
Num momento em que o País e os portugueses caminham para maiores dificuldades, é dever, de quem é consciente, defender a democracia e afirmar a sua dignidade como cidadão, votando de acordo com a sua consciência, com os seus interesses de classe e vontade de contribuir para o futuro de todos.
A abstenção ou o voto em branco contribuem sempre para aumentar a percentagem de votação do candidato melhor colocado. Insatisfações ou diferenças de opinião não devem servir para fazer de conta que tudo é igual. Se isto está mau não podemos ficar calados.
Lembremo-nos de Martin Luther King:
"Não tenho medo das palavras dos violentos, mas sim do silêncio dos honestos"
Num momento em que o País e os portugueses caminham para maiores dificuldades, é dever, de quem é consciente, defender a democracia e afirmar a sua dignidade como cidadão, votando de acordo com a sua consciência, com os seus interesses de classe e vontade de contribuir para o futuro de todos.
21 de janeiro de 2011
No Avante!
"A nossa campanha levou a confiança e a esperança a milhares e milhares de homens, mulheres e jovens – humilhados e ofendidos pela política de direita..."
"...é na luta e na intervenção activa dos trabalhadores e do povo que se encontra o caminho da mudança".
"A candidatura de Francisco Lopes é, nas palavras do próprio candidato – palavras certeiras, solidárias, carregadas de esperança e confiança – «uma candidatura que se dirige também a todos os que sentem vontade de desistir, dizendo-lhes que não desistam, que vale a pena acreditar, que vale a pena confiar em quem tem palavra e está consigo nas suas lutas e inquietações; dizendo-lhes que a melhor resposta que têm para dar é juntarem-se a nós com o seu voto para condenar os que, no Governo e na Presidência, há muito desistiram de Portugal»."
(in Avante! de 20 de Jan. 2011 - http://www.avante.pt/pt/1938/Editorial/)
Morte de Lénine
No dia 21 de Janeiro de 1924, há 87 anos, na aldeia de Górki, nos arredores de Moscovo, falece Vladímir Ilitch Lénine, quando não tinha ainda completado 54 anos. A sua morte é recebida com profunda dor pelos trabalhadores do mundo inteiro. No dia do funeral, o proletariado internacional declarou uma paragem de cinco minutos no trabalho.
Na URSS, a circulação ferroviária é interrompida, fábricas e empresas suspendem a laboração, milhões choram o desaparecimento do líder, prestando homenagem ao fundador do partido bolchevique e principal obreiro da revolução socialista que abriu portas à construção da sociedade nova sem exploradores nem explorados.
Vladímir Ilitch Lénine destacou-se no seu tempo como um grande intelectual, filósofo, economista, político, orador, legando-nos uma extensa e valiosíssima obra com 55 volumosos tomos. Na memória dos povos ficará para sempre a recordação do criador do partido bolchevique, o impulsionador da primeira revolução socialista vitoriosa e o fundador do primeiro Estado socialista – a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
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