Mostrar mensagens com a etiqueta luta de classes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta luta de classes. Mostrar todas as mensagens

11 de novembro de 2015

Caiu o Governo mas a luta continua

A ofensiva ideológica da direita exige resposta acompanhada de maior compreensão da luta de classes que está no centro desta batalha

Há 40 anos no poder, após 48 anos de Salazarismo, a direita tem montada uma máquina poderosa de manipulação, de desinformação que ilude muitos trabalhadores e largas camadas do povo.
Neste momento histórico, com a queda do Governo caíram muitas máscaras, desfizeram-se mitos e abriram-se novos espaços de debate.

Novas vitórias dos trabalhadores e do povo dependem da capacidade dos mais conscientes sensibilizarem os menos conscientes para o que está a acontecer, à luz da luta de classes e sua justificação ideológica. É preciso criar as condições para organizar e trazer à luta os trabalhadores e o povo explorado, focalizando-os na defesa dos seus verdadeiros interesses e direitos.

Os «superiores interesses do País», cassete tão apregoada pela direita, nada têm a ver com os verdadeiros interesses do país que é o povo e os seus trabalhadores, na medida em que os interesses do grande capital, nada têm a ver com os interesses do povo explorado. É com estas e outras deturpações e mistificações que a direita engana os menos conscientes. Foi assim que Cavaco, Passos e Portas centraram a sua política e agora, derrotados, argumentam. Com a falsa justificação de defender os «superiores interesses do país», na realidade, defendem os «superiores interesses do grande capital» o que tem permitido que uma dúzia dos muito ricos sejam cada vez mais ricos à custa dos milhões de pobres cada vez mais pobres.

Estamos no auge de uma luta de classes que só poderá será vencida se os mais conscientes conseguirem alargar a consciência ideológica das massas de forma que possam compreender o que está em jogo. Apesar dos poderosos meios que a direita controla, o momento político que vivemos é-nos favorável e não o podemos desperdiçar.

30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


21 de novembro de 2014

Será uma questão de "bom senso" o que tem faltado?

Esta é a política de classe deste governo e do PS 

Depois de vigorosos protestos, que parte da Comunicação Social escondeu, em especial os protestos do PCP, a proposta da subvenção dos políticos foi retirada.
Fica o registo de mais uma tentativa marcadamente "política de classe" tão constante nos partidos do chamado "arco do poder", PS, PSD e CDS. 
Fica ainda confirmado que vale a pena lutar, pois se nem sempre a luta vence, o que é certo é que sem luta perde-se sempre.
Fica também provado que o que tem faltado é uma política alternativa patriótica e de esquerda.


do Jornal de Notícias de hoje











11 de novembro de 2014

Derrubemos os muros e cantemos alto

Muros de pedra, muros do dinheiro, muros de injustiças

Sobre muros não diria mais nada se não fosse uma minha revisão pela leitura dos comentários do texto Berlim, 25 anos – a festa, mas não para todos  no blogue "entre as brumas da memória".

Derrubar um muro pode ser um motivo de alegria, de festa, mas, como o título indica, numa sociedade de classes nem todos terão os mesmos motivos para a festa. 
Se esse derrube significar, como significou, abrir o caminho para alguns erguerem novos muros, creio que deveremos refletir e procurar ver a floresta e não apenas a árvore.
Na realidade, objectivamente, após o derrube do muro, cresceu a ofensiva exploradora com que os trabalhadores hoje estão confrontados, deu-se uma regressão social de dimensão civilizacional, aumentou a fome e a miséria da maioria dos trabalhadores enquanto alguns, aumentaram escandalosamente as suas fortunas. Cresceu a corrupção, os crimes, fizeram-se e continuam a fazer-se guerras em vários cantos do mundo. Destruíram-se países e regiões inteiras, mataram-se milhares de mulheres e crianças inocentes, o fascismo que estava encoberto saiu à rua, mata e tortura, ergue muros de forças de segurança, tomou conta de governos. 

Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Cruzes assinalando os mortos que tentaram passar

Metáforas para fazer pensar

As metáforas utilizando, palavras ou expressões em sentido figurado, alargam-nos a visão e fazem-nos pensar. Com a queda do muro de Berlim puderam os berlinenses comprar jeans, frequentar os centros comerciais do lado ocidental, enquanto perdiam empregos, as casas os transportes gratuitos.
A liberdade de comprar, comprar, comprar tudo o que quiserem (desde que tenham dinheiro) estendeu-se aos direitos das pessoas também colocados à venda. Hoje quem quer saúde paga-a, quem quer assistência social compra seguros ou PPRs. Os que tiverem dinheiro. 
Para que alguns possam ter grandes fortunas a crescer, outros tiveram que ir para o desemprego, coisa que não conheciam, e tiveram que baixar os salários. Hoje tudo é mercado. Tudo se compra e tudo se vende livremente, para quem puder, claro. A liberdade é comprada. A segurança, o usufruto da cultura, do lazer, é negócio que custa muitos euros. Os berlinenses conseguiram alcançar a sociedade onde tudo é negócio, do salve-se quem puder ou tiver dinheiro.

Muro Espanha - Marrocos

Preconceitos: Muros opacos em que não reparamos

Continuando com as metáforas que nos fazem pensar, vamos pois derrubar todos os muros. Não só o da faixa de Gaza, o do México que separa os mexicanos dos Estados Unidos, e todos os outros que foram erguidos graças à queda do Muro de Berlim, como também os muros dentro dos países que separam os ricos dos pobres, muros de condomínios fechados onde só tem liberdade os que têm dinheiro. Derrubemos também os muros das clínicas e hospitais privados, que separam os que precisam de cuidados de saúde dos que têm dinheiro para ter saúde. Derrubemos também muros, portas e portagens que retiram liberdade e direitos. Mais importante ainda; derrubemos também os muros dos nossos preconceitos que nos tapam a visão e nos impedem de conhecer o que está para lá desta sociedade desumana e injusta em que alguns (sempre os alguns) exploram quem trabalha e produz.
Derrubemos todos os muros, excepto os que ergamos com a nossa luta e consciência para nossa defesa e impedir alguns de explorar todos os outros.

Nota: Depois de ter publicado este texto vi no FOICEBOOK :
http://foicebook.blogspot.pt/2014/11/os-25-anos-do-derrube-do-muro-de-berlim.html

4 de março de 2013

Mais desemprego

Governo insiste numa política que despede os pais e nega o emprego aos filhos 

A CGTP informa que "Os dados do Eurostat relativos ao desemprego de Janeiro confirmam que o desemprego continua a aumentar neste início de 2013. Atingiu uma taxa de 17,6%, a terceira mais elevada da União Europeia e a mais alta de sempre no país, que corresponde a 960 mil desempregados em sentido estrito e a mais de 1 milhão e meio se considerarmos os inactivos disponíveis e indisponíveis e os subempregados. Num ano o número real de desemprego e subemprego aumentou em 217 milhares".

"Passado um ano do chamado Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego, acordo entre Governo, patronato e UGT, o país está em recessão, há um número record de falências e em vez de emprego temos uma persistente destruição de postos de trabalho"
. É nisto que a UGT colabora.

O Comunicado da CGTP conclui "O que o país precisa é de uma mudança de políticas que inverta o rumo da economia, promova o crescimento, a criação de emprego e a melhoria da protecção social. Com a luta dos trabalhadores e do povo esta política será derrotada".



As manifestações de ontem que a CGTP apoiou confirmam que o povo está a acordar e a reagir. A luta vai continuar e como disse Arménio Carlos "este Governo está por um fio".Contudo não basta trocar o Governo. É preciso um Governo patriótico e de esquerda que faça uma política verdadeiramente alternativa. Estaremos atentos a novas tentativas de outro governo parecido, com novas caras mas a mesma velha política de alternância, que suportamos há 36 anos. Precisamos de uma nova política para o povo e para Portugal. 

A luta continua, no trabalho e na rua.


3 de março de 2013

É tempo de luta. Quem não luta está já derrotado

A História da Humanidade é feita de lutas. Luta de classes. Dos oprimidos contra a opressão. 
Sem luta não há progresso social 

As grandes Manifestações que foram recentemente realizadas em todo o país, da CGTP-IN, sindicais e de organizações diversas de esquerda, partidos e outras como a de ontem "que se lixe(m) a(s) Troika(s)", mostraram a vontade do povo reagir contra esta política de direita que acentua as desigualdades, penaliza quem trabalha e leva o país para o desastre. 

Têm sido grandiosas manifestações, que mostram a imensa onda de combatividade e solidariedade e, a crescente consciência política dos trabalhadores e população em geral. Como diz a CGTP, é preciso defender o país do desastre e acabar com o terrorismo social.



A CGTP-IN exorta "todos os trabalhadores, todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais, a intensificar a acção sindical nos locais de trabalho...". (ver aqui).

31 de janeiro de 2013

Para que servem os deputados?

Os deputados são todos iguais?

Há muito que circulam na Internet e nos mails mensagens e petições que parecem ser muito justas. Penetram em quem não reflete e é conduzido, ou facilmente manipulado pela demagogia  populista. Estão na linha da estratégia de diversão, para desviar as atenções do que é fundamental e conduzir a indignação para casos sem grande significado. Ao contrário do que parecem não são mensagens inocentes. Vejamos porquê. 
Com base num texto de que desconheço o autor, fiz a seguinte análise:


1. Regalias dos deputados
 

Exige-se que acabem as regalias dos deputados em nome da "justiça social". Fala-se em regalias e vencimentos em geral para desviar as atenções das regalias realmente injustas e até escandalosas que poucos têm mas que valem mais do que as dos outros todas juntas.

De facto há regalias de deputados que deveriam pura e simplesmente acabar como as pensões vitalícias de Ângelo Correia, Dias Loureiro e outros, que acumulam com vencimentos milionários que ganham.
 

Há também muitos casos de pensões vitalícias escandalosas, como as dos administradores do Banco de Portugal, obtidas ao fim de pouco tempo de trabalho. Essas somadas ultrapassam em muito as regalias dos deputados. (para ver clique aqui).
 

2. Vencimentos dos deputados
 

Exige-se a redução dos deputados para poupar nos vencimentos. Diz-se que ganham demais, tendo em conta a média nacional (cerca de 3.000 euros líquidos na Assembleia da República e um pouco menos na Assembleia Legislativa da Regiao Autónoma dos Açores). Será a melhor forma de fazer justiça social a redução de deputados ou dos seus vencimentos?

Quem pensar um pouco verá que, estas mensagens, visam desviar o descontentamento que alastra, para reduzir a participação e a discussão dos problemas realmente importantes.
 

Não dizem essas mensagens e petições que só António Mexia (EDP), com os seus 260.000 euros/mês, fora os extras, ganha quase o dobro do que ganham, por mês, TODOS OS 57 DEPUTADOS da Assembleia Legislativa da RAA.
 

Se somarmos ao vencimento principal deste senhor, os vencimentos principais de Zeinel Bava, da PT (208.333 euros/Mês), de Paulo Azevedo, da SONAE (100.830 euros/mês), de Ricardo Salgado, do BES (100.000 euros/mês), de Alexandre Santos, do Pingo Doce (94.166,67 euros/mês) e de Eduardo Catroga, da EDP (45.000 euros/mês, mais os cerca de 9.000 que recebe de pensão vitalícia da A.R.), teremos que estas 6 PESSOAS ganham juntas um rendimento principal, fora os extras, de cerca de 790.000 euros/mês, ou seja, mais do que ganham juntos TODOS OS 230 DEPUTADOS da Assembleia da República!

A estes rendimentos juntar-se-ão aqueles que outra meia dúzia como estes, aufere por terem simplesmente o nome como membro do Conselho de Administração ou como gestor noutras empresas ou instituições públicas.


3. Atuação dos deputados
 

Mas, tal como os partidos, e ao contrário da ideia simplista veiculada nas mensagens referidas, os deputados não são todos iguais e resultam da reconversão representativa dos votos dos eleitores em diferentes forças políticas. 
Sem representantes/deputados (bons ou maus…) das diferentes opiniões e interesses do país e da região, não há regime democrático.
 

E se há uns que pouco mais fazem que votar, ou usam o parlamento para tratar de negócios particulares, de mãos dadas com a corrupção, outros há que, pela sua dedicação e seriedade, se esforçam permanentemente pelos interesses do povo, do país ou da região. Desses há os que prescindem de regalias e até votam contra elas, nomeadamente contra aquelas que os textos referem mas, isso não dizem. 

Há os deputados que, quando se candidatam, se comprometem, por escrito, a não serem beneficiados pelo exercício do cargo. Disso também não falam os textos que dão a ideia que os deputados são todos iguais.

Há os que se candidatam por forças políticas actualmente maioritárias, para terem oportunidade de negócio ou de uma carreira. Mas também há os que se candidatam para lutar contra esses interesses instalados fazendo da sua luta, muito mais difícil, uma honra e um compromisso político de serviço à comunidade.
 

4. Responsabilidade e poder dos eleitores

São os eleitores que elegem os deputados. 

São os eleitores que deveriam fiscalizar a sua actuação. 
Seria conveniente que dessem maior atenção à origem partidária dos deputados que não cumprem a sua missão. 

Seria importante que os eleitores exercessem essa fiscalização para que nas próximas eleições não repetir o erro de eleger deputados que não defendem os seus interesses.
 

Seria importante que os eleitores desiludidos com a actuação dos deputados que não servem, se não abstenham ou não votem. Os desiludidos que não votam estão a tirar a força aos deputados que trabalham e lutam pelos interesses dos eleitores e a deixar que a maioria permaneça a governar mal.

16 de dezembro de 2012

Grande Manifestação

A luta intensifica-se para defender a Constituição, para salvar a Democracia e o País.

Ontem, sábado 15, foi uma enorme manifestação com dois inícios, no Largo de Alcântara e no Largo do Calvário e terminou em Belém, bem longe da porta de entrada da residência oficial de Cavaco Silva. As ruas foram cortadas por muitas centenas de polícias e muitas dezenas de carros. Vedações de metal e grades impediram que as muitas dezenas de milhar de manifestantes se aproximassem do Palácio de Belém. 



Missão da Polícia: Não deixar acordar o Presidente.

Para proteger os ouvidos de Cavaco Silva dos fortes protestos e reivindicações, foi preciso guardar uma distancia de mais de um quilómetro. Eram já 16.00 horas. Havia quem dissesse que Cavaco estava a dormir a sesta e com tanta gente poderia acordar, coitado.
Um Presidente que trabalha tanto precisa de descansar. 

Aviso ao Presidente


Arménio Carlos deixou um conselho a Cavaco Silva: "Ouça o povo e exerça os poderes que a Constituição da República Portuguesa lhe confere." Os manifestantes aplaudiram e incentivaram o líder sindical a ir mais longe: "Não cometa o erro de promulgar um OE para depois solicitar a sua fiscalização sucessiva."


É preciso continuar a lutar, vamos ganhar!

Arménio Carlos realçou as "intensas lutas e acima de tudo de coragem e valentia que os trabalhadores e o povo têm demonstrado". Afirmou: "A luta não vai parar, vai prosseguir e intensificar-se". Lembrou ainda que  "hoje, mais do que nunca, é necessário engrossar este caudal de luta que é de todos e para todos" e acrescentou: "é para ganhar e vamos ganhar."

Travar o desastre

O Secretário Geral da CGTP criticou os que deixam andar à espera que o governo caia de podre e disse: "nós não defendemos a política do quanto pior melhor". O povo está a sofrer e cada dia que passa com este Governo no poder, é mais um dia de angústia e sofrimento para a esmagadora maioria dos que vivem e trabalham em Portugal"
Não podemos deixar que Portugal vá ao fundo para depois o recuperar com enormes sacrifícios. É preciso continuar a luta e para breve teremos novas e fortes lutas para travar o desastre que este Orçamento vai acentuar.

5 de novembro de 2012

Uma consciência que cresce (8)

Sim. Não basta mudar este ou aquele personagem. Não basta mudar o Governo inteiro, se não mudar a política.



É esta política de direita, a política da troika PS+PSD+CDS que está comprometida com os interesses da classe dos exploradores, dos banqueiros e grandes capitalistas, é esta política  que tem que mudar.

3 de novembro de 2012

24 de outubro de 2012

Luta de classes, política de classe

O "Pacto de Agressão" é a expressão mais evidente da luta de classes

Bem dizia Marx que só existem duas classes fundamentais: a classe exploradora e a classe explorada. A luta de classes é acentuada pelo capitalismo nesta sua política de permanente exploração dos trabalhadores, em todos os domínios da vida social.
O capitalismo criou a crise económica e quem a paga são os trabalhadores. 

A política das troikas, interna e externa

O governo, apesar de eleito pelo povo enganado, é o representante da classe exploradora e como tal executa a política de direita, a política do grande capital financeiro. A política do FMI, do Banco Central Europeu e da União Europeia. A troika que nos colonizou. No fundo a política dos Bancos e dos banqueiros cada vez mais ricos.

O dinheiro não se evapora. Sai de um lado e entra noutro

Porque é que com a crise do capitalismo os muito ricos aumentam as suas fortunas, enquanto há cada vez mais pobres?
Porque os governos de direita executam uma política de classe que promove a transferência do dinheiro dos bolsos de quem trabalha para o grande capital.

Os partidos de direita são a "bomba" que bombeia o dinheiro de uns para outros

Em Portugal, os impostos agora previstos no Orçamento de Estado para 2013 são o claro exemplo dessa política, como foram o roubo dos subsídios, a redução de ordenados da função pública, como são os aumentos de preços dos bens essenciais.
Isto parece ser claro para a grande maioria das pessoas. Contudo não se traduz nas escolhas eleitorais. Porquê?

O capitalismo luta e ataca com meios poderosos

Os eleitores continuam a ser manipulados pelas mentiras que permanentemente os jornais, a televisão, os comentadores (sempre os escolhidos pela direita), pela constante propaganda que nos atinge a toda a hora. É isto a luta de classes que eles não querem reconhecer.

O caminho é a elevação da consciência da classe explorada

Como sair deste ciclo de permanente alternância dos partidos que fazem a mesma política e que competem entre si para servir o capital e melhor enganar os eleitores?
Certamente um dos caminhos é o esclarecimento para que os "enganados" ganhem consciência da sua responsabilidade ao votar sempre nos mesmos.

22 de setembro de 2012

Atenção às manobras

A Troika de cá está a 
prepará-las

Tudo indica que o governo recua na taxa aplicada aos trabalhadores mas prepara-se para nos roubar de outra forma. Nos subsídios (férias e Natal), reformas, IRS e... vamos ver que mais.

O Partido Socialista parece estar a ir no "engodo". Finge que assim está bem. E desta forma manhosa, a troika de cá, PS+PSD+CDS ficará de novo unida para continuar a fazer a política de direita sacrificando sempre os mesmos.

A CGTP apresentou uma proposta alternativa que, tudo indica, têm melhores resultados e não afeta os trabalhadores. 
As troikas, de cá e estrangeira, o governo, os comentadores ao seu serviço nos jornais e na televisão, não podem dizer que não há alternativa.

Alternativas não faltam!


CGTP-IN APRESENTA PROPOSTAS PARA EVITAR SACRIFÍCIOS E A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA

1 - Criação de uma taxa sobre as transacções financeiras
A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de euros.

2 - Introdução de progressividade no IRC
A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de progressividade no imposto. A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros

3 - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos
A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos, incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51º do CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base tributável esses rendimentos desde que a entidade beneficiária tenha uma participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de euros.

4 – Combate à Fraude e à Evasão Fiscal
A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua concretização. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.




Dia 29 Sábado não abandonamos a luta! Não deixemos que nos enganem!


16 de setembro de 2012

A Alternativa a esta política


As grandes manifestações do dia 15 mostraram a crescente indignação contra a política de direita que agrava os problemas da economia, afundando o país numa gravíssima recessão que, se não for travada com urgência, levará Portugal ao desastre. 

Construir a Alternativa

Os cartazes, as entrevistas e as conversas com os manifestantes, mostram que é claro o repúdio por esta política de direita. Desemprego, os roubos de salários, o aumento dos horários de trabalho, os cortes nos dias de descanso, mas também a corrupção, a fuga aos impostos, a fraude fiscal, os crimes impunes dos que são cada vez mais ricos.

A comunicação social têm incidido as suas atenções no aumento da Taxa Social Única (TSU) de 11% para 18%, esquecendo que não é só esta medida que afecta a população e a economia do país. 

O aumento do IRS, por via da revisão dos respectivos escalões, têm como consequência uma violenta diminuição dos rendimentos do trabalho. 
O salário mínimo nacional, que abrange hoje cerca de meio milhão de trabalhadores, está muito abaixo do limiar de pobreza.  
O aumento do tempo de trabalho (gratuito), o eliminar dias de férias, feriados e dias de descanso, a redução de pagamento do trabalho extraordinário e redução do valor/hora de trabalho, a desregulamentação dos horários de trabalho e introdução dos bancos de horas, que para além de aumentar a exploração agravam o desemprego. 
O desemprego e a precariedade dos vínculos laborais, são também medidas da política de direita que é preciso impedir que prossigam. 

Perante a grande indignação dos trabalhadores o governo prepara-se para recuar em relação à TSU e agravar todas as outras medidas contra os trabalhadores. 

É preciso dizer BASTA!

Não basta “modelar” a TSU, de acordo com a teoria de que “é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

É preciso acabar com esta política e com este Governo, antes que este Governo e esta política acabem com o país. 

Esta manifestação foi muito importante! Mas, não podemos ficar por manifestações “espontâneas” convocadas pela Internet. Precisamos de ir mais longe. 

A Alternativa está nas nossas mãos

Pelo que vimos no dia 15 as pessoas reagiram mas, a grande maioria não sabe quais são as alternativas. A consciência política é ainda escassa, fruto de muitos anos de desmotivação, de alienação.

Precisamos de formas de luta organizada que se apoiem no aumento da consciência das pessoas, e sejam, elas mesmo, um factor para mobilizar para a participação e, assim, aumentar a consciência política e social coletiva. 

Façamos que, depois deste despertar, as pessoas, os trabalhadores saibam o que têm a fazer para construir a alternativa a esta política.

Como concluiu o Encontro Nacional da CGTP, “no actual contexto político e social é urgente desenvolver a iniciativa sindical e intensificar a acção reivindicativa nos locais de trabalho, condição necessária e decisiva para defender os direitos e melhorar as condições de trabalho, mas também para alargar o campo da luta mais geral para pôr termo a este Governo e a esta política”. 

Por isso não nos podemos limitar a convocar, seja pela Internet, seja por papeis ou notícias. É preciso organizar a luta, esclarecer, ajudar os camaradas de trabalho mais "recuados", aumentar a consciência através das mais variadas ações desde os locais de trabalho. 

É preciso lembrar que, as organizações são o que as são as pessoas que as formam. Os partidos, os sindicatos, as comissões de trabalhadores, somos todos nós que os fazemos. E, se os fazemos, é porque precisamos de estar organizados, de coordenar e conjugar forças para termos força.
Cada um isolado, pouco vale

É preciso que deixe de acontecer que muitos trabalhadores falem dos partidos, dos sindicatos e suas organizações como se eles não tivessem nada a ver com isso.

Cada um isolado pouco vale. É preciso que cada um assuma a sua responsabilidade na “construção” da organização e do caminho alternativo para defender os seus interesses e direitos.

Vamos pois “construir”  A Grande Jornada de Luta Nacional – Todos a Lisboa, Todos ao Terreiro do Paço, no dia 29 de Setembro, às 15:00 horas.
Não esperemos que sejam os outros a fazer o trabalho que é de cada um e, é de todos.  




15 de setembro de 2012

Manifestações e a força dos trabalhadores organizados


Desconfiemos, não sejamos ingénuos

Sub-repticiamente os meios de comunicação estimulam as manifestações sem organização sindical. Porquê? 

"Eles" têm medo das manifestações organizadas pelos trabalhadores, com as suas estruturas de defesa da classe!

Como disse Arménio Carlos, "vou estar presente na manifestação de hoje porque,  neste momento, a prioridade é a unidade de acção com todos aqueles que se insurgem, manifestam o seu descontentamento e indignação e que exigem a ruptura com estas políticas”. No entanto  acentuou que "a CGTP, sindicatos, dirigentes e delegados sindicais estão a organizar a luta em todos os locais de trabalho, para que no dia 29 a manifestação convocada para o Terreiro do Paço seja uma poderosa acção contra a política deste governo". 

Todos à Manifestação de hoje dia 15 e, todos e mais outros tantos, à Manifestação de 29 de Setembro.

Cresce a indignação

"que se lixe a troika"

Hoje, sábado 15, muita gente virá para a rua numa manifestação que, apesar de convocada pela Internet - o que logo a distingue das que têm a sua raiz e força nas organizações dos trabalhadores - deve merecer a nossa solidariedade. 

Muitos milhares de pessoas, das mais variadas camadas sociais e em muitos pontos do país se juntarão para manifestar a sua indignação com a política de direita que há 36 anos, e em especial na última década, vem afundando Portugal.

Uma manifestação cuja adesão cresceu, como cresceu a indignação de muitas camadas da população, com o seu despertar para a compreensão da natureza de classe das medidas que as troikas, interna e externa, nos vão impondo.

Uma manifestação que será também o acordar de camadas da sociedade que se têm julgado imunes à luta de classes e, por isso, se têm alheado das lutas dos trabalhadores e das suas organizações.

Uma prova de que, à medida que o capitalismo financeiro toma formas cada vez mais monopolistas, mais alarga a exploração de camadas até agora desatentas da sua natureza de classe e, por isso, negligentes em relação às lutas dos trabalhadores. 

Esperemos que, essas camadas da população, adquiram e reforcem a consciência de que a sua luta é a mesma que a luta de todos os explorados. 

Esperemos que, depois desta atitude mais ou menos emotiva, passemos a formas de luta mais preparadas, mais consequentes, em torno das organizações dos trabalhadores, que garantam a unidade e força capaz de, mais dia menos dia, derrotar o inimigo comum, o grande capital monopolista. 

Será certamente um passo para outras manifestações mais avançadas, como a que foi convocada pela CGTP para dia 29, ou, eventualmente, uma Greve Geral. Essas, então, serão mais contundentes, mais ameaçadoras para o poder que comanda esta política de direita e, por isso, contemos que sejam menos divulgadas pela comunicação social dominada pelos grandes grupos económicos. 

Dia 29 contamos apenas com as nossas forças e organização. Mas contaremos certamente com uma crescente consciência e capacidade de luta.




5 de setembro de 2012

O que o capitalismo nos ensina


Os homens de sucesso

O capitalismo não vive sem o desemprego. Para chantagear os trabalhadores, para poder explorar precisa de um exército de desempregados, de famintos que aceitem todas as condições se quiserem sobreviver. As regras do liberalismo são simples: Tu és livre de escolher. Ou aceitas ou… desenrasca-te. Quem não aceitar que procure outras. Mas… neste sistema, há alternativas?
Aos trabalhadores desta sociedade, não se oferecem possibilidades para estudar, para serem eles a criar os seus próprios empregos, a criar empresas. Não têm capital para investir e muito menos para concorrer com as empresas capitalistas, porque nunca ganharam o suficiente só possível a explorar outros trabalhadores.

Trabalhador é mercadoria que...

No esclavagismo a exploração era mais simples. O dono do escravo, alimentava-o e quando este não rendia, não o despedia. Matava-o.

No feudalismo, o senhor obrigava o servo a trabalhar nas suas terras para poder comer. Como todas as terras eram dos senhores…

Nesta sociedade, capitalista a exploração é mais elaborada. Os senhores feudais passaram a proprietários de fábricas e empresas. O trabalhador é mercadoria que se compra e se vende. O seu preço está sujeito às leis do mercado.

Para o capitalista, bons trabalhadores, que valem mais, são os que mais fazem produzir os outros. Dão mais lucro e aceitam as condições e regras da exploração. São os que têm regalias sem impor condições e impedem os outros trabalhadores de exigir direitos. São os que se submetem.

Tudo se compra ou vende. Assim haja mercado

O capitalismo ensina a trocar favores em vez de conquistar direitos. Ensina a corromper e ser corrompido. O capitalismo ensina que o mundo é dos “espertos” é dos que se sabem safar, dos que para subir na vida precisam de tombar os “competidores”. O capitalismo ensina que a solidariedade é uma treta e que o que conta é a competitividade. O mundo é dos mais fortes (com mais dinheiro) ou dos mais espertos para lixar o parceiro. 

O capitalismo ensina que tudo se compra e tudo se vende. O pai e a mãe incluídos. Assim haja mercado. 
No capitalismo os “homens de sucesso” são os não olham a meios para atingir os fins. No capitalismo o que conta são os resultados traduzidos em capital, em dinheiro.

Capitalistas de sucesso

Homens de sucesso são Valentins ou Dias Loureiros, Jorges Coelhos, Oliveiras e Costas, Ruis Machetes, Duartes Limas, Miras Amarais, Cavacos, Raposos, Isaltinos, Durões e outros que tais, mais ou menos graúdos.

O capitalismo ensina que, de acordo com as leis que faz, o que é preciso é ter bons advogados para que não seja qualquer “borra botas”, sem dinheiro, a competir com os homens de sucesso. Ladrão é o que rouba um pão! Não é o que rouba um milhão! E como o capitalismo ensina isso através de todos os meios que dispõe, comunicação social em primeiro lugar, os portugueses aprendem as lições e transformam-nas em cultura, em cultura de massas. 

Programas e concursos de televisão, cuja "cultura" é o ser esperto, dizer baboseiras e parvoíces para assim falar a linguagem que os telespectadores gostam, valorizam a competitividade, a violência, os baixos valores morais e aumentam as audiências.

...se eu pudesse fazia o mesmo

As frases batidas de “o mundo é dos espertos”, “bem fazem eles, se eu pudesse fazia o mesmo”, “eles é que as sabem fazer”, “parvo era ele se não roubasse”, e muitas outras que todos os dias se ouvem nas entrevistas de rua, mostram que séculos de confronto entre classes, ensinaram bem o povo. É por isso que o capitalismo tem tido o enorme sucesso de implantar uma “democracia” em que os explorados votam nos exploradores, reconhecendo neles a “esperteza” garantida para melhor (se) governarem. 

Por isso é natural que um Cavaco continue a ganhar eleições apesar de ter arruinado o país. Percebe-se porque Sócrates, Passos Coelhos, Relvas, Portas que sucederam a Soares, Melancias, Linos, Coelhones(1) e outros doutorados em mentiras, mais ou menos submarinas, trafulhices, espertezas, e outras especialidades em que foram diplomados, todos os dias inclusive aos fins de semana, continuem (eles e a sua política) a ser os escolhidos para bem governar este povo.

Mas existem outras sabedorias que dizem:
"Cada um colhe o que semeia"
(1) Outros "homens de sucesso" aqui não referidos por falta de espaço, são tantos, que me desculpem a omissão.


23 de maio de 2012

Flexibilização do Trabalho

Manual do trabalhador flexível


A Flexibilidade é como uma Deusa ao serviço do Deus Lucro.
  
A flexibilidade é o "objectivo" do trabalhador para servir o lucro objectivo do capitalista. 
É desta complementaridade de objetivos que nasce a paz social.
Desde a antiguidade que se reconhece a Deusa "flexibilidade do trabalhador" e se enaltece a rigidez do Deus austeridade cujo fruto é o Lucro. 

A explicação vem da Grécia.
Da flexibilidade de Hera e austeridade de Zeus nasceu o lucro Dionísio gasto em grandes farras.
Também em Portugal, brandos costumes, sempre se abrigaram em mentes e corpos brandos, flexíveis, que se deixam vergar bem, que se ajustam às cargas, ao peso de qualquer afronta.
A flexibilidade treina-se. Exercita-se.
Aos poucos, o corpo e a mente nem dão por isso
Todos os dias se carrega um pouco mais no trabalhador.
Primeiro 200 quilos de vexames.
Ao fim de alguns dias já o trabalhador aguenta os 500 quilos de injustiças.
Uns meses depois já não repara quando a carga aumenta para os 800 quilos mais algumas percas de ordenado.

Alguns dias antes do termo do contrato o trabalhador, que o quer ver renovado, para alcançar os objectivos da flexibilidade total, está apto para carregar uma tonelada de injustiças, de humilhações e trabalho não pago.
Contudo há que prevenir efeitos perversos que poderão provocar danos colaterais. O fortalecimento dos músculos e do cérebro podem provocar uma consciência que induza a rebeldia e o regresso à posição rígida e vertical do trabalhador. 
Salvo essas situações, que exigem a interrupção dos exercícios de flexibilização, a crescente carga física e psicológica é benéfica para a conservação e habituação a esta sociedade de paz e de brandos costumes.
Também os trabalhadores beneficiam de uma vida mais pacata e sem chatices, próprias de quem não se submete a estes tratamentos e anda sempre revoltado. Com a flexibilização, os trabalhadores ficam mais calmos, mais brandos, mais maleáveis e os seus costumes também.
A posição de curvatura dorsal, facilita a vénia aos superiores uma vez que passa a ser a posição natural adquirida. O respeito aos superiores é permanente pela habituação da cabeça baixa.
Como complemento destes exercícios recomenda-se que as deslocações de casa para o trabalho e vice versa sejam feitas numa marcha agachada com a cintura tão baixa quanto possível e as pernas fletidas. O olhar para o chão evita tropeções e tentações de ver coisas que não convêm. Em casa o descanso faz-se a ver televisão. 
Boa flexibilidade!





20 de maio de 2012

Mundo velho e novo mundo

O que julgamos ser verdade e as ideias erradas.

A sociedade, ao longo de muitas gerações, foi "formatada" pelas classes no poder. 
Os conceitos, preconceitos, leis, regras, e cultura têm vindo a ser ajustados no interesse de quem domina. 
O capitalismo, herdeiro da última das transformações sociais, a revolução burguesa, ajustou, em seu proveito, a cultura e a religião imposta pelas classes anteriormente dominantes. 

Marxismo. Uma ciência para a transformação desta sociedade

Os (verdadeiros) socialistas, apoiam-se nos ramos da ciência, em especial, na filosofia, sociologia e economia, que Marx teve o grande mérito de fundir, para lhes dar uma coerência e estrutura, científicas. Por isso, têm o gigantesco trabalho de, neste novo ciclo da História, reformular os conceitos injustos e caducos que ainda perduram e mostrarem a viabilidade de novas ideias que sirvam à grande maioria, a classe trabalhadora.

É a classe trabalhadora, que terá que mostrar que o capitalismo não serve quem trabalha e, por isso, será substituído por um outro sistema, o socialismo, onde as regras, os conceitos e as leis, se ajustem aos interesses e necessidades da grande maioria da sociedade, os trabalhadores que tudo produzem.

O mundo é composto de mudança...

É uma tarefa difícil. Trata-se de fazer entender novos conceitos a quem sempre viveu raciocinando da forma como aprendeu, com conceitos e preconceitos das classes dominantes. Essas ideias erradas e que têm que ser substituidas: A política é para os políticos. Eles é que sabem. Se o senhor Doutor (ou o senhor Prior) diz é porque é verdade. Foi sempre assim e assim sempre será. Etc., etc.
Tribunal da Santa Inquisição Julga Galileu
As referências da grande maioria das pessoas são as incutidas pela família, pelos mais velhos, pelos padres, pelos professores e que por sua vez já provinham das ideias antigas da religião, impostas pela inquisição, pela aristocracia. 
Recordemos que todos os cientistas, intelectuais e homens com pensamento de vanguarda, foram incompreendidos nos seus tempos. Galileu, por um triz, escapou à fogueira da Inquisição, por dizer que a Terra se movia em torno do Sol.

A exploração: menos trabalhadores a trabalhar mais e desemprego a aumentar.

Compreendem-se as desconfianças e as inimizades que Marx provoca ao introduzir conceitos que, para além de serem novos, abalam as convicções instaladas. 
Quando Marx prova que o capitalista se apropria da Mais Valia produzida pelo trabalhador, quando mostra que o trabalhador trabalha mais horas que o socialmente necessário, a ideologia capitalista tudo faz para combater essas verdades. 

Neste blogue foram diversas vezes mostrados os conceitos “errados” que por vezes temos na cabeça. São por exemplo os conceitos de “Democracia”, de “Ditadura” ou de “Liberdade”.  A sociedade burguesa e capitalista conseguiu “convencer-nos” que  estamos numa democracia por haver eleições e podermos falar sem irmos presos. Sabemos bem, como é falsa esta noção de democracia quando as pessoas votam condicionadas por tantos factores, como as mentiras dos candidatos, a propaganda dos jornais e televisão, medos e ideias criadas pelos padres, pelos caciques locais, ameaças dos patrões, etc. etc. Nesta "democracia" nem todos têm o mesmo “tempo de antena” ou acesso à televisão para as desmentir.

Sempre que há classes antagónicas há ditadura

Marx concluiu, que numa sociedade de classes, exploradores e explorados, nunca pode haver democracia. Existe sempre uma ditadura de classe. Neste momento a ditadura da classe que explora a classe explorada. 

A generalidade das pessoas, sem pensar a quem serve a Ditadura ou a Democracia, apenas aprendeu: “Ditadura é mau”, “Democracia é bom”. 
E se houvesse (e há) uma “ditadura de uma grande maioria” que não deixasse alguns capitalistas explorar os trabalhadores? 
E se houvesse (e há) democracias em que os candidatos prometem e mentem e, depois de eleitos, exploram, roubam, matam, prendem e torturam? 
Clique aqui para