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20 de maio de 2017

Para que fique registado III

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump" disse Maduro, presidente da Venezuela

Em geral os órgãos de comunicação, pertencentes às grandes cadeias controlados pelos interesses do grande capital, não referem as grandes manifestações de apoio a Nicolás Maduro e à sua política popular. Procuram pela especulação ridicularizar Maduro. Contudo, perante a grande contestação a Trump surgem oportunidades para trazer à superfície as políticas em confronto. De um lado os que estão com o povo, de outro as classes mais abastadas sempre à espera das migalhas dos multimilionários.
A Venezuela é um exemplo actual.
Da nossa comunicação social retirei algumas notas para registo:

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump. Go home Donald Trump, fora da Venezuela", disse o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no palácio de Miraflores, sede do Governo.
Pouco antes o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela já tinha qualificado como um "absurdo de antologia" as declarações de quinta-feira de Donald Trump após um encontro em Washington com o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Donald Trump disse na quinta-feira que fará "o que for necessário" em cooperação com outros países do continente para resolver a situação humanitária na Venezuela, que considerou uma "desgraça para a humanidade" e o Departamento de Estado norte-americano impôs, sanções a oito magistrados do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela, o que Caracas condenou "inaudito e inadmissível".

Se pesquisarmos a imprensa alternativa, não controlada pelas multinacionais da comunicação, ficamos a saber muita coisa que os jornais e a Televisão escondem. Leia-se por exemplo o recente texto do Avante.
«As iniciativas em defesa da paz e de rejeição da violência têm registado ampla adesão popular na Venezuela, com concentrações, marchas e manifestações a ocorrerem com esse propósito. É o caso da levada a cabo pelas mulheres no sábado, 6, cuja terminou com a entrega de um documento na Defensoría del Pueblo, órgão constitucional de defesa e promoção dos direitos humanos no país.

A recusa da ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela, e designadamente da Organização de Estados Americanos – estrutura da qual a Venezuela se está aliás a desvincular, acusando-a de desrespeito pela sua soberania e de responder às directrizes do imperialismo norte-americano com métodos e orientações de recorte colonial –, e bem assim a condenação do suporte dado pelos EUA e por governos seu vassalos na América Latina a grupos violentos e à oposição mais irascível, têm sido igualmente centrais nas iniciativas promovidas pelos bolivarianos.
 


Para que fique registado II

Temer acusado de corrupção e organização criminosa

Do DN extraí estas notas bem significativas

O presidente do Brasil, Michel Temer (PMDB), foi ontem formalmente acusado de corrupção, organização criminosa e obstrução à justiça pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por provas entretanto consideradas "consistentes" por Edson Fachin, o juiz relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. Janot classificou as conversas de Temer com o delator Joesley Batista, dono do gigante da área alimentar JBS, de "estarrecedoras". Até ao meio da tarde de ontem já tinham avançado 12 pedidos de impeachment do presidente e três partidos abandonado a base aliada do governo.

"Os elementos de prova revelam que alguns políticos continuam a utilizar a estrutura partidária e o cargo para cometerem crimes em prejuízo do Estado e da sociedade", escreve o procurador-geral no pedido de abertura de inquérito, em que diz que Temer e o ex-senador do PSDB Aécio Neves tentam travar o avanço da Lava-Jato. Defende Janot que nas gravações efetuadas por Batista, em março, num encontro com Temer no porão do Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente, é claro que o chefe do Estado avaliza o pagamento de subornos a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados pelo PMDB e hoje detido na Lava-Jato, em troca do seu silêncio. "Tem de manter isso, viu?", afirma Temer na conversa.

Na reunião, Temer indica o nome do seu amigo e colega de partido Rodrigo Rocha Loures para resolver na esfera pública um problema da JBS. A polícia tem imagens de um encontro entre Loures e um subordinado de Batista num restaurante onde o primeiro recebe uma mala com 500 mil reais do segundo. Loures, que estava em Nova Iorque até ontem, à chegada ao aeroporto de São Paulo ouviu um coro de "ladrão" na área de desembarque.

Em depoimentos prestados aos investigadores da Lava-Jato e ontem revelados em vídeo, o delator disse que pagou 4,7 milhões de reais (cerca de 1,5 milhões de euros) a Temer entre 2010 e 2017 e que ao longo dos anos, no total, terá transferido cerca de 400 mil milhões de reais (à volta de 120 mil milhões de euros) em subornos a políticos de diversas correntes.

À margem do Congresso Nacional, o juiz do mensalão, Joaquim Barbosa, considerado um ícone da luta contra a corrupção, defendeu que os brasileiros peçam a renúncia imediata de Michel Temer. E a advogada Janaína Paschoal, uma das subscritoras do pedido de impeachment de Dilma, há um ano, também se declarou a favor da queda do atual presidente da República.

Recordo entre muitas outras as notícias de AbrilAbril 

30 de outubro de 2015

Mais muros

Erguem-se muros em volta...

Constroem-se mais muros. Agora é a Áustria, depois da Hungria, que construiu já duas cercas na fronteira com a Sérvia e Croácia.  Também a Eslovénia não exclui a possibilidade de construir uma vedação para impedir a entrada de imigrantes se a União Europeia não lhe prestar o apoio suficiente.
Não esqueçamos que os emigrantes são provenientes de países que foram destruídos pelos bombardeamentos dos Estados Unidos e Nato com o apoio da União Europeia e contra as leis internacionais. Foi o imperialismo internacional que criou este drama a milhões de pessoas depois de ter assassinado muitos milhares incluindo crianças, mulheres e velhos.

Recordemos que ainda não faz um ano que foi festejado com pompa e circunstância a queda do Muro de Berlim. Entretanto os que festejaram permitem e apoiam a construção de 18 mil quilómetros de muros que separam países e pessoas vítimas do capitalismo.

Em 19 de novembro de 2014, foi aqui denunciada a situação em termos que são hoje ainda mais graves.
Foi então escrito:

«Hoje existem mais de 7,5 mil quilómetros de muros construídos pelo capitalismo para isolar países e povos. Muros físicos, bem sólidos, que fazem parte da política de exploração e subjugação de países e populações... Estão projetados e em construção mais de 10 mil quilómetros de outros muros».

Os muros tristemente famosos

«Os muros mais conhecidos são o que separam os EUA do México, o muro de Ceuta e Melilla, o muro da Cisjordânia e faixa de Gaza (construído pelo Governo de Israel que vai roubar mais 10% do território da Cisjordânia, que ficará dividida e isolada do resto do país), o muro da Irlanda do Norte (eufemisticamente "Linha de Paz"), o muro que divide as Coreias, O Muro da Arábia Saudita que atingirá 9.000 km e será o mais longa do mundo, altamente sofisticado com tecnologias de segurança, o muro de Chipre (Nicósia que divide a capital em duas partes, e tem 180 km.), o Wall Bagdad, construído pelo exército americano (iniciado em 2007) e tem 5 km., O Muro da Índia e do Paquistão com 2,9 mil quilómetros de arame farpado, o Muro Caxemira, o Wall Botswana e Zimbabwe com 500 km. de comprimento, o Muro Irão e Paquistão, o Muro da Tailândia e da Malásia, o Muro do Iraque e Kuwait, o Muro da Índia e Bangladesh com 4.000 km., o Muro Uzbequistão, eletrificado e minado que isola em parte o Afeganistão, o Muro Egito-Gaza e ainda outros como o do Rio de Janeiro para separar a cidade Olímpica das favelas».

Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Cruzes assinalando os mortos que tentaram passar

A derrota dos países socialistas

«O imperialismo venceu e acabou por derrotar os países socialistas. Mas que aconteceu depois disso?
O Pacto de Varsóvia foi extinto. Mas a NATO logo estendeu os seus domínios e guerras a quase todo o mundo. O tratado de Lisboa consolidou esse expansionismo.
Os EUA e a Europa trataram de lançar as suas multinacionais aos novos mercados. Meia dúzia de grandes multimilionários dominaram o poder económico e o poder político.
Lançaram o desemprego, a fome, a miséria com o nome de liberdade».

EUA, livres da União Soviética, apoiaram o terrorismo para criar a instabilidade e derrubar governos. Assim, lançaram-se em novas guerras, destruíram países e mataram milhares de pessoas, para roubar riquezas como o petróleo.

O mundo está muito pior

«O mundo passou da guerra fria para a guerra quente, violenta e assassina, sem controlo, à revelia da ONU e das leis internacionais.
Os EUA nunca respeitaram os direitos humanos, mas agora, de mãos livres a CIA (Agência Nacional de Inteligência) pratica os mais hediondos crimes e torturas, discricionariamente, em qualquer lugar do mundo capitalista. O orçamento da CIA, e militar, atinge verbas incalculáveis enquanto grande parte do povo americano vive com fome e na miséria (46,2 milhões).
Em 2013, o orçamento da CIA equivalia a mais de 52,6 mil milhões de dólares.
A NSA (Agência Nacional de Segurança), cuja missão é interceptar todas as conversas telefónicas, e-mails e mensagens de rádio no planeta. gasta muito mais.
Por sua vez a NRO (Serviço Nacional de Reconhecimento), gasta ainda mais do dobro destes valores.
Os serviços secretos do exército que tem também orçamentos equivalentes. Existem mais de 15 agências de inteligência dedicadas a áreas específicas, com mais de 107.000 funcionários que desestabilizam governos ou oposições, formam terroristas, para em seguida intervirem de acordo, exclusivamente, com os interesses dos EUA e do imperialismo».

Os EUA e os terroristas na Síria

O jogo sujo de quem financia o terrorismo

A milícia iraquiana Hashd e o exército do Iraque derrotaram combatentes do Estado Islâmico na refinaria de Baiji.

Baiji é a segunda mais importante área recapturada em Salahuddin nos últimos meses, com as forças pró-governo retomando a capital da província, Tikrit, em março passado.

O sucesso pode ser atribuído principalmente à milícia iraquiana apoiada pelo Irã. Iraque, Irão, Rússia, Síria e Hizbullah e a milícia Hashd, que dirigiu toda a operação. Os EUA não quiseram participar.

A milícia iraquiana fez o serviço no solo e a força aérea deu cobertura. A operação contou com informações e orientação da Rússia e do Irão.

A imprensa "ocidental" silenciou tudo isto. Nem jornais nem Televisões disseram uma palavra sobre a vitória dos soldados iraquianos. Recordemos que, ao inverso, deram enorme cobertura quando o Estado Islâmico pela primeira vez ocupou a refinaria e a cidade.

É cada vez mais evidente a cumplicidade dos EUA com o Estado Islâmico e outros grupos terroristas para combaterem o governo da Síria. Esse mesmo jogo é feito pela Turquia, Catar e Arábia Saudita.

28 de setembro de 2015

Para refletirmos V

Lágrimas e dentes de crocodilo

A propósito de um "lamento" da Internacional Socialista (IS) «...A deslocação global de dezenas de milhares de seres humanos actualmente em curso, em resultado de conflitos, da repressão ou da fome...» e que "esquece" as causas desses mesmos conflitos, repressão e fome, Filipe Diniz no Avante, entre outras coisas, pergunta:

«... Tudo isto cai do céu? Governos com partidos que integram a IS – como o francês – não têm nada a ver com o assunto? Não participaram na destruição do Iraque e da Líbia, no ataque contra a Síria (no Líbano, o partido filiado na IS passou-se para o campo «anti-Assad»). A França de Hollande não empreende uma vasta acção neocolonial na região subsaariana?...»

e finaliza com as seguintes conclusões:

«A IS não deu por nada.

O PS português faz parte desta hipócrita engrenagem. Mobilizou-a e apoiou-se nela contra a revolução portuguesa, adquiriu nela todos os tiques do dizer uma coisa e fazer o contrário. Com o detalhe que estes documentos da IS ilustram: invocar os problemas mas ocultar as causas é utilizar os problemas para garantir a continuidade das causas.

As lágrimas de crocodilo podem ser comoventes. Mas os dentes do crocodilo são o problema a resolver.»

3 de setembro de 2015

Crimes contra a Humanidade

Os que rotulam os revolucionários de terroristas, são os maiores terroristas do planeta

Este texto vem a propósito da acusação das FARC como organização terrorista. (Ver publicação de 31 de agosto).
Por diversas vezes foram aqui indicados relatórios que mostram os crimes contra a humanidade dos norte americanos e ainda o desrespeito pelos Direitos Humanos.
O Senado norte-americano discutiu um relatório de 6000 páginas, sobre a actividade da CIA no cumprimento da sua política de terrorismo internacional.
No entanto "o país das Liberdades da Democracia" e da transparência, só permitiu que se divulgassem 524 páginas. As restantes 5.476 não foram divulgadas.
Mesmo as 524 páginas divulgadas foram escondidas pela maioria da comunicação social, controlada pelas grandes cadeias americanas.
Os Estados Unidos intervêm em todo o mundo. Aberta ou secretamente. Não dão a conhecer o que fazem e muito menos como o fazem.
Todo o mundo está a ser espiado, secretamente manipulado e, sujeito às mais abomináveis intervenções directas ou indirectas.
Os que denunciam essas atrocidades são presos sem culpa formada e mantidos na prisão sem julgamento.
Do pouco que se conhece do relatório confirma aquilo que já se sabia: a CIA, desenvolveu um chamado «programa de detenção e interrogatório» que incluía «técnicas reforçadas de interrogatório», ou seja as mais abjectas torturas praticadas em Guantanamo e em vários outros campos de detenção espalhados pelo mundo. No sumário do relatório é possível identificar práticas como tortura do sono durante semanas a fio, alimentação e hidratação forçada por via rectal, simulação de afogamento, isolamento, iminência de assassinato, humilhações de variada espécie, estátua, entre outras. Técnicas de tortura, algumas das quais muitos comunistas e outros democratas portugueses conhecem bem praticadas pela PIDE.
Os EUA, potência imperialista que quer controlar o mundo, tem uma política criminosa e coloca-se acima da lei e de quaisquer obrigações do direito internacional.

A História dos EUA está feita de crimes, brutais crimes, de terrorismo de Estado, de crimes contra a Humanidade que numa outra qualquer situação já teriam sido motivo de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e muito possivelmente de uma agressão militar em nome da «liberdade» mas sem apoio internacional. O maior factor de instabilidade, de ameaça à Paz, de perigo  para os povos, são os EUA, o seu governo, as suas forças armadas, as bases militares e as suas agências de terrorismo organizado, espalhadas por todo o mundo.

1 de setembro de 2015

O negócio das "ajudas"

Os cérebros do capitalismo, engendraram um lucrativo negócio:
Vamos ver como, nesta conversa

- Como sabemos a melhor forma de obter dinheiro é montar um Banco.
Com o dinheiro dos outros, e são muitos, fazem-se os melhores negócios.
Se o Banco a fundar tiver bons propagandistas, está garantida a entrada de dinheiro. Muitos poucos fazem muito.
Vou-vos explicar o esquema:
Nome do Banco: Banco Central Europeu.
A quem pertence o Banco: A uma Holding chamada União Europeia.
Accionistas: Os do costume. Os grandes capitalistas, aqueles que já acumularam muito dinheiro.
Marketing: O plano está a ser organizado.
Tema base da propaganda: A Europa connosco, a Europa solidária que "ajuda" os mais fracos.
Argumento principal: Portugal vai passar para o pelotão da frente e juntar-se aos mais ricos.
Propagandistas: Os partidos da Social Democracia. Vocês e o PSD com quem também já falámos.
Condições a criar: Uma moeda única para que ninguém possa fugir, nem alterar as condições cambiais. (chamemos-lhe Euro).
Esquema do negócio: Idêntico ao de todos os bancos. Se tem dado certo, noutros sítios com o FMI é melhor não inovar. O Banco recebe uma renda fixa para as despesas e dinheiro de outros para o guardar, Entretanto empresta a quem precisa, com juros, claro.
A grande novidade está na forma de fazer com que precisem de ajuda. Sim porque se um Banco não tiver a quem emprestar dinheiro, não faz negócio.
Então que pensaram os nossos cérebros?
Fazer acordos e regulamentos na seguinte base:
O Banco está aqui para ajudar e pôr os mais fracos no pelotão da frente (lembram-se?), mas para isso é preciso que obedeçam às nossas regras.
- Nossas de quem?
- Nossas de todos nós. Isto é democracia. Os nossos amigos sociais democratas, garantem-nos que as regras de todos são as que nós precisamos que sejam.
- Nós quem?
- Nós, os que temos o vosso dinheiro bem guardado.
- E quais são essas regras?
- Primeiro, vamos atribuir subsídios aos mais fracos.
- Isso é bom com os subsídios os mais fracos investem na produção para ficar mais fortes.
- Não, não e não! Aqui é que está uma das grandes descobertas. Nós damos subsídios para destruírem os vossos meios de produção. Para afundar barcos de pesca, para destruir culturas, para não produzirem mais leite, nem vinho, para acabar com estaleiros navais para não fazerem mais barcos, não vão vocês querer substituir os que foram afundados, acabar com indústrias, com as fábricas que já existam nos países mais ricos da União, para não terem que trabalhar. Não precisamos de concorrência. Nós, os mais ricos trabalhamos para vocês que em contrapartida recebem subsídios.
- Sempre?
- Não, isso é só para ganhar clientes, depois acaba.
- Então e depois.
- Depois vocês vendem os bens do Estado, porque o Estado precisa de emagrecer, para nós engordarmos. Vendem os bancos para os nossos accionistas, vendem os Hospitais, vendem as grandes empresas estratégicas, os transportes a energia e a água e tudo o resto que tiverem. Assim vocês não precisam de se preocupar a gerir isso tudo. E como o Estado fica sem nada, as reclamações dos utentes passam para os privados. É ou não uma boa ideia? Vocês ganham o dinheiro dos ordenados de Ministros e quase que não precisam de fazer nada pois o estado fica apenas com o que não pode dar lucro.
- Isso parece boa ideia mas não sei se o povo vai aceitar.
- Aceita, aceita. Esse é o vosso trabalho. Fazer com que o povo aceite.
- Os nossos amigos do PSD e do CDS não devem ter problemas. Mas nós somos socialistas e não sei se os nossos sócios aceitam.
- A primeira coisa que têm a fazer, e já, é pôr o Socialismo na gaveta e bem escondido. Isso do socialismo poderia ser perigoso e estraga-nos o negócio.
- Mas se não temos actividade produtiva o desemprego aumenta muitíssimo.
- Isso faz parte do Plano. Como o desemprego aumenta podem baixar os ordenados e aumentar as horas de trabalho. O aumentar os horários de trabalho vai fazer com que os trabalhadores não tenham tempo para nada nem para se organizar. E quando os ordenados estiverem bastante baixos e haja muita gente a viver do subsídio de desemprego, que é pago pelos que trabalham, nós aceitamos imigrantes. Vêm trabalhar para nós com salários baixos mas ainda assim superiores aos que têm no vosso país. Assim conseguimos também reduzir os sindicalizados e dar cabo dos sindicatos.
- Então o país vai ficar despovoado.
- Não. Como o vosso país têm um bom clima vamos nós viver para lá. Compramos as vossas casas, que devem estar ao desbarato porque vazias, e os terrenos para belas quintas devem estar também a bom preço.
- Vocês têm tudo pensado.
- Nós não brincamos em serviço!
- Mas depois de acabarem os subsídios vamos ficar aflitos.
- Aí está a função central do Banco Central Europeu que vamos criar. O Banco empresta dinheiro a juros razoáveis.
- Mas como vamos pagar os juros?
- Com novos empréstimos.
- Assim aumentamos a dívida.
- Nessa altura, vocês aumentam os impostos para pagar os juros. Calculamos que podemos captar dos trabalhadores cerca de 800 milhões de euros mensais o que pode dar 10.000 milhões anuais. Depois ainda há o que pagam indirectamente nos impostos sobre o que compram, incluindo a electricidade, a água, o gás e a gasolina e muitas outras coisas. Não se importem com a dívida. O que é preciso é pagarem os juros para que as nossas receitas sejam certas e regulares de cerca de 10 a 15 mil milhões de euros anuais. Temos ainda as receitas das empresas que foram privatizadas o que, depois da distribuição aos respectivos accionistas, nos permitirá arrecadar mais 10 mil milhões de euros anuais.
- Mas se os trabalhadores ganham menos e a maioria está desempregada, o povo não aguenta.
- Ai aguenta, aguenta.
- Mas o descontentamento aumenta muito e o negócio acaba por dar para o torto. Lembrem-se que o Partido Comunista tem muita força e não nos deixa fazer tudo o que queremos.
- Esse é o único problema que nós não temos solucionado. Não podemos controlar os comunistas. Por isso estamos a tomar medidas para comprar toda a comunicação social para vos ajudar na propaganda e a esquecer os comunistas. Depois sabem bem que Salazar fez um bom trabalho durante 50 anos, com a campanha anti-comunista que ficou na cabeça das pessoas. A Igreja faz essa campanha há muitos mais anos e pode aí dar também uma ajuda importante pois o povo mais ignorante, principalmente, é muito religioso. O que é necessário é que nas eleições vocês sejam imaginativos. Não se importem de mentir pois isso dá sempre resultado. É preciso que vão mudando as pessoas. Uma vez governam vocês outras vezes governa o PSD e depois cada um atira as culpas para o anterior. Isso pega sempre. O povo é de memória curta e a comunicação social vai entretendo as pessoas com as discussões entre vocês. Bem sabem que estamos aqui para vos ajudar, tal como ajudamos no 25 de Novembro.
- Mesmo assim a revolta será cada vez maior.
- Não se preocupem. Temos um plano B que é inventar uma crise para que sirva de desculpa para tudo. Mas, simultâneamente, nós vamos tomando medidas legais e repressivas para impedir que estale a revolução. O que é preciso é atrasar a consciência dos trabalhadores. Aí têm que ser vocês a trabalhar. Seja com UGT, seja com Futebol, ou outras coisas, o trabalho aí vai ser vosso.


30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


17 de agosto de 2015

Assange -a história de uma luta pela justiça

A farsa das democracias

Adaptado de um documento de John Pilger

Um recente artigo de John Pilger, publicado (aqui) mostra as violações sistemáticas à lei, às Constituições de países como o EUA que se auto proclamam Democráticos. Refere como exemplos o cerco à Embaixada do Equador em Londres em Knightsbridge [NR] «é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu apenas para ostentar o poder do estado. Já custou £12 milhões». é a caça a «um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano». O seu “crime” foi ter denunciado os crimes monstruosos dos EUA em especial no Afeganistão e no Iraque: «a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado incisivamente pela fuga dos seus telegramas diplomáticos».

Tal como em relação a outros que denunciaram crimes igualmente repugnantes e revelaram documentos secretos «Assange está numa “Lista de alvos humanos a caçar”».

Para impedir a defesa de Assange, os EUA têm inventado as mais torpes acusações e classificaram este caso de "segredo de estado". Assim «o tribunal federal em Washington impediu a divulgação de toda informação acerca da investigação»- O mesmo aconteceu no processo contra a WikiLeaks. Esta técnica de violar as leis e a justiça, foi também usada contra o soldado Chelsea Manning e contra os presos ainda mantidos ilegalmente na odiosa prisão de Guantánamo.


Depois de uma demonstração exaustiva dos atropelos à lei para condenar Assange, John Pilger, refere «a perspectiva de uma grotesca perversão da justiça estava submersa numa campanha de vitupérios contra o fundador da WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, viciosos e desumanos foram lançados contra um homem não acusado de qualquer crime».

Depois de uma teia de artimanhas e ilegalidades, John Pilger refere que «A decisão do Equador em 2012 de proteger Assange floresceu num grande tema internacional. Muito embora a concessão de asilo seja um acto humanitário, e o poder de concedê-lo seja desfrutado por todos os estados sob o direito internacional, tanto a Suécia como o Reino Unido recusaram a legitimidade da decisão do Equador. Ignorando o direito internacional, o governo Cameron recusou-se a conceder a Assange passagem segura para o Equador. Ao invés disso, a embaixada do Equador foi colocada sob cerco e o seu governo abusado com uma série de ultimatos. Quando o Foreign Office de William Hague ameaçou violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, advertindo que retiraria a inviolabilidade diplomática da embaixada e enviaria a polícia em busca de Assange, o ultraje por todo o mundo forçou o governo a recuar. Durante uma noite, a polícia apareceu às janelas da embaixada numa tentativa óbvia de intimidar Assange e seus protectores».

«Durante três anos o Equador deixou claro ao promotor sueco que Assange está disponível para ser interrogado na embaixada em Londres e durante três anos ela permaneceu intransigente» exigindo que seja Assange a deslocar-se para, evidentemente, ser preso.

«Assange contestou o mandato de prisão nos tribunais suecos. Os seus advogados citaram decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de que ele tem estado sob detenção arbitrária, indefinida, e de que tem sido um prisioneiro virtual por mais tempo do que qualquer sentença real de prisão que pudesse enfrentar. O juiz do Tribunal de Recurso concordou os advogados de Assange: a promotora havia na verdade violado o seu dever ao manter o caso suspenso durante anos. Um outro juiz emitiu uma repreensão à promotora. E ainda assim ela desafiou o tribunal.»

John Pilger termina o seu extenso relato de acontecimentos chocantes para quem defenda a justiça, com a denúncia de que «Em 2008, uma guerra à WikiLeaks e a Julian Assange foi prevista num documento secreto do Pentágono preparado pelo Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. Ele descrevia um plano pormenorizado para destruir o sentimento de “confiança”, o qual é o “centro de gravidade” da WikiLeaks. Isto seria alcançado com ameaças de “revelação [e] processo criminal”. O silenciamento e criminalização de uma fonte tão rara de verdades era o objectivo, o enlamear era o método. Enquanto este escândalo continua a própria noção de justiça é diminuída, bem como a reputação da Suécia». Dito de outra forma o poder do imperialismo ameaça todos os que se lhe oponham.

10 de agosto de 2015

Pela Paz. Fim às armas nucleares

As razões dos criminosos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki

Os bombardeamentos no Japão com bombas tradicionais atingiram 67 das maiores cidades japonesas. Em Tóquio, a chamada Operação Capelas, entre 9 e 10 de março, matou cerca de 100 mil pessoas numa única noite. Depois de bombardeadas as maiores cidades, em 1945, os estrategas norte americanos decidiram prosseguir os bombardeamentos nas outras cidades com populações que variavam de 60 mil a 350 mil habitantes. Esses ataques foram realizados com bombas tradicionais e muito bem sucedidos segundo os critérios dos militares.
Dois tipos de bombas a experimentar
Dois tipos de bombas foram elaborados por cientistas e técnicos do Laboratório Nacional de Los Alamos, sob a liderança do físico norte-americano J. Robert Oppenheimer. A bomba de Hiroshima, conhecida como Little Boy, com base no Urânio-235 e uma outra que veio a ser experimentada em Nagazaki, mais poderosa e eficiente, mas mais complicada, com base no Plutónio-239. A primeira tinha sido testada em 16 de julho de 1945, perto de Alamogordo, Novo México.
Em abril de 1945, foi decidido analisar os alvos para o lançamento das bombas. Foram indicados cinco: Kokura, Hiroshima, Yokohama, Niigata e Kyoto com os seguintes critérios:
O alvo teria que ser maior do que 4,8 km de diâmetro e ser um alvo importante em uma grande área urbana;
A explosão teria que criar dano efetivo;
O alvo teria que ser um local improvável de sofrer ataques em agosto de 1945.
Essas cidades foram intocadas durante os bombardeios noturnos pois as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos decidiram deixá-las fora da lista-alvo para que uma futura avaliação da bomba atómica pudesse ser feita com maior rigor.
Hiroshima foi considerada um bom alvo pois tem um tamanho tal que uma grande parte da cidade poderia ser amplamente danificada. Há colinas adjacentes que são susceptíveis a produzir um efeito de focagem que iria aumentar consideravelmente os danos explosão. Considerou-se que os fatores psicológicos na seleção de alvos eram de grande importância, não só para o Japão mas também que fosse suficientemente espetacular para a importância da arma a ser reconhecida internacionalmente.

Hiroshima
Hiroshima era o alvo principal da primeira missão de bombardeio nuclear em 6 de agosto, sendo Kokura e Nagasaki como alvos alternativos. Nenhum aviso foi dado a Hiroshima que uma nova e muito mais destrutiva bomba ia ser lançada, embora tivessem sido lançados folhetos entre 3 e 27 de Julho. Um dos folhetos enumerava doze cidades-alvo de bombardeios: Otaru, Akita, Hachinohe, Fukushima, Urawa, Takayama, Iwakuni, Tottori, Imabari, Yawata, Miyakonojo e Saga. A cidade de Hiroshima não estava na lista. No momento do ataque, com a bomba atómica, em 6 de Agosto de 1945, a população era de 340 a 350 mil pessoas.

Nagasaki
Em 9 de Agosto foi decidido lançar a segunda bomba de um outro modelo com base no Plutónio-239, ainda não experimentado. No dia do atentado, cerca de 263 mil pessoas estavam em Nagasaki, incluindo 240 mil residentes japoneses, 10 mil moradores coreanos, 2,5 mil trabalhadores coreanos recrutados, 9 mil soldados japoneses, 600 trabalhadores chineses recrutados e 400 prisioneiros de guerra aliados.

As razões
É concensual entre os amantes da Paz que não se justificava este massacre de populações civis como refere o Apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação publicado ontem dia 9 neste blogue. Ali e no artigo do Jornal Avante, estão fundamentadas as razões. Contudo, muitos intelectuais, continuam a debater o assunto, em torno de uma falsa questão que é saber se a bomba era necessária para derrotar o Japão já derrotado. Os americanos continuam a defender que as bombas salvaram muitos americanos e Churchill que as bombas salvaram um milhão de norte-americanos e metade desse número de vidas britânicas.

O Japão já estava derrotado
Na altura em que os Estados Unidos lançaram sua bomba atómica sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, a União Soviética tinha declarado guerra ao Japão e lançado um ataque surpresa com 1milhão e seiscentos mil de soldados contra o Exército de Guangdong na Manchúria. "A entrada soviética na guerra", observou o historiador japonês Tsuyoshi Hasegawa, "desempenhou um papel muito maior do que as bombas atómicas em induzir Japão a render-se, porque exisitia alguma esperança de que o Japão poderia terminar a guerra através da mediação de Moscovo".
As intenções sempre foram outras
Quem for sério nestas avaliações, verifica facilmente que muito antes da bomba ser lançada já havia a intenção dos Estados Unidos imporem uma supremacia internacionalmente e em especial em relação à União Soviética. Na verdade, as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki serviram para afirmar a hegemonia militar dos EUA, como potência imperialista no mundo. 
Estas práticas já vêm de longe
Essa determinação totalitária tem sido afirmada nas constantes guerras, na intromissão na política de Estados independentes e no provocar de guerras civis com o auxílio do terrorismo que criam, e apoiam quer financeiramente quer com armamento. Nos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki morreram centenas de milhar de pessoas e mais de cem mil ficaram afetadas para o resto da vida. Nas muitas guerras pela supremacia militar, económica que os Estados Unidos provocam em vários pontos do planeta, desde o Vietnam passando pelo Chile, Africa e Médio Oriente, mostram o que é o imperialismo. A luta dos povos pela Paz é um imperativo. 

Grande parte deste texto foi elaborado com base nas informações recolhidas em documentos em especial na Wikipédia  ver
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki

9 de agosto de 2015

Nunca Mais!

70 anos dos bombardeamentos nucleares contra Hiroxima e Nagasáqui


Pela sua importância e significado para os dias de hoje, quando os Estados Unidos da América espalham a guerra no mundo e desenvolvem as mais terríveis armas para mostrar a hegemonia do seu poder imperialista, publicamos o veemente apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação:

Assinalam-se, a 6 e 9 de Agosto respectivamente, 70 anos sobre os bombardeamentos nucleares, pelos Estados Unidos da América, contra as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Nesta data, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) lembra o acto de barbárie cometido contra populações indefesas num momento em que o império japonês já se encontrava militarmente derrotado, na frente terrestre na Ásia e na frente aéreo-naval do Pacífico, e se havia iniciado o processo da sua capitulação às Forças Aliadas.

Os bombardeamentos atómicos das duas cidades japonesas – sem qualquer importância para o desfecho da guerra – constituíram acima de tudo uma aterrorizante demonstração de superioridade militar por parte dos EUA. Pela sua própria natureza, a arma atómica não tem como destino a utilização na frente de batalha, mas sim as populações civis e os centros urbanos e industriais.

Para além das 250 mil mortes provocadas no imediato, e nos dias subsequentes, os bombardeamentos atómicos deixaram uma herança de sequelas graves nas populações vizinhas: a proliferação de doenças cancerígenas e malformações genéticas, que persistem hoje, sete décadas passadas, atribuídas à exposição às radiações ionizantes e às substâncias radioactivas.



Aterrorizados com este que foi, sem dúvida, um dos maiores crimes alguma vez perpetrados, os povos do mundo uniram-se para que tal tragédia não voltasse a acontecer, fazendo do Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares (lançado em 1950) uma gigantesta manifestação contra as armas nucleares. Essa causa mantém hoje flagrante actualidade, tendo em conta que o actual arsenal de armas nucleares é infinitamente maior e mais poderoso, a utilização destas armas significaria a destruição da espécie humana e da civilização.

Num momento em que muitos milhões de seres humanos são confrontados com a regressão das suas condições de vida e dos seus direitos, as despesas militares mundiais atingiram, em 2014, qualquer coisa como 1,8 biliões de dólares, parte considerável dos quais canalizados para a manutenção e modernização de armas nucleares.

Reafirmando o seu compromisso com a construção de um mundo de justiça e paz o CPPC presta homenagem às vítimas das armas nucleares lançadas em Hiroxima e Nagasáqui, e exige:
  
-Que nunca mais se repita o holocausto nuclear;
  
-A abolição das armas nucleares e de extermínio em massa e o desarmamento geral e controlado;
  
-O cumprimento das determinações da Constituição da República Portuguesa e da Carta das Nações Unidas, em respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados e igualdade de direitos dos povos. 

18 de janeiro de 2015

O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ (3)

Espionagem que pouco tem a ver com o terrorismo

A NSA é a maior agência deste tipo à escala mundial. A sua acção consiste em especial na interceptação e análise das comunicações. Até há pouco tempo as operações da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos eram realizadas de forma secreta e o governo norte-americano negava a sua existência.

Desde que Edward Joseph Snowden, analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA tornou público, em junho de 2013 detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana, revelados pelos jornais Washington Post e The Guardian não foi possível mais esconder a existência dessa Agência.

Especialistas afirmam que a NSA tem uma operação chamada Sistema Echelon em conjunto com agências de outros países como a "Government Communications Headquarters" (Reino Unido), a "Communications Security Establishment" (Canadá), a "Government Communications Security Bureau" (Nova Zelândia) e a "Defence Signals Directorate" (Austrália). 
O Echelon consiste na análise de comunicações do mundo inteiro, com o argumento de encontrar mensagens que possam ser uma ameaça à segurança de qualquer daquelas nações. Porém, o sistema, já foi acusado de promover também a espionagem industrial, uma vez que recolhe informações de todos os movimentos de empresas, de seus projectos e mercados.

Para terminar esta série de textos, volta-se a referir o perigo do controlo total da Internet, meio pela qual hoje é possível a livre circulação de informações, muitas das quais são a forma de contornar o controlo dos órgãos de comunicação social dominados pelos grandes grupos económicos e pelo imperialismo norte americano. Hoje a Internet representa a possibilidade do debate de ideias e o contraditório indispensável à democracia.

Acabando por onde comecei:
Estejamos prevenidos para que a luta pela liberdade de expressão, afirmada na solidariedade a Charlie Hebdo, não degenere na retirada da precária liberdade que ainda existe através da Internet, a pretexto do combate ao terrorismo.


Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_de_Segurança_Nacional
http://www.nsa.gov/about/index.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/PRISM_(surveillance_program)
http://www.defesaaereanaval.com.br/tag/cia/page/2?print=print-page
http://pt.wikipedia.org/wiki/PRISM_(programa_de_vigil%C3%A2ncia)
http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2013/09/metodos-de-espionagem-da-nsa-intrigam-especialistas.shtml
http://www.infoescola.com/estados-unidos/agencia-de-seguranca-nacional-nsa/
http://www.publico.pt/mundo/noticia/programa-da-nsa-recolhe-quase-tudo-o-que-um-utilizador-comum-faz-na-internet-1601891
http://www.esquerda.net/dossier/quem-%C3%A9-edward-snowden/28576
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861#ixzz3Oo3AwW5I
http://www.ionline.pt/artigos/mais-livros/livro-sobre-ex-analista-da-cia-edward-snowden-publicado-portugal
http://port.pravda.ru/mundo/16-03-2014/36422-snowden-0/
http://www.esquerda.net/dossier/ignacio-ramonet-%E2%80%9Csomos-todos-vigiados%E2%80%9D/28557



16 de janeiro de 2015

O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ (2)

O polvo que tudo quer controlar

Continuando o assunto do pretexto do terrorismo para os EUA incrementarem os seus programas de espionagem em todo o mundo, e com base no relato de Greenwald a partir das denúncias do ex-administrador de sistemas da CIA, Edward Snowden, como foi referido na publicação anterior, diz o jornalista: «Ao longo das últimas décadas, os líderes norte-americanos têm tirado partido do medo do terrorismo – alimentado pelos constantes exageros da verdadeira ameaça que este constitui – para justificar uma série de políticas extremistas. Este medo tem levado a guerras de agressão, regimes de tortura por todo o mundo, e à detenção (e até homicídio) de cidadãos estrangeiros e norte-americanos sem acusação».

O livro, publicado em Portugal e já referido anteriormente, aborda ainda outros casos como o processo WikiLeaks, de Julian Assange, e as acções do soldado Maning, que forneceram as informações sobre acções ocorridas durante a invasão do Iraque e da intervenção militar no Afeganistão. Também nesses casos comprovámos que o Terrorismo no Afeganistão foi financiado pelos EUA e os métodos que a CIA utiliza são iguais aos dos terroristas.
Como a NSA infecta nos computadores para recolher informações
Além dos casos de vigilância, espionagem e ataques informáticos, contabilizados em mais de 50.000 infecções de redes, Greenwald relata o longo processo político que acompanha os actos de vigilância e a resposta da administração do Presidente norte-americano, Barack Obama, e do Governo britânico sobre Edward Snowden, acusado de espionagem, e que se encontra actualmente refugiado na Rússia.

Para além da CIA e do Programa de vigilância global PRISM, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), fundada em novembro de 1952, é o órgão responsável pela utilização do sistema SIGINT (Signals Intelligence), que consiste na interpretação e selecção a partir de sinais, o que inclui criptoanálise e interceptação. A NSA é responsável pela base de dados obtidos pelo SIGINT, tornando-se o maior órgão de dados de criptologia do mundo.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_de_Segurança_Nacional
http://www.nsa.gov/about/index.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/PRISM_(surveillance_program)
http://www.defesaaereanaval.com.br/tag/cia/page/2?print=print-page
http://pt.wikipedia.org/wiki/PRISM_(programa_de_vigil%C3%A2ncia)
http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2013/09/metodos-de-espionagem-da-nsa-intrigam-especialistas.shtml
http://www.infoescola.com/estados-unidos/agencia-de-seguranca-nacional-nsa/
http://www.publico.pt/mundo/noticia/programa-da-nsa-recolhe-quase-tudo-o-que-um-utilizador-comum-faz-na-internet-1601891
http://www.esquerda.net/dossier/quem-%C3%A9-edward-snowden/28576
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861#ixzz3Oo3AwW5I
http://www.ionline.pt/artigos/mais-livros/livro-sobre-ex-analista-da-cia-edward-snowden-publicado-portugal
http://port.pravda.ru/mundo/16-03-2014/36422-snowden-0/
http://www.esquerda.net/dossier/ignacio-ramonet-%E2%80%9Csomos-todos-vigiados%E2%80%9D/28557



14 de janeiro de 2015

O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ (1)

Os pretextos para o controle global para impor a hegemonia

O ataque terrorista ao Charlie Hebdo veio, entre outras coisas, alimentar os que precisavam de argumentos para um, ainda maior, controle de comunicações, da Internet e da localização das pessoas, em todo o mundo.

Foi noticiado que na sexta os ministros da Administração Interna da UE vão começar a discutir que regras mudam no espaço Schengen. Discussão que já é longa EUA e no reino Unido. Obama tem vindo a argumentar com o ciberterrorismo para lançar mais ataques ciberterroristas que há muito utiliza e põe em causa a privacidade. David Cameron tenta forçar uma nova lei de escutas telefónicas e espionagem online. 

Isto leva-nos para as informações que o jornal i publicou a partir da Lusa, em 20 de Maio de 2014. 
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald destaca no livro “Sem Esconderijo – O Caso Snowden nas palavras de quem o revelou”, lançado em Portugal pela Bertrand Editora, “a coragem” do ex-analista dos serviços de informação norte-americanos Edward Snowden ao denunciar a espionagem global que os EUA praticam.

Vou portanto publicar em várias etapas, as informações que me pareceram mais importantes para tomarmos consciência do que é o imperialismo e as suas ramificações nos países do mundo. Note-se que estas denúncias referem-se apenas à espionagem dos EUA. Espionagem que serve para muitas das operações de desestabilização de governos e países que não se sujeitam à sua política. Sobre essas acções, golpes para depor governos, guerras em vários países e apoio a facções terroristas, já muita coisa foi dita neste blogue. No final destes artigos, são apresentadas as "fontes" e os links para as muitas publicações sobre este assunto.

Em abril de 2013 Snowden envia a Greenwald, por e-mail, os primeiros documentos classificados da NSA e que surpreenderam de imediato o jornalista.

O livro "Sem Esconderijo", relata a partir do encontro em Hong Kong, em que Greenwald foi acompanhado pela realizadora de documentários Laura Poitras, as teias que ligam um grande número de agências colocadas pelos EUA em todo o mundo.

Citando, “A coragem de Snowden, aliada à relativa facilidade em copiar informação digital, permitiu-nos ter uma visão, em primeira mão e sem paralelo, de como o sistema de vigilância efetivamente funciona”, sublinhou Greenwald, que ao longo do livro detalha as atividades do Programa PRISM, de vigilância de mensagens de correio eletrónico e ligações telefónicas em todo o mundo sob a justificação da luta contra o terrorismo».

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_de_Segurança_Nacional
http://www.nsa.gov/about/index.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/PRISM_(surveillance_program)
http://www.defesaaereanaval.com.br/tag/cia/page/2?print=print-page
http://pt.wikipedia.org/wiki/PRISM_(programa_de_vigil%C3%A2ncia)
http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2013/09/metodos-de-espionagem-da-nsa-intrigam-especialistas.shtml
http://www.infoescola.com/estados-unidos/agencia-de-seguranca-nacional-nsa/
http://www.publico.pt/mundo/noticia/programa-da-nsa-recolhe-quase-tudo-o-que-um-utilizador-comum-faz-na-internet-1601891
http://www.esquerda.net/dossier/quem-%C3%A9-edward-snowden/28576
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861#ixzz3Oo3AwW5I
http://www.ionline.pt/artigos/mais-livros/livro-sobre-ex-analista-da-cia-edward-snowden-publicado-portugal
http://port.pravda.ru/mundo/16-03-2014/36422-snowden-0/
http://www.esquerda.net/dossier/ignacio-ramonet-%E2%80%9Csomos-todos-vigiados%E2%80%9D/28557


10 de janeiro de 2015

O perigo da III Guerra Mundial

A estratégia dos EUA para se salvarem do declínio

Na publicação Carta Maior, Boaventura de Sousa Santos (BSS) fez uma análise à situação internacional que o levou a concluir poder estar em germinação uma Terceira Guerra Mundial.

Diz BSS essa guerra está a ser «provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da Europa. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia». Foca a aprovação pelo Congresso dos EUA da «Resolução 758 que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia». 

Refere BSS que «Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda». 

A guerra da propaganda e domínio da informação

Sobre as sanções e o apoio ao governo fascista da Ucrânia, não vale a pena repetir o que é já conhecido. Sobre a terceira componente, salienta BSS que «os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitime a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia». 
BSS dá exemplos com a ocultação da forma como foi formado o governo fantoche da Ucrânia, como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em fevereiro passado, e o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. 
Cita o grande jornalista, John Pilger, que «dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos» e pergunta «Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?».

O esmagamento da Democracia

Lembra que 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia, contudo os seus representantes votam a favor. Acusa a Europa de estar a seguir a pisadas dos EUA.

Na segunda parte do seu trabalho aponta «As razões da insanidade». 

Assim explica que os EUA estão em declinio, e o negócio altamente lucrativo da guerra, é essencial para salvar o poder hegemónico imperialista. «A Rússia e a China, os maiores credores dos EUA, têm vindo a vender os títulos do tesouro e em troca têm vindo a adquirir enormes quantidades de ouro». Entre parêntesis, recorda que Saddam e Kadafi, que procuraram usar o euro, em vez do dólar, foram vítimas da sua ousadia, eles e os seus países miseravelmente destruídos.
O segundo indício é o facto do FMI que se prepara «para que o dólar deixe de ser nos próximos anos a moeda de reserva e seja substituída por uma moeda global, os SDR (special drawing rights)».

Aponta BSS que tudo isto indica que um ataque aos EUA está próximo e que «têm de manter os petrodólares a todo o custo, assegurando o acesso privilegiado ao petróleo e ao gás. Para isso têm de conter a China e tem de debilitar a Rússia, idealmente provocando a sua desintegração, tipo Jugoslávia». 

Os lucros da guerra à custa de milhões de mortos

E ainda que «A guerra é altamente lucrativa devido à superioridade dos EUA na condução da guerra, no fornecimento de equipamentos e nos trabalhos de reconstrução». Citando Howard Zinn, «os EUA têm estado permanentemente em guerra desde a sua fundação». Diz ainda BSS que, «ao contrário da Europa, a guerra nunca será travada em solo norte-americano, salvo, claro, o caso de guerra nuclear». Mostra que em 14 de Outubro passado, «o New York Times divulgava o relatório da CIA sobre o fornecimento clandestino e ilegal de armas e financiamento de guerras nos últimos 67 anos» e recorda que Noam Chomsky disse em “The Laura Flanders Show” que aquele documento só podia ter o seguinte título: “Yes, we declare ourselves to be the world´s leading terrorist state. We are proud of it” (“Sim, declaramos que somos o maior estado terrorista do mundo e temos orgulho nisso”).

«Um país em declínio tende a tornar-se caótico e errático na sua política internacional» a ponto de Immanuel Wallerstein dizer que «os EUA se transformaram num canhão descontrolado (a loose canon), um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para ele próprio e para os outros». 
Termina BSS com a demonstração de que a Europa «perde a relativa autonomia que tinha construído no plano internacional» e a sua economia é posta «ao serviço da política geoestratégica dos EUA» 

3 de janeiro de 2015

Que nos traz para 2015 a nova tática dos EUA com Cuba?

Estados Unidos, cada vez mais isolados, tentam novas formas de fazer o mesmo

Como foi amplamente noticiado, na quadra natalícia, Obama fez um solene discurso onde se dispôs a alterar as relações de hostilidade para com Cuba. Nesse discurso, Obama reconhece a derrota da táctica que há mais de meio século os EUA utilizaram, táctica que ele não referiu mas é sabido que viola todas as normas do direito internacional, e é cada vez mais contestada em todo o mundo. Táctica que também sabemos que visa submeter o povo da ilha a privações que forcem à sua submissão aos EUA.

No discurso de Obama não houve uma palavra de desculpa pelos crimes cometidos, nem uma expressão de remorso. Pelo contrário a tónica do discurso foi para dizer que a táctica até aqui utilizada pelos EUA, falhou e, portanto, deve ser alterada. Alterada para quê? Ele apenas disse, para melhor defender os nossos interesses. Ou seja para melhor atingirem o desde sempre sonhado, objectivo de derrotar a Revolução Cubana.

Mais que o fracasso da táctica é fracasso da política
Há muito que o poder económico que levou Obama à presidência, considera que a diplomacia da canhoneira não é a melhor, face à evolução do cenário mundial, que cada vez menos a aceita. É a velha táctica de que "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma".

Obama por um lado, confirmou, diplomaticamente, a vontade de manter o poder hegemónico, arrogando o direito de se intrometer nos assuntos internos dos Estados, (neste caso de Cuba) para conseguir a influência na região (que está a perder - isso ele não disse). No entanto reconheceu o fracasso da estratégia utilizada há 50 anos, que não é hoje simpática. 
Cuba Vencerá!
No entanto as forças ultra reaccionárias dos Estados Unidos, continuaram a optar pela política da força. Consideram que os discursos de Obama, apesar de cínicos, dão uma imagem de fraqueza. Acabar com a prisão de Guantanamo e as torturas a presos que apesar de não terem culpa formada, sem julgamento, seria uma cedência.

O isolamento e desprestígio
Obama, e o país que representa, foram ficando cada vez mais desprestigiados, também perante a opinião pública mundial. Uma das expressões desse desprestígio e isolamento foram as constantes votações de todos os países do mundo na ONU, por quase unanimidade, que sempre condenaram o bloqueio a Cuba. 
O grande capital, estava a perder com isso. Sem alterar nada aos seus objectivos de derrotar a Revolução Cubana, insistiram numa política mais habilidosa. Retomaram a estratégia inicial e "deram instruções a Obama", para fazer o papel, não de arrependido, mas "de mais moderno". Assim no seu discurso Obama considerou que para atingirem os objectivos há muito pretendidos, era errado prosseguir com o bloqueio a Cuba. Para dar mais consistência aos seus propósitos, mandou libertar os 5 Cubanos presos.

A nova estratégia surtiu algum efeito nos mais crédulos. No entanto não confundamos as coisas. Os Estados Unidos não alteraram um milímetro da sua política imperialista. Pelo contrário pretendem desta forma reforçá-la. Entrar em Cuba, alargar o "mercado" para aumentar o lucro dos grandes monopólios americanos, e sabotar a economia de Cuba.

Não bastam as palavras
Contudo Cuba exige o desmantelamento total da hostilidade política para com o governo de Cuba, que acabem as acções terroristas contra Cuba e a entrega do espaço do território cubano ocupado, ilegalmente, pela Base norte americana e prisão de Guantanamo.  Os 5 cubanos presos foram libertos. Essa foi uma grande vitória da solidariedade internacional para com Cuba. No entanto Obama nada disse sobre a extinção das elevadíssimas verbas destinadas a apoiar dissidentes cubanos, nem dos programas da CIA e departamentos especializados para promover a desestabilização política de Cuba, nem sequer de medidas para acabarem as acções terroristas contra Cuba pela minoria que ainda sonha em Miami restaurar o velho regime em Cuba. 

Portanto:
- Os EUA foram obrigados a mudar de táctica face ao crescente isolamento e condenação da sua política.
- Essa atitude é uma vitória da luta que se expandiu em todo o mundo em defesa de Cuba, tal com a que se está a gerar em defesa da Palestina.
- Os EUA não mudaram de política. Pelo contrário, ao mudar de táctica reconhecendo o falhanço da táctica anterior, querem experimentar formas mais sofisticadas de alcançar os seus objectivos.



1 de janeiro de 2015

manual da CIA para assassinatos políticos

Wikileaks revela manual da CIA para assassinatos políticos

Um manual secreto da Agência Central de Inteligência (CIA) que define o assassinato político como forma de limitar a ação de grupos insurgentes circula atualmente na internet, após ter sido revelado pelo site Wikileaks.

A REUTERS/Petar Kujundzic reproduziram partes de um relatório secreto da CIA que analisa diversas operações de assassinato em vários países. Estão referenciados os alvos entre os quais está a Organização para a Libertação de Palestina (OLP), Exército Republicano Irlandês (IRA), a Frente de Libertação Nacional de Argélia (FLN) e as FARC.

A publicação do Wikileaks foi divulgada na Internet dez dias depois do Comitê de Inteligência do Senado norte americano ter apreciado o relatório secreto, só parcialmente divulgado, sobre o emprego da tortura contra prisioneiros supostamente vinculados a acções terroristas, sem acusações formais nem julgamento em Tribunal.

O manual revelado pelo Wikileaks data de 7 de julho de 2009, seis meses depois de Leon Panetta assumir a direção da CIA e pouco depois de que o agente John Kiriakou – atualmente preso – denunciasse pela primeira vez a prática de crueis torturas por parte de oficiais interrogadores.

Segundo o Wikileaks, o relatório da CIA inclui estudos de casos no Afeganistão (2001-2009), Argélia (1954-1962), Colômbia (2002-2009), Iraque (2004-2009), Israel (de 1972 a 2009), Peru (1980-1999), Irlanda do Norte (1969-1998) e Sri Lanka (1983-2009).

As operações descritas nos planos da CIA incluem: assassinatos políticos, sequestros, remoção de lideranças, neutralização e marginalização de dirigentes guerrilheiros.

Ademais, encontram-se evidências sobre a participação da CIA na luta contra as guerrilhas na Colômbia durante o mandato de Álvaro Uribe, através de ataques a objetivos de alto valor combinando operações militares e de informação e programas para provocar e tratar desertores.

Não são referidas as acções em Portugal após o 25 de Abril, em conluio com Mário Soares e Carlucci. Essas estão noutros documentos.



22 de dezembro de 2014

Estamos no Natal e Aproxima-se 2015

Natal começou por ser a festa do sol, da luz, do crescimento dos dias contra a escuridão.

O sol quando nasce é para todos. E todos, é mesmo todo o mundo.
Mais uma vez o mundo está em complexa convulsão reflexo das mudanças de ordem mundial.
Vimos guerras e conflitos em sucessão cada vez mais globais.
Poderosos interesses económicos de grupos reduzidos, dominam a política e pisam direitos humanos, a paz, a justiça internacional até aqui respeitada.
Os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria, acentuaram a sua hegemonia no mundo. Esta terminou mas reacenderam-se guerras muito mais dolorosas. Guerras onde morrem centenas de milhar de pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos. Guerras que têm reflexos em todos nós.
A lei internacional é permanentemente desprezada e substituída pela lei do mais forte. Povos inteiros são dominados e subjugados aos interesses das grandes economias e das multinacionais sem pátria.

O imperialismo tem não só a força das armas, mas também o controle total dos meios de comunicação globais, reescrevendo a história de acordo com os seus interesses para manipular as consciências e a opinião pública e colectiva. Esse controlo é total na medida que controla a quase totalidade dos agentes da informação.
Hoje com a "realidade" virtual, criam-se factos, inventam-se situações para deturpar a realidade objectiva e o conhecimento. Para distrair a humanidade desviando, e escondendo crimes e acções repugnantes praticadas para que o imperialismo consolide o seu poder. Poder que domina pelas armas e pela informação, pela destruição de valores humanos e sua substituição por uma cultura globalizada que introduz valores que facilitam a aceitação do domínio do mais forte.
Cultura que conforma, que não perspectiva a autonomia e capacidade colectiva da mudança.

A soberania nacional, a autonomia, foi substituída pelos mercados que fazem a lei. Passou-se a um novo tipo de colonização dos mais fracos, acompanhado de cultura da aceitação dessa perda de independência face ao poder financeiro dos bancos internacionais.
Os que não aceitam essas imposições são sujeitos a boicote e bloqueio dos poderosos, como tem sido o caso de Cuba. É paradigmática esta situação. Mais de cinquenta anos de bloqueio condenado internacionalmente por resoluções quase unânimes de todos os países do mundo, não tiveram qualquer efeito na decisão de um único país.
Israel, com a cumplicidade dos EUA, faz uma guerra e ocupação ilegal, da Palestina, matando muitos milhares de civis, de mulheres e crianças inocentes.

Há muito que poderosas agências de espionagem como a CIA, com mais de 170.000 agentes espalhados pelo mundo, fomentam conflitos, armam, treinam e financiam seitas e grupos terroristas, para derrubar governos legítimos que não obedeçam às suas ordens.
Apoiam o nazismo e fascismo em vários países. Apoiam ditadores que lhes entreguem as riquezas do país à exploração das empresas americanas. Fomentam a guerra entre religiões de acordo com o princípio "dividir para reinar" e assim intervirem do lado que lhes interessar.

Um relatório recentemente aparecido ao conhecimento público mostra uma pequena parte dos métodos de intervenção mais escabrosos, torturando até à morte muitos presos, muitas vezes sem qualquer culpa, apenas para obter informações.

Usam a chantagem directa em relação a Governos e Presidentes da República de vários países. Fazem espionagem e vigiam empresas de todo o mundo. Gastam milhares de milhões de dólares para manter o mundo inteiro sob sua vigilância, incluindo os seus mais próximos aliados.
Muito do dinheiro vem da droga, cuja produção aumentou várias vezes, com as forças que controlam o Afeganistão. Outra fonte de financiamento é a venda de petróleo produzido em território controlado pelos terroristas.

Quase tudo isto tem acontecido depois da queda do Muro de Berlim e da destruição dos países socialistas.
Estará o mundo melhor?
Assistimos a cada vez mais conflitos que se generalizam no interior do mundo dito civilizado. Mortes, assassínios em massa, feitos por crianças, jovens ou adultos em escolas. É esta a cultura fomentada. O exemplo vem de cima. Os EUA têm o recorde mundial de presos. 
A fome assola o mundo . A pobreza cresce no mesmo ritmo que crescem as grandes fortunas. O trabalho escravo aumenta tal como o tráfico humano e o tráfico de droga.

Aumenta o perigo de as guerras se alastrarem às grandes potências podendo caminhar para uma guerra mundial. Hoje muitos tipos de armas de alta precisão estão já próximo das armas de destruição em massa em termos de capacidade mortal. Os riscos são cada vez maiores.

Haverá quem julgue despropositado falar disto em época natalícia. Haverá quem prefira não conhecer esta negra realidade.
No entanto, não ficaria bem com a minha consciência limitar-me às bonitas mensagens de Natal sem pensar nos que sofrem.
Tentarei intervir e evitar ser dominado pela cultura que nos querem impingir: "não há nada a fazer". "Sempre foi assim e sempre há-de ser".

17 de dezembro de 2014

O controlo da Informação

O significado do silenciamento do discurso de Putin

No sítio de O Diário info, foi feita uma análise ao importante discurso de Putin, discurso também aí publicado.

Sem comentar a análise de Atílio A. Boron nem o "importante e histórico" discurso, quero apenas alertar para uma questão que me é muito cara e várias vezes referida: 
O domínio da Comunicação Social, ou da Informação, a nível mundial, por um conjunto de cadeias de difusão das notícias, privadas e públicas controladas pelo poder económico que manipula também governos e políticas.

O que aconteceu a este importante discurso é um exemplo flagrante. 

Os factos são:
- Putin fez uma análise da situação internacional e lançou sérios avisos a todo o mundo. 
- Esta análise e avisos foram silenciados, (censurados), por toda a Comunicação Social.

Diz Atílio A. Boron: «Este discurso foi ignorado porque nele se traça um diagnóstico realista e isento de qualquer eufemismo para denunciar a aparente e imparável deterioração da ordem mundial e os diferentes graus de responsabilidade dos principais actores do sistema».



Conclusão:
Não fora a acção, ainda que débil, da informação alternativa, em especial na Internet, e, hoje, o direito de sermos livremente informados, estaria suprimido. O total controle das informações e da formação das opiniões, é o objectivo para "formatar as consciências" de acordo com o modelo que interessa, para que sejamos autómatos obedientes, máquinas para trabalhar, pensando apenas no que, para o "sistema", é útil. 
Os comentários de Boron e o discurso de Putin põem, também, o dedo nessa ferida.

Alerta à navegação:
O controlo da Internet, é passo importante para que o poder económico seja também o poder do total domínio das consciências. Não sendo fácil que nos calem, os objectivos passaram a ser: 
- Primeiro: Que o que dissermos não tenha qualquer efeito.
- Segundo: Que o que falarmos seja o que eles querem que digamos. 
Então seremos mais um veículo de transmissão das suas vontades tidas como "ideias".
De facto, é bem conhecido o papel que a informação tem na nossa (de)formação.

Afinal não é assim tão segura a mensagem de Manuel Freire:
Não há machado que corte 
a raíz ao pensamento...
Por isso, enquanto é tempo, é preciso garantir que:
Nada apag(ue) a luz que vive 
num amor num pensamento...
Porque, assim, não deixaremos que dominem a nossa vontade, de "ser livre como o vento"